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Oi, ouvintes. Está na hora de conhecermos o tema do Contracorrente hoje, a partir do São Nobre, da Assembleia da República. O José Manuel Fernandes já aqui está conosco. É só o homem que cheira a torradas. José Manuel.

Acho que está com fome.

Trouxeste alguma coisa contigo?

Não, não trouxe nada.

Só o homem a cheirar torradas assim.

Não. Está bem.

Ah, também te cheira.

Não te cheira a torradas, Carla?

Não, esse teu olfato já não é o que era. Depois das 10:00 já tenho que ligar 910 002 41.

A cafetaria só abre às 8h30.

Só abre às 8h30?

Portanto, está a abrir quase. Se calhar estão a fazer as torradas.

Já estão a preparar as torradas.

Estão a preparar, claro.

910 002 4185, mas já sabe que também nos pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no site do Observador ou então enviar-nos o seu áudio através do WhatsApp. O número é sempre o mesmo. Carla.

É hoje que se realiza a primeira sessão da nova Assembleia da República, uma assembleia com uma configuração com muitas novidades se comparada com as conhecidas ao longo das nossas 17 legislaturas. Sim, já vamos em 17 e dessas apenas seis chegaram ao fim. A última legislatura foi especialmente curta, a segunda mais curta de sempre, e regressamos com um Parlamento onde há muitas novidades. O número de partidos representados, 10, o maior número de sempre. Entra em São Bento um partido pela primeira vez, e logo um partido de base regional, o JPP, o que nunca antes acontecera. Por fim, é a primeira vez que o conjunto dos partidos à direita dos socialistas somam mais de dois terços dos deputados, a chamada maioria constitucional. Teremos também a novidade de uma estreia como maior partido da oposição, um lugar a ser ocupado pelo Chega. Como para além disso temos uma coligação de governo que ficou longe da maioria relativa, não existem garantias de estabilidade, pelo que, longe da maioria absoluta, mais uma vez se farão apostas sobre quantos anos vai durar esta legislatura. Vamos falar de tudo isto neste Contracorrente emitido aqui a partir do Parlamento. José Manuel, bom dia.

Bom dia.

Pensando na durabilidade desta assembleia, estás mais otimista ou mais pessimista?

Talvez ao fim do dia de hoje tínhamos mais visibilidade sobre esse assunto.

A eleição do presidente da assembleia.

Não, eu creio que a eleição já deve estar mais ou menos combinada.

Da outra vez também estava.

Sim, mas da outra vez havia menos foco nisso. Hoje o que nos dizem é que os partidos já falaram, já chegaram a um acordo e não se respira no ar a mesma tensão que se respirava naquela altura. Portanto, eu creio que isso vai passar. No entanto, há muitos momentos pela frente e já percebemos ontem, ao ouvir a entrevista do almirante, que vamos ter, se ele for eleito, é o favorito, uma menor vontade de dissolver o Parlamento do que aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa, o que é uma contradição nos termos, porque Marcelo não tinha prometido tanto, mas ficámos a saber que ele não teria dissolvido na altura em que António Costa se foi embora. Ficámos a saber que ele não dissolve só por não haver orçamentos aprovados. Ficámos a saber também que não afasta o primeiro-ministro, se não perde a confiança, apenas por serem arguidos. Portanto, ficámos a saber algumas coisas que talvez ajudem a estabelecer outros limites, outras barreiras. No entanto, eu creio que vai muito depender da forma como os partidos se relacionarem uns com os outros, sendo que eu acho que há uma perceção na opinião pública que isto não se resolve repetindo eleições. As eleições podem dar conjugações diferentes, mas os partidos não podem ficar à espera de resolver isto tudo com maioria absoluta, que era aquilo que antigamente se esperava de eleições antecipadas, que resolvessem esse tipo de problemas. Isso aconteceu mais de uma vez. Aconteceu em 87. A primeira vez que aconteceu até foi em 1979. Em termos de legislatura, a anterior foi a mais pequena de todas, porque nós tivemos aquilo que hoje seria uma legislatura, na época não era, que é aquele final da primeira legislatura em que houve uma eleição pelo meio, porque a Constituição era diferente na altura. Nós tivemos 18 eleições para 17 legislaturas, porque a eleição de 79, da primeira maioria da AD com Sá Carneiro, foi uma eleição intercalar. Isto é, a assembleia foi dissolvida e o resto da legislatura foi feita depois de uma eleição, mas as legislaturas eram quatro anos rígidos. Portanto, interrompia, havia uma eleição pelo meio, só para completar a legislatura. Foi isso que aconteceu na altura. Entretanto, a Constituição mudou e quando é dissolvido, recomeça tudo de novo. Portanto, tivemos, de facto, um período muito curto. Eu creio que estamos a aproximar-nos de uma saturação por parte dos portugueses deste tipo de situação. De facto, a maioria das nossas legislaturas foram interrompidas, esmagadoramente. Estamos a falar de 17 legislaturas, só seis é que foram até ao fim.

A média é fraquinha.

A média é fraquinha. E há uma coisa muito relevante, é que habituámo-nos à ideia de que para levar uma legislatura até ao fim, é preciso existirem maiorias absolutas. E temos outro problema, que é não termos cultura de governos de coligação. A não ser quando são quase que pré-definidos. Eu acho que com o Parlamento tripartido, que é o que vamos ter agora, vamos experimentar uma situação completamente nova, diferente do que aconteceu no Parlamento anterior, que já era parcialmente tripartido, pelo menos para essas dificuldades, mas falemos melhor disso depois das 10:00.

Vamos falar. Até já, José Manuel.

Ligue 910 002 4185 e dê-nos a sua opinião em direto no Contracorrente, depois das 10:00, e hoje também em direto do Parlamento.