O secretário-geral do Partido Socialista (PS) defendeu esta segunda-feira o relançamento de uma aliança entre a Europa e África para responder aos desafios demográficos e reforçar a autonomia estratégica europeia.

“Eu não vejo como é que a Europa possa enfrentar os desafios do futuro que não seja com o reforço das relações com África”, afirmou José Luís Carneiro, durante o debate “Portugal-Moçambique: Diálogo, Cooperação e Desenvolvimento”, na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em Lisboa.

No evento, que contou com a participação do antigo Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa e do antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano, num painel moderado por Jamila Madeira, o líder do PS apontou a demografia e os recursos estratégicos como duas dimensões fundamentais dessa aproximação, reiterando o compromisso do PS com o objetivo de relançar uma aliança entre os dois continentes.

Carneiro defendeu que o crescimento da população africana e a “debilidade estrutural demográfica” europeia devem ser tratados de forma integrada e sustentada, mediante uma complementaridade entre os dois continentes.

“Tem de se encontrar um mecanismo de complementaridade de regulação de fluxos regulados que tem que estar articulado com os domínios da formação, da educação, da qualificação, precisamente preparando as novas gerações para os desafios que se colocam”, precisou.

José Luís Carneiro sublinhou ainda a importância dos recursos energéticos e das terras raras existentes em África como fundamentais para reforçar a autonomia estratégica europeia.

“Todos os materiais de platina, que são 75%, estão em África, que são fundamentais para toda a indústria europeia de defesa ou de aeronáutica”, frisou.

O dirigente socialista apontou ainda “as questões da saúde, da biotecnologia, da economia dos oceanos, da economia do mar”.