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Este é o som da conferência de imprensa das manhãs 360. Lembram-se de eu falar aqui sobre o cão mais velho do mundo? O Bobi, que é português e vive em Leiria. Chegou aos 31 anos.

Já fez anos o Bobi.

Sim. E o Guinness desafiou o dono, Leonel, a realizar uma festa para assinalar a bonita data. E assim foi, na casa onde o Bobi sempre viveu, com mais de uma centena de convidados e com a garantia que tivesse os seus pratos favoritos. Por isso, na ementa não faltaram dourada

Dourada, o peixe?

Sim, e porco no espeto. Parece que só não é fã de espaguete à bolonhesa.

Não se sabe por quê.

Pois é. Se não fosse o Guinness, a festa ia ser assim uma coisa-

O Bobi hoje já deve estar a comer um espaguete à bolonhesa.

É capaz. E houve bolo com velas?

Provavelmente, sim. Se não fosse o Guinness, a festa tinha sido só para amigos, mas assim vieram pessoas de todo o mundo e grande parte de veterinários que quiseram conhecer pessoalmente o detentor do recorde. Até junho, há uma lista de muita gente inscrita para conhecer o Bobi. A maioria dos médicos internacionais que estiveram este fim de semana na festa dos 31 anos do cão mais velho do mundo falou dos vários segredos da longevidade do Bobi. Entre eles estão: a comida do humano, lá está, como vemos, fresca e variada; a liberdade, o facto de não estar acorrentado ou andar de trela; a vida rural, isto porque tem uma floresta e um jardim todos os dias à disposição, donde ele próprio seleciona ervas e vegetais que gostaria de comer e faz também exercício diariamente; e depois tem uma vida socialmente rica e sem grande estresse. É este o segredo para os 31 anos. O dono diz que o Bobi é um anjo, não é um cão nada protetor, portanto, se alguém entrar em casa, ele deixa.

Está à vontade.

Esteja à vontade. É muito sociável, é um doce e adora animais e pessoas. São 31 anos e com isto mantém o recorde do Guinness como o cão mais velho do mundo. Se eu li nos jornais. 31 anos é muito ano.

Eu tive um gato com 20.

Também. Mas olhando para o Bobi, não está com ar assim de velhinho. Aqueles cães assim paradinhos, não parece nada.

É, está o vida que tu disse.

É? Saudável e a comidinha, cheio de nutrientes.

É seguir os conselhos do Bobi.

Juca, e tu, o que nos trazes?

Vocês lembram-se de eu vos ter falado aqui de uma autoestrada enorme que estava a ser construída no estrangeiro?

No estrangeiro?

Não se lembram?

Nesse país distante chamado estrangeiro. Confesso que eu me lembro da história do cão, mas da tua história da autoestrada...

É que eu também nunca contei. É nova, é uma novidade.

E se eu tivesse dito: "Lembro-me".

Ficavas mal visto.

Ficava.

Não, que o Juca dava a volta.

O Júlio está a fazer um fact check.

Não, isso é só uma curiosidade. Na Ilha de Reunion, que ainda pertence à França, em frente a Madagascar, está a ser construída uma nova autoestrada. Isto não tem nada de novo. O que é que tem esta autoestrada? São 13 km, começou a ser construída em 2015, vai só acabar em 2028. Neste momento, só 8 km é que estão construídos. Já foi inaugurada uma das vias, só para um lado, agora foi inaugurada outra, também já nos dois sentidos, nestes 8 km. Até aqui nada de novo. O que é que tem de novo isto? Primeiro, porque como todas as obras, tem tido problemas de atrasos, de custos judiciais, enfim, tem havido algumas chatices quando mete muito dinheiro. E segundo, é porque é considerada uma das obras de engenharia mais importantes do mundo, porque é toda feita em cima do mar. Ela vai cercando toda a Ilha da Reunion, sobretudo duas cidades, Saint-Denis e Possession. A autoestrada dá a volta a toda a ilha, é toda em cima do mar, como vos disse, considerada uma das obras mais importantes de engenharia do mundo. Dizem mesmo que é, do planeta, a maior construção de uma autoestrada já feita, mas o problema é que também é a mais cara de sempre. Vai custar 2000 milhões de euros e torna-se na autoestrada mais cara de sempre no mundo. Dizem que vai haver uma derrapagem aqui qualquer.

Que ideia.

São 2000 milhões de euros.

Para 13 km.

Para 13 km.

Não, precisamente. Se é feita em cima do mar, obviamente que isso em termos de engenharia...

E toda em cima do mar. Se vocês puderem ver as fotografias, é de facto espetacular. Está a ser feita porque a antiga não oferecia segurança, era uma estrada costeira onde havia desabamentos, mau tempo, etc., e tiveram que fazer isto. E, portanto, é só porque se torna a mais cara de sempre e a autoestrada mais cara de todo o mundo até hoje. Essa é uma curiosidade. É uma boa curiosidade.

O Paulo lembrava-se vagamente. Queres falar sobre isto?

Exato. Eu já vos tinha falado.

Mas foi em 11.

Não, a vossa informação é perigosa. Vocês lembram-se de eu ter aqui falado? Pois olha, a tua memória é muito boa, que eu nunca falei nisso.

Nada disso. Eu estou aqui no Porto, para aqui parler, vocês não ouvem nada.

Vocês lembram-se de um estudo do Censos? Eu trouxe uma notícia do Expresso que vi este fim de semana, com base em resultados do Censos, sobre a forma como as nossas crianças vão para a escola. E se calhar, muitos dos nossos ouvintes que nos estão a ouvir agora no carro, têm os filhos atrás a levá-los para a escola, porque é isso mesmo que nós sabemos. Mais de metade dos alunos entre os 6 e os 18 anos vai de carro para a escola. É um texto da Raquel Albuquerque, fotos de Tiago Miranda e infografia de Carlos Esteves. O Carlos Esteves teve muito trabalho e é por isso que este artigo é interessante, porque recorre aos resultados do Censos para perceber como é que as crianças vão para a escola. Já vos disse, 52% vai a carro, 24% vão a pé, 23% de transportes, mais ou menos igual, e menos de 1%, só menos de 1% das crianças é que vai de bicicleta para a escola. Se falarmos de crianças até aos 14 anos, quase todas vão de carro. Só a partir dos 15 é que começam a escapar, a fugir do carro dos pais e a conseguir ter mais autonomia. Esta é uma tendência que é genérica em todo o país, mas depois o olhar mais fino mostra-nos outras realidades. Onde é que mais crianças vão de carro para a escola? Acima dos 70%, temos municípios, são os municípios Batalha, Contaxá Nova e Oliveira de Azeméis. São aqueles com mais crianças a ir de carro. Mas não olhes assim, Viseu está logo a seguir, Paulo. Depois Coimbra, Aveiro, Cascais, Oeiras, Matosinhos.

Aparecem logo a seguir.

Aparecem logo a seguir, estão no top. No sentido contrário, onde mais de metade dos alunos vão de autocarro, estão os municípios de Terras de Bouro, Alcoutim, Vieira do Minho e Boticas. Os melhores exemplos vêm do Alentejo, Gavião, Monforte e Alvito, onde três em cada quatro crianças vão para as aulas de transportes públicos ou a pé. Este artigo não faz uma relação muito grande entre qualidade de transportes públicos, rede de transportes públicos e carros.

Deve ser difícil, e deve haver muitos municípios que têm autocarros, que desenham carreiras próprias.

Não se pense que ia melhor nas áreas, nos grandes centros urbanos. No Porto, há um pouco mais de crianças a ir de carro, 56% em comparação com a Lisboa, que são 47%. E aqui, apesar de haver muita oferta de transportes gratuitos, várias modalidades, quer para crianças, quer para estudantes. Por que isso acontece? Uma das razões, que é mais apontada pelos pais, é insegurança. Não se pense que é o trânsito, é o medo dos estranhos. E apesar de Portugal ser um dos países mais seguros do mundo, como sabemos. O Expresso fala com uma professora, investigadora na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, Rita Cordovil, fez um estudo há 10 anos sobre estas matérias, independência e mobilidade das crianças portuguesas, e diz que isto tem vindo a acentuar-se de geração para geração. A cada geração que surge, mais dependência existe do transporte do carro. À semelhança do que acontece com os países do sul da Europa, mas muito ao contrário daquilo que acontece nos países nórdicos, onde tudo é diferente, o planeamento do espaço urbano é diferente, mas são os pais que acham que é normal e até desejável que os filhos vão sozinhos desde muito cedo para a escola, mesmo que seja a pé, mesmo que a mãe não esteja em casa, é uma questão de mentalidades. O artigo tem um olhar muito preciso sobre as percentagens das crianças e através de que meio de transporte é que vão para a escola. Vale a pena olhar para isto e depois tirar algumas conclusões, porque é que os nossos filhos vão sempre lá atrás entregues na escola. Está no Expresso.

Ainda bem que o traz aqui pela segunda vez.

Vocês lembram-se. Cobertura de imprensa das manhãs, nunca mais digo nada. As manhãs 360, se não ouviu desde o início esta edição, junta-se às anteriores dentro de instantes. Fica disponível em podcast.