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Começa agora a comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado o novo host do podcast "A História do Dia", o jornalista Pedro Benovides. Bom dia.

Bom dia.

Bem começado.

É verdade.

O que dizias há pouco, Paulo? Vamos fritar o homem.

É para esta malta saber o que os políticos passam.

É depois a seguir as pessoas não ouvem o podcast, porque acham que eu sou incapaz, não tenho experiência política e depois é o quê?

Pedro, sabes como é que isto funciona? Sempre pergunto.

Sai. Infelizmente ouvi e infelizmente disse que sim a isto.

E foste ver no que te estavas a meter.

Isto está a ser filmado ou não?

Está, tu estás a ser filmado. Nós não.

Vocês não.

Nós temos de fazer caretas, tu não.

Temos de fazer caretas, sim.

Suavemente, façam sinais com os olhos para eu não errar, para as pessoas não sentirem que eu sou burro.

A primeira é tão fácil. Só que não.

Já estou a sentir pressão agora.

Estreaste hoje como host da História do Dia da Rádio Observador. A pergunta podia ser quando é que o primeiro episódio foi para o ar, mas não é essa. Já agora, foi para o ar no dia 15 de fevereiro, sabias?

Sabia perfeitamente.

Olha, olha. Tu estavas a ser filmado.

Isto é daquelas coisas que parece de propósito. Eu desde que a História do Dia estreou, eu tenho um registo pessoal do dia que começou, quanto é que dura cada episódio.

O que sentiste.

Tu podes me perguntar.

As emoções.

Sim, tu podes me perguntar tudo. As eleições legislativas, quanto é que durou o episódio do dia seguinte? Eu sei tudo.

Então também vais saber esta. Ainda bem. O queremos saber foi qual foi o tema desse primeiro episódio.

O primeiro episódio foi um tema que ainda por cima estava muito na atualidade, na altura. Isto é o momento em que eu estou à espera dos vossos sinais com os olhos ou com as mãos. Ninguém está a fazer.

O João já te disse tudo, 15 de fevereiro de 2022, é só pensar.

Claro, então 15 de fevereiro de 2022.

O que é que aconteceu logo assim? Uns dias depois.

O tema foi obviamente a Covid. Eu estava aqui a brincar.

Queres pedir ajuda? É melhor, Pedro.

O que aconteceu logo depois em fevereiro? Se não me engano era 24 de fevereiro, não foi?

Eu ainda não tinha começado a fazer perguntas, eu já estava a pedir ajuda.

Então vamos lá. Foi um ciberataque na Impresa e na Vodafone.

Sim, tratei esse assunto.

Fim da situação da calamidade que vigorava em todo o país, como falavas, do estado de pandemia, o país passou depois à situação de alerta. Ou a crise na relação entre Rússia e Ucrânia poderia desencadear uma guerra.

Foi a crise na Ucrânia.

Muito bem.

Eu sabia, claro que eu sabia.

Teve a duração este episódio de quanto tempo?

Esse episódio teve uma duração de 17 minutos e 36 segundos.

Exatamente. Olha, tinha sido isso que eu te disse.

Vou ao lago agora ver.

Agora espera aí, agora são aplausos. É, é que é certo.

O truque é dizer isto com ar credível.

Credível, sempre, sim. O facto é que o mundo está assustador. Num só dia, cruzamo-nos com centenas de temas relevantes. Como é que se faz a seleção daquele que tu achas que vai suscitar maior interesse nos nossos ouvintes?

Bom, eu ainda não tenho uma rotina. Porque foi hoje o primeiro episódio para o ar. O que eu posso dizer-te como é que foi ontem. Logo de manhã começo a olhar para aquilo que se está a passar, normalmente, e porque é inevitável, nós vimos com as referências do dia anterior. E depois, vou tentando perceber por onde é que a história está a caminhar ou por onde é que as coisas estão a caminhar. Às vezes há histórias que pareceram importantes no dia anterior e que de certa forma morrem como uma onda que parece grande e que depois acaba por desvanecer quando chega à areia. E depois há outras às quais não demos grande importância e que de repente pareceram ganhar uma dimensão maior do que aquilo que nós estávamos à espera. E eu acho que ontem foi um bocadinho isso. Nós sabíamos que a Venezuela ou as sequelas daquilo que se tinha passado na Venezuela iriam ser mais ou menos a história que iria contar para o dia de hoje de manhã, mas se eu pusesse o meu dinheiro, eu não diria que era a Gronelândia. Mas efetivamente a história da Gronelândia e as reações que foram acontecendo ao longo do dia e também o interesse, penso eu, dos leitores e dos ouvintes relativamente a essa matéria, fez com que, a partir de determinada altura, se tornasse óbvio que tínhamos de olhar um bocadinho para a Gronelândia e tentar perceber por que o Trump está a insistir tanto ali numa zona que é ainda por cima de um aliado. Causa estranheza como é que há aqui esta hostilidade perante um aliado histórico, mesmo estando nós a falar de uma personalidade como Donald Trump.

E já sabes do que se vai falar amanhã?

Neste momento, não te vou dizer já.

Deve ser, porque lá está, fica a onda, pode não é?

Exatamente, eu não faço previsões. As pessoas têm de confiar no seu host, como tudo indica, que é uma pessoa que vai responder àquilo que se passou, não vai fazer previsões, porque nós não estamos no domínio da astrologia.

Mas agora em homenagem ao host, e agora ele merece mesmo o elogio, porque Pedro Benovides, disseste que o primeiro programa tinha uma duração de 17 minutos e 32 segundos.

Sim.

Na verdade, confirmação da nossa produtora Maria Nunes, o programa teve 17 minutos e 34 segundos.

Eu disse 36.

Tu disseste 32. Falhaste por dois, o que é por dois segundos, o que mostra a tua perícia.

Eu sou perfecionista e agora estou irritado comigo próprio.

Mas o tempo que aparece no teu telemóvel é aquele que tu disseste.

É, exatamente. Sem aquele anunciozinho no fim.

Sim, foi os dois segundos.

Pronto, eu vou melhorar da próxima vez.

Vamos continuar então aqui a ver o teu nível de perícia, Pedro Benovides.

Maria, a Maria está do outro lado do vidro. Maria, estou a contar contigo.

A Maria não está. Maria Nunes, o Pedro Benovides diz que está a contar contigo.

Este pessoal aqui no estúdio não me está a ajudar. Eu estou a contar contigo, ok?

Uma das nossas produtoras.

Mão aberta significa sim, mão fechada significa não, mais para a esquerda quer dizer que baixa o número.

Esta agora é mesmo fácil. Queremos saber qual é o podcast do Observador mais ouvido, e isto de acordo com os dados mais recentes, que são de novembro. Ainda não há os de dezembro. Qual é o podcast do Observador mais ouvido?

Eu se calhar vou dizer aqui um disparate, mas eu iria dizer que é a própria História do Dia.

Não, andas longe.

Andas longe. Queres ajuda, não queres, Pedro?

Quero ajuda.

A História do Dia O contracorrente ou e o resto é história. Epa, Carla, também dificultaste isto agora com "e o resto é história".

Eu acho que é o contracorrente.

Tu sabes, tu no fundo sabes. Sabias.

Eu espero que a direção tenha imposto que daqui a uma semana a história do dia já não exista.

A história do dia é, na verdade

O meu objetivo é ser o podcast mais ouvido da Europa. Esse é o meu compromisso.

Daqui a uma semana.

Sim.

Para já, a história do dia é o segundo mais ouvido do Observador. Portanto, é para a semana que vai passar a ser primeiro?

Não sei se é para a semana, mas é claramente o meu objetivo. O José Manuel Fernandes declarou uma guerra com ele diretamente. Ele pode trazer os cães, pode trazer o que ele quiser.

Mas pretendes trazer alterações à história do dia?

Alterações eu não diria. Eu gosto muito do formato. Eu gosto de tudo no formato, gosto até da estética da história do dia, a forma como a introdução é feita com uma voz mais limpa e com uma sonoridade que te inquieta, mas ao mesmo tempo tranquiliza, que te dá aquele ar de que vamos ter uns minutos para refletir um bocadinho sobre isto que se passou, sabendo que aquilo que se passou é suficientemente importante, e isso causa-nos sempre alguma ansiedade, para estarmos a tratá-lo naquele dia. Depois, temos a conversa e eu acho que efetivamente vou deixar ali um bocadinho mais a minha marca. Acho que ainda não o comecei a fazer, porque ainda estou a sentar-me na cadeira, ainda estou a ajustar-me. Mas acho que sim, acho que as próprias introduções e os finais, eu vou fazer um bocadinho aquilo que eu costumo fazer, que é falar com as mãos, é estar menos preso a um guião e mais a conversar com quem me estiver a ouvir, que é isso que eu acho que posso fazer e trazer de marca. Essencialmente, é isso. Depois, o resto, o interesse da conversa, a preparação que é preciso para cada episódio, isso aí eu acho que já vinha atrás, tenho a certeza e tenho de honrar apenas esse legado.

E a estrutura em si, que se mantém de alguma maneira.

Sim, a estrutura é a que existia e funcionava, e portanto eu vou obviamente respeitar.

E os convidados também podem fazer a diferença.

Os convidados podem fazer a diferença. Ainda há bocadinho estava a falar disso ali fora. O que é difícil às vezes é tu encontrares convidados todos os dias que tenham disponibilidade, por exemplo, para estar em estúdio, que é uma coisa que é muito melhor, eu tenho a certeza.

Olhos nos olhos.

A conversa é melhor e a qualidade do som é melhor e, portanto, a experiência para quem está a ouvir é muito melhor. Agora, tentarmos surpreender com os convidados, encontrar convidados, não diria fora da caixa, mas que sejam um encaixe perfeito para aquilo que nós estamos a falar. Acho que isso vai fazer muita diferença. Termos pessoas que também funcionem, porque há pessoas que são ótimas do ponto de vista acadêmico ou que são bons pensadores, mas depois quando estão a explicar uma história numa conversa, se calhar não funcionam tanto e isso também vamos ter em conta.

Sempre com o constrangimento do tempo, que isso tudo é decidido em quê? Em três, quatro horas.

Não me digas nada.

Decidir o tema, tentar procurar um convidado e ver a disponibilidade dele para vir ao estúdio.

Ontem estávamos ali à procura para fechar um convidado e depois, precisamente por esta questão da disponibilidade, eu via as horas a passar e eu estava numa angústia enorme, porque eu ia começar, e de repente eu disse: "Mas eu nem sequer sei que convidado é que vou ter." E portanto, o convidado depois determina a conversa que nós vamos estabelecer com quem estiver ali à nossa frente. E depois, tinha o outro lado do tempo, que é a própria conversa. Eu sabia a duração do podcast, sabia mais ou menos a duração de como é que a conversa deveria decorrer e eu fiz sensivelmente o dobro. O que significa que tive que editar. Portanto, são aquelas pequenas aprendizagens do estagiário que está a começar.

Sim.

Três vezes mais tempo a editar do que a gravar.

Sim.

Muito bem, vamos então, Pedro Benevides, para a terceira pergunta.

Eu vim para falar mais, que é para vos ocupar o tempo todo e vocês não terem tempo de fazer perguntas.

Perguntas, não, mas nós conseguimos fazer.

Nós conseguimos sempre.

Estou como todos os políticos.

Esta é muito simples. Saímos do mundo dos podcasts, da rádio.

Nunca digam esta é muito simples, porque todas as que vocês fizeram disseram sempre que era muito simples e eu até agora não consegui responder nenhuma sem ajuda.

Então vamos ver. Em que ano foi fundado o Diário de Notícias?

O ano é muito...

É do teu tempo.

O Diário de Notícias é do meu tempo. Estás-me a dizer isso?

Não estou a brincar, estou a ser irónica. Acho difícil esta.

Vão continuando a falar que eu vou ver aqui.

Olha ele a pegar. Não é o primeiro.

O Diário de Notícias foi fundado, eu diria

Não queres a década, pelo menos, ô Bruno? Reduzir aqui um bocadinho para a década.

O Diário de Notícias é um jornal que tem seguramente mais de cento e muitos anos. Cento e tal anos, seguramente.

Cento e tal anos, está corretíssimo.

Eu diria que até foi fundado antes de 1900.

Foi? É isso?

Foi.

Antes de 1900. Isto é só para manter. Eu sei a resposta, atenção.

E foi depois de 1850.

Sim, foi depois de 1850, naturalmente.

Não há ninguém que te mande uma mensagenzinha com a data?

Não, o Pedro está a consultar o telemóvel. Eu tenho de trazer dois telemóveis. Qual é a década?

Arrisca.

Olha, eu diria por volta de 1864.

Aí, vá, incrível.

Certíssimo.

Sem ajuda.

Sem telemóvel, nem nada. Impressionante.

Não, eu sei muitas coisas, coisas que as pessoas não-- por isso é que fui escolhido para a história do dia. Qualquer que seja o tema, eu tenho informação.

Claro.

Mas é muito importante saber pesquisar a informação.

Teres a informação na ponta dos dedos.

Eu não fiz. Se calhar podia ter feito, não o fiz agora.

Mensagem à lista de compras.

Sim, porque eu faço multitasking.

Claro.

Aliás, como qualquer homem, tenho essa capacidade de estar aqui concentrado e a pensar noutra coisa.

E a fazer outras coisas. Não te esqueças do pão. Na tua apresentação, enquanto editor de política do Observador, dizias que o teu sonho inicial era trabalhar nos jornais.

Sim.

Como é que olhas para a transformação que existiu naquilo que se diz o modelo de negócio, e como é que olhas também para o futuro dos jornais? Têm futuro os jornais em papel?

Eu tenho dúvidas de que os jornais em papel tenham futuro, mas isso não tem mal nenhum, porque acho que mesmo jornais históricos como o Diário de Notícias foram fazendo a sua conversão para aquilo que são as plataformas que as pessoas consomem. Não faz sentido tu teres um negócio, qualquer que ele seja, onde os consumidores não estejam. Tens que te adaptar e, no caso dos jornais, essa adaptação, pelo menos do ponto de vista da plataforma em como é consumida, é mais ou menos fácil. Depois, se o negócio consegue responder àquilo que é o comportamento do consumidor, isso é outra questão, e acho que ainda não está totalmente resolvido. Agora, não me parece que os jornais em papel por si só tenham futuro, acho que as pessoas têm cada vez menos hábito de o fazer. As pessoas hoje em dia, com os telefones, com todos os aparelhos que nós temos para consumir informação, ganharam outros hábitos e as gerações mais novas seguramente ganharam outros hábitos. Eu não sei se as minhas filhas alguma vez pegaram num jornal em papel e estiveram a lê-lo sentadas no sofá.

E sujas as mãos e tudo.

Sujas as mãos. Eu acho que, desse ponto de vista, não tenho nenhum saudosismo sobre a matéria em si. Claro, eu confesso, prefiro ler um jornal em papel, porque parece que me concentro mais. Ainda no outro dia estava a falar com a minha mulher e estávamos a ler uma coisa que tínhamos escrito os dois e de repente ela estava a ler, eu estava a ler no computador e ela pensou: "Não, deixa-me cá imprimir." Foi imprimir e descobriu coisas que ainda não tinha visto ali, que tínhamos que mudar. Tem alguma graça, mas isso tem a ver um bocadinho com a nossa memória.

Sim, com os nossos hábitos que ainda perduram. Mas essa crise dos jornais de papel significa também uma crise do jornalismo?

Eu acho que o jornalismo está em crise e acho que o jornal em papel também está em crise, mas acho que são crises diferentes. Uma é uma crise, digamos, física do meio, como se consome. Isso não tem problema.

O modelo de negócio.

O modelo de negócio. Outra coisa é o jornalismo estar em crise. E isso é muito mais preocupante e isso é, para mim, muito mais inquietante. Eu acho que, apesar de tudo, há aqui sinais positivos, nomeadamente esta casa onde nós estamos, e eu não estou a dizer isto agora porque sou o host do podcast, mas porque efetivamente é um meio de comunicação social que soube interpretar um bocadinho os tempos em que estávamos a viver e, portanto, deu uma resposta com sinais muito positivos por parte dos consumidores. Dito isto, o jornalismo em geral está em crise, porque nós vivemos neste tempo em que o mundo está, como dizia a Maria João, nesta incerteza e a causar-nos esta ansiedade que nos causa todos os dias quando acordamos e vemos o que é que se passou de novo e de diferente. E a descredibilização do jornalismo é uma das armas que é usada precisamente para gerar esta instabilidade. O jornalismo serve, eu acredito muito nisso, como um dos pilares essenciais de uma democracia liberal, que é aquela em que nós vivemos e que grande parte do mundo ocidental ainda hoje vive. Destruir esse pilar, descredibilizar esse pilar é essencial para depois tu começares a desestruturar tudo o que são os outros pilares desta sociedade. Dessacralizar instituições, por exemplo, vemos o Trump a fazer isso com muita frequência. Tudo isso faz parte deste jogo em que tu destróis o sistema como ele está e destróis por dentro, corroendo esses pilares. E o jornalismo é um desses pilares essenciais e está naturalmente a ser corroído. Isso aqui em Portugal também se nota e vemos isso com muita frequência. Claro que depois tens as inteligências artificiais, as manipulações digitais que podes fazer, e isso só dá armas a quem faz isso.

E ajuda a criar ruído.

Ajuda a criar ruído. E depois, e também não sou inocente nesta matéria, nem corporativista, eu acho que nós jornalistas também temos muita culpa no estado de coisas a que chegamos. Acho que às vezes perdemos um bocadinho a noção do que é que deve ser o nosso papel em prol daquilo que é o negócio e o retorno fácil e imediato. E isso às vezes fez com que nós próprios promovêssemos agentes que têm como missão destruir aquilo que nós próprios estamos a fazer. E eu não olho com muito otimismo, mas acho que apesar de tudo ainda há aí luzes de esperança. Não me dou como derrotado.

Muito bem, nove pontos, não é, Pedro? Vamos lá, a quarta questão.

Eu ia-te falar ainda mais, é que a tua pergunta ainda também dava para falar aqui.

Mas esta também vai dar.

Senti-vos com vontade de fazer uma pergunta e pensei: "Ah, deixa-me cá." E depois repreendi-me logo.

Esta vai dar também. Vamos recuar ao dia 22 de novembro de 1963. Lembras-te perfeitamente, não é?

Perfeitamente.

Foi um momento histórico que houve uma interrupção.

O Pedro já está a pegar no telemóvel. Está a ver a lista das compras.

A lista das compras. Foi um momento histórico em que interrompeu a programação normal das televisões e a pergunta é: qual foi o carismático pivô da CBS que deu ao mundo a notícia da morte de Kennedy? Estás a vê-lo a tirar os óculos? A virar-se para a câmera a preto e branco?

É.

A debruçar-se na secretária, a fazer uma pausa.

Era aquele que dizia o "Good night and good luck"?

Não.

Não. Esse era o Edward Murrow.

Era o que eu estava a lembrar-me.

E era uma das pistas que tínhamos aqui para estar errada, claro.

E qual é que eram as outras pistas? Vocês já podem ajudar-me, é só para saber. Só curiosidade.

Só.

Paul, eu acho que toda a gente que está a ouvir sabe que eu sei quem é.

Claro. Se calhar desconfiam que tu é que não sabes.

Quero saber quais é que são as hipóteses.

Podíamos falar de um Dan Rather, por exemplo.

Não, o Dan Rather é mais contemporâneo.

Ou um Tom Brokaw, por exemplo.

Não, Tom Brokaw ainda é mais recente.

Estás a ver?

Ou, por exemplo-

O Pedro Benavides.

O Walter Cronkite.

O Cronkite, foi o Walter Cronkite. Mas eu sabia desde o princípio.

Que máquina! Muito bem.

Esse foi o momento decisivo, de facto, em que a televisão se assumiu como meio de informação central. Tu já passaste pelos meios todos Aqui a escrita, rádio e televisão. E a pergunta básica-

E a internet, que é um meio escrito.

Claro, se quiseres o meio escrito. A pergunta é: para onde o teu coração balança mais?

Eu vou te dizer uma coisa. Acho que hoje em dia, com estes anos todos, já nem sequer posso dizer que estou na televisão contrariado, porque não era credível sequer dizer isso. Portanto, eu acho que o meu meio natural é capaz de ser a televisão.

Pelo tempo que tens de carreira na televisão.

Sim, pelo tempo que tenho e pelo meu imenso talento, atenção.

Estava a guardar essa parte pro final. Mas Pedro, é onde te sentes mais à vontade?

Eu gosto muito de fazer aqui rádio. Eu me sinto muito à vontade em rádio, porque tem uma vantagem relativamente à televisão, que é, como vocês já perceberam, eu falo imenso com as mãos. E na rádio, apesar de tudo, isso causa menos ruído pra quem está a consumir.

Na televisão pode ser uma boa ajuda, dependendo da intensidade dos gestos.

Eu faço as rondagens na televisão e já tive vídeos de pessoas a fazer uma espécie de dança paralela àquilo que eu estava a fazer nas rondagens. Ontem também o João Pádua Maringuer mandou-me um vídeo e disse assim: "Moves like Jagger." E eu olhei pra aquilo e pensei: "Realmente é ridículo." Porque eu pareço um homem da meteorologia. Eu acho que dava lindamente para apresentar o tempo. Mostrava a frente fria.

Isso é uma espécie de assinatura também.

É uma espécie de assinatura.

Uma forma mais enfática, mas eu já sei a comunicação.

Pode ajudar ou pode causar ruído, não sei. Ainda estou ali a decidir, mas efetivamente, falo imenso com as mãos. Parece que as minhas mãos têm imensas opiniões e portanto elas precisam de se expressar.

Mas agora podes continuar a falar com as mãos.

Sim, temos de ir rapidamente para a última.

Agora eu tenho que continuar, mas deixa-me concluir minha ideia. E, portanto, o que eu quero dizer com isto, do ponto de vista-

Olha o tempo.

Podes dizer também. Eu sei que vocês não vão gostar do que eu vou dizer, mas eu vou dizer na mesmo.

Sim, exatamente. Eu acho que é a televisão, embora eu goste imenso de fazer rádio e também tenho imenso gosto em escrever, mas se me perguntares e for honesto, o meu meio natural é obviamente a televisão. Estou lá há imenso tempo.

Pedro Benevides, última pergunta: que filme sobre a investigação do Boston Globe a casos de pedofilia na Igreja Católica ganhou o Oscar de melhor filme em 2016?

Eu tenho um problema, eu sei exatamente que filme nós estamos a falar. Eu acho que em inglês o filme chamava-se "The Paper", acho eu. Não era, não?

Não.

Não é aquele com a Meryl Streep.

Não.

Esse é aquele com os miúdos. Já sei.

O caso de pedofilia.

O caso de pedofilia. Os miúdos, isso mesmo. Tem aquele tipo muito grande, como é que se chama? O nome não me ocorre.

Tem o Mark.

Não é Buffalo.

Ruffalo, Mark Ruffalo. Sim, e o Michael Keaton.

O caso Spotlight?

Certíssimo.

Opá, disseram-te ao ouvido, Pedro.

Não me disseram ao ouvido.

Ele não tem auricular aqui.

Eu vou explicar. Não tenho auricular, mas eu tenho as minhas fontes.

A produção pode falar com ele.

Eu já ia dizer, a Sara Pinto, a minha colega Sara Pinto, que agora regressou à TVI, está atenta a esta emissão.

E mandou-te mensagem.

Não, porque ela estava a falar de outra coisa. Estávamos a falar de trabalho. E eu vi a mensagem dela e pensei: "Caso Spotlight." Foi logo uma coisa que me ocorreu.

Última pergunta muito rápida.

Eu vi esse filme já agora, mas deixem-me só vos dizer uma coisa, eu sou péssimo com datas e com números, só sou bom com tempos de podcast.

Nós já percebemos.

E estás a chegar mesmo ao fim.

Aqui neste caso do filme e na história real em que é inspirado, é fácil perceber o que é que faz uma boa história. Para ti, enquanto jornalista e também enquanto consumidor de informação, o que é que faz uma boa história?

Numa frase, claro.

Sim, numa frase muito rápida. É alguma coisa que me provoque uma emoção qualquer. Normalmente, infelizmente, na nossa indústria, é qualquer coisa que me provoque uma emoção negativa, seja porque eu estou assustado, seja porque eu tenho medo, seja porque eu não percebo o que se está a passar, seja porque eu estou curioso, seja porque eu estou expectante, seja porque eu estou inquieto. Se me provocar alguma destas emoções e outras também positivas, naturalmente, mas infelizmente nós não damos assim tantas quanto as pessoas dizem que gostavam de ouvir. Se nos provocar alguma coisa, se me inquietar e se me deixar com vontade de mais, eu acho que nós encontramos aí a história sobre a qual precisamos de falar.

E vais trazer-nos muitas histórias.

Espero que sim. Vou acertar nas datas e nos nomes de tudo, que eu reparo.

E a partir de hoje, todos os dias, uma telefonia para o Pedro.

É isso.

Obrigada por terdes aceitado o nosso convite, Pedro. O primeiro episódio da História do Dia conduzido pelo Pedro já está disponível online. Na rádio passa depois da 13h30. Amanhã há um novo episódio às 6h30 da manhã.