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Flávio Bolsonaro anunciou que vai pedir a anulação das eleições presidenciais brasileiras, depois de ter sido derrotado por Lula da Silva na segunda volta. Numa declaração aos jornalistas, na sede da campanha, em Brasília, o candidato do Partido Liberal (PL) classificou os acontecimentos do dia como “inaceitáveis” e acusou membros do Supremo Tribunal Federal (STF) de terem alterado as regras durante a votação.
“Um ministro [juiz] do Supremo Tribunal Federal, pela primeira vez na história, ex-advogado de Lula, dá uma canetada a pedido de um amigo dele e muda as regras do jogo”, disse Flávio, numa referência à decisão de prolongar o horário de votação por duas horas. O candidato acusou o magistrado Cristiano Zanin de ter ultrapassado as competências da Justiça Eleitoral.
“É impossível reconhecer os resultados destas eleições no contexto em que as coisas aconteceram”, afirmou, defendendo que “as eleições deveriam ter sido anuladas“. Flávio Bolsonaro insistiu que não aceita a alteração das regras durante o processo eleitoral: “Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada a meio do jogo pelos amigos de Lula do Supremo Tribunal Federal”.
O candidato alegou ainda que os fiscais [observadores eleitorais] do PL foram retirados da chamada “sala-cofre” durante o processo eleitoral, sem detalhar em que circunstâncias terá ocorrido a situação, mas acrescentando: “Há muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil reconhecer esta sacanagem que ocorreu agora”.
“Eu não vou desistir do meu Brasil e espero que também não desistam”, concluiu Bolsonaro, antes de abandonar o local.
Lula da Silva foi reeleito para um quarto mandato como Presidente do Brasil, ao obter 51,79% dos votos na segunda volta das eleições presidenciais. Com 100% das secções de voto contabilizadas, o candidato do Partido dos Trabalhadores somou 64.256.232 votos, contra os 59.826.041 de Flávio Bolsonaro.
Aos 80 anos, o antigo sindicalista e líder da esquerda brasileira conseguiu inverter a desvantagem de mais de dois milhões de votos registada na primeira volta, tornando-se o primeiro candidato a vencer uma segunda volta presidencial no Brasil depois de ter ficado atrás do adversário na votação inicial.