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De 8:02. A Câmara de Cascais gastou €175 mil do dinheiro do PRR para a inauguração de uma escola. O primeiro-ministro e o Presidente da República marcaram presença, mas não comentam o valor gasto pela autarquia. Em causa, um evento de dois dias. O último deles foi na passada segunda-feira. António José Seguro e Luís Montenegro estiveram ao lado do Ministro da Educação e do presidente da autarquia na inauguração da nova Escola Secundária de Cascais. O projeto teve um custo superior a €32 milhões, cofinanciado pelo PRR, mas, Miguel Gato, os gastos da inauguração também saltam à vista.

€175 mil para dois grandes momentos de comunicação. O primeiro, um open day que envolveu toda a comunidade escolar de Cascais, onde participaram mais de mil pessoas, e o segundo, a inauguração oficial da escola, e foi aqui que estiveram presentes o Presidente da República e também o primeiro-ministro, juntamente com mais cerca de 600 pessoas. O Observador sabe que a Câmara Municipal de Cascais abriu um concurso público. Houve três candidatos. A vencedora foi a empresa unipessoal chamada Vertente Versátil. Fonte da autarquia explica ao Observador que esta empresa apresentou um valor mais baixo do que aquele que foi definido pela Câmara como preço base. A obra acabou por custar €175 mil em vez dos 220 mil previstos pelo Executivo.

Perante este valor, Miguel, importa perceber em que consistia, afinal, o contrato.

Previa-se a contratação, por parte da Câmara de Cascais, de uma equipa de quatro pessoas para a decoração do espaço, seis horas de atuação de um DJ, uma performance musical com três artistas, um coreógrafo, ainda a montagem de três ecrãs, uma passarela para a cerimônia oficial e a contratação de seguranças.

E o que dizem o Presidente da República e o primeiro-ministro sobre este negócio da Câmara de Cascais?

Pouco. O gabinete do Luís Montenegro não respondeu às perguntas do Observador, sobre se tinha ou não conhecimento do valor em causa ou se está confortável com a forma como foi gasto. A Presidência da República diz não querer fazer qualquer comentário sobre o assunto. As críticas começam a surgir dentro da própria Câmara Municipal. O vereador independente João Maria Jonet afirma que este caso é apenas um reflexo de uma cultura de despesismo que foi adotada pelo Executivo PSD/CDS, liderado pelo autarca Nuno Pita Lopes.

Miguel Gato, com os custos da inauguração da nova Escola Secundária de Cascais, €175 mil do PRR. Os dois eventos ocorreram com apenas uma parte da obra concluída. Falta a demolição das antigas instalações e a construção de um novo pavilhão desportivo, que estão previstas até o final de 2027. A direção do PS desvaloriza uma eventual investida de Mário Centeno à liderança do partido. O ex-ministro das Finanças tem sido crítico sobre as medidas do PS, mas os socialistas falam num livre-pensador. Mário Centeno não está para José Luís Carneiro como Passos Coelho para Luís Montenegro, é o que dizem os socialistas ouvidos pelo Observador. O ex-ministro, antigo governador do Banco de Portugal, tem vindo a reforçar a presença no espaço público através de críticas às propostas do PS, um espaço de comentário na televisão e o lançamento de um livro. Ao Observador, o secretário nacional do PS, Luís Testa, descreve Centeno como alguém que pode contribuir para as propostas do partido e fala num livre-pensador. Uma expressão que, no entanto, não será inocente, como explica a jornalista da editoria de política do Observador, Rita Tavares.

Pedro Nuno Santos vai para o comentário, posiciona-se e diz ao que vem. E diz que é precisamente um livre-pensador, um comentador que é um livre-pensador, que é aquela tentativa de não se colocar como alguém que vem desafiar a liderança, na altura, de António Costa, mas que quer dar as suas opiniões e fazer o seu caminho, evidentemente, e o caminho, depois, até se atravessou mais rápido do que ele gostaria.

Sim, no caso Pedro Nuno Santos, a coisa era demasiado evidente e a própria realidade acabou por tornar a coisa muito às claras.

Mas aqui é a direção do Partido Socialista que está a chamar livre-pensador a Mário Centeno.

Lá saberão por que escolheram essa palavra.

Luís Testa lá saberá por que escolheu esta expressão, que é uma expressão que já desembocou num líder.

Ainda assim, a direção do PS desvaloriza para já este posicionamento de Mário Centeno. Mesmo entre os socialistas mais críticos da atual direção, prevalece a convicção de que será José Luís Carneiro a conduzir o partido nas próximas eleições legislativas. Este é o artigo em manchete. É a história no site do Observador e é também o tema da história do dia. Nos Estados Unidos, Luís Montenegro insiste que Portugal vai fechar o ano com excedente orçamental e convida a um investimento estrangeiro. Montenegro está em Nova York, onde participou na tradicional cerimônia de encerramento do mercado bolsista. Perante investidores, empresários e representantes da comunidade portuguesa, o chefe do governo deixou uma mensagem de confiança sobre a economia nacional.

Portugal is very much open to your investments.

Portugal está aberto aos vossos investimentos e às vossas empresas. Somos um dos países mais seguros do mundo, com estabilidade política, econômica e social. Temos vindo a reduzir custos e a reduzir a dívida pública. Esta é a nossa estratégia. E isto tudo com uma reforma do Estado em curso. Em Portugal, eu declarei guerra à burocracia.

And with the wide process of state reform, I declared in Portugal war to bureaucracy.

Luís Montenegro, em Nova York. Hoje o primeiro-ministro tem um encontro com o secretário-geral da ONU, o português António Guterres. Montenegro faz amanhã o discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, que está a decorrer com a presença de mais de uma centena de líderes mundiais. São 8:07, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de quarta-feira? Os problemas no arranque do ano letivo vão hoje a debate no Parlamento. A discussão conta com a presença do Ministro da Educação. Este debate foi pedido pelo PCP. Os comunistas exigem esclarecimentos sobre a falta de professores e sobre os alunos sem colocação. Entra hoje em vigor a chamada Lei das Burcas. A nova lei proíbe a ocultação do rosto em espaços públicos e prevê multas que podem chegar aos €3 mil. Na origem do diploma, que dividiu o Parlamento, está um projeto de lei do Chega que teve como objetivo proibir que as mulheres andem de burca em Portugal. O velório de Jorge Palma decorre hoje na Voz do Operário, em Lisboa. A família quer que todos se possam despedir e prestar uma última homenagem. Amanhã, o cortejo fúnebre sai da Voz do Operário em direção ao Cemitério do Alto São João.