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Comissão de Inquérito da Rádio Observador, hoje com o publicitário Edson Ataíde, um dos publicitários mais premiados em Portugal. O Edson é também especialista em marketing e comunicação política. Edson, bem-vindo à Comissão de Inquérito. Bom dia.

Olá, bom dia. Me tratem bem, se faz favor.

Isso não vai acontecer. Vai. Edson, vamos começar pelas regras. Já sabe, são cinco perguntas, cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedir ajuda e acertar, recebe dois. Se falhar, bola, zero.

Vai ver que vamos começar com uma muito fácil. Qual foi o principal slogan da campanha presidencial de António José Seguro?

Ele usou a palavra seguro várias vezes. Vota seguro, um futuro seguro.

Está certo.

É isso mesmo.

Futuro seguro.

É, foi esse mesmo. E quase não houve campanha na segunda volta das presidenciais, por causa das sucessivas tempestades. O que se faz numa situação dessas? Quem está a organizar uma campanha, o que faz? Não faz nada? Vai ao local ajudar? O que recomendaria?

O bom senso diria: vai ao local ajudar. Mas isso não quer dizer que seja uma verdade absoluta, porque cada candidato, cada político, cada partido tem a sua maneira de exprimir na sociedade. Nem sempre, infelizmente, ajudar ou ajudar sinceramente é o caminho escolhido ou o caminho que seja mais eficaz para aquele determinado candidato político ou partido. Eu advogo que seria bem melhor para a sociedade se todos pudessem agir naturalmente de um jeito positivo. Mas não é verdade. Ou seja, há quem tenha outros sentimentos.

Os dois candidatos tiveram estratégias muito diferentes.

É, diferentes. Voltamos à questão do que é ajudar. Ou seja, para uns, ajudar significa fazer coisas que sejam para o bem da comunidade. Para outros, ajudar significa atacar quem está no terreno tentando ajudar. Ou seja, o eleitor não necessariamente se rege pelos mesmos critérios da nossa cabeça ou do senso comum. Ele se rege pela cabeça dele, que em geral está aliada a um grupo. Se ele é minoritário ou majoritário, depende do ponto de vista, mas não existe isso do eleitor que é igual, que seja o senso comum de todos. Não existe isso.

Sim, e pelo que viu, cada um deles falou para os seus eleitores.

Cada um tentou falar para os seus eleitores, um debaixo da chuva real, o outro de uma chuva imaginária ou feita em inteligência artificial, um carregando o peso da responsabilidade, o outro carregando o peso quase sobre-humano de quatro garrafas de água.

Achou graça a esse vídeo de André Ventura, que teve até um toque de inteligência artificial?

Eu já não acho graça ao personagem há muito tempo, se é que algum dia achei. E acho nenhuma graça às estripulias e os números circenses que ele faz. Mas veja bem, só há espetáculo se há palhaços. Então, na verdade, se ele se porta assim e as pessoas gostam dele e votam nele, parabéns para todos os envolvidos.

Pronto, a segunda pergunta tem tudo a ver com esse tema. E é uma pergunta daquelas de cultura geral: qual é a capital do Bangladesh?

Não sei. Não faço ideia.

Então vamos dar aqui três hipóteses.

Vamos lá.

Kuala Lumpur, Naypyidaw ou Daca.

Eu vou chutar Daca, porque primeiro é um país, segundo, nem sei o que é, terceiro...

E a pergunta que vinha para lhe fazer tem a ver com a estratégia de André Ventura. Foi eficaz aquela estratégia com estes cartazes? Esse e o outro dos ciganos, dizia que os ciganos têm que cumprir a lei.

Vamos lá. O que é sucesso, o que é insucesso?

Do ponto de vista do publicitário, é eficaz ou não?

Do ponto de vista do Edson cidadão, não, detestei tudo. Do ponto de vista do publicitário, se é que se existe, haverá um publicitário que poderá defender que aquilo foi muito bom, deixou os meios, deixou nós e vocês todos a falarem sobre o assunto durante semanas seguidas, ou seja, amplificou e muito a mensagem que deveria impactar as pessoas que passassem em frente do cartaz. Ou seja, gerar conversa é um critério possível para você determinar eficácia. Conquistar votos é outro critério possível. Podemos usar outros critérios, mas estamos fazendo isso, estamos contribuindo para o bem comum? Se calhar, não. Mas aí, mais uma vez, cada cabeça a sua sentença.

Acha que é o mais parecido que temos com uma campanha de choque atualmente na política portuguesa?

Acho que é o mais parecido até o momento, mas esse campeonato tem sempre um jogo a seguir que é ainda pior. Existe uma coisa que é uma teoria social, mas que é prática, chama Janela de Overton, que é você estar sempre puxando a um lugar inimaginável para as pessoas debaterem e chegarem à conclusão que metade daquilo é possível. Só que aquilo é quatro vezes mais do que seria possível antes da discussão.

E vai se abrindo e vai se alargando cada vez mais.

E você começa a discutir coisas que, por exemplo, nos Estados Unidos hoje, a atuação do ICE, as pessoas aceitariam metade daquela atuação. Um americano médio não deveria aceitar aquilo ano passado em caso nenhum. E isso você vai andando. Então o extremismo tem sempre essa característica, seja de esquerda ou de direita, mas no caso estamos a falar do extremismo de direita, ele está sempre avançando mais cinco casas para retornar duas. E as pessoas até agradecem: "Nossa, como estão mais razoáveis agora que apenas estão falando um absurdo, em vez de falar um crime". É assim que funciona.

E quanto à decisão do tribunal de mandar retirar estes cartazes dos ciganos tendo que cumprir a lei, como é que o cidadão Edson Ataíde olha para essa decisão?

Eu costumo tentar olhar as decisões judiciais com profundo desinteresse, porque se eu tentar me ocupar disso, era melhor então estudar numa universidade de Direito, porque assim, são juízes, decidiram que não pode. Se dizem que não pode, para mim está tudo ótimo. Se dissessem que podia, também estava tudo ótimo.

Muito bem, sete pontos. Vamos à próxima pergunta. Edson, quantos deputados tem o PS no Parlamento?

Boa pergunta. 70?

Quer ajuda?

O Chega tem 60.

Até é menos. Então pra aí 50 e algumas.

É isso, faltou o algumas.

Algumas nove?

Algumas oito.

Oito. Tem 58. Eu faço esta pergunta do PS, porque o Edson colaborou já com o Partido Socialista no passado. Edson, está ligado à comunicação política, criou uma nova abordagem para a comunicação política à qual deu o nome do método. Qual é o maior desafio quando se monta hoje em dia uma campanha de comunicação de um político ou de um partido?

É convencer o político, o partido, de que a ferramenta da comunicação existe para ajudá-los a contactar os eleitores, não para inventar histórias que não se correspondem a nada, que são apenas desejos e ansiedades. Que nem sempre o mensageiro trará boas notícias, mas que é fundamental hoje, se você quiser realmente falar com o maior número de pessoas, que você olhe para o que a comunicação permite hoje fazer em termos de ferramentas, que é diferente do que era 20 anos atrás. Então, resumindo, a grande dificuldade, estamos a fazer campanha pro tempo de hoje ou comunicando para o eleitor de hoje, e não necessariamente pro eleitor de 2000 ou de 1990, ou de 1970, ou que seja.

Como é que se combate, por exemplo, a propagação das mentiras que hoje em dia fazem parte da comunicação política?

A primeira atividade é não contribuir para. Ou seja, como é que a gente não contribui pras mentiras? Não contando mentiras ou não fazendo fake news. Isso é fundamental. Dois, acreditando que há eleitores suficientes para eleger, que não estão interessados nisso, que estão interessados em pedagogia política, que estão interessados em debater temas ou estão abertos para ouvir alguém que parece sensato. Obviamente, com esse ponto de vista meu, nunca serei contratado por um partido de extrema o que eu acho ótimo, porque eu também não estarei disponível. E haverá um momento, que eu espero que não aconteça, mas que aconteceu em outros países, em que a maioria da sociedade estará aberta pra esse outro campo. Ou, no caso, você pega Estados Unidos ou pega Brasil, Brasil mais Estados Unidos hoje, que você está meio a meio. Metade das pessoas imagina o mundo de um jeito, veem o mundo de um jeito e outra metade vê de outro jeito. E aqueles dois mundos não se cruzam. Famílias são separadas ao meio, ceia de Natal são desmarcadas, irmãos não falam com irmãos há uma década, por causa disso.

Mas a denúncia de mentiras e de desinformação funciona?

A mentira, o boato, sempre funcionaram desde que o mundo é mundo. Se procurar na Bíblia, vai encontrar lá grandes equívocos ligados a boatos.

É porque ultimamente se dá a ideia que a denúncia só alimenta a mentira.

Amplifica.

Ou amplifica.

Acho que é casos e casos. Você não pode ver alguém mentir de uma maneira descarada e se você souber que aquele dado, aquela coisa está errada e está manipulando as pessoas e simplesmente dizer: " problema de quem ouviu e eu não tenho nada a ver com isso". Tem que denunciar. É óbvio que ao denunciar, você cria o sistema de alimentar um pouco esses laços. Não há solução definitiva, não há um tiro para isso, ainda. Em boa verdade, quando a rádio se estabeleceu como grande meio de difusão de informação, aconteceu a mesma coisa. Aconteceu com a imprensa também. E não existisse a rádio do jeito que existiu no início do nazismo ou do fascismo, provavelmente não teria acontecido daquele jeito, com aquela força. E no mundo inteiro. Hoje, com a internet, com as redes sociais, com o cidadão, que ele é, na verdade, o editor do próprio jornalismo que ele aceita receber, você tem esse fenômeno de que sim, as pessoas não acreditam em todos. Ninguém acredita em toda gente e toda gente tem sempre alguém pra acreditar que tem uma opinião diferente do outro. Verdade. Não é um político que vai resolver isso, é uma sociedade. Há países que estão mais avançados na conversa, Austrália é um deles. A Espanha está dando sinais, ou pelo menos esse governo da Espanha está dando sinais que vai tentar interferir. O Brasil também está tentando interferir sem grande sucesso, porque existe todo um sistema político que impede que isso aconteça, que tem interesses ali bem declarados.

Interferir é proibir? Limitar.

Limitar, ou seja, tem uma coisa que eu acho que é brilhante, a comparação, que você não abre uma farmácia só porque você quer, você não abre um jornal só porque você quer, você tem uma série de coisas legais pra conseguir ter um alvará comercial pra poder explorar aquilo. E na internet, você pode qualquer coisa. Não existe esse mundo. Os libertários, não se confunde os libertários com os extremistas de direita, os libertários andam por ali. Os senhores das big techs são todos libertários, eles são antissociedade, eles são anti-humanos, eles estão em outro patamar, eles querem nos transformar em robôs pra tentar fazer qualquer coisa que seja do interesse deles, ir a Marte, por exemplo, sei lá, qualquer maluquice dessa. Mas a verdade é que não existe esse ambiente libertário, muitos jovens hoje têm essa vontade. Eu quero viver num mundo que não tem que pagar imposto, eu quero viver num mundo que eu não tenho que dar satisfação, um mundo que não tenha nenhuma lei, cada um possa fazer o que quiser Eu nunca vi ninguém dizer assim: "E no fim eu quero ser, na verdade, um índio, ficar numa tribo indígena e caçar". E já agora, vai ter regras.

Há sempre regras.

Há sempre regras.

Edson, vamos à próxima pergunta. Vive há tanto tempo em Portugal que eu acho que esta também é de caras pra si. Completa a frase: e se de repente um desconhecido lhe oferecer flores, isso é...?

A publicidade sem pulseira.

É mesmo.

No mundo real, isso é assédio.

Exatamente. Ainda há frases como estas? A publicidade ainda vive de frases como esta ou o paradigma também já mudou?

Não, vive menos, porque como está tudo bastante mais distribuído, bastante mais pulverizado, a gente não tem o que nós tivemos nas nossas gerações. Até bem pouco tempo, até 20 anos. Você ligava a televisão ou abria a rádio, você ouvia a mesma coisa ao mesmo tempo.

Comentava a mesma coisa no dia seguinte.

Bom ou mau, porque era ruim ou porque era bom, você via e você tinha assunto de conversa, porque sabia que toda mundo tinha visto. Como também era ver uma novela, como também era acompanhar um programa jornalístico de impacto. Hoje em dia não é bem assim. Eu fico surpreso às vezes quando as pessoas falam comigo assim: "Te ouvi ontem ou te vi ontem num determinado lugar". Porque antigamente você ia a qualquer lugar.

Claro.

Todo mundo te via. Você vai a 10 lugares e uma pessoa viu. "Você voltou a morar em Portugal?" Sim, há 10 anos. É normal que isso aconteça. Então, menos slogans, infelizmente pra mim, cada vez menos, mas há, de vez em quando vão aparecer um ou outro.

Muito bem, 17 pontos. Vamos pra última pergunta. Edson, como se chamava o pássaro do logotipo do Twitter quando esta rede foi comprada pelo milionário Elon Musk?

O Tweety. Não?

Posso dar aqui uma ajuda, se quiser.

Pode.

Larry the Bird, Larry Bird ou Passarão Azul?

Larry the Bird.

Muito bem!

Larry Bird é um jogador de basquete.

Exatamente.

O Passarão Azul é uma outra coisa qualquer. Essa é uma casa parecida com um elefante azul, dedicada a outras coisas.

Edson, já falamos aqui das redes sociais, enfim, é inevitável, falamos muito quando se fala de comunicação. As redes mataram a televisão como veículo de comunicação política?

Não mataram do jeito que era antigamente. A televisão aberta, principalmente, ou a televisão mesmo que seja fechada, mas que esteja funcionando em pouco, se tornou cada vez mais o rádio com imagens mesmo. É aquilo que tem algo de tão impactante acontecendo ao mesmo tempo, que toda gente quer ver junto, quer vivenciar junto. Seja um debate final de dois candidatos presidenciais ou primeiro-ministro, seja o show do intervalo do Super Bowl, seja a entrega do Oscar, seja o desfile da escola de samba, o que seja. O que é importante é que aquilo é ao vivo e eu quero ver pela televisão, e isso é importante. A televisão tem essa coisa de chegar mais grandemente a todos e com imagem. Compete com o rádio, que essa função do rádio há 20 anos era do rádio, não era da TV, curiosamente. A TV era o lugar da ficção gravada, do programa de brilhos, daquilo que era o videotope. TV ao vivo é uma coisa do início.

Sim.

Bastou existir o videotope, nós entramos em outro universo. Então hoje a televisão voltou, dando dois passos atrás, voltou como o rádio com imagens, sendo que o rádio hoje também tem imagens. Qual é o programa de rádio?

A Tenção, que está neste momento no rádio e com imagem.

Sim. Não é como no-

Mas e a comunicação política? Ela hoje passa sobretudo pelas redes ou a televisão ainda é predominante?

A rede é uma grande câmara de eco daquilo que acontece na rua, na TV, no rádio e no jornal. Tem uma dimensão própria, ou seja, existe todo um universo de comunicação que só existe na rede. É verdade. Mas ainda há 70%, digamos assim, que é eco daquilo que aconteceu. E o eco, muitas vezes, veja bem, não é um eco natural, é um eco trabalhado.

O que quer dizer por eco?

Tem um debate. É o mesmo debate ao vivo que aconteceu na TV e está lá e está disponível inteiro também nas redes pra você ver. Mas as pessoas têm pouca paciência. As pessoas têm sempre pouca paciência. Elas querem ver só um corte, ou seja, um pedacinho. Mas quer ver um pedacinho daquilo que é distribuído pelo algoritmo. Ou seja, na verdade, ela vai ver um pedacinho daquilo que ela quer ver. Será uma coisa mais ligada do gosto pessoal dela ou aquele lado político que aquela big tech naquele momento está interessada. Sendo que o corte vai estar destacado assim: "Veja como o candidato A arrasou o candidato B". E a pessoa nem clica, na verdade. Mas ela tem a noção de que ele ganhou o debate, ou ele se deu muito bem no debate, mas ela não clicou, na verdade.

O verbo arrasar ganhou uma importância enorme.

Não, se ela clicar, ela vai ver os dois candidatos dizer: "Bom dia", e o outro: "Bom dia". 90% das vezes não acontece daquilo que o thumb nail-

Exatamente o que está sendo anunciado.

Não! Mas é de propósito, é pra pessoa não clicar mesmo. Não vou perder meu tempo pra ver o outro arrasar. Eu sei que ele arrasa. Ou seja, é sempre uma recorrência.

E assim se constrói uma imagem, não é?

Exato. Sim, mas é um meio com tão pouca credibilidade, que ela precisa que aconteça em outro meio com mais credibilidade.

Mas já há muita produção própria e produção de conteúdos diretamente. A paisagem comunicacional alterou-se bastante nos últimos 20, 30 anos, é isso de que estamos a falar

Hoje todos os políticos já estão sensibilizados para isso. No tempo em que o Edson Ataíde trabalhou em campanhas políticas, os políticos tinham noção do que é importante. O que é importante são os debates televisivos, a presença nos comícios. Já estão todos sensibilizados pra importância que as redes sociais têm neste momento.

Já todos ouviram o galo cantar.

Mas nem todos acordaram.

Nem todos acordaram, ou acordaram de maneira um pouco insonados. E está ocorrendo no mundo inteiro, em Portugal também, não se equivoquem. Eu, ano passado, entrei nuns debates e falei sobre esse assunto e fiquei muito impressionado que os políticos e jornalistas presentes ficaram muito irritados. Estão aparecendo fenômenos no mundo inteiro, em Portugal está muito breve disso acontecer, que são os não políticos, gente que não tem nada a ver com política, mas que tem influência porque se tornaram ou empresários de sucesso ou artistas de muito sucesso, que de repente, do nada, resolvem lançar candidaturas a lugares de poder. Não é pra ser deputado, esse pessoal não tem paciência pra ser deputado. Esse pessoal quer ser primeiro-ministro, quer ser presidente de uma grande autarquia, e esses já nascem com o gene do online fazendo parte da vida deles.

Isso vai chegar a Portugal.

Já chegou e a gente nem reparou ainda.

Ainda não.

Mas António José Seguro vence as eleições com muita tranquilidade, com umas redes sociais muito institucionais.

Eu não achei institucional. Há uma diferença de ser institucional nesse sentido que você falou, no sentido de ser fria, porque você está comparando a janela de Overton, de uma coisa muito quente, ou seja, cadê a bagunça?

O espetáculo.

Cadê o espetáculo? Mas foram redes bastante profissionais, bem feitas. Eu acompanhei com interesse. Não trabalhei nisso, mas acompanhei com interesse. Vi que o tom estava certo.

Combinava com a pessoa.

Combinava com a pessoa e mais, eu acompanhei muito no Facebook e no Instagram, que são meios mais generalistas dentro do universo. Eu não fui no TikTok pra ver especificamente.

Aí é outro campeonato, não é?

Não, é um campeonato pra quem quer jogar. Ou seja, continuo defendendo isso. Você está jogando e você é um bom jogador de futebol, joga futebol. Não vai tentar jogar agora beisebol, porque disseram que você tem que jogar. Ou seja, eu não advogo que nenhum político tenha que fazer dancinhas no TikTok. Agora, há páginas do TikTok de História, de Economia, de pessoas sérias fazendo coisas curtinhas com conteúdo bom. Ou seja, existe isso. Então você pode estar lá sem fazer necessariamente o show da loucura, da mentira e da enganação que alguns partidos fazem.

Mas depois não casaria com a figura. Isso é importante.

Não casaria. E mais uma vez, eu continuo achando que cabe também aos profissionais de comunicação contribuírem minimamente, explicarem pras pessoas que optar por um caminho é uma opção, não é uma obrigação. Eu sempre falo, eu estudei Publicidade, eu faço da minha vida profissional por vários códigos. Existe alguma deontologia na Publicidade, existe código publicitário, mas também existe código penal. Ou seja, se você quer fazer uma coisa fora do código penal, é provável que você já cometeu um crime, independente do que você esteja fazendo.

Edson Ataíde, se a matemática não falha, sai daqui com 22 pontos. Parabéns, muito obrigado.

Obrigado.

Foi bom, Antônio.

Me trataram muito bem, chamem sempre. Qual é o máximo de pontos?

É 25.

Quero voltar pra bater meu recorde.

Muito bem.

Até a próxima, Edson. Obrigado.