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Este é o som da conferência de imprensa das manhãs 360, altura em que destacamos histórias ou artigos da imprensa nacional ou internacional. E que dos quatro, eu acho que o Paulo talvez seja o único que eu não imagino com umas sandálias Birkenstock.
E não imaginas bem.
Olha que eu já tive.
Então, por isso mesmo, o Paulo é o único que eu não imagino. E também imagino o Juca ao fim de semana.
Sim, o Juca também. O Juca é a pessoa para isso.
Paulo, és o elo mais fraco.
Não faço revista de imprensa, faço conferência de imprensa.
Mas são elas, estas sandálias, o tema deste artigo ali na BBC. Isto porque a fabricante alemã de sandálias, depois de ter passado décadas a tentar convencer os compradores de que o que pode parecer à primeira vista pouco atraente, é realmente desejável, vive agora a melhor fase de sempre. Aquilo que já foi por muitos considerado piroso, hoje vale muitos milhões de euros e parece que até nisto o filme da Barbie ajudou. A extensão desse poder vai ser agora testada em Wall Street, já que as ações vão começar a ser negociadas na Bolsa de Valores de Nova York e partem com valores que são o dobro daquilo que valia há menos de três anos. A empresa, que tem raízes num sapateiro do século XVIII, encontrou os primeiros fãs entre os hippies na década de 60. Durante décadas, Birkenstock não era um sapato da moda, disse a repórter de moda do New York Times à BBC. Era algo que a sua tia mais idiota, é assim que ela chama, ou um professor de ciências usaria com meias, mas aos poucos começou a converter o mundo da moda, tendo depois o selo de aprovação da supermodelo Kate Moss, isto já nos anos 90. Entretanto, na última década, a empresa ganhou um grande número de seguidores com a pandemia e o enfoque no conforto, depois através de colaborações com designers de moda e o aparecimento de celebridades como Gwyneth Paltrow e Frances McDormand a usarem Birkenstocks. Aliás, esta última até levou umas amarelas brilhantes aos Oscars em 2019. E com tudo isto, só no ano passado a empresa vendeu cerca de 30 milhões de sapatos. A solidez da marca atingiu uma espécie de auge depois da aparição no filme Barbie, onde a personagem principal usou um par rosa das clássicas sandálias de duas tiras, e só isso fez triplicar as vendas. Vários consumidores entrevistados pela BBC dizem que o apelo das Birkenstock vai durar, mesmo que saiam de moda, desde que as sandálias se mantenham confortáveis, nada os fará deixar de as usar. O artigo é extenso, há muito para ler e também muitas fotografias para ver na BBC. Está muito giro este artigo.
E são confortáveis.
Começa-se assim e acaba-se nas Crocs, mas tudo bem.
Já sobre as Crocs, temos outra opinião.
Já é outra história.
Aí por acaso já não imagino nenhum dos quatro com Crocs.
Sim, também não.
Nem o Juca.
Nem o Juca, talvez.
Diz aí, Paulo.
No Expresso, na revista deste fim de semana, um artigo que nos começa por fazer esta pergunta: quantos europeus falam uma segunda língua, além da língua materna?
A língua oficial.
É, a língua oficial. O trabalho começa por nos dar uma estimativa da Cristina Flores, que é diretora do Departamento de Estudos Germanísticos e Eslavos da Universidade do Minho. Ela diz que para aprender uma língua estrangeira, precisamos, em média, de contactar com o idioma entre cinco e seis horas semanais, isto durante um ano. E passado esse período, é provável que se tenham desenvolvido então conhecimentos linguísticos em relação a essa língua estáveis, básicos, mas o estudo tem que ser contínuo, obviamente, para se chegar e adquirir a fluência. A aprendizagem em sala de aula é um primeiro passo, mas o contacto com a língua através de vídeos, aplicações de telemóvel dedicadas ao tema ou, obviamente, conversação com pessoas que também falam essa língua, é essencial para que se consiga perceber, falar e escrever noutro idioma. Mas então como é que estamos de línguas na União Europeia? Sobre a aprendizagem, os dados que há do Eurostat, referentes ao início deste ano, dizem que em Portugal apenas 7% dos estudantes do ensino secundário estudam duas ou mais línguas estrangeiras.
Só 7%?
7% estudam duas. Portanto, é uma percentagem muito maior.
No secundário, ou seja, a partir do décimo ano.
A partir do décimo ano. Portanto, muitos ou quase todos estudarão uma, além do português, como é evidente, e só 7%, duas ou mais línguas. Também aqui estamos no fundo da tabela da União Europeia. No Luxemburgo, por exemplo, o mesmo grupo de pessoas, estudantes do ensino secundário, 100% de todos estudam duas ou mais. Em França, quase 100% também. Na Roménia, 99%. República Checa, 98% e por aí fora. A média da Europa, já agora, está nos 61%. Por que há este aparente desinteresse em Portugal associado à aprendizagem de línguas estrangeiras? A mesma especialista, Cristina Flores, ajuda a dar uma resposta. Ela diz que o que tem acontecido é que há uma grande percentagem da população, sobretudo mais jovem, que fala uma segunda língua, que é o inglês, e enquanto sobe a proficiência em língua inglesa, desce o interesse em estudar outra língua, outro idioma. No fundo, as pessoas vão pensando que já estão servidas, de alguma maneira, com um inglês razoável ou bom e, portanto, não precisam de ir a outro, espanhol, francês, quer que seja. Na prática, isto significa que qualquer jovem residente em Portugal com menos de 30 anos é um bom entendedor de inglês, mas no fundo fica-se por aí nesta área de estudo. E este fenómeno tem levado, de facto, ao decréscimo do multilinguismo no país. Olhando aqui para os dados do Eurostat, no segmento de adultos, se quisermos, entre os 25 e os 64 anos, olhando agora para quem não fala nenhuma língua estrangeira. Em Portugal, só 31% é que não falam, portanto, nós não estamos mal se olhamos só para uma língua, o inglês está aqui a pesar, certamente. Estamos mais ou menos na média da União Europeia, em que 31,8% das pessoas não fala, portanto, uma em cada três, se quisermos. Curiosamente, ou talvez não, o país onde muito menos pessoas falam uma língua estrangeira é o Reino Unido. Dois terços, 65% dos ingleses não fala nenhuma língua estrangeira. Lá está, o inglês.
É como se não precisassem.
Não precisam, de alguma maneira. Depois aparece a Roménia, a Bósnia e a Albânia como os países onde menos pessoas Fala uma segunda língua estrangeira.
Espanha não aparece aí, que curiosidade.
Espanha aparece com 45%. Sim, muito menos do que nós, falam menos do que nós. Só 31% é que não falam, a Espanha 45% não falam, quase metade. Então, quais são as línguas mais estudadas pelos estudantes da União Europeia no ensino secundário? O inglês, claramente, quase esmagador, 97%. A seguir, o espanhol, 26%, e o francês, 22%. É este o ranking das línguas.
As três mais.
Com o inglês a dominar. É um trabalho mais extenso que nos leva por estes caminhos das línguas estrangeiras.
Tenho pouquinho tempo, mas quero recordar que hoje há um aniversário, é a Disney, faz 100 anos.
Agora pensei que tinha escapado alguma coisa.
Não.
Pensei, o Paulo é daqui a uns dias.
O Paulo está quase, mas a Disney é daqui a uns dias. Pois bem, podemos encontrar vários jornais, acho que quase todos os jornais estão a assinalar este aniversário. Tem havido vários artigos nos últimos dias, mas é mesmo hoje. Eu parei no Diário de Notícias, artigo da Inês N. Lourenço. Até o título é bom: "Era uma vez a Disney". Os estúdios foram criados precisamente no dia 16 de outubro de 1923. Um jovem Walt Disney e o irmão Roy fundavam uma empresa chamada Disney Brothers Studio. O nome foi evoluindo, a marca Disney tornou-se um sinônimo de cinema de animação. O artigo explica as várias razões para o sucesso. Primeiro, porque criaram aquela figura logo muito amada, o rato Mickey, mas depois houve sempre uma abordagem pioneira dos desenhos animados, quer por processos tecnológicos, quer até pelas histórias. Em 100 anos, a Disney ganhou mais de 140 Oscars em várias categorias. E depois, pra além de haver descrições de como é que funcionavam os estúdios logo no início, aquela loucura controlada que havia de imensa criatividade. O artigo termina com 10 clássicos da Disney, que começa com a Branca de Neve e os Sete Anões, em 1937. Há uma ronda que nos faz viajar mesmo pelos grandes filmes da Disney, Pinóquio, Fantasia, Bambi, e que termina em 2013 com o Frozen. Vale a pena perceber, e aquilo que sempre nos surpreende é como filmes que ainda parecem ser tão especiais, já são tão antigos, alguns deles com 50 e tal anos.
Mas mantêm-se sempre.
Continuam a manter-se e as crianças de cada geração continuam a adorar.
Os pais continuam a mostrar aos filhos, é impressionante.
É, e eles continuam a gostar. Está no DNA. Sim, conferência de imprensa das manhãs 360. Se não ouviu desde o início, esta edição junta-se às anteriores dentro de instantes. Fica disponível em podcast.