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Alertas mais ou menos apocalípticos sobre as tecnologias da Inteligência Artificial já tínhamos tido vários. Nenhum outro, porém, teve um impacto comparável ao aviso feito esta semana por um quase anónimo ex-investigador da Anthropic, Jacob Coxon: “a IA poderá matar-nos a todos até ao fim da década”. A publicação, na rede social X, ultrapassou 70 milhões de visualizações em poucas horas e lançou um frenético debate internacional sobre o tema. |
A celeuma foi alimentada pelas tomadas de posição de figuras como Dario Amodei – precisamente o líder da Anthropic e (ex-)patrão de Jacob Coxon –, que concordou que é necessário um travão no desenvolvimento desta tecnologia. Sam Altman, da OpenAI, também reconheceu que há uma hipótese de esta tecnologia correr “muito mal” para a Humanidade. Um caso recente que envolveu a mesma OpenAI e uma empresa menos conhecida chamada Hugging Face (que, coincidência ou não, acaba de ser comprada pela Nvidia) mostrou exatamente como é que a IA pode ser uma ameaça. |
Porque vieram todos estes magnatas, agora, colocar a mão na consciência, aparentemente, depois de anos em que “surfaram” a enorme onda de investimentos nas suas empresas? Os mais “cínicos” – como o polémico comentador Ben Shapiro – duvidam das boas intenções destes gestores. Não estarão eles, na realidade, a pedir mais regulação do setor para, dessa forma, consolidarem a sua posição como incumbentes, perguntou Shapiro? Não estarão, desta forma, a tentar reduzir o risco de surgirem possíveis desafiadores, nomeadamente outras empresas que desenvolvem tecnologias de IA e, ao contrário das “gigantes”, as disponibilizam em regime open source? |
Nesse caso, em vez de ter a mão na consciência, estes empresários teriam, sim, os olhos nos cifrões. Não sabemos onde está a verdade. Sabemos, porém, que nem todas as figuras mais relevantes deste meio se alinharam com estas tomadas de posição: Shyam Sankar, da Palantir, e Mark Zuckerberg, da Meta (Facebook), não afinaram pelo mesmo diapasão. |
E também sabemos que esta discussão surge numa altura delicada: os mercados acionistas têm beneficiado enormemente do boom da IA e, com a incerteza que se gerou, sofreram uma correção (significativa mas, ao mesmo tempo, pequena quando comparada com a valorização que existiu nos últimos anos nestas empresas). Com tudo isto, foi adiada para 2027 a estreia em bolsa da OpenAI, que se antecipa ser das maiores de sempre. E este balde de água morna que caiu sobre a IA nos últimos dias já terá, provavelmente, feito baixar os preços de alguns bens e serviços vendidos por fornecedores destas grandes empresas. Estão muitos, muitos milhões em jogo. |
As próximas semanas e meses mostrarão se este alarmismo é uma trend passageira ou se o setor da IA está, realmente, numa encruzilhada. E isso é uma matéria económica, como todas as outras, mas é, também, um tema geopolítico, porque onde não há dúvidas é que é na IA que se se debate a supremacia tecnológica mundial no futuro. |
Há muito que se paga menos em Espanha para atestar. Agora, a discrepância é ainda maior |
Como sabem todos os portugueses, sobretudo aqueles que vivem junto à fronteira, é enorme a diferença entre os preços dos combustíveis em Portugal e em Espanha. E a explicação para isso está, basicamente, na carga de impostos. E, aí, a diferença entre o nível de impostos cobrado sobre os combustíveis entre Portugal e Espanha agravou-se desde que começou a escalada dos preços na sequência da crise de abastecimento provocada pelo estrangulamento do comércio no Golfo Pérsico. |
Por exemplo, no gasóleo, nos primeiros dois meses do ano, o gasóleo espanhol tinha uma carga fiscal 20 cêntimos mais baixa que o português. Na gasolina, a vantagem fiscal chegava aos 24 cêntimos por litro, de acordo com os dados reportados à Comissão Europeia sobre os preços médios semanais de cada país, e que são usados no estudo aprofundado que o regulador português fez ao mercado dos combustíveis. Agora, com a crise energética em curso essa discrepância é ainda maior: mais 5 cêntimos na gasolina e mais 6 cêntimos no gasóleo. |
Noutro plano, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anunciou preços da eletricidade no mercado regulado vão subir 2,7% em média a partir de outubro. O ajuste deve-se “em grande parte aos efeitos da guerra entre o Irão e os EUA, que impulsionaram o preço do gás natural e, consequentemente, o da energia elétrica”. |
Uma nova proposta para resolver a crise da habitação em Portugal |
Rui Miguel Braga, vice-presidente da câmara do Barreiro (que tem o pelouro do urbanismo), já lançou um “modelo inovador” de financiamento da construção naquela cidade da margem sul do Tejo mas acredita que a ideia devia ser replicada em todo o país. O autarca é o líder da nova Associação Habitação e Desenvolvimento Por Portugal (AHDPP), que conta com nomes como o arquiteto Miguel Saraiva e o antigo autarca de Lisboa (e ministro com pasta da habitação) Carmona Rodrigues e que fez a sua apresentação pública na última terça-feira. |
Em entrevista ao Observador, Rui Miguel Braga garante que o modelo que a associação quer apresentar ao ministro Miguel Pinto Luz é “escalável” e é a única solução que o Estado tem para construir as 300 mil casas (estimativa do Banco de Portugal) que são necessárias. Qualquer outra solução envolveria níveis de endividamento público que, hiperboliza o responsável, dali a poucos anos obrigaria o país a “chamar a troika”. |
As câmaras cedem os terrenos através de um “direito de superfície” (menos um custo) por várias decadas, os promotores constroem e, depois, ficam na posse de um contrato que dá direito a receber as rendas que serão cobradas pelas câmaras. Esses contratos, por serem transacionáveis, podem depois ser vendidos a investidores de longo prazo ou, até, ao próprio Estado. “Porque não temos o Estado a capturar essa rentabilidade?”, pergunta Rui Miguel Braga, garantindo que o risco neste modelo fica “quase todo” do lado dos privados. |

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A EMPRESA |
A Lightsource BP nasceu no Reino Unido, em 2010, como uma empresa especializada no desenvolvimento de grandes projetos de energia solar. Chamava-se, então, apenas Lighsource. |
A gigante energética BP entrou no capital (e no nome) em 2017 e foi aumentando progressivamente a sua participação na companhia até que, em outubro de 2024, concluiu a aquisição dos 50,03% que ainda não eram seus e passou a deter 100% do capital. Há poucas semanas, no entanto, foi noticiado que a BP poderia estar perto de um acordo para a vender a um grupo de investidores ligados ao Kuwait – um negócio que ainda não estará fechado. |
A empresa manteve sempre a marca e um modelo operacional autónomo. O modelo de negócio é simples: a Lightsource BP identifica terrenos, obtém licenças e garante capacidade de ligação à rede, constrói centrais e, depois, opera esses ativos ou, então, vende parte ou a totalidade desses mesmos ativos. |
A Lightsource BP tinha, no final de 2025, 1,6 GW de projetos em desenvolvimento finalizado e prontos para iniciar construção, além de uma carteira de desenvolvimento muito maior. Em Portugal, a empresa tem desenvolvido vários projetos fotovoltaicos, entre os quais os projetos Alqueva, Chamusca, Paiva e Planalto. |
Um dos investimentos em Portugal, porém, não correu de feição. O projeto da central fotovoltaica Beira, prevista para os concelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova, foi esta semana abortado porque, tendo em conta que a obra teve parecer ambiental negativo, concluiu-se que as alterações que seria necessário fazer prejudicariam gravemente a viabilidade financeira do projeto. |
A decisão de não avançar com este projeto surge numa fase em que a Lightsource BP também está a reformular o projeto de outra central solar de grande dimensão para a mesma região, a Sophia. Os dois projetos foram alvo de grande contestação pelas comunidades locais e por associações ambientalistas. |
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