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Vamos saber o que contam os jornais de Portugal e do mundo esta manhã, com a ajuda do jornalista João Costa Campos. Bom dia, João.
Olá, Miguel. Bom dia.
Começamos com o jornal "Público". Em destaque, a ofensiva do governo contra as manobras dilatórias nos tribunais penais.
Em causa, uma proposta de lei que altera o Código do Processo Penal. O objetivo é permitir aos juízes aplicarem multas superiores a € 10 mil, sempre que a defesa apresente recursos manifestamente infundados destinados a atrasar processos. Está ainda previsto que um advogado que seja sancionado duas vezes no mesmo caso, passe a ser automaticamente reportado à ordem para ser alvo de um procedimento disciplinar.
Olhamos agora para o "Diário de Notícias", que escreve sobre o grupo neonazi desmantelado pela Polícia Judiciária.
A investigação da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ identificou, dentro do grupo ultranacionalista 1143, liderado por Mário Machado, uma estrutura com núcleos em vários pontos do país e ligações à Suíça e França. A PJ diz que o objetivo era criar uma milícia preparada para uma eventual guerra racial. As autoridades apontam a existência de uma cadeia de comando, treino paramilitar e produção organizada de propaganda xenófoba e racista. A operação da PJ resultou em 37 detenções, entre as quais três militantes do CHEGA, um polícia e um militar.
Seguimos para o "Jornal de Notícias". A ANAC registou milhões de euros em coimas por voos noturnos.
A Autoridade Nacional de Aviação Civil aplicou em 2025 cerca de € 3,5 milhões em coimas a companhias aéreas por violações de slots e de restrições a voos noturnos em Lisboa. Ao mesmo tempo, a ANA Aeroportos de Portugal foi também multada pelo incumprimento de três medidas do plano de ação contra o ruído, incluindo um programa de insonorização de edifícios de saúde, educação e habitação. O valor da sanção está ainda por anunciar.
Vamos ainda à imprensa internacional, João. O "The Guardian" destaca as declarações do primeiro-ministro canadiano Mark Carney, que sentencia que a antiga ordem mundial não vai voltar.
Uma rutura na ordem internacional liderada pelos Estados Unidos, marcada pela rivalidade entre grandes potências e pela utilização da integração económica como instrumento de coerção. É a acusação deixada pelo ministro canadiano no Fórum Internacional. Sem nunca nomear Donald Trump, alertou que países de média dimensão já não podem confiar na ordem mundial a que estão habituados. Diz que a obediência a potências não basta para que lhes seja garantida a segurança em um mundo de pesos pesados. Mark Carney pede no Fórum Económico Internacional que os países mais pequenos atuem em bloco, sob pena de passarem do lugar à mesa para o menu. É o alerta deixado pelo primeiro-ministro canadiano.
Já o "The Washington Post" noticia planos do Pentágono para reduzir a presença norte-americana em estruturas da NATO na Europa.
De acordo com os responsáveis citados pelo "Washington Post", os Estados Unidos ponderam não substituir cerca de 200 militares destacados em quase 30 organismos da Aliança Atlântica. Falamos de centros de excelência e grupos dedicados à segurança energética, guerra naval, operações especiais e informações. Embora Washington garanta que a participação não vai terminar por completo e negue ligação direta às ameaças de Trump sobre a Gronelândia, o jornal escreve que a diplomacia europeia receia que estes cortes fragilizem a NATO e aprofundem a perceção de afastamento dos Estados Unidos dos aliados.
E em Espanha, João, o "El País" dá destaque ao novo acidente ferroviário no espaço de uma semana.
Desta feita, na Catalunha, o comboio circulava com destino a Manresa, a 60 km de Barcelona, quando bateu contra um muro que acabou por cair para a ferrovia. Dos perto de 40 feridos, cinco são com gravidade. A vítima mortal é o maquinista do comboio. Esta colisão, Miguel, acontece dois dias depois do outro acidente ferroviário no sul de Espanha, que matou 42 pessoas.
O jornalista João Costa Campos com a conferência de imprensa de hoje.