O antigo primeiro-ministro José Sócrates pediu esta sexta-feira ao tribunal que o está a julgar que diligencie para esclarecer eventuais contradições entre o arquivamento do caso Parque Escolar e a acusação do processo Operação Marquês.

Operação Marquês. José Sócrates começa esta segunda-feira a ser julgado por branqueamento

“Solicito a este tribunal que considere o despacho de arquivamento relativo à Parque Escolar, determine o esclarecimento das eventuais contradições com a acusação da Operação Marquês e assegure que nenhuma alegação sem fundamento probatório continue a influenciar a apreciação da minha responsabilidade criminal”, apelou José Sócrates num requerimento, a que a Lusa teve acesso, remetido esta sexta-feira ao Tribunal Central Criminal de Lisboa, onde está a ser julgado.

O Ministério Público arquivou recentemente o inquérito que abrira em 2012 por suspeita de corrupção, participação económica em negócio e falsificação de documento na antiga empresa pública Parque Escolar, criada em 2007 pelo primeiro Governo de José Sócrates para modernizar as escolas, noticiou na terça-feira o Correio da Manhã.

O chefe de Governo entre 2005 e 2011 não era arguido nesse inquérito, mas, no processo Operação Marquês, é suspeito de ter recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena em obras públicas, incluindo em reabilitações no âmbito da Parque Escolar.

“Estas suspeitas foram repetidas como se fossem verdades, procurando, de forma criminosa, pôr em causa a minha honestidade e atingir a minha reputação. Hoje, perante o arquivamento da investigação da Parque Escolar, impõe-se dizer que essa injustiça o tribunal não pode, ou pelo menos não deve, ignorar”, afirmou o antigo primeiro-ministro socialista no requerimento.

José Sócrates, de 69 anos, está a ser julgado desde 03 de julho de 2025 por 22 crimes, entre os quais três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados pelo Ministério Público.

Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, nos primeiros dias do julgamento, a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, reconheceu informalmente durante o interrogatório a José Sócrates que não existem “factos concretos alegados” pelo Ministério Público em relação à Parque Escolar.