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No aeroporto alemão de Leipzig, um drone equipado com uma carga explosiva foi detectado junto a um avião de transporte ucraniano. Outro avião, também na Alemanha, colidiu com um objeto não identificado. Para os dirigentes europeus, a Rússia está a conduzir uma campanha de sabotagem e perturbações em toda a Europa. Bem-vinda, Helena. Perante tudo isto, até onde vão os limites da Europa ou estará a Rússia a testar esses limites?

Uma das coisas que é extraordinária é que tu todas as manhãs me dizes: "Bem-vinda, Helena". Depois eu começo a falar sobre um assunto, regra geral, muito pouco bem-vindo. Hoje, então, este "bem-vinda" tem uma ironia que salta aos olhos, porque acontece o seguinte: nós temos assistido a um conjunto de incidentes que levaram, nos últimos dias, até, por exemplo, o caso português, que se chamasse o embaixador russo. Aquilo que levou, não quero usar aqui o termo detonador, porque já chega a carga explosiva que foi encontrada junto a um avião de transporte ucraniano, num aeroporto alemão, no aeroporto alemão de Leipzig. E também tinha havido um incidente com outro avião no momento em que sobrevoava aquela zona, que tinha colidido com um objeto não identificado e não era propriamente um disco voador de outro planeta. No total, terão já acontecido 144 incidentes com aquilo que são designados como aparelhos de vigilância, que basicamente são os drones, mas a isso teremos de somar também cabos cortados no Báltico, algumas mortes, isto em solo europeu, que dificilmente podem ser atribuídas a causas naturais, e isto a pessoas que estavam de alguma forma ligadas à Ucrânia. Temos também vários casos de sabotagens. Houve uma altura que aconteceram vários incêndios em armazéns, sobretudo de carga, também na Alemanha. Também temos a Polónia e a Roménia a registarem vários destes incidentes. Ou seja, tudo somado, a Europa parece ter-se tornado palco daquilo que agora se designa como guerra híbrida. Em consequência disso, assistimos a este momento em que foram chamados os embaixadores da Rússia em diferentes países da Europa. Simultaneamente, foi encerrado o consulado russo em Bona e, como medida de retaliação, o Instituto Goethe, que tinha várias filiais na Rússia, viu essas suas instalações encerradas. Estamos a chegar àqueles momentos em que cada um dos lados mostra a sua capacidade ou a sua determinação, mas num conflito que não é assumido diretamente e que, deste processo em que a Europa acusa a Rússia de procurar desestabilizar, criar uma sensação de algum amedrontamento nas suas opiniões públicas, pode a Rússia estar também a usar outro tipo de atuação, os chamados cavalos de Troia. E sim, nós vimos agora a "Odisseia" recentemente no cinema e a imagem é muito poderosa. E sobre isso, que é algo que vai diretamente, tal como o cavalo de Troia entrou diretamente no coração de Troia, aqui a expressão cavalo de Troia é uma imagem forte e da qual nós vamos ouvir falar, muito provavelmente este fim de semana, porque vão ter lugar eleições na Alemanha e o partido que é tido, neste momento, como favorito para ganhar, são eleições regionais, mas a AFD, que é um partido que é muito próximo de Moscovo, ou que pelo menos tem apresentado objetivos, propósitos e tem um discurso sobre a Ucrânia que é muito adequado àquilo que são os interesses de Moscovo. Portanto, aí entramos já num outro tipo de patamar, até porque voltamos a falar da Alemanha, o tal país que tem registado vários incidentes com drones, nomeadamente estes agora no aeroporto de Leipzig. Estamos aqui num momento que é hora para perguntar: até onde vai a Europa aguentar? Até onde pode a Europa vir a ser desestabilizada? Porque também vamos ter eleições em França. Também temos em Itália um conflito dentro da própria direita, com Meloni a ser desafiada dentro da sua própria área por pessoas com um discurso muito mais simpático para Moscovo. Tem disto que está, curiosamente, ao mesmo tempo em que Putin voltou a falar de paz. Vamos ver se, sim, tudo isto, a Europa não vai ser agora o palco daquilo que se chama a guerra híbrida e que, como todas as guerras, não tem graça alguma.

E se eu começo sempre com "bem-vinda, Helena", acabo sempre com "até já, depois das 10h".

Até já.

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