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Imagina uma rede de distribuição elétrica mais flexível, que consegue receber e entregar maiores quantidades de energia renovável e onde os utilizadores têm uma participação ativa. Esta é a proposta da E-Redes, concessionária da distribuição de eletricidade em Portugal, do projeto FIRME: Flexibilidade Integrada em Regime de Mercado. Na estreia desta rubrica "Conversas na Rede", em parceria com a E-Redes, vamos perceber melhor em que consiste este projeto, qual o papel do consumidor e que vantagens poderá ter. Eu sou o Paulo Ferreira e estão comigo em estúdio Pedro Coutinho Matos, responsável de desenvolvimento de negócio, e o João Martins Carvalho, administrador da E-Redes. Antes de mais, obrigado por estarem aqui. Bem-vindos, ambos. Eu sugeria, João Martins Carvalho, que começássemos por perceber o que é isto, concretamente, os serviços de flexibilidade, até porque a E-Redes anunciou recentemente um leilão pioneiro na Europa a este nível.

Muito bem. Muito obrigado, Paulo, pela oportunidade. É com muito gosto que partilhamos a nossa experiência nesta rubrica. Eu acho que, antes de mais, o que este projeto significa é um sinal do forte compromisso da E-Redes com a inovação e com a contribuição para os objetivos da transição energética tão ambiciosos que estão estabelecidos para Portugal. O que acontece é que com a alteração do mix energético em Portugal e, em particular, com o crescimento da geração distribuída, criam-se novos desafios à gestão da rede, mas também novas oportunidades. E o que estamos aqui a falar hoje é precisamente de uma dessas oportunidades, ou seja, a possibilidade de contar com os recursos dos clientes, sejam eles consumidores ou produtores, para operarmos a nossa rede de distribuição de uma forma mais eficiente e resiliente, digamos assim. O projeto FIRME é o nosso contributo para tornar essa oportunidade uma realidade. Trata-se de um projeto pioneiro a nível europeu, que coloca Portugal na vanguarda deste tema, que sabemos com toda a certeza, será um recurso essencial para um sistema de distribuição moderno.

Estamos a falar então de eficiência, basicamente, no consumo de energia. Pedro Coutinho Matos, em que consiste esta utilização da flexibilidade local na redistribuição de eletricidade? É um tema complexo e para que os consumidores, que somos todos nós, de energia, percebam o que é isto, consegue dar-nos alguns exemplos?

Sim, com certeza. Bom dia a todos também. A flexibilidade na rede de eletricidade, esta flexibilidade local, tipicamente é necessária por dois tipos de fatores. Podem ser fatores pontuais ou fatores inesperados. No caso dos fatores inesperados, pode acontecer algum tipo de falha na rede por via de um evento exógeno qualquer, uma tempestade.

Um acidente natural.

Um acidente natural, uma previsão de geração de energia solar, por exemplo, numa zona industrial onde as fábricas têm painéis solares e que depois o sol não apareceu, ou melhor dizendo, as nuvens puseram-se à frente. Portanto, não existe aquela quantidade de energia gerada e essas unidades fabris têm que continuar a laborar e precisam de energia vinda da rede. Nestes casos, a rede tem que se adaptar e tem que conseguir entregar essa energia, que não era necessária no caso de o sol estar a brilhar.

Que isso é uma constante, segundo a segunda.

Isso acontece e vai acontecer cada vez mais. Estamos aqui num momento, em Portugal, em concreto, e no resto da Europa e do mundo, em que o solar está a crescer cada vez mais e vai haver muitos painéis solares espalhados e cada vez mais vai haver muita energia que vai ser produzida e gerada e consumida localmente. A partir daí, a rede não terá tantas exigências nesses pontos, a não ser naqueles momentos em que tem.

As tais exceções.

As tais exceções, os tais eventos pontuais. Se quiser dar aqui um exemplo, se calhar para tornar isto um pouco mais tangível, fazer aqui uma analogia que não sendo perfeita poderá dar uma boa ideia, por exemplo, o tema das autoestradas. Uma autoestrada, por exemplo, uma A2, que vai para o Algarve, num dia normal, com as duas ou três faixas dependendo do sítio, tem capacidade para o tráfego todo e que não tem constrangimento nenhum. Se o dia 1 de agosto, se calhar ser um sábado e vai toda a gente para o Algarve naquele dia, o que é que acontece? Engarrafamento garantido, toda a gente sabe. Qual é a nossa proposta aqui? É um pouco pagar um cafezinho a alguém para esperar um pouco na área de serviço ou em casa antes de arrancar e conseguir distribuir aqui um pouco o tráfego pela autoestrada. Podemos pensar num café se for uma coisa mais pequenina, mas podemos pagar um almoço porque ele demorar um pouquinho mais de tempo, que se for só da parte da tarde é mais interessante, ou até uma noite de hotel. Vai só amanhã, porque senão vai haver constrangimento na mesma. É um pouco isto que nós estamos a tentar fazer aqui.

No fundo, é trazer os consumidores utilizadores também para esta equação de consumo de energia, pedindo-lhes que eles consumam de forma diferente em função das necessidades da rede, é isso?

Certo. Não é deixarem de ir para o Algarve, não é deixarem de consumir, é consumirem numa altura em que é mais simpático, digamos assim, para a própria rede, porque existe mais capacidade de entregar essa energia naquela altura.

Muito bem. No fundo, envolvê-los no tema.

Exatamente.

João Martins Carvalho, quer dar aqui uma achega também nesta questão?

Eu acho que o exemplo do Pedro é de facto excelente e bastante ilustrativo da vertente que os consumidores podem dar para este problema, mas de facto o projeto FIRME vai para além disso. Podem ser tanto os consumidores a contribuir, mas também podem ser os produtores ou os detentores de outros recursos distribuídos, como baterias. Por isso, este nivelamento, esta adequação entre o consumo e a produção, pode ser feita do lado da redução de consumo, mas também do lado do aumento da produção ou de algum tipo de recurso distribuído. Por isso é, de facto, muito abrangente o alcance deste tipo de solução.

E este projeto FIRME, Flexibilidade Integrada em Regime de Mercado, em que é que isto consiste, precisamente?

O projeto FIRME, em concreto, refere-se ao leilão que nós abrimos para esta participação. Ou seja, a E-Redes fez aqui um trabalho de análise da sua rede, de identificação dos pontos onde este tipo de recursos podiam ser mais relevantes para aumentar a fiabilidade da sua rede e fazê-lo de uma forma eficiente. Foram identificados alguns locais. Depois esses locais foram identificados, colocados numa plataforma online, que todos podem aceder, e está lá dito que tipo de disponibilidade é que é preciso para endereçar esse constrangimento. E, por isso, o projeto FIRME é É a designação que abarca este procedimento de identificação de necessidades e a plataforma de leilão onde os agentes com recursos flexíveis podem licitar para endereçar essas necessidades.

No fundo, é a materialização deste conceito. Pedro Cunhal Matos, o que é necessário, que características deve ter um utilizador para ser um fornecedor de serviços de flexibilidade?

A primeira característica é estar ligado à rede. Não há hipótese. O que hoje em dia já vai havendo casos em que não estão. Isto é importante. Tem que estar ligado à rede e tem que ter capacidade de modular, de ajustar, de facto, os seus consumos ou produções. Se for um utilizador que tem essa capacidade de dizer: "Se calhar consigo não produzir agora ou não consumir agora e consumir mais daqui a bocado", e é esse o pedido, e isso faz matching com o pedido que nós temos, é ótimo, são muito bem-vindos a participar nisto. Depois temos aqui só um requisito adicional, que tem que ter um mínimo de potência. Nós queremos, de facto, que o tráfego seja grande, aquele que estamos a mobilizar e com menos que 10 kW de potência, achamos que nesta fase era complicado participar, a não ser que seja por via de uma agregação de um bolo maior. Muitos em conjunto a participar, mas organizados por uma outra entidade. Diretamente seria muito mais complicado.

Estamos a falar de grandes utilizadores de energia.

Essencialmente, sim, em particular nesta primeira fase.

Como é que essa gestão é feita depois? Isto é, esse tal utilizador que consegue gerir o seu consumo de energia, a decisão é imediata, é rápida? Como é que vocês fazem essa gestão das necessidades da rede versus disponibilidade dos utilizadores?

Vamos ter vários casos e há casos diferentes que neste momento estamos aqui a testar e quisemos ter casos diferentes precisamente por causa disso. Há uns que são mais imediatos, outros menos. Há aqui essencialmente dois tipos de produtos de flexibilidade, como nós lhes chamamos, que precisamos. Uns que têm a ver com recuperação de falhas da rede. Houve uma falha qualquer na rede e é preciso recuperar. E nesses casos ninguém sabe quando é que vai acontecer. A partir do momento que ela existe, vamos tentar ser o mais céleres possível de ativar essa flexibilidade, contando com aqueles que sabemos que já são mais rápidos e estão disponíveis para isso. Noutros casos, em que são coisas mais programadas, aí sim, temos tempo suficiente para dizer, porque temos forecast de produção de renováveis, temos forecast de utilização da rede e dizemos amanhã, depois de amanhã, para a semana, que precisamos de mobilizar essa flexibilidade. Um dos produtos que nós temos tem a ver com manutenções. Nós sabemos que o dia de manutenção há de ser para a semana ou daqui a 15 dias e mobilizamos alguém para na próxima quarta-feira das 08h às 17h, estás disponível, pode ser preciso utilizar essa flexibilidade. E nesses casos já temos muito mais antecedência na utilização disto e permite gerir também melhor do lado do utilizador, do prestador de serviços.

Claro, que no fundo se torna um fornecedor também da rede de alguma maneira. João Martins Carvalho, em que áreas geográficas é que funciona ou está a funcionar este projeto-piloto?

Neste momento temos oito pontos da nossa rede identificados, estão relativamente distribuídos por todo o país, de norte a sul. São situações da rede de média tensão, mas que podem ser endereçadas por consumo da baixa, desde que seja agregado de forma a atingir as potências necessárias. Mas é de facto bastante distribuído. Temos casos na zona de Beja, na zona de Bragança, Marinha Grande, Milfontes, Paredes de Coura, Tondela, São Martinho do Campo. São de facto muito distribuídos e, como disse, estão identificados na plataforma de leilão. Quem for ao site consegue ver de forma muito clara, identificado no mapa de Portugal, onde é que estão estas situações.

E quem quiser registar-se como fornecedor, o que é que tem que fazer? João, Pedro?

O procedimento, nós tentámos que ele fosse o mais simples possível e já agora quero dar aqui uma nota que nós, quando arrancámos com isto, não fizemos sozinhos. Criámos uma parceria com uma empresa que se chama Piclo, que é uma empresa do Reino Unido e que já tinha feito e começado inicialmente com este tipo de procedimentos de leilões no Reino Unido. Eles começaram em 2019, se bem me recordo, e já têm alguma experiência nisto e não começámos do zero. Trouxemos esta empresa, esta Piclo, que tem esta tal plataforma que nos permite não só a nós pormos as oportunidades, as necessidades que temos, tal como os potenciais fornecedores irem lá, ver onde é que estão as oportunidades, registarem-se enquanto fornecedores e depois dizerem: "Ok, eu tenho alguns ativos, alguns equipamentos que posso utilizar, algumas máquinas, alguns motores, o que seja, que posso utilizar neste piloto". E a partir daí, havendo o match, existem ativos registados nas zonas onde nós precisamos, dá-se aqui o tal casamento e quem tem esses ativos depois pode dizer quanto é que está disposto a receber para modificar este tal consumo, se quer só o cafezinho, se quer o almoço ou a noite de hotel.

O leilão fixa o preço também, de alguma maneira? Ou serve para fixar esse preço?

O leilão serve para fixar o preço com cada um deles, sendo que no leilão o objetivo é perceber ainda nesta fase, de facto, quais é que são os preços estimados, que este mercado não existe, não existe nenhuma referência de preço. Quer dizer, temos os preços do Reino Unido, mas não são exatamente o mesmo contexto. Nós damos indicação de preços máximos que estamos dispostos a pagar por isso, porque obviamente se for mais do que isso, já compensa estar a fazer outras soluções e que não sejam esta da flexibilidade.

E o vosso preço máximo será talvez o preço a que compram energia no mercado?

Não, o preço máximo tem a ver um pouco com a alternativa que teríamos, quanto é que nos custaria fazer um investimento. Porque é assim, nós podemos fazer uma autoestrada ao lado da autoestrada do Algarve, ter duas e garantidamente que aquilo vai funcionar. Mas se calhar é mais barato pagar a uns tipos para não irem naquele dia. É um bocadinho este compromisso que temos aqui que arranjar e os euros que estamos à espera que sejam inferiores àqueles que nos custaria fazer a autoestrada ao lado.

Sem dúvida, e também é uma receita extra para esse fornecedor utilizador. O leilão já foi lançado, mas apesar disso ainda é possível participar?

Sim, o leilão arrancou já no final de julho, não arrancámos numa altura muito boa, porque de facto é aquele período mais de férias, mais parado, passem especialmente para o tema das empresas. Ainda assim, escolhemos mantê-lo aberto durante dois meses, para garantir que os que vão de férias no início do ano ou do início das férias, mais para o fim, têm sempre a oportunidade de olhar para isto. E temos visto o interesse a crescer e agora neste mês de setembro, recentemente, temos tido muito interesse, muitas reuniões, muitas empresas a querer participar nisto. E portanto o leilão está aberto, vai estar até dia 22. Estamos à espera que as ofertas apareçam no dia 21 à noite Mas estamos convictos que elas vão aparecer. Fora de brincadeiras, nós já temos algumas ofertas neste momento, já feitas, e portanto estamos a acreditar que elas vão aparecendo agora naturalmente até ao final dos períodos, nas próximas duas semanas.

Só depois disso é que se faz o balanço.

Só depois disso é que vamos ver.

E se fazem ajustamentos, certamente. E como é que estes fornecedores são escolhidos? Quais os critérios que são mais importantes para a E-Redes?

Os fornecedores são escolhidos com base na melhor oferta. E quando eu digo melhor oferta, é a oferta que seja economicamente mais interessante para o sistema, desde que cumpra os critérios técnicos que permitam, de facto, entregar esta tal flexibilidade. Portanto, esse é o nosso objetivo. Estamos abertos a ver o que é que vem lá. Isto é todo um mundo novo para nós, para os potenciais fornecedores, mesmo para a entidade reguladora. Estamos todos aqui num processo de aprendizagem, a tentar perceber o que é que vem lá e depois a partir daí havemos de tomar as nossas decisões.

É um mercado novo, como disse há pouco. Depois, o leilão há de terminar, e depois disso, quais são os próximos passos? João.

Ora bem, o próximo passo. De facto, o leilão termina a 22 de setembro, e a nossa expectativa é arrancar com a prestação do serviço a 1 de janeiro. No período que medeia as duas datas, será necessário assinar todos os contratos, que também são novos. Há aqui todas umas especificidades de garantias de idades, de disponibilidade, de formas de ativação do serviço. Os contratos são assinados no último trimestre do ano, e até lá também terá de haver uma validação pela própria ERSE, do teor dos contratos, para ficar tudo coerente a nível do sistema nacional de distribuição.

Já ouvimos no início desta nossa conversa o objetivo da E-Redes com este leilão ou com este projeto, de alguma maneira, que é otimizar muito a utilização de energia. Mas além disso, o que é que vocês querem com este FIRMO?

O objetivo principal diria que tem essencialmente duas vertentes. Tem uma vertente um pouquinho mais organizacional, que estamos a criar um mercado novo, temos que ver como é que este mercado se organiza, quem são os participantes neste mercado, como é que irão ser futuramente as regras deste mercado. E depois uma dimensão também tecnológica, que é quem quer participar nisto, há aqui a tecnologia por detrás disto, obviamente. Existem sistemas do lado da E-Redes que têm de ser desenvolvidos, existem sistemas potencialmente do lado dos fornecedores de flexibilidade, que podem vir a ser utilizados para depois prestarem os tais serviços de flexibilidade. E depois tem que haver a comunicação. Nós nesta primeira fase, também dando aqui essa nota, não estamos a complicar, portanto estamos a dizer que estas ativações e as interações com os fornecedores futuras vão ser por e-mail e telemóvel. É um sistema que, em princípio, toda a gente tem e domina ao dia de hoje, mas obviamente no futuro haveremos de ter sistemas mais sofisticados, em particular para aqueles casos que a utilização possa ser mais imediata.

Claro.

E portanto, estamos a pensar em desenvolver isto em fases subsequentes, mas para já, de facto, é o tema organizacional, o tema tecnológico e depois este tema de aprendizagem. Estamos aqui todos a perceber o que é que isto vai dar. E portanto, admito que haja fases para o ano, para o ano seguinte, que tenham um pouquinho mais de sofisticação aqui metidas, mas também com maior participação, uma vez que os potenciais participantes começam a ter mais informação sobre isto.

Uma aprendizagem constante de todos os lados. Aliás, isto já é um passo na sofisticação desse sistema, porque a E-Redes já tinha, de facto, sistemas para resolver os constrangimentos. Deixaram de ser a melhor opção, esses que tinham até agora?

Esses sistemas continuam a ser a opção dominante e uma opção muito válida para muitas situações. Eu acho que é importante perceber que este tema da flexibilidade é uma ferramenta adicional, nova e complementar. Ou seja, vai permitir endereçar temas ou que não eram endereçados no passado, ou que não tinham uma forma economicamente viável de serem endereçados, vai permitir que estes também sejam endereçados. Por isso, nós olhamos para o tema da flexibilidade como mais uma ferramenta ao nosso dispor, que será tanto mais relevante, quanto mais entidades existirem dispostas a prestar essa flexibilidade.

E quase a terminar esta nossa conversa, e o lançamento, a estreia deste programa "Conversas na Rede", que avaliação é que fazem neste momento dos dados ao leilão?

Como eu dizia há bocado, ainda estamos longe do fim.

Estamos longe do fim, mas os últimos dias nós sabemos que são muito importantes.

Os últimos dias têm sempre uma curva de participação superior às outras. Ainda assim, se avaliarmos o interesse que temos tido até agora, existem muitas empresas interessadas em participar nisto. Nós temos recebido múltiplas solicitações. Esta semana já tivemos não sei quantas reuniões com empresas de vários sítios e que todas dizem que querem participar e estão a tentar perceber como e que querem contribuir para este sistema. Ainda não tivemos nenhuma que chegasse e que dissesse: "Isto não faz sentido, não quero nada disto". Isso não aconteceu. E já falámos com dezenas de empresas espalhadas pelo território todo. E portanto, isso dá-nos alguma confiança que, de facto, eles estão interessados em participar, as empresas estão interessadas em aderir a esta iniciativa, querem juntar-se a esta causa da transição energética e contribuir. Muitas delas também já têm objetivos próprios, fazem parte de grupos industriais europeus também, e mundiais. E portanto, agora estamos à espera de ver as ofertas a cair na plataforma e a partir daí começarmos para o ano a utilizar, de facto, esta flexibilidade para tornarmos o sistema mais robusto, resiliente e flexível.

Claro, este projeto FIRMO, entretanto, já vai quase com nove meses, foi lançado no final de 2022. Que balanço é que fazem?

O balanço que fazemos é de facto muito positivo. Ou seja, creio que este projeto tem de ser avaliado em duas vertentes, uma vertente mais objetiva, que vai ser o número de participantes no leilão e os valores de licitações que vamos ter. E aí os sinais que temos são positivos. Mas há uma outra vertente, para mim ainda mais importante nesta fase, que tem de ser avaliada, que é o contributo que estamos a dar para tornar o tema da flexibilidade uma realidade em Portugal. Apareceu aqui durante esta conversa várias vezes a palavra aprendizagem e é disso que se trata. Este é um projeto-piloto que visa a construção de um mercado que é totalmente novo. É novo no sentido do produto, o produto não existia, o produto teve de ser desenhado. É novo no sentido de quem é que pode participar para ele. Ou seja, as entidades estão a compreender se podem ou não prestar flexibilidade no mercado e como. E o próprio operador de redistribuição também está a aprender, adequando os seus processos de planeamento e processos de exploração da rede, em que medida e em que contextos é que isto pode ser útil. Por isso há, de facto, muita aprendizagem que já está do nosso lado e acreditamos que sim ou sim, demos já um contributo muito relevante para tornar o tema da flexibilidade uma realidade em Portugal e manter Portugal na vanguarda deste tema, que será incontornável no futuro dos sistemas de distribuição na Europa.

Até porque estamos a falar sempre de otimização e de racionalização de consumo de energia, que como sabemos, é absolutamente essencial em termos de sustentabilidade. Pedro Gondim Matos, João Martins de Carvalho, obrigado ambos por terem estado aqui nesta estreia, neste primeiro programa de Conversas na Rede. Este programa vai ficar disponível em podcast, no site do Observador e nas plataformas habituais de streaming de podcasts. No próximo, vamos falar sobre open data e mobilidade, que é outro tema também absolutamente essencial. Até lá, fiquem todos com boa energia.