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Abrimos agora a conferência de imprensa da Rádio Observador. Vamos saber o que contam os jornais de Portugal e do mundo. A edição de hoje é do jornalista João Costa Campos. Bom dia, João.

Olá, Miguel. Bom dia.

Começamos com o jornal Público, que escreve sobre as mortes nas estradas portuguesas.

Isto porque a grande maioria das mortes na estrada entre 2019 e 2024 tiveram excesso de álcool, que configurava já taxa-crime em 75% dos condutores que morreram. Quase três em cada quatro vítimas com álcool acima do limite legal apresentavam níveis passíveis de pena de prisão. São dados do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses. Só durante esta época festiva, no fim de 2025, a GNR fiscalizou mais de 70 mil condutores, deteve mais de 800 por condução sob o efeito de álcool.

Passamos agora para o Jornal de Notícias, que dá destaque, João, ao aumento da procura pela chamada droga do riso.

Por apenas € 0,50, um balão consegue garantir várias doses de euforia a quem o consome e, por isso, também há cada vez mais e maiores apreensões de óxido nitroso em Portugal. Nos primeiros nove meses e meio do ano passado, a GNR já tinha apreendido sete vezes mais botijas do que em todo o ano anterior. Trata-se de uma droga recreativa de fácil acesso, inclusivamente através da internet, produz efeitos excitantes de curta duração, sendo que o consumo continuado pode provocar graves danos neurológicos e no sistema imunitário, uma situação que tem preocupado as autoridades.

Seguimos agora para o Diário de Notícias, que abre a primeira semana do ano com uma recomendação do Banco de Portugal.

Defende que a estabilidade do emprego é o principal motor para o aumento dos salários. Um estudo publicado pelo Banco de Portugal confirma que nos últimos 14 anos, o facto de manter trabalhadores com vínculos estáveis às empresas é o principal motivo para uma subida generalizada dos salários, bem como a manutenção do poder de compra, em particular em 2022, numa altura em que a inflação atingia um pico acompanhado da subida das taxas de juro.

Vamos agora à imprensa internacional, João, e damos natural destaque à situação na Venezuela e, por isso, vamos a uma ronda pela imprensa venezuelana e norte-americana. Começamos com o jornal venezuelano El Nacional, que destaca as exigências que Donald Trump deixou à presidente interina da Venezuela.

O presidente dos Estados Unidos terá dito a Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, que assumiu as rédeas da Venezuela, que poderá ficar no poder com uma condição: os Estados Unidos têm de ter acesso total ao petróleo da Venezuela. A justificação é que só assim se consegue garantir a estabilidade dos preços e consertar o país, é o que diz Donald Trump. O jornal venezuelano assegura que o presidente dos Estados Unidos terá dito ainda à presidente interina da Venezuela que está a ponderar reabrir a embaixada no país para voltar a abrir essas vias de diálogo diplomático. É de recordar que Donald Trump reiterou várias vezes que a Venezuela vai ser governada por uma equipe da sua confiança para garantir um processo de transição.

Já o El Universal destaca as ameaças deixadas por Trump aos países vizinhos.

E diz mesmo isso: o presidente norte-americano deixa ameaças à Colômbia, pressiona o México e assegura que Cuba está prestes a cair. É este o título do jornal venezuelano El Universal. São declarações que estão a preocupar os vizinhos da Venezuela. Este jornal venezuelano destaca as acusações de Donald Trump ao homólogo colombiano, Gustavo Petro, acusa-o, tal como Maduro, de colaborar na produção de droga e sugeriu até enviar uma missão semelhante à que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, mas desta vez à Colômbia. Em relação a Cuba, Donald Trump afirmou que está prestes a cair, uma vez que é difícil para Havana sustentar-se agora sem o petróleo venezuelano, que está neste momento sob forte vigilância americana. Já sobre o México, o presidente dos Estados Unidos volta a lançar uma oferta a Claudia Sheinbaum, a presidente do México, propõe que os Estados Unidos enviem tropas para o país para controlar os cartéis de droga, oferta que a presidente mexicana voltou a recusar.

Passamos agora, João, à imprensa norte-americana e começamos pelo Washington Post, diz que o plano norte-americano para governar a Venezuela está envolto em confusão.

O jornal destaca que poderá ser sinal de descoordenação na administração americana e que é mau sinal que os Estados Unidos ainda não tenham revelado como planeiam governar a Venezuela nos próximos tempos. Pega o The Washington Post em declarações de Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, que se irritou perante as perguntas dos jornalistas sobre como seria feita esta gestão da Venezuela. Exaltado, Rubio disse apenas que o plano dos Estados Unidos é o plano indicado para seguir em frente e que isso passa por parar o envio de droga para os Estados Unidos, a imigração vinda da Venezuela e expulsar todos os iranianos no país. O Washington Post destaca que, apesar das declarações de Marco Rubio darem algumas luzes sobre o que poderá ser a estratégia norte-americana, ainda não é claro qual é o caminho que os Estados Unidos vão adotar na gestão da Venezuela.

Terminamos com o The New York Times, que destaca que a presidente interina da Venezuela baixou o tom das críticas contra os Estados Unidos.

O jornal americano destaca que depois de ter acusado os Estados Unidos de terem ilegalmente sequestrado Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez publicou esta noite o comunicado oficial que pedia mais diálogo com Washington. Depois de uma conferência de imprensa, depois da captura de Maduro, Rodríguez tinha garantido que concordou em cooperar com o governo de transição. Depois disse, afinal, que os Estados Unidos estavam a pisar a linha. Diz agora Delcy Rodríguez, a presidente interina da Venezuela, numa carta divulgada pela presidência venezuelana, pede diálogo e diplomacia e, pela primeira vez, não pede explicitamente a libertação do presidente venezuelano.

João Costa Campos, com a conferência de imprensa.