Foi em maio de 2013. Cristiano Ronaldo abriu o marcador, Diego Costa e Miranda deram a volta. O Atl. Madrid venceu o Real Madrid e conquistou a Taça do Rei. José Mourinho deixou os merengues no final da temporada, na sequência de um ano em que só venceu a Supertaça, e aquele dérbi em que Diego Simeone celebrou foi mesmo o último do treinador português.

Até este domingo. No Metropolitano, o Real Madrid visitava o Atl. Madrid e José Mourinho regressava aos dérbis da capital espanhola 13 anos depois. Vindo de três vitórias consecutivas que se seguiram à derrota com o Betis, o treinador português enfrentava o primeiro grande desafio a nível interno desde que decidiu regressar ao Bernabéu, defrontando um verdadeiro candidato à conquista de troféus e, ainda por cima, um velho conhecido.

“Um dérbi tem sempre algo mais. Os dérbis são história, cultura, paixão dos adeptos, jogadores, treinadores… De alguns, que rapidamente percebem o que significa. Mas depois é um jogo de três pontos. É difícil dizer, porque vestes a camisola de um clube passas a sentir como um adepto. Não há um dérbi em que vás pela rua na semana anterior e alguém não te diga ‘vamos matar a Juve’ ou seja quem for o adversário. Quanto a Simeone, chamaram-me para falar no documentário dele e não hesitei um minuto. Ele sabe o que penso dele. O primeiro é o respeito. Somos rivais, mas companheiros de guerra”, atirou Mourinho na antevisão da partida.

Assim, o treinador português lançava Vinícius, Jude Bellingham e Arda Güler no apoio a Mbappé, com Tchouaméni e Fede Valverde no meio-campo e Bernardo Silva a começar no banco. Do outro lado, num Atl. Madrid que vinha de duas vitórias seguidas, Diego Simeone tinha Kang-in Lee e Jonathan David no ataque, com Grimaldo e Giuliano Simeone abertos nos corredores, e Morten Hjulmand era suplente.

Numa primeira parte sem golos, a intensidade do dérbi de que José Mourinho tinha falado ficou comprovada quando, ao fim de cinco minutos, Diego Simeone viu cartão amarelo por protestos. O equilíbrio manteve-se até ao intervalo, alternando entre períodos de algum ascendente de cada uma das equipas, sendo que os merengues demonstravam muita dificuldade para superar a pressão bem medida dos colchoneros.

Simeone mexeu logo no início da segunda parte, trocando Marc Pubill por Koke, e não foi preciso esperar muito para perceber que seria o Atl. Madrid o grande protagonista do dérbi a partir daí. Álex Baena deixou o primeiro aviso, com um remate que Courtois defendeu (47′), e logo a seguir Dean Huijsen fez falta sobre Giuliano Simeone no interior da grande área e foi expulso, com Grimaldo a converter o penálti para abrir o marcador (53′).

Mourinho tentou reagir com duas substituições, abdicando de Vinícius e Arda Güler para lançar Yan Diomande e remendar a defesa com Rüdiger, mas os colchoneros estavam lançados e não demoraram dez minutos a aumentar a vantagem, com Jonathan David a finalizar na área após assistência de Simeone na direita (59′). Julián Álvarez entrou pouco depois, assim como Ademola Lookman, e Cuti Romero ficou muito perto de fazer o terceiro com um cabeceamento na área que Courtois defendeu com uma intervenção brutal (66′).

Bernardo e Eduardo Camavinga entraram, numa altura em que parecia que já nada ia mudar, e os merengues ainda reduziram a desvantagem à beira dos descontos e por Rüdiger, que cabeceou na sequência de um livre do português (89′). A reviravolta, porém, já não foi a tempo. O Atl. Madrid venceu mesmo o Real Madrid no Metropolitano — ou seja, 13 anos depois, José Mourinho voltou a perder com o companheiro de guerra Diego Simeone, num dérbi em que foi traído pela inferioridade numérica, mas onde também não conseguiu superiorizar-se até aí.