Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Muito boa tarde. Está na hora de recebermos o nosso convidado desta tarde. Vai juntar-se para uma conversa o músico e artista Pedro Coconão, mais conhecido como Batida. Pedro, muito boa tarde e muito obrigado por teres aceito o nosso convite aqui no Observador.
Olá, obrigado eu.
Olá, Pedro. Viva, bem-vindo. E Pedro, eu gostava de começar por perguntar, porque a altura assim o exige, é quase como se estivéssemos a falar do inevitável, que outros projetos é que estão na mira nesta altura? Tens várias coisas na agenda. Sabemos que tens tido várias digressões ou propriamente várias participações, neste caso, não digressões, um pouco por todo o mundo online. O que é que nos podes avançar sobre os últimos tempos, estes tempos de pandemia?
Acho que o principal objetivo de quase todos nós tem sido tentar trabalhar, contribuir para a saúde pública, especialmente a mental, e também manter a nossa. Acho que esse é o maior desafio. E a arte tem o papel, acho eu, talvez o maior papel. É capaz de ser a coisa com menos efeitos secundários e com mais benefícios para o tratamento das doenças mentais que proliferam tanto pelo planeta. E como vemos pelas notícias, não se sabe muito bem o que é que começa primeiro, se é a doença, se é a notícia, mas parece-me que começa pela doença. E tenho tentado, acima de tudo, através do meu trabalho, fazer a catarse daquilo que vai sendo a minha realidade à volta e a realidade, alguma dela comum com quase todos, espero eu. Mas também tentar participar nessa conversa. Há coisas que são mais públicas, como aquilo que faço, sei lá, participar no Africa Day pode ser assumir o papel do exotismo, da celebração e do hedonismo, mas pode ser também olhar para o continente e ver o que há a conversar tanto sobre ele. Infelizmente, participei em dois sítios nos Estados Unidos, tanto em Nova York com os The Roots e depois também no Paradiso de Amsterdã, dias antes de o debate sobre o que é a condição dos afrodescendentes no mundo ser tão presente e tão incontornável. Mas participei, e ainda bem que participei, porque foi uma contribuição, se calhar, praticamente insignificante, mas eu fico satisfeito com o quase praticamente, porque é mesmo muito pouca a diferença que faz o pouco que cada um pode fazer, mas faz muito mais do que não fazer nada. Então tem sido um bocadinho isso, estar dividido entre aquilo que artisticamente me vai estimulando, e tem sido isso, participar nestes dias da África, participei no da Europa também. No da criança ainda não participei, é hoje, mas tenho uma criança grande dentro de mim.
Desculpa, Pedro, porque tu és luso-angolano, então participar no Dia da Europa e no Dia da África pra ti faz sempre todo o sentido.
Só pela parte, se quer que eu te diga. Senti-me pela primeira vez na vida luso-angolano, porque foi muito bom, porque seres convidado para dois dias da África, em que, na realidade, havia muita diáspora, mas a representatividade era muito de pessoas que estão ou em África ou que são pessoas de aparência obviamente africana, sendo que a aparência é muito diversificada, mas a representatividade maior do que é o afro-americano, por exemplo. E depois participar também no Dia da Europa, com a possibilidade de fazer uma outra coisa à volta disso. Tudo teve sempre relação com a rádio, teve sempre relação com a música, mas também teve sempre muita relação com o texto e relação com a dança e com o movimento, que tem sido as coisas que eu vou trabalhando.
Já agora, isso foi um convite da época dos The Roots?
Foi um convite, sim, da equipe dos The Roots. Quem me contactou inicialmente foi a Tina Ferris, que é a tour manager deles. Mas depois entrei na plataforma deles, entrei no Instagram deles e entrei mesmo a seguir ao Questlove, tive essa sorte. O dia começou à meia-noite, Nova York. Começou com a Naomi Campbell, depois o Questlove, e eu fui a pessoa que seguiu a dar continuidade à emissão. Então sim, fiz parte desse universo dos The Roots durante esse dia e temos mantido contato, mas a esta altura as coisas estão uma loucura, porque num instantinho as coisas passaram de estarmos todos contentes por estarmos a fazer uma coisa juntos, para estar o caos instalado, especialmente nos Estados Unidos.
Já agora, pra quem não conhece os The Roots, são praticamente uma instituição também da música norte-americana. Eu perguntava também por causa disso, são presença assídua no programa do Jimmy Fallon e por isso mesmo daí eu perguntava-te sobre esse convite. Perceber também que tinha havido aqui alguma possibilidade de cruzamento, de contato, de conversa também com os The Roots. E foi uma grande responsabilidade suceder depois a esses nomes ou é tudo encarado com naturalidade, é fazer o trabalho e seguir em frente?
Não sei. O talento do Questlove é inquestionável. Nós, normalmente humanos, só damos valor às coisas quando passa algum tempo, mas o Questlove é, sem dúvida, uma das figuras do nosso tempo, é icônico. Ele tem, inclusive, mais pessoas a seguirem o que ele faz do que propriamente a banda. Mas a banda é também icônica. Não há banda, se calhar, mais importante naquilo que é a música negra atual do que os The Roots. Portanto, são uma banda gigante, são uma banda enorme que chega a muitas coisas. Se calhar, pela primeira vez no mundo, não diria, mas se calhar, quase, temos uma banda que pode exercer o R&B e também o rock and roll e o funk e tudo que são músicas que vêm de raiz e de fusão negra, interpretadas por afro-americanos e não necessariamente por coisas que degeneram a partir daí ou que sucedem, ou o que for. Então, obviamente, se quer que eu te diga, posso dar uma resposta à jogadora de futebol, que não sou assim grande coisa, mas é um bocado aquela coisa, eu acho que quem gosta de praticar futebol ou um desporto ou, neste caso, o que quer que seja, arte, tu vives para estes momentos. Então é muito mais fácil pra mim entrar a seguir ao Questlove do que entrar a seguir alguém que é meu amigo e que não me sabe dizer se gostou ou não gostou e dar palmadas nas costas, que é uma coisa muito luso ou qualquer coisa. Mas foi muito fácil, se quer que te diga, é muito fácil. É como jogar com o Michael Jordan. Agora, então é mais fácil, mas na altura, por muito exigente que seja, é fácil estar sempre envolvido de talento e ter as pessoas que sabem o que estão a fazer à tua volta, do que estar com outro tipo de ambiente. Então foi muito fácil e foi uma motivação muito grande, foi às tantas da manhã.
O público também já devia estar mobilizado, não? Depois de uma atuação daquela natureza.
Sim, e se me permites ser, porque eu aprecio muito a pessoa e aprecio muito uma ideia de ser luso-descendente, diferente daquela que vivemos, acho eu, e com que eu cresci, que é ser excessivamente modesto Mas no que toca à noção e à proximidade que existe com África e com Angola, em particular, eu estou muito à vontade para entrar a seguir a qualquer um dos The Roots. Não tenho qualquer problema. Aliás, eles é que devem estar mais preocupados com a contextualização do que é a música africana. O exercício que eu fiz, por exemplo, evidenciou algumas coisas que eu já sei há muitos anos, que é, se tu pesquisares o Google sobre o que é Ubuntu, o que te aparece é um sistema operativo e Ubuntu é uma cultura e uma forma de estar e ser africana com muitos anos, que foi a base de inspiração para o Mandela. Se pesquisares Africa and music, vai te aparecer os Toto, não te aparece ninguém propriamente africano a tocar música africana. E os Toto fizeram o Africa antes de alguma vez terem ido à África, que não sei se chegaram a ir. Mas depois há toda uma série de coisas. A música que eu coloquei do David Zé, que é um cantor que está na linha do Zeca Afonso em Portugal, que foi morto em 77 em Angola, mas que é um cantor fulcral na criação do que é a identidade angolana. Eu coloco isso no YouTube para saber se poderei tocar no set, no serviço americano, e o que me vem de volta é dizer que a música é do Nas e do Damian Marley, porque eles o samplearam. Ou seja, a distância que há entre aquilo que é a percepção do que é o continente e aquilo que é o continente, é maior do lado dos Roots do que da minha pessoa. Então, se é para falar de África, eu estou à vontade, se for para tocar, neste caso, Angola. Se for para tocar bateria, obviamente que não arrisco nada, fico quieto, digo que estou com uma cãibra e mando-me para o chão.
Pedro, também fazer-te uma pergunta relativamente à tua intervenção internacional, falaste do Dia da Europa, no qual acabaste de participar, mas também nota para o facto de teres sido o único artista nacional a integrar o Festival Africadélic, que aconteceu em Amsterdão no dia 25 de maio, para quem não sabe, é o Dia Internacional de África, e tudo isto através de atuações online. Em primeiro lugar, como correu? E em segundo, já respondeste mais ou menos a esta pergunta, mas estás-te a adaptar a esta nova realidade de tocar online? Talvez não seja tocar como com o público, mas pelo menos dá para matar saudades.
Sei lá, é como teres de te adaptar a estar algemado. A certa altura, se calhar adaptas. Aquela anedota que havia de alguém que tinha uma faca nas costas e alguém aproximava-se e perguntava se está tudo bem. E pronto, não está tudo bem, mas habituas-te. E se não morreres disso, às tantas consegues. Só tens é que arranjar maneira de dormir, não de costas, tens de dormir meio de lado. E acho que o estado em que nós estamos em termos de cultura e de como as coisas estão, é muito bom comunicar com pessoas, mas não sejamos também agora aqui novamente modestos. Os donativos não valem nada, as pessoas não dão dinheiro. Nós não damos dinheiro aos artistas, nós não gostamos de pagar. Então é uma miséria viveres de donativos. Eu não gosto da palavra nem um bocadinho. A gratificação, se quiseres, ou a reciprocidade pelo trabalho que é dado.
Pedro, desculpa interromper-te, deixa-me só perguntar-te isto. Essa questão dos donativos e de nós não gostarmos de dar dinheiro aos músicos e de pagar, isso tem a ver mais com o quê? Com o hábito que foi sendo criado ao longo dos últimos tempos de tudo que é online é grátis, há vários concertos que também já vão sendo grátis em vários espaços, ou isso tem a ver com a própria condição do ser humano e da forma como encara algumas coisas e dá algumas coisas por garantidas?
Ser-se português é sempre mais ser-se humano do que outra coisa qualquer, para começar. Mas há algumas coisas exclusivas nossas. Por exemplo, se calhar fazendo a proporção inversa, acho que o português também não sabe o valor dos tremoços até não os ter. Se calhar o tremoço é uma coisa que parece que é um dado adquirido, é uma maravilha, mas se calhar se for à Inglaterra fazer uma tour e perceber que o que é dado é só cerveja e não há sopinha, nem há uma comida boa, aí se calhar percebe-se que a cultura é uma maravilha, mas os tipos não sabem comer.
E estas semanas serviram para alguma coisa? Para as pessoas perceberem a importância, lá está, dos concertos, da cultura, do tremoço, na verdade. Isso serviu para alguma coisa ou era apenas isso?
Devíamos ser mais tremoceiros com a cultura, obviamente, porque isso faz de nós um povo mais preparado para lidarmos com tudo. A cultura torna-nos mais completos e a vivermos com mais coisas, e não sendo só a cultura do tremoço e da bola. Uma coisa que eu acho que podemos aperceber todos, eu pelo menos apercebi-me, é que nós não precisamos assim tanto de futebol, de ver tanta conversa como parece. Ou seja, na realidade, nós conseguimos viver bem sem isso. Mas é muito mais difícil viver sem dançarmos juntos ou sem celebrarmos coisas juntos. Podem ser elas futebol ou outras coisas quaisquer. Mas eu senti, e aqui na rua onde vivo e à volta, não vi ninguém desesperado por futebol, nem ninguém a jogar à bola só porque não há futebol, nem ninguém a rever jogos antigos. Mas vi pessoas, mesmo que num número simbólico, a procurarem música e a procurarem contactar-se umas às outras de outras maneiras. Isso é uma conclusão que eu acho que ninguém vai tirar, mas eu acho que deveria ser tirada. Em relação à Africadélic, deixa-me só dizer uma coisa. A Sara Tavares participou também, e a Sara Tavares orgulhosamente pediu para colocar a bandeira de cidadania dela portuguesa e também a de Cabo Verde. Então fomos os dois de braço dado que participamos na Africadélic. Aquilo era tanta gente. Perguntaste como é que correu, foi o fim do mundo em cuecas, porque era organizado por um angolês, um compatriota também, e foi feito muito ao estilo dele próprio e de como nós nos comportamos como país em termos de estrutura. Então foi literalmente num encontro de melhores pessoas, como eu estava a dizer há pouco.
Pedro, aqui uma coisa que eu não percebi: tu chegaste a tocar efetivamente com a Sara Tavares, neste caso online?
Não. A Sara fez uma emissão de casa com amigos e com vinis. E eu fiz a mesma coisa. O que eu fiz foi agarrar em discos. Agarrei no facto de este ano serem 45 anos de independência. Eu propus ocupar 45 minutos, eu faço 45, e agarrei em 45 revoluções por minuto e tentei com eles contar um bocadinho da história do como é que foi o meu processo de começar a fazer música. E algumas coisas só existem, de facto, nesse registo, ou em 45 revoluções por minuto ou em vinil. Eu não sou purista Acho que há coisas que soam melhor em digital, mas acho que há coisas que ficaram registadas originalmente em vinil e aquele barulho, aquele ruído, a pipoca toda, aquilo já faz parte da memória. Fiz uma emissão muito agarrada a esses discos, alguns deles que nem sequer foram editados depois em CD ou em digital, e conversei o mais possível. Ou seja, tentei ser o mais humano e menos eficaz, porque este tempo e espaço que tivemos agora durante esta fase, permitiu-nos a todos sermos um bocadinho mais humanos, se quiséssemos, menos alienados. Parece que houve um bocadinho mais de espaço para isso. Parece-me que isso está a acabar, pelo menos cá, noutros países estão noutras fases, mas cá há menos predisposição para o streaming. Não sei como é que a rádio se está a comportar, mas eu gostei muito de ver as pessoas a precisarem mais de rádio, porque acho que a rádio é um meio tão rico como outro qualquer e tem esta vantagem de não termos que estar a olhar para ele. Portanto, podemos conduzir e não somos multados por isso e podemos estar a fazer outras coisas e ele está lá de fundo, faz a mesma companhia, tem menos radiação, curiosamente. Gostei de ver a rádio a ganhar importância, se calhar menos no drive time e mais durante o dia, mas agora estamos a voltar ao trânsito e às pessoas que têm carro, que ouvem rádio na rua e que estão a ouvir, se calhar, a emissão agora. Isso foi bom.
Isso para nós é espetacular, Pedro, como deves calcular. Mas Pedro Croqueno, mais conhecido como Batida no mundo da música, falaste aqui em rádio, notei aí alguma paixão e sei que durante um projeto que tiveste com o Luaty Beirão, um projeto, aliás, que creio já tiveste a oportunidade de falar aqui dele no Observador, tiveste uma rádio a emitir para Lisboa em 88.4 FM, se não estou em erro. No que é que consistia essa emissão? Era puramente música ou havia programas?
Era um exercício de rádio. Eu adoro rádio e nós não temos imagem, mas eu atrás de mim não tenho livros, tenho rádios, porque eu ouço-os e eles estão sempre a atualizar. Acho que é mais fixe do que livros. E adoro livros, mas gosto mais de rádios e de rádio. Mas a questão da emissão que fiz chamava-se Rádio Normal e tentava explorar até ao infinito, porque esse nome é infinito, essa ideia, esse conceito, esse estado de normalidade. Ainda por cima antes do que aconteceu, em que aparentemente o normal era também um dado adquirido, e agora, de repente, todos falamos do novo normal, uns detestam, outros teorizam. O novo normal, nós queremos que seja diferente e que seja para melhor, mas aparentemente estamos a ser um bocado condicionados nessa ideia de normalidade e parece que queremos voltar à antiga, que não era assim grande espingarda. E eu, naquela emissão de rádio, o que tentei essencialmente foi pensar o que é normal em rádio e essa emissão e nessa frequência que foi cedida pelo ICP para uma emissão local durante aquele período, portanto, é uma rádio, se quiseres, é uma peça de rádio arte, como se chama hoje em dia, não é propriamente uma emissora que possa ter publicidade e viver para sempre. Foi um exercício de rádio a tentar ser normal, ou seja, o que é uma rádio normal. E o normal às vezes pode ser bom, outras vezes pode ser menos bom, mas é o que é aceite e que é tido como comum para as pessoas que escutam rádio.
E tens alguma noção do alcance que esse projeto acabou por ter?
O alcance é nós estarmos a falar dele.
Eu não digo o alcance FM, digo o alcance, sim, exato.
Estava a me escapar, porque o emissor era fraquinho, então isso era uma resposta à político. Eu estava a reforçar o público, que foi bom. Mas o alcance era assumidamente uma rádio local. Já tinha feito uma outra rádio no Iminente há uns anos e chamei-lhe a rádio mais pequenina da cidade, porque era uma rádio mesmo que só chegava a um raio de 100 metros. Esta rádio, que era o recinto do espetáculo, 100, 200 metros, e era um bocadinho a tentativa de levar o festival para fora dele próprio. Ou seja, tu poderes ouvir coisas e ter acesso a um conteúdo fora do festival. E aqui era a mesma coisa, era a Casa Independente, onde fiz a residência, não se confinar ao seu próprio espaço e ao ir lá ou ouvir online, mas haver esse espaço ocupado que normalmente está livre, que é uma frequência, e ocupá-lo para quem o quisesse escutar nesta zona aqui do intendente, portanto, a zona à qual se referia à residência. Portanto, o alcance será sempre o aqui à volta, mas o alcance menos objetivo, porque eu acho que a rádio é muito difícil de perceber o alcance, tu vês uns números, de uns meses a uns meses. Mas ao contrário de outros meios e dos likes e de tudo, eu acho que é ótimo a rádio não ter os likes em tempo real, porque permite-nos falhar e acertar outra vez, e falhar e acertar. E esta coisa do online quase que nos obriga a estar perfeitos a cada segundo, e isso é insuportável, é desumano até. E a rádio é avaliada, pelo menos, com um bocadinho de distância maior. E há coisas que ficam sempre no subjetivo, que é esse alcance, qual é que terá sido? Alguém gravou, alguém ficou a falar disso, o que ficou na maioria das pessoas? E não dá para ouvir outra vez, porque não está online. E o alcance que senti que teve foi, por exemplo, o convite para celebrar o Dia da Europa, ter sido especificamente para esse projeto e terem-me pedido, especificamente, uma emissão da Rádio Normal, que eu tive que fazer e transformei numa peça vídeo com uma hora, que vai ser em princípio, e depois também transmitida mais tarde num canal de televisão, começa por R e depois acaba por P, mas eu não posso divulgar já, e que será confirmado depois mais tarde.
Pedro, já agora, essa residência foi cerca de um mês, mais ou menos, não foi?
Uhum. 28 dias ou 29, já não sei quanto é que o mês tem.
28 dias. E há algum balanço para fazer dessa residência? O que é que sobrou, além de estarmos aqui, lá está, a falar sobre aquilo que foi, sobre aquilo que aconteceu, o que é que sobrou disso também na Casa Independente? Sobrou alguma coisa?
Sim, parece que estamos a falar de um fragmento que aconteceu. Parece aqueles filmes de ficção científica ou quase que aquele andar do Mall com vídeos que parece que não se percebe bem, mas que existiu, mas que está lá. Porque é estranho, porque aquilo aconteceu mesmo antes de tudo se precipitar com a pandemia. Então foi uma história assim construída e que teve um grande eco, até fui aí até ao estúdio na altura em que as pessoas iam ao estúdio. Não foi assim há tanto tempo, quer dizer, não foi há um ano sequer, foi há uns meses, e correu muito bem e foi fisicamente marcante para a casa também, porque inclusive eu pintei paredes e alterei coisas e levei peças lá para dentro. Mas pouco depois a pandemia aconteceu e eu acho que tudo, qualquer vestígio físico que pudesse acontecer na casa, a esta altura já não existe, porque a casa já foi retocada logo a seguir e a esta altura já estão a preparar-se, espero eu, para uma reabertura na altura certa. Mas o que lá ficou, penso que Espero eu que tenha ficado, porque também filmei e há de sair uma curta daí. E eu quando digo curtas, não é filmes para pôr no YouTube que têm uma dimensão curta. É uma designação técnica para uma coisa que dá um trabalho como o caraças.
E que sai pequenino.
Sim, que sai pequenino. Mas a ideia será depois criar essa memória, esse registro, para nós, daqui a uns meses, podermos olhar para trás e ver como é que era aquele sítio em fevereiro de 2020, que parece que é um mês diferente e distante de todos os que estamos a viver, porque a noção que todos temos de tempo agora é muito diferente da que tínhamos há uns meses. Isto já parece que foi há uma temporada, mas foi só há uns meses.
Pedro, eu vou pôr aqui-
E o que fica é isso. Fica a curta, essencialmente.
Pedro, eu vou pôr aqui ao teu poder, sim, só para nos dizeres onde é que vais andar nestes próximos meses, onde é que te vamos poder ouvir, o que é que vem aí, porque temos de acabar com a entrevista, infelizmente.
Vamos embora.
É isso mesmo, estamos aqui a falar sobre a rádio. A rádio tem destas coisas, tem tempo limitado. Portanto, Pedro, faz aqui um briefing muito rápido do que é que vais andar a fazer nos próximos tempos.
Então vamos lá. Estou a fechar o álbum do álbum de Ikoqua, para ser editado ainda este ano, espero eu. Estou também a fechar um programa que vai ser transmitido para a semana que vem, também em rádio, na Worldwide de Giles Peterson. E eu posso dizer estas coisas que não dão azar e não há problema em adiantá-las. O que eu tenho aqui mais para apresentar em breve? Novo episódio da Coisofonia no Music Box, também em breve. Uma residência que vai começar, para já em formato de filme, porque o espaço está fechado. A retransmissão do conteúdo que fiz para os Roots também num outro lugar. A retransmissão do conteúdo que fiz para o Village Underground também em televisão. E tenho para aqui mais coisas, e tenho uma peça precisamente de Ikoqua para pôr em exibição assim que for possível ocupar um espaço em condições de segurança e em que esteja tudo ok. Isso é assim só para já.
Pedro Coconal, muito obrigado por te teres juntado a nós, mais conhecido como Batida no meio artístico e na música.
Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM, na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada!