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Olhando para esse cenário, Francisco Pereira Coutinho, já a pensar na próxima eleição, Donald Trump está nesta vida política desde 2014, desde as primárias que levaram depois às eleições de 2016, e já lá vão mais de 10 anos, está a chegar ao fim esse ciclo. O Partido Democrata tira aprendizagens deste período para este início de ciclo agora para as primárias, em que vai ter de enfrentar um Partido Republicano também com uma nova fase?
Essa é que é a grande dúvida, será que tiraram lições daquilo que aconteceu há dois anos com aquela sucessão? É verdade que foi uma sucessão feita em condições muito particulares, da Kamala Harris pelo Biden à última hora, escolhida sem qualquer tipo de competição eleitoral, embora fosse difícil perceber como é que isso poderia ser feito naquele momento concreto. Repara, eu acho que os dois partidos têm aqui desafios enormes, por razões diferentes. Uma tem a ver com o trumpismo e com o Trump, que foi o candidato republicano nas últimas três eleições. Secou completamente o partido, transformou para lá de qualquer forma de o reconhecermos, o período pré-Trump, e o Negropa falava agora que para vir o Rubio, o Vance, não sabemos, isto vai depender muito, eu creio ainda, do próprio Trump. Eu não creio que ele esteja acabado politicamente, até porque a personalidade dele não nos permite dizer isso de maneira nenhuma, embora, claro, esta ideia do filho me pareça um bocadinho mirabolante. Isto por um lado, dos republicanos. Agora, em relação aos democratas, o meu ponto é outro, que é a grande crítica que tivemos nos últimos quase 20 anos, desde o surgimento de Barack Obama, é que tínhamos candidatos escolhidos pelos stablishment, sempre. E pela primeira vez vamos ver se o candidato não for Kamala Harris, que aparece ainda nas sondagens como a candidata preferida dos democratas e aparentemente tem vontade de voltar a repetir, se de facto haverá espaço para haver uma grande discussão e vários candidatos com hipóteses reais de ganharem a eleição. Hoje vimos o senador da Georgia, o Ossoff, que aparentemente parece ser alguém muito capaz para se candidatar daqui a dois anos e tem, de facto, muito talento, muitos jovens políticos que se podem apresentar. Agora, temo muito que voltem a cometer o erro de voltar a escolher a candidata derrotada há dois anos, só porque ela acabou por ser uma candidata de última hora, acabou por ter um resultado até próximo do Donald Trump, mas acabou por perder. E não parece que seja a candidata ideal para os democratas numa primária que seja condicionada à partida pelos barões do partido, que eu acho que tem sido muito o problema que eles tiveram nos últimos anos e que ajudou muito as eleições do próprio Trump. A Hillary Clinton obviamente era uma boa candidata, mas tinha uma série de anticorpos no país que levaram àquele resultado, apesar de ela obviamente ter ganho, tendo o voto popular, mas já sabemos que nos Estados Unidos o que interessa é o colégio eleitoral. Portanto, eu acho que há aqui desafios muito grandes para os dois partidos, os republicanos, dependendo muito dos estragos que o Trump faça nos próximos dois anos, mesmo no contexto de primárias. Porque o grande problema que eu vejo aqui, e continuamos a ver, repare, nós temos um presidente americano que se empenhou nestas primárias com comícios diários em todo lado, com a sua base de apoio, como se estivessem eleições daqui a dois anos. Já sabemos que ele não se pode candidatar.
E dizer que veio imaginar que era o nome dele.
Mas esse é que é o problema. Que tipo de efeito é que isto vai ter sobre as primárias republicanas que vão estar já daqui a um ano em completa ebulição. Obviamente o Trump sairá fragilizado. Vamos ter hoje uma noite das facas longas no Partido Republicano? Eu creio que não.
Ricardo Silvestre, continuamos a ter resultados a surgir e tudo a apontar, de facto, para se confirmar um cenário de onda democrata. Ainda não sabemos a dimensão concreta e que margem é que podem ter no Senado e no Congresso, mas parece que já não escapa a vitória tanto no Senado como no Congresso, vencerem nas duas Câmaras do Congresso.
Sem dúvida. E se me permites dar um pulinho aqui aos governadores. Eu gosto de dizer Casa. Eu sei que há aqui uma tensão entre Câmara e Casa. Eu gosto porque é a tradução literal House of Representatives, mas eu compreendo que em português se diga a Câmara. Mas deixa-me dar um pulinho aos governadores. Por quê? Porque eu quero fazer o elogio mais uma vez da democracia, democracia americana. Aqui a Stac Abrams ganha a Casa da Governação, a governadora de Georgia, é a primeira governadora negra da história dos Estados Unidos. Portanto, progresso é possível. Temos uma primeira governadora na história da América, que é uma mulher de cor à frente de um Estado como governadora. Portanto, um momento bonito. Relativamente aos resultados, e eu vou pegar numa coisa que o Francisco há bocado estava a dizer quando estávamos nas notícias, e tu falaste do Colégio Eleitoral, para os nossos ouvintes. O Colégio Eleitoral é quem determina quem é o presidente dos Estados Unidos. A votação é feita para serem eleitos representantes do Estado que depois votam nesse colégio. E os grandes estados, Miguel, que têm o maior peso é o Texas, é a Califórnia e é a Flórida. E há bocado o Francisco estava a dizer, e bem, que a Flórida continua nas mãos dos republicanos, portanto são muitos votos para o colégio, mas estamos a dois, três pontos de diferença. O Texas neste momento estamos com 50% dos votos Estamos com 15 pontos percentuais de diferença. O Texas vai mudar pra azul esta noite, a não ser que aconteça uma coisa extraordinária, tanto na governadora como no Senado. E depois a Califórnia é azul, a Califórnia vai ser toda azul. Aliás, há pouco estávamos a falar nisso. Portanto, foi feita uma proposta de lei que foi aprovada pelo eleitorado californiano, que foi alterar os distritos para ainda serem eleitos mais membros para a Casa dos Representantes da Califórnia. Portanto, pegando aquilo que o Nuno estava a falar, e agora que o Francisco estava a falar também, e tu também, Miguel, pensando em 2028, se me perguntares, eu vou te dizer que neste momento não é uma coisa que me interesse por ir além. A gente sabe como é que as coisas vão estar daqui a seis meses, quanto mais daqui a um ano e meio. Mas a verdade é que a Califórnia azul, com o Texas azul e com a Flórida ali rés vez, com, de repente, as Carolinas, tanto a do Norte como a do Sul, a poderem ficar azul, Georgia azul, Pensilvânia azul, seja quem for o candidato dos democratas, eles que se entendam, mas os democratas têm tudo pra ganhar a Casa Branca em 2028. Ainda mais, porque tu estavas a fazer essa referência, Miguel, ainda temos mais dois anos de Trump. Portanto, podes imaginar se houve esta contra-resposta, se houve todos estes antivírus que nós estamos a ver agora, a administração Trump, nas eleições intercalares, imagina numa presidencial. Portanto, temos um longo caminho pra fazer. Eu estou muito interessado, novamente, e respondendo aquilo que tu estavas a dizer, se Texas continua com estas diferenças percentuais, tanto pra governção como para o representante do Senado. E depois também temos aqui o mapazinho azul, Nebraska, Kansas, curiosamente também estou a ver e Iowa é um estado que eu também sigo, Rob Sand, que é o candidato a senador, neste momento está à frente, apesar de termos só 22% de votos apurados, mas está com 30 pontos percentuais de avanço. E de dizer uma última coisa, Miguel, que os primeiros votos que chegam, isso também é interessante pros nossos ouvintes, o Nuno e o Francisco conhecem isso perfeitamente, os primeiros votos que são contados são os votos presenciais, e os votos presenciais, normalmente, é o que chama a miragem vermelha, esses votos são normalmente dos republicanos. Quando esses votos são todos resolvidos, depois começam-se a contar os votos das pessoas que votaram ou antecipadamente ou por correio, e esses votos são votos democratas. Portanto, se não temos um tsunami, Miguel, temos uma onda azul mesmo muito grande nos Estados Unidos.
Nuno Grupo, eu gostaria de pegar neste aspecto que o Ricardo já estava aqui a abordar, que é projetar 2028 num cenário de se há isto a acontecer nesta altura e esta resposta do eleitorado norte-americano às políticas de Donald Trump com uma viragem para o Partido Democrata, sabendo que as midterms são sempre uma eleição que acaba por favorecer o partido que perde nas presidenciais, ou seja, numa resposta à governação. Esta é uma eleição em que se está a votar muito também com o custo de vida e com o impacto que os conflitos estão a ter na vida dos norte-americanos. Trump e o Partido Republicano, nestes dois anos, conseguem inverter esta imagem que ficou criada nesta eleição?
Eu acho que aqui há duas ou três questões. O Partido Republicano dificilmente pode inverter a dinâmica daqui até 28, porque quer o custo de vida, quer a questão da guerra no Irão, e um pouco menos, mas também é importante a questão da imigração, não há grande volta a dar a isso. E, portanto, dificilmente podem anunciar grandes mudanças daqui até 2028. Agora, eu acho que isso vai ter duas questões que se vão levantar amanhã. Uma, perceber se esta derrota grande do Partido Republicano foi porque houve transferências de voto ou se foi porque muito eleitorado republicano ficou em casa. Reparem que, ao contrário das eleições em Portugal, os números que nós temos neste momento não dão grande resposta a isto, porque normalmente nós não temos na nossa posse os números dos cadernos eleitorais. Nós não sabemos exatamente, neste momento, quanto é que é a abstenção e nós não sabemos, estado a estado, exatamente se o número de votos que está contabilizado é significativamente menor ou igual ao das presidenciais de 2024. Portanto, aqui há uma questão de saber exatamente o que é que aconteceu, porque, na verdade, nos Estados Unidos, nós sabemos, bem como em Portugal, as pessoas não transferem o voto assim de um partido para o outro. O que existe é que as pessoas ficam em casa e o outro partido mobiliza e vice-versa. Mas vamos ver se é isso ou se não é isso. Porque isso depois tem a ver com a questão, por exemplo, do Texas e da Flórida, que é a questão de saber o que é que está a acontecer com o eleitorado hispano.
Se está a mudar o voto ou se está simplesmente a não votar.
Exatamente. E esse eleitorado é um eleitorado fundamental pro Partido Republicano. Como é fundamental perceber, por exemplo, como é que se está a comportar nestas eleições o eleitorado judeu e o eleitorado muçulmano, porque esses dois eleitorados zangaram-se com Kamala Harris nas eleições de 2024. Não são eleitorados fundamentais, não são, mas em alguns estados são importantes para o colégio eleitoral. Portanto, nós vamos ter que ver isso mais fino. Eu concordo com o Ricardo, eu acho que o Partido Democrata tecnicamente parte com uma enorme vantagem sobre o Partido Republicano pras presidenciais. Agora, também temos que ver, pode acontecer no Partido Democrata aquilo que aconteceu também muitas vezes no Partido Republicano, é que as suas alas mais extremistas, a certa altura, estão mais interessadas em ganhar poder dentro do partido do que em fazer o partido ganhar com uma plataforma centrista. Isto foi o que o Tea Party fez ao Partido Republicano durante quase todo o mandato Obama, e de alguma maneira vamos ver o que vai acontecer daqui pra frente. Portanto, eu acho que é muito complicado, neste momento, fazer grandes previsões Porque os interesses dentro das próprias coligações são diferentes, como é dentro do Trump. Eu também não tenho dúvidas nenhuma, eu não quis dizer que o Trump estava acabado, o Francisco reiterou isso, o Trump não está acabado. Claro que não está, porque o Trump nunca estará acabado, nem Trump acabará nunca, provavelmente, a não ser que a natureza acabe com ele primeiro. Mas a questão é: Trump, neste momento, tem um problema, é que o seu pessoal mais próximo e os candidatos mais próximos foram largamente derrotados. Portanto, aquela coisa que havia do Trump é uma espécie de magnetismo pro eleitorado conservador, desapareceu. E portanto, ele neste momento é tóxico e isso vai ter impacto dentro do Partido Republicano. Agora, eu também não sei até que ponto, por exemplo, Vance depende ou não depende de Donald Trump, me parece que depende bastante, como dizia o Francisco, e o próprio Rubio, não sei se sequer entrar em confronto com Donald Trump. Rubio tem tentado passar entre os pingos da chuva, quer na questão do Irão, quer nas questões da América Latina, agora mesmo na questão do Brasil, meteu-se e depois desmeteu-se. Mas a questão é, não é claro como é que isso vai evoluir. Acho que há muita gente a fazer contas esta noite sobre o que é que vai passar daqui pra dois anos. Deixa-me só dizer uma coisa antes de terminar. Onde sim, os republicanos cometeram o mesmo erro que os democratas e agora vão pagar, foi não ter substituído o juiz Clarence Thomas no Supremo, quando na altura os democratas não substituíram a juíza Ginsburg.
E agora já não vão conseguir.
Agora não vão conseguir. Clarence Thomas, agora ou a natureza o ajuda para os próximos ciclos, ou vão ter o mesmo problema que os democratas tiveram no ciclo anterior.
Temos dados a apontar no Texas já para a vitória do Partido Democrata, para o candidato do Partido Democrata. Isso está a surgir também nestes minutos. Pode ser aqui uma viragem também importante. Estamos a falar de um cargo para o Senado que estava controlado pelos republicanos e que vira agora para os democratas com James Talarico a vencer Ken Paxton. Olhando para este cenário, Francisco Pereira Coutinho, já ouvi o Nuno e o Ricardo sobre este assunto, e há pouco já abordava este assunto também para 2028, mas fica um trabalho mais difícil para o Partido Republicano depois do que está a sair desta noite, depois destes indicadores que mostram os norte-americanos a votarem contra Donald Trump neste referendo a Donald Trump, que tem sido avançado assim, fica um caminho muito difícil para trilhar para o Partido Republicano para 2028?
Eu acho que sim, porque tem que gerir o Trump, essencialmente. O Trump não vai ser um presidente lame duck, não vai, de maneira nenhuma. Aquilo que eu referi há bocado, vai ser um gorila enraivecido até ao fim, recusando-se a perder poder. Estas brincadeiras que ele faz, que vai tentar ainda ser candidato novamente para um terceiro mandato, indicam isso mesmo. E há muita gente do Partido Republicano que continua a fazer estas brincadeiras que ele faz, e alinhar nestas brincadeiras. O Clarence Thomas, eu não tenho nada a certeza que ainda não haja tempo neste Congresso para o substituir, mas realmente foi um erro crasso que eles cometeram, embora esta maioria que está aí no Supremo seja ainda assim bastante significativa, seis, três. Agora, de facto, eu estava a ver aqui as previsões do New York Times, ainda é muito cedo, e o Nuno fez referência e é verdade, os democratas precisam de uma maioria grande na Câmara dos Representantes, justamente para não ficarem nas mãos daquelas franjas mais extremistas do seu partido e que realmente criam graves problemas ao restante partido. E a estimativa aqui do New York Times é que podemos ter aqui uma maioria perto dos 240, 250, o que significaria, de facto-
Sendo que 218 é ali a margem.
É, mas estamos a falar neste momento, segundo o New York Times, esta projeção, a esta hora, que ainda é um pouco cedo, uma maioria muito grande. No Senado, não tanto, estamos a falar de 53, 54, mas era fundamental que os democratas acabassem a noite pelo menos com 52, porque há depois ali um senador democrata, que é o Fetterman, que neste momento ainda não se percebeu muito bem a que partido é que pertence e portanto seria sempre muito problemático estes próximos dois anos com uma maioria desse tipo. Agora, claro, vamos ter novas maiorias, novos speakers e, portanto, a dinâmica acaba este trifecta que o Trump teve e que praticamente não aproveitou, como o Nuno referiu, o trabalho legislativo do Congresso foi muito pequeno e vamos ver o presidente americano ainda depender mais de ordens executivas, que é uma coisa que os presidentes americanos sempre fizeram e Trump vai fazer ainda mais, porque já se percebeu que ele não tem nenhum problema em tomar medidas inconstitucionais, porque sabe que o tempo que demorará a que essas medidas sejam objeto de apreciação pelo Supremo permitirá fazer aquilo que ele quer, pelo menos durante algum tempo. Agora, o conflito com o Congresso será diário, eu diria.
Francisco Pereira Coutinho, antes de nos despedirmos, vai deixar também esta emissão especial da Rádio Observador nos próximos minutos. Especialista em Direito Internacional e temos visto que Donald Trump, seja em período eleitoral, antes ou depois, utiliza sempre muito também a política externa para desviar algumas atenções, seja de coisas mais positivas ou negativas que lhe vão acontecendo nos Estados Unidos da América. Teme que o que está a passar no Irão, o conflito no Irão, possa, de repente, nos próximos dias, ser algo para que Trump possa tomar uma atitude, avançar com algo mais concreto no Irão?
Sim, claramente, até porque nós observamos a situação em Israel e parece também ser favorável a uma intervenção militar. Portanto, há aqui uma conjugação quase astral que poderá levar a que ele... O Trump disse hoje que não havia planos De guerra, mas eles existem evidentemente, ele próprio tem hesitado muito se regressará ao conflito. Mas realmente isto é verdade, e o Nuno Garoupa referiu isto várias vezes, que o resultado de hoje é o resultado do fracasso da guerra no Irão e da hubris que se apoderou desta administração depois daquela intervenção na Venezuela. O Trump queria que o seu legado fosse o presidente que acabou com o regime dos mulás. Isto tem muito a ver também com a própria biografia de Trump. Ele cresce nos anos 80, 90, depois daquelas humilhações com a crise dos reféns. Sempre se manifestou vocalmente que seria necessária uma intervenção no Irão e viu esta oportunidade. Isto acabou por ser algo que vai um pouquinho contra os seus próprios instintos. Ele nunca se quis envolver muito em guerras, pelo menos no seu primeiro mandato, e acaba por ser o seu fim. Agora, evidentemente, quando estamos neste tipo de situações, e já vimos outros presidentes americanos no passado, por exemplo, o Bush em 2006, já fiz referência a isso, poderá haver muito a tentação de vamos tentar novamente pela via militar, tentar resolver isto de alguma maneira, porque pela via diplomática já se percebeu que o regime dos aiatolás simplesmente não negociará e não capitulará e, portanto, poderá haver esta tendência. Isto obviamente é muito perigoso. E claro, na América vamos provavelmente ver Donald Trump a querer em Cuba, possivelmente, também como tentou na Venezuela e, portanto, as possibilidades de termos um presidente americano muito interventivo no domínio da política externa são enormes, até porque o Congresso tem muito pouca capacidade ou nenhuma para o limitar nesse âmbito.
Nuno Garoupa também vai deixar-se estar conosco nos próximos minutos. Donald Trump torna-se mais imprevisível a nível de política externa com este resultado nas eleições intercalares?
Eu penso que sim, mas continuando o que estava a dizer o Francisco e concordando com ele, até mesmo, por exemplo, a questão do Irão e de Cuba são questões diferentes. Porque Cuba é algo que a administração pode interpretar como favorável e mobilizador da sua base eleitoral, porque lá está, há um imenso eleitorado cubano, que é importante hispano nos Estados Unidos, que não gosta do regime de Cuba e, portanto, uma intervenção em Cuba que leva a uma substituição de regime, por exemplo, pode ser algo que o Partido Republicano veja como uma tábua de salvação para os próximos dois anos. A questão do Irão eu acho que é mais complicado, porque acho que não é claro neste momento o que é racionalmente melhor para a administração, para o Donald Trump. Agora, eu acho que o Francisco tem razão, Donald Trump teve este sonho que lhe venderam, obviamente, ele comprou, apesar de muitos dos seus conselheiros terem dito que era uma loucura, ele comprou, de que ele seria o presidente que ia derrubar o regime dos aiatolás e resolver a questão dos últimos 40 anos do regime iraniano. Eu penso que vamos ver o que é que vai. Há também a questão da Ucrânia, temos que ver, e outras questões que ele poderá arranjar daqui para a frente. Agora, o grande problema aqui, volto a dizer, é o que é que, por exemplo, Rubio faz enquanto responsável do State Department, dos negócios estrangeiros norte-americanos, quando do ponto de vista de Rubio, obviamente agora os interesses não vão ser coincidentes com os de Donald Trump. Portanto, vamos ver até que ponto se mantém uma administração coesa ou se a administração começa também a ter fissuras muito sérias nos próximos, como disse alguém já, o Ricardo ou o Francisco, no próximo ano, porque nós estamos a um ano de começarem as primárias