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Começa agora mais uma conferência de imprensa da Rádio Observador. Esta manhã escolhi um artigo do Observador, precisamente, assinado pela jornalista Cátia Rocha. É sobre o novo site do Pentágono dedicado a fenômenos anômalos não identificados. É o termo oficial.
UFO, OVNI?
Exatamente. É a designação oficial dada a OVNI. No site governamental, é possível não só reportar avistamentos, mas também obter mais informações sobre este tipo de fenômenos. Mas não é tudo. O site revela ainda, e pela primeira vez, dados estatísticos desde 1996 até ao dia de hoje. Por exemplo, os locais com maior número de avistamentos, a que altitude foram detectados, ou ainda pormenores como o tamanho, a forma, a cor dos objetos. Estão muito curiosos, não estão?
Muito.
Já estão a abrir o site. Esperem, deixem-me só terminar.
Termina.
No site há também um mapa onde aparece o Japão como o maior hotspot global para estes fenômenos anômalos não identificados, mais concretamente na zona ocidental e no sul do Japão, perto das cidades de Nagasaki e Hiroshima, onde foram tornadas as bombas.
Acho que isso é porque os ETs adoram sushi.
Outro dos pontos assinalados é a região de Fukushima e a pequena localidade de Iwanuma, onde a população até já fala na casa dos aliens, devido às centenas de avistamentos. Fukushima, onde ocorreu também um desastre nuclear há 12 anos, em 2011, depois de um tsunami. Pois é provável que haja. Outras zonas, sem ligação alguma, mas com vários avistamentos, são o Iraque, a Síria, mas também é identificada uma região perto da Polônia, ainda que com menor atividade. Depois há também registros nos Estados Unidos, na Carolina do Sul. Ao longo destes 27 anos, as características mais comuns desse tipo de objetos são o formato redondo, entre um a quatro metros, de cor branca, prata ou translúcidos, e avistados entre três a nove metros de altura. O governo norte-americano tem apostado numa maior transparência em relação a este tema dos OVNI. Aliás, em julho deste ano, durante uma audição no Congresso, houve legisladores surpreendidos depois de ouvirem testemunhos de oficiais que relataram que o governo dos Estados Unidos terá em sua posse alguns objetos destes.
Que medo!
Eles andam aí. Está no Observador o artigo e também o link para este site então lançado pelo Pentágono, dedicado a OVNIs.
Muito bem.
Este sou eu, Paulo.
Sou eu?
Pode ser.
Sim. Parece que fui numa nave espacial. Estavas a pensar nos OVNIs.
Estavas a pensar se era lua que viste ontem.
Estava a pensar. Sou um pouco descrente em relação a isso, mas estou sempre disponível para verdades novas, de facto.
Mas para o Pentágono criar um site? Fale o que fale.
Fale o que fale. Sim, mas é importante. Eu reparei numa notícia, uma história que está no The Guardian, no jornal inglês, que nos diz, de facto, que começa a haver problemas graves no abastecimento mundial de arroz por causa das alterações climáticas e do El Niño também. A Índia, por exemplo, já impôs uma proibição da exportação de arroz, na sequência de chuvas destrutivas e obviamente que os preços dispararam. Agora há outros países do Sudeste Asiático que estão a seguir esse exemplo. Normalmente, por esta altura, de finais de agosto, os campos do norte da Tailândia, por exemplo, estão submersos sempre naquelas águas paradas dos arrozais, com as plantas de arroz a chegarem até os joelhos. E as águas costumam ser tão abundantes que se lançarmos uma rede de pesca nesses campos, vêm atrás muitos peixes e caranguejos que as famílias utilizam para a sua alimentação. Este ano, porém, as coisas foram diferentes, estão a ser diferentes. A chuva tem caído, mas não tem sido forte e consistente o suficiente para esta cultura. Há muitos canais de irrigação que estão secos e em todo o Sul e Sudeste da Ásia, o clima imprevisível, de facto, está a ameaçar o abastecimento de arroz, um alimento que é básico para mais de metade da população mundial, sobretudo na Ásia, onde também está a grande parte da população. Em julho, a Índia, o maior exportador mundial de arroz, impôs uma proibição dessas exportações de arroz branco, não basmati, isto depois de as colheitas terem sido comprometidas por fortes chuvas. E esta proibição fez logo com que os preços nos principais países exportadores, a Tailândia e o Vietnã, disparassem cerca de 20%, isto de acordo com dados da Reuters. O mercado, nesta questão dos preços, está também a antecipar as preocupações que já têm com a chegada do fenômeno El Niño, que traz sempre um clima mais quente e seco a toda a região. Depois, há aqui efeitos em cascata, que já estão a ser amplamente sentidos. Nas últimas semanas, os Emirados Árabes Unidos suspenderam as exportações e reexportações de arroz durante quatro meses. Myanmar disse que planeia interromper também temporariamente as vendas ao exterior, as exportações, e a Indonésia disse que quer, pelo contrário, importar mais dos países vizinhos, mais arroz, para proteger os seus próprios estoques. Isto é, mantém ali alguma reserva. Nas Filipinas, o governo impôs um limite máximo de preços do arroz para proteger os consumidores mais pobres. E esta atual pressão sobre as exportações de arroz surge numa altura em que a inflação De preços dos alimentos, sabemos, é teimosamente elevada em grande parte do mundo. Ela foi agravada pela guerra da Rússia, pela invasão da Ucrânia, e o El Niño não ameaça apenas, de facto, a produção de arroz, mas também muitos outros produtos agrícolas importantes, o óleo de palma, que é o óleo vegetal mais usado no mundo, e até culturas de cana-de-açúcar, soja e milho da Índia. Portanto, temos aqui mais uma tensão em produtos.
É mais uma má moeda, portanto.
Mais uma má moeda. Exato, uma tensão em produtos básicos que podem fazer subir preços nos próximos meses.
Eu li no Expresso Online um artigo assinado por Hugo Franco sobre as apreensões de cocaína que têm aumentado, sobretudo na quantidade que é descoberta de uma só vez. A polícia espanhola apreendeu quase 10 toneladas de cocaína num contentor marítimo no porto de Alcíras, e era droga que, diz o Expresso, tinha como destino final Portugal. O contentor tinha chegado do Equador, estava escondida em caixas de bananas, e esta é mesmo uma apreensão recorde em Espanha, que se seguiu a uma investigação sobre uma rede criminosa no Equador que fornecia cocaína da América do Sul para a Europa. As autoridades descobriram que cerca de 15 contentores suspeitos iriam entrar na Europa com essa mesma rota proveniente do Equador. E o artigo, no fundo, conta toda esta rede que envolve tráfico, envolve uma rede criminosa, mas também envolve política no Equador. De resto, este artigo conta ainda que nos últimos meses a Europa tem sido inundada de navios carregados de bananas e depois também de cocaína proveniente deste país, e dá exemplos. Em meados de agosto, as autoridades dos Países Baixos interceptaram oito toneladas no porto de Roterdão, que é também uma quantidade recorde no país. Também Itália e Grécia anunciaram a apreensão de enormes quantidades de cocaína misturada em contentores marítimos com bananas provenientes do Equador. O Expresso vai ainda buscar uma reportagem do Washington Post, que revela que as multinacionais do crime do México, Colômbia e Balcãs decidiram instalar-se no Equador para comprar grandes plantações de bananas, com esse único objetivo, que é aproveitar as exportações em larga escala de bananas, uma fruta que é ali muito produzida, para depois também conseguir escoar a droga que é produzida na América Latina. E só um terço, isto é impressionante, mas só um terço dos contentores que saem do Equador é que são revistados e os que são revistados, a maioria, sem o apoio de aparelhos de raios-X. Portanto, não será difícil, parece, colocar a droga no meio das bananas.
E compensa o risco, certamente.
Exatamente. De resto, o Washington Post explica que os cartéis escolheram o Equador não só por ser o maior produtor mundial de bananas, mas também porque o país usa o dólar americano como moeda, isso depois também facilita uma série de-
Uma zona monetária ótima.
Exatamente. E depois há a autoridade interessante, desde que os maiores narcotraficantes rumaram para o Equador, que os homicídios dispararam, duplicaram entre 2021 e 2022, com registro de 4600 vítimas mortais. E aqui, agora que temos a relação com a política, porque o assassinato mais mediático foi mesmo do candidato presidencial Fernando Villavicencio, em agosto, que foi amplamente noticiado. Foi um crime reivindicado pelos Los Lobos, que não são os que cantam La Bamba.
São outros lobos.
São outros lobos, são o segundo maior grupo criminoso do Equador, com mais de 8 mil membros distribuídos nas prisões equatorianas. E, portanto, em resumo, há aqui este caldo de tráfico, de redes criminosas e de política no Equador. É um artigo que está no site do Expresso.
E caixas de bananas.
E caixas de bananas. Eu gosto de bananas, mas geralmente compro só as bananas.
Conferência de imprensa amanhã, uma nova edição pra ouvir, sempre 15 para as 08h00. Ouviu Rádio Hoje?