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Está no ar a conferência de imprensa da Rádio Observador. Júlio Magalhães, pronto, queres começar hoje?

Sim, para uma grande reportagem, ou pelo menos um grande estudo que veio na revista Notícias Magazine, que tem a ver com o excesso de álcool nos jovens, para tentar perceber o que acontece. Todos sabemos que os jovens chegam a aquela idade e há uma noite em que uma conversa mais longa, uma festa da universidade, uma festa com os amigos, etc. E todos a beberem.

Abusam um bocadinho.

Abusam, vão abusando e acontece aquilo que eles não estão à espera e os pais muito menos, que é a chamada, a dita bebedeira.

A dita bebedeira.

Exatamente. Este é um artigo com vários especialistas que dizem como é que se previne isso, porque isto é toda a gente apanhada de surpresa. E dizem que o importante é perceber, enquadrar, esclarecer, definir limites, nem tanto à terra nem tanto ao mar. A chave está mesmo no enquadramento e também na confiança, na comunicação e numa forma de enquadrar as coisas. Porque depois põem-se várias questões aos pais quando isto acontece. Falam ou não falam?

Zangam-se ou não se zangam?

Zangam ou não zangam, ralham ou não ralham, castigam ou não castigam. Deixa passar as coisas ou coloca tudo em pratos limpos. Os adolescentes acham que, nessas circunstâncias, os pais estão a exagerar, estão a protegê-los demais, não lhes dão autonomia. Os pais, por outro lado, acham que devem estar atentos, devem estar preocupados e devem exigir isso aos jovens. E por isso a ideia é que devem integrar ou pelo menos falar sobre os riscos do álcool. Às vezes, dizer aos jovens ou exigir que devem conhecer e integrar os riscos do álcool, dizem os especialistas, não é muito realista, porque a busca de experiências novas, de riscos, desafios, de passar aquela linha vermelha, são características dos mais jovens e dos adolescentes. E por isso também dizem que não se deve generalizar nem pôr tudo em causa, deve-se conversar, mostrar preocupação sem recriminar e também sem ser autoritário. Ralhar, dizem que talvez não. Ter consequências daquilo, sim, mas que as consequências devem ser mais autonomia e mais compromisso e não qualquer outro tipo de consequência.

Não repressão.

Não repressão nem castigo.

Nada de ficar sem telemóvel.

Exato. Intimidar também dizem não ser um bom caminho. Dizem que há confrontos com os jovens que não resultam e podem ter um efeito contrário. As ameaças podem ser comprometedoras e levar os jovens até a consumir mais só para desafiar os pais. E isso acontece muito.

Testar os limites.

Os jovens bebem por quê? Para serem fixes aos olhos dos amigos, outros pressionados pelo grupo, receando sentirem-se diferentes, gozados ou até excluídos do grupo. E por isso, dialogar é sempre a melhor maneira, porque uma vez pode acontecer de forma recorrente, isso já exige outra abordagem, já exigem os especialistas. Mas uma vez isto pode acontecer e, portanto, o melhor é mesmo falar. Encontraram jovens que bebem como forma de anestesiar a dor. Conclusão: há números surpreendentes, apesar de tudo. Há um estudo feito em vários países que diz que 80% dos jovens não bebem, 90% dos jovens nunca apanharam uma bebedeira. Então por que os outros bebem? É aquilo que disse há pouco, sentirem-se parte do grupo, fazer o mesmo que os amigos. E a pressão dos pais, claro. Este estudo diz que os rapazes consomem mais que as raparigas, mas que a diferença está a diminuir consideravelmente.

Ora bem, para quem se lembra há coisas que não mudam assim tanto. Eu trago-vos um artigo do Observador, que está muito ligado à atualidade. O que são afinal os mísseis Patriot que Zelensky foi ontem pedir e buscar aos Estados Unidos? É um trabalho da Ana Kotovitz e que nos ajuda a perceber não só a importância deste sistema de defesa antiaérea, mas também aquelas perguntas que nós às vezes queremos fazer e achamos que não são tão relevantes e podem ser mesmo. Por exemplo, por que é tão importante? Luis Tomé, o professor da Universidade Autónoma de Lisboa, tem uma resposta muito simples. Diz que tudo aquilo que a Ucrânia puder ter para se defender é positivo, e a verdade é que a Rússia tem dominado o espaço aéreo, como sabemos, e aparentemente prepara uma grande ofensiva, portanto, tudo o que vier é bom. Outra pergunta: mas fazem mesmo falta a Kiev? Eles não têm já sistemas de defesa? Aqui é o major-general Arnaud Moreira que nos ajuda a responder. Ele diz que o que falta à Ucrânia é a capacidade de intervenção a longa distância, ou seja, eles já têm sistemas muito bons para áreas reduzidas, até têm capacidade para ver ao longe, para antecipar, mas não têm a capacidade de abater o que detetam. E estes sistemas em concreto podem atingir alvos até aos 160 km de distância. Por isso, e a expressão é:

É dos mais avançados, não é? Dos sistemas mais avançados.

É dos mais avançados, e isto são mais camadas de segurança que a Ucrânia pode garantir. Há várias perguntas, todas elas bastante interessantes. Por exemplo: quantos sistemas vão ser oferecidos pelos Estados Unidos? Será oferecida uma bateria Patriot que tem até oito lançadores. Cada lançador dispara entre 4 a 16 mísseis, portanto, há aqui alguma capacidade. Zelensky vai levá-lo já para a Ucrânia? A resposta é não.

Boa pergunta.

O sistema não vai na bagagem com o presidente, não leva.

Senão pagava excesso de bagagem.

Era, era. Era uma trabalheira. Não dá. O major-general Arnaud Moreira explica: o sistema tem de estar a funcionar, as equipas que o vão operar têm de estar preparadas para não se correr o risco do sistema estar ali parado e ser abatido. Isto leva-nos a outra pergunta: mas são precisas muitas pessoas para pôr a funcionar? São precisas bastantes. Uma bateria típica, são necessários cerca de 80 a 90 operadores e demora algum tempo até que estejam treinados para conseguir operar um sistema tão complexo. De resto, o treino destes militares ucranianos vai acontecer numa base na Alemanha. São muitas perguntas, por exemplo, quanto custa, como é que a Rússia está a reagir a isto. É muito interessante, é uma espécie de um explicador da Ana Kotovitz no Observador.

Nós falamos muitas vezes sobre isso no Gabinete de Imprensa, mas nunca vamos a esse detalhe. Muito interessante, não é?

Muito giro. Eu não fazia metade da ideia dessas coisas.

E Zelensky anda a pedir isso há meses. Finalmente vai ter. Conferência de imprensa na Rádio Observador. Amanhã há uma nova edição. Esta junta-se às anteriores e dentro de minutos fica disponível em podcast.