Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Olá, seja bem-vindo ao "Conversas no Tee", um podcast em parceria com a Federação Portuguesa de Golfe e com o apoio da DS Automobiles, a acompanhar esta viagem pelo universo do golfe, onde cada detalhe conta. Muitas pessoas olham para um campo de golfe e acham que é um desporto difícil de aprender ou pensam: "Gostava de experimentar, mas não faço ideia por onde começar". Eu sou a Maria João Simões e neste episódio vamos precisamente descomplicar o início do jogo e falar sobre os benefícios do golfe, que são muitos para o corpo e também para a mente. E por isso tenho comigo o músico Frankie Chaves, que passou por esse processo de aprendizagem, se apaixonou pela modalidade, e o Miguel Gaspar, diretor do Centro Nacional do Jamor e um especialista em ensinar e formar praticantes. Olá, bem-vindos.
Bom dia.
Obrigada por terem aceitado o nosso convite. Frankie, como é que foi dar a primeira tacada? Tu lembras-te do momento em que percebeste: "Ok, estou completamente rendido"?
Eu lembro-me de algumas.
De algumas primeiras tacadas.
Mas lembro-me de algumas primeiras tacadas. As primeiras foram péssimas, mas lembro-me de quando consigo dar aquela tacada que vicia, essa que tu estás a falar. Lembro-me de algumas situações dessas e é incrível, porque o golfe é uma modalidade que pode ser muito frustrante, no sentido em que nós damos 50 tacadas péssimas e depois há uma que sai espetacular.
Mas essa uma vale por todas as outras. Ia perguntar precisamente se era fácil vencer a frustração inicial dos primeiros falhanços. Como é que se ultrapassa e não se desiste logo?
Eu quando comecei a jogar, joguei com amigos meus que já tinham alguma prática e havia um deles que me dizia que havia uma expressão comum entre eles, que era: "Deus me dê força pra jogar devagar". Que é, aquilo não tem a ver com força, aquilo tem a ver com técnica e movimento. E às vezes tu podes dar uma tacada com imensa força e a bola não anda, pura e simplesmente.
Incrível.
E não se quer sair dali. E depois há uma, que é essa, quando a técnica está lá, quando o balanço está lá, a velocidade está lá e ela sai disparada e tu dizes: "Uau, isto foi com metade da força" e ela disparou.
Mas depois é fácil ficar viciado, não é? Quando se apanha a técnica e se percebe.
Sim, eu houve uma altura em que eu ia duas, três vezes por semana. Ia ter aulas, porque eu também pensei: "Acho que para fazer isto bem, vou ter que ter alguém que me ensine. Eu não vou para aqui, eu não faço ideia como é que se pega num taco". E, portanto, comecei a ter aulas no Jamor, que é ali perto de minha casa, e na altura eu lembro-me que ia ter aulas, acho que era duas vezes por semana, ainda ia lá uma vez só bater bolas, só estar ali a treinar.
Tem, portanto, também a persistência, não é? Não se estica logo assim.
Não, sim, claro, tem que ser todos os dias. E eu vejo amigos meus que já jogam há imenso tempo, há anos, eu estava me a lembrar de um deles, que já com imensa experiência e que não vive cá, mas farta-se de jogar. Ele vive em Moçambique e farta-se de jogar e vai à África do Sul, àqueles campos melhores jogar. E cá comigo, às vezes estamos a jogar e ele: "Pá, vou vender o taco, já não aguento mais". Portanto, pode ser muito frustrante, até para quem já tem alguma prática e alguma experiência.
Miguel, para quem nos está a ouvir e quer dar o primeiro passo, qual é o caminho certo? Deve ir logo para um campo bater bolas ou começar por ter aulas? Como é que o Jamor, por exemplo, acolhe os iniciantes, Miguel?
Sim, convém ter aulas.
Como fez o Frankie Chaves.
Exato. É muito complicado no início, é realmente o nosso maior handicap da modalidade, é a dificuldade no início. Mas depois nós conseguimos, à medida que vamos ter aulas e também o movimento é natural para o nosso corpo, apesar de não parecer, depois torna-se natural a nível de rotação. É muito parecido com outras modalidades como ténis, padel, que hoje em dia também está muito na moda. Mas convém ter sempre aulas e se for em locais como o Jamor, campos de treino que têm professores para ensinar ou campos mais pequeninos, campos de pitch and putt, como por exemplo, temos no norte dois campos públicos em Paredes e em Cantanhede. Esse tipo de instalações são as melhores para iniciar.
Por que essas são as melhores?
São campos de pitch and putt, que é uma forma de jogar mais curta. Ou seja, os buracos do campo, em vez de terem 200, 300, 400 metros, têm 50, 80, no máximo 100 metros. Então, no início é mais fácil, é mais divertido e dá para ganhar aquele bichinho, como aconteceu ao Frankie, e continuar na modalidade e passar para esses campos grandes, esses championship courses, que aí é que vai dar um gozo gigantesco.
Frankie, a vida de um músico, era ande na estrada ou não, é sempre intensa. O que é que o golfe te dá em termos de bem-estar, de saúde, até de paz mental? Porque já ouvi dizer que funciona como uma espécie de meditação em movimento.
Sim, eu quando ia, adorava aquelas tardes porque estava no meio do verde, sozinho, sem ninguém me chatear. E realmente é uma maneira que tem um bocadinho a ver com o surf, no sentido em que é um desporto individual.
És tu e a natureza.
És tu e a natureza, estás no teu momento, na tua bolha, se quiseres não falar com ninguém, não falas com ninguém. Claro que jogar e ir para o campo, convém que seja pelo menos dois a dois. Mas é uma maneira realmente de sairmos ali do nosso elemento e irmos para um sítio calmo, tranquilo, no meio da natureza. E, por exemplo, como o Jamor, que é no centro de Lisboa.
Lisboa, sim, tão central.
Mas fazer nove buracos ali num sábado de manhã é espetacular, porque é quase como ir ao campo assim durante duas horinhas e depois voltar e estás no meio de Lisboa.
É terapêutico?
É muito terapêutico, sim.
Miguel Gaspar.
Pode ser traumático. Pode ser muito frustrante.
Pode dois bicos, não é?
Mas o surf também. Também às vezes corre mal.
Mas também há que lidar com essa frustração e perceber que... Miguel Gaspar, fala-se muito do golfe como um dos desportos mais completos e saudáveis para qualquer idade, desde as caminhadas ao ar livre, ao foco, à coordenação. Mas quais são os grandes benefícios para quem começa a jogar, quer seja aos 15, aos 60?
É uma boa questão e o Frankie já respondeu.
Tem de haver o equilíbrio entre saúde mental e frustração.
O golfe é um conjunto de caminhadas em silêncio. Nós estamos com os nossos pensamentos e eu gosto muito de comparar com a vida. Normalmente nós temos maus momentos no golfe. Temos um bocadinho de pouca sorte com um bom shot, com uma boa pancada, e temos, às vezes, sorte com uma má pancada e na vida isso também acontece. Acho que nos ensina muito. Para os jovens, acho que isto é muito importante. Ensina-nos a lidar com a frustração, que vai acontecer durante toda a nossa vida, seja no trabalho, na escola, na família. Ensina-nos a lidar com essa frustração, a querer evoluir, a querer melhorar.
A encontrar soluções, não é?
Encontrar soluções dentro dos nossos pensamentos, porque estamos só nós, o taco e a bola, ninguém está a influenciar, só nós. E mesmo assim a bola consegue ir muito torta. Acho que ensina muito da vida a um jovem e a qualquer pessoa em idade adulta. E depois, obviamente, em idade mais avançada, acho que é uma forma de se manter ativo. As pessoas já reformadas podem caminhar, jogar. Uma coisa muito gira: pode jogar com os filhos, com os netos, conseguimos juntar toda a família na mesma formação de golfe. E não estou a ver outra modalidade que se consiga juntar os três. E isso também é uma grande vantagem. É um jogo que dá para jogar dos cinco aos 100. Há jogadores de golfe, vejo no Jamor, com 88, 89 anos.
E é isso que eu ia perguntar.
Noventa, provavelmente. E é giro, porque quem começa a jogar golfe e vê um senhor desta idade, que já joga há alguns anos, vê como é que ele consegue e eu não consigo. Mas porque é o jeito, e todo o trabalho.
Não é a força, é a técnica.
É a técnica. Obviamente que quando chegam a um determinado patamar, profissional de golfe, aí sim.
Mas as coisas depois ficam mais fáceis?
As coisas saem mais naturalmente e nós conseguimos corrigir essas debilidades técnicas à medida, principalmente quando se começa jovem. Quando se começa numa idade mais adulta, já é mais difícil.
Começaste com que idade, Frankie?
Com 43.
Então foi há pouco tempo.
Foi.
E notas uma grande evolução ao longo destes últimos anos?
Não, porque eu entretanto tive que parar. Eu fui operado ao joelho em maio. E houve uma altura em que joguei realmente muito assiduamente, ter aulas e praticar. E depois houve uma altura em que esmoreceu. Depois também tem a ver com a disponibilidade. Houve uma altura em que eu deixei de ter. Até foi mais cedo, acho eu. Foi com 41.
Mas notas que a prática, que isso tudo aperfeiçoa?
Há uma altura em que tu passas do zero para aquela tacada, aquelas tacadas que o barulho que é.
Quando se acerta.
E agora é replicar.
E depois é replicar. E aí é muita prática, muita insistência, muito erro, muita perseverança.
Mas depois é também gratificante, não é? Quando consegues várias boas tacadas.
Eu lembro-me que isso me aconteceu, nos ferros, principalmente. Onde eu tinha dificuldade mesmo era no drive. No drive é que nunca consegui achar o tiro. Mas nos ferros eu já conseguia perceber. Os ferros são os tacos. O Miguel explica melhor.
Nós dizemos as madeiras porque antigamente os tacos eram mesmo de madeira. São aqueles mais cabeçudos. O drive é o que tem a maior cabeça, que a bola se coloca em cima do tee, que é o nome também do podcast. E os ferros são os tacos de aproximação ao green. As madeiras batemos longe, os ferros aproximamos ao green ou à bandeira. E depois temos o putt, que é aquele movimento mais curto, é como se fosse minigolfe, é um taco praticamente de minigolfe, onde a bola está no green, exatamente para colocar a bola dentro do buraco. São estes três tipos.
E tu és melhor nos ferros?
Eu era melhor nas distâncias menores, digo, melhor. Menos mal. Ou seja, consegui começar a ver evolução nos tacos de distância menor. O sete era o sete. Mas há uma coisa curiosa no golfe, é que uma pessoa com um handicap muito alto, isto é o contrário.
O contrário, quer dizer.
Um handicap mais alto, quer dizer que tens menos nível.
Sim.
E duas pessoas com uma diferença enorme de nível conseguem jogar juntas. Eu nunca percebi bem as contas que se fazem.
É muito simples, de forma resumida, as pancadas que fazemos no total do jogo, subtraímos o handicap. Se eu tiver handicap zero, não subtrai. O Frankie, se tiver handicap 20, subtrai 20. E assim estamos todos equiparados para competirmos todos.
Ou seja, uma pessoa com um nível baixíssimo pode jogar com um nível de profissional. E isso é muito estimulante e agregador, porque uma pessoa: "Eu tenho que arranjar alguém com o meu nível para jogar". Não, eu posso ir jogar amanhã com o Miguel e correr bem para o meu lado.
Em princípio vai ganhar o Frankie.
Por quê? Não costumas ganhar?
Não, eu tenho jogado muito mal, infelizmente.
Mas por quê?
Menos tempo, talvez, para treinar, é verdade.
Mas deves ter handicap zero.
É assim, sou profissional, não tenho handicap, é zero.
Muito bem.
Eu nem tenho handicap, que eu sou tão mau.
Mas é uma questão rápida agora de fazermos, combinamos no Jamor.
É só ficar 100 % o joelho.
Esta conversa por acaso fez-me. E agora já estou melhor do joelho.
Fez lembrar aquelas primeiras boas tacadas. Estamos a chegar ao fim do nosso tempo, mas se pudessem desmontar um único mito que ainda afasta as pessoas de irem experimentar golfe pela primeira vez, seja a ideia do material ser caro, de ser difícil ou elitista, qual seria a vossa mensagem de incentivo? Miguel Gaspar.
Nós temos um programa de nove semanas e meia, que é 10 € por aula. Acho que esta parte do ser caro e também já hoje em dia há tacos baratos. Isto é como ir a um restaurante. Vamos ir a um restaurante barato, vamos ir a um restaurante caro, e o golfe é igual. Portanto, a minha mensagem é: experimente que vai ver que isso está enganado.
Frankie Chavez.
Eu acho que é isto, é experimentar. Experimentar, se calhar, com umas aulas numa primeira fase, para perceber que é uma coisa acessível a nível de jogabilidade e a nível também financeiro, como o Miguel estava a dizer. Hoje em dia há tacos bastante acessíveis e claro que há campos mais caros que outros, mas eu acho que é uma maneira de experimentar, por exemplo, ir ao Jamor, que é um sítio superconfortável.
E tão bom de se estar ali.
E é muito relaxante.
E não desistir, quando aquela primeira tacada não corre bem.
As primeiras tacadas costumam ser seguramente assim.
Não vai correr bem. Frankie Chavez, Miguel Gaspar, muito obrigada por esta conversa. Obrigada aos dois e obrigada por mostrarem que o golfe está mesmo ao alcance de todos. Foi mais um episódio de Conversas no Tee, uma parceria com a Federação Portuguesa de Golfe e o apoio da DS Automobiles, onde a elegância, a precisão e a paixão pelo detalhe nos conduzem a novas conversas. Eu sou a Maria João Simões, regresso na próxima semana com um novo episódio. Até lá, bons swings.