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É como faróis na escuridão, perante tudo o que se está a passar. Tantos direitos que adquirimos e que estamos a perder quase sem dar conta.
Exatamente.
Como mostrar à nova geração.
Achávamos que já era democracia, a liberdade.
E que, se calhar, esta nova geração nem percebe muito bem o que são ou a liberdade que tem. Eu acho que através, e alguns destes espetáculos também falam disso, pode fazer um clique.
Hoje vamos falar de um festival onde há cabeças que rodam 360 graus, corpos que voam sem leis de gravidade e emoções, que às vezes mais parecem humanas do que as nossas. Não, não é exorcismos, nem generative ID, nem política. É o FINFA, Festival Internacional de Marionetas de Lisboa. Todos os anos, este festival pega em bonecos, objetos, sombras e sabe-se lá mais o quê, e transforma tudo em teatro a sério, o que faz rir, pensar e, às vezes, ficar ali meio desconcertado a olhar para o vazio. Vamos perceber como é que um pedaço de madeira, de pano ou de plástico nos pode mexer tanto. E o que é que vem aí na edição de 2026 do FINFA? Para isso, como sempre, convido Luís Vieira e Rute Ribeiro, marionetistas, para falar desta 26ª edição. Vão ser 25 dias com mais de 25 espetáculos e cerca de 100 apresentações de reputadas companhias e criadores, bem como de novos valores de 12 países em 11 espaços da capital, na sua maioria em estreia nacional, com espetáculos de sala, de rua e de pequenas formas. Ainda estamos aqui, garantem os seus diretores artísticos e nós estamos com eles. Bem-vindos aos dois, Rute, Luís. Então vamos falar aqui, como sempre, apresento-vos todos os anos, mas não vou apresentar este ano, Rute Ribeiro, marionetista, uma atriz manipuladora, "puppeteer", como diriam lá fora. Esta alfacinha que tem esta formação em arqueologia que eu tanto gosto.
É verdade.
Isto já dura há 26 anos, qualquer dia és uma arqueóloga em serviço.
Perfeitamente.
Estás a furar isso e vais buscar coisas antigas, não é?
Exato.
Muito bem. És uma das, há 33 anos, fundadoras e codiretora artística da Tarumba, Teatro de Marionetas. E desde 2001, codiretora artística e programadora do FINFA. Muito bem, e estamos também aqui com o Luís Vieira. O Luís Vieira que é egitaniense, já sabemos, é da Guarda, ator manipulador também, encenador, construtor de marionetas, é extraordinário, e que vai fazer 40 anos para o ano, Luís, como já és concelhis, não é?
É verdade.
Que trabalha profissionalmente na área do teatro de marionetas. É incrível. Bom, vamos cá para celebrar.
Nem eu acreditaria, tal coisa.
Incrível. Também há 33 anos fundador da Tarumba, Teatro de Marionetas e encenador, ator, manipulador e responsável pela criação e construção de marionetas. Também, como a Rute, desde 2001, diretor artístico e programador do FINFA Lisboa. Muito bem. Este ano, a Tarumba, há uma coisa que eu pergunto sempre, estes balanços destes mais de 30 anos. Como é que é? Vocês arranjaram já um mecenas oficial ou ainda é uma luta?
Ainda é uma luta.
É uma luta que se mantém?
O mecenas oficial ainda se mantém em Portugal, infelizmente, mas nós não desistimos, temos esperança. Pode ser que seja agora, nesta 26ª edição, que consigamos aliciar ou obter o bichinho do boneco, digamos assim.
Era muito difícil arranjar. Aparentemente, parece que é uma coisa difícil, mas não seria muito difícil se alguém de facto se interessasse por isto.
O que é que vocês precisam? Era um banco, era uma fundação, era o quê?
Um banco era extraordinário, uma fundação, um banco, qualquer coisa.
Ou um mecenas particular que fosse.
Que nos ajude.
Não tem nenhum que vá assistir a todos os espetáculos todos os anos, que gosta muito e que vocês sabem que é alguém empresário com bom nome e com melhor carteira?
Não sei, eu acho que há algumas pessoas, mas não sei se lhes passa pela cabeça apoiar.
Ainda por cima, hoje em dia, as marionetas não envergonham ninguém, não é o teatro menor.
Exatamente.
De todo.
É teatro maior que se executa em grandes palcos, os grandes palcos da capital.
O que torna as marionetas ainda tão relevantes neste mundo contemporâneo, tão dominado pela tecnologia, pelo digital? O que é que vocês acham?
Aquilo que torna absolutamente relevante as marionetas é a sua capacidade de expansão e de cativar novos artistas e novos criadores, novas artes e de criar também novos universos.
E de não estar amarrado. Nós podemos criar tudo. Eu gostei muito da tua introdução quando disseste a cabeça que roda 360.
Exato.
Exatamente.
E é isso, nós podemos pegar uma marioneta num coração, podemos fazer o que quisermos hoje em dia e vai para além da AI o que nós podemos fazer.
Isso que eu ia perguntar. A robótica ou a inteligência artificial já tem algum impacto na criação das marionetas?
Completamente, e acaba por estar na ordem do dia. Muitas vezes as pessoas nem dão conta, como nós estamos a dizer, que estão a ver marionetas no cinema ou até em palco. Por isso é uma maravilha podermos mostrar este universo.
Ainda é um grande universo do espanto, em que as pessoas se podem espantar e deslumbrar-se com qualquer coisa que estão a ver pela primeira vez.
Vocês notam uma maior curiosidade por parte dos adultos por espetáculos de marionetas ou ainda há alguma resistência?
Eu noto uma grande curiosidade e sinto-me orgulhosa por causa do FINFA. Já sinto que as pessoas dizem: "Ah, o FINFA!" Já ouço as pessoas falar: "Olha que aquilo não é para crianças, aquilo é para todas as idades." E é isso que eu gosto, porque eu gosto quando se diz festival. Este ano é dos quatro aos 104, posso dizer. Portanto, há para todos os gostes, mas sempre com uma grande qualidade. E há espetáculos que podem realmente ser vistos dos quatro aos 104 anos. Isso é um prazer que me dá muito grande, porque tem vários níveis de leitura.
Claro.
Também só para crianças e também só para adultos.
Exatamente. Posso dizer-vos que os espetáculos para crianças podiam estar também para adultos. Qualquer um deles é muito interessante e tem uma outra forma de ver as coisas. É isso que dá um grande prazer.
Aliás, a mesma história, há que dizer que as histórias vêm todas dos gregos. A mesma história é contada com novas roupagens, mas atinge todas as pessoas. Nós vivemos coisas daquelas, mesmo tendo sido contadas há séculos.
Exatamente. E a abrangência que permite a marioneta, por exemplo, muitos destes espetáculos são sem palavras, por isso com vários graus de compreensão. É possível chegar a muita gente.
Quer dizer, aquele miúdo: "Eu percebi tudo. Não tinha palavras, mas eu percebi, eu tentei atingir isso."
Exatamente, isso que é uma maravilha. São muito visuais.
O que diferencia um espetáculo de marionetas tradicional de uma criação contemporânea neste campo?
Bom, é a sofisticação, talvez.
A parte técnica, sobretudo?
A parte técnica. Porque hoje em dia os espetáculos de marionetasContemporâneos são extremamente sofisticados.
Mais mistos de técnicas.
Há uma grande mistura de tecnologias e técnicas que nos permitem criar coisas absolutamente espantosas e pelas quais vale a pena sair de casa e confrontarmo-nos com qualquer coisa que estamos a ver pela primeira vez.
Sim.
A começar já pelo primeiro espetáculo, porque este espetáculo é absolutamente incrível.
O Dodo.
O "Dead as a Dodo", da companhia Waka Waka, que é uma companhia norueguesa e americana. Eles estão sediados em Oslo e Nova Iorque. Pela primeira vez em Portugal e penso que em Espanha também. Portanto, na Península Ibérica.
Esta Waka Waka, não é?
Waka Waka. Eles são muito radicais. Nós há bastante tempo que queríamos trazê-los, finalmente conseguimos. E o espetáculo é um bijou, não há palavras.
É um teatro de figura, marionetas de tamanho gigante e com efeitos especiais. Diz que são efeitos visuais surpreendentes.
Eu posso vos dizer, o New York Times e o New Yorker consideram um dos melhores espetáculos de 2025. E é um prazer para nós poder trazer o espetáculo a Lisboa. Tivemos de trabalhar muito para o conseguir. Lá estão, com tal cenas seria mais fácil. Muitas parcerias e a companhia queria vir ao FIFA, que também nos dá um grande orgulho, porque são companhias de um alto nível e elas querem vir ao FIFA.
Tu disseste que eles estão sediados em Nova Iorque?
Estão sediados em Nova Iorque e em Oslo. Eles são, se não me engano, 14 pessoas.
Eis bons.
E temos mesmo mutas, vão aparecer mutas, vão aparecer peixes gigantes. O efeito visual das projeções desenhadas para vídeo, porque também tem, são incríveis. E vai também parecer que vamos estar a ver, faz lembrar um pouco o "Strange Moon Jack", do Tim Burton. Mas ao vivo, porque esses esqueletos, eu digo-vos uma coisa, que é a minha maior inveja como marionetista. Os figurinos destes marionetistas, tudo brilha, e que o vídeo dá um efeito incrível. É a inveja de qualquer marionetista ou ator. Eu já disse Luiz, o próximo espetáculo, se eu não tiver um fato como aquele, não faço.
E este fim de semana vai ser um fim de semana cheio de glitter.
Sim, vamos dizer que é um fim de semana de brilho.
Glamorous.
Cabaret Love.
Espetáculo de mágica. É verdade.
O Johnny Berg.
Que é logo a seguir?
Exatamente.
Johnny Berg é francês, não é?
Ele é francês, é considerado a Coco Luche francesa do teatro Marionetas. E ele já esteve aqui em Portugal, se não me engano, em 22, no FIFA, com a marioneta Ana, marioneta queer, punk, não é homem, nem é mulher, é boneco, não é boneco.
É uma nova versão do Ana.
Exatamente. Que nos vai falar de amor, tem novas canções. É muito marota.
É os transbordar pelo lado, como dizemos.
É muito marota, mas digo-vos, digo-vos, ela aquece realmente a plateia. É absolutamente incrível como ele consegue manipular aquela marioneta e a voz bonita que o Johnny Berg tem para cantar aquelas canções francesas muito bonitas que ele vai cantar.
Ok. E é uma língua linda o francês, eu gosto imenso. Então para canções de amor e assim, é extraordinário. Portanto, vão ser os dois no São Luís, no Teatro Municipal.
Ainda não São Luís, também tem que puxar a brasa a nossa sardinha. Nós vamos estar a apresentar pela primeira vez em Lisboa os Crankies, de fazer chorar as pedras da calçada. Qual é o nosso intuito? Pois, claro, pôr o público a chorar, a chorar, a chorar, de riso, não se assustem.
Também é uma estreia em Lisboa.
Também é uma estreia em Lisboa.
É vossa, tarumba.
É nossa. São os Crankies, são pequenos dispositivos panorâmicos.
É os musiscópicos?
São os musiscópicos. São músicas de nos fazer chorar, são panoramas em movimento, alguns têm 20 metros, em que as pessoas podem ver novas interpretações das músicas com imagens.
O que é que é panorama com 20 metros? É coisas que vão rodando como que um relógio?
É tipo relógio. O termo muito usado nos Estados Unidos, e não só, os Crankies. Temos chamado de panoramas em movimento.
Exatamente. Imagens a rodopiar.
Sim, quando eles se apresentaram, tinha vias gigantescas. E só algumas músicas eu não posso revelar, que é para não vos tirar o choro, a vossa lágrima, mas só realmente ié-ié e aquelas canções que nós vamos à praia e choramos porque ele está com outra ou ela está com outro.
Fazer chorar as pedras da calçada, promete. São Luís também, dia 7 de maio, logo no primeiro dia, às 21h30, e depois 8 e 9 de maio, às 19h30. Isto aqui é muito curioso, estamos aqui a ver mais estreias. Vai haver muitas estreias, o que é sempre muito bom. Falámos no Dead as Dodo, portanto são estreias internacional, como o Cabaret Love, desta vez o N, nova versão. São os dois também no São Luís Teatro Municipal. Há outra estreia aqui também no São Luís, que é o Salma.
Salma, é dos espanhóis, é uma nova companhia, La Mula. Alguns dos membros desta companhia trabalharam com a companhia Plexus Polar, que o ano passado inaugurou o FIFA e que já vem cá várias vezes.
Este espetáculo é premiado.
É premiado, o Salma é um espetáculo lindo de morrer, é visual, sem palavras, e é precisamente sobre como é que nós hoje em dia ainda nos podemos maravilhar ou ter a capacidade do espanto. E esse espetáculo, digo-vos, saímos lá mesmo, ainda é possível nos maravilharmos no meio do teatro e ver coisas que não estávamos à espera de ver. É incrível, tanto visualmente, o movimento, tudo o que se vai mexer em cena e ganhar vida.
Sim, o movimento de cena, as cores, a luz, tudo bem.
É um dos espetáculos mesmo a não perder. Salma, La Mula, no São Luís, 14, 15 e 16 de maio.
Uma coisa só com a vossa programação. Conseguiram mais ou menos trazer tudo o que queriam para este ano ou há companhias que ainda estão a reservar para o ano que vem?
Ainda estamos, ainda queríamos trazer mais umas coisas, mas já não deu. Foi o que foi possível.
Cá está, a cidade do Mecenas agilizava muitas coisas.
Exatamente.
Olha, e a sede, a mesma coisa. Vocês ainda estão num gabinetezinho na Rua da Esperança?
Ainda estamos.
Isto é o quê? No museu da Marinhes?
No mesmo edifício. Infelizmente.
Ainda à espera também de um espaço mais condigno.
Exatamente. Até porque, como nós já dissemos várias vezes, nós só precisamos de um espaço, podemos equipá-lo, onde se podiam fazer residências, como eu continuo a dizer, com artistas portugueses e estrangeiros.
Tiveram de trazer muitos artistas.
Os artistas portugueses, fazer com que eles pudessem ir viajar mais e haver esta troca. Enquanto não tivermos esse espaço, mas temos aquele espacinho que é muito bom, que podemos continuar a trabalhar.
Sim, claro. Mas a luta continua com vocês.
A luta continua, porque, por exemplo, as pessoas não imaginam. Portanto, é um espaço muito pequeno, que de vez em quando tem que ser totalmente desfeito para podermos fazer as nossas criações, onde fazemos ensaios e onde está a equipa do FIFA neste momento, que a gente deixou, que somos quase 10 pessoas num escritório minúsculo a tratar de tudo.
Mas o que estavas a dizer, a questão dos masterclass ou workshops, mesmo até de marionetas, que também era importante isso haver espaço.
Sim, nós conseguimos fazer por ano com o São Luís, felizmente, que nos tem apoiado imenso nesta vertente, porque no nosso espaço não cabia.
E durante o FIFA vamos aproveitar para termos cá esses artistas também para fazer umas masterclass.
Exatamente. Que é uma coisa, estas atividades para nós há sempre, todos os anos. Este ano vão ter os Waka Waka.
Sim, vai haver uma masterclass com os Waka Waka, também com a companhia que eu acabei de falar, com os Salma, e também com a Isabel Barros.
A Magda Puig e o Martim Santos Costa, La Mula, cá está. Vai ser a 16 de maio de manhã, e depois com a Isabel Barros, não é? Também no Porto.
Uma masterclass aqui em Lisboa também não são isso.
Normalmente são abertos a profissionais e curiosos que queiram fazer.
Sim, nós só queremos que queiram experimentar, queiram vir conhecer o universo e que não tenham medo de vir experimentar. Esta área de coração aberto pra ver o que podem fazer a nível de movimento e perceber como é que toda esta arte pode funcionar.
E conhecer também o trabalho das companhias e dos espetáculos de uma outra forma, de uma forma mais próxima e mais íntima.
Exatamente. Agora estava a pensar, porque vocês no vosso texto de apresentação falam que fizeram as bodas de prata o ano passado e entram num novo ciclo, mas de facto, este cenário que nós vivemos e que infelizmente de ano para ano vai agravando: instabilidade global, tensões internacionais, dirigentes enlouquecidos à frente de países com grande poder. São tempos para sonhar. Para os sonhadores.
Para os sonhadores, para pensar e nada melhor que a marioneta. Nós vamos fazer isso, é como faróis na escuridão, perante tudo o que se está a passar, tantos direitos que adquirimos e que estamos a perder quase sem dar conta.
Exatamente.
Como mostrar à nova geração.
Achávamos que já era a democracia, a liberdade.
E que se calhar esta nova geração nem percebe muito bem o que são ou a liberdade que tem. Eu acho que através, e alguns desses espetáculos também falam disso, pode fazer ali um clique.
Olha, temos o espetáculo "Viva", por exemplo.
O "Viva", por exemplo, de uma companhia espanhola e francesa, que fala precisamente de uma história incrível, muito bonita, porque o ator principal é espanhol.
Também é uma estreia nacional.
É uma estreia nacional e é baseado numa história verídica, que neste caso é vida dele.
Tem a ver com a Guerra Civil Espanhola.
Sim, os avós viveram durante a ditadura do Franco. O avô era sempre muito estranho. Ele sabia anedotas do avô, mas não sabia de nada, até que descobriu há pouco tempo que o avô tinha morto a avó. Ele nunca os tinha conhecido. E quando ele vai investigar a história.
Ficou em plena ditadura franquista.
Em plena ditadura, precisamente porque ele foi preso durante a ditadura e quando voltou já não foi mais o mesmo. E a partir daí nós conseguimos perceber tanto as questões da liberdade das mulheres. Portanto, ele consegue falar tudo isso com objetos, com lápis, é absolutamente incrível. O lápis é uma secretária e são os objetos do escritório e ganha uma vida. Digo-vos, devo dizer, eu afia, arrepia.
Isto vai ser no Teatro do Barre, dia 21, 22 e 23 de maio, às 21h30, em palco, uma secretária, um papel, um agrafador, um rolo de fita-cola, lápis, muitos lápis. E a companhia explora a força simbólica metafórica que se esconde nos objetos mais cotidianos. Um lápis vermelho é um preso político, um post-it é um sonho. É incrível.
E consegue contar a história, que é comovente, e colocar humor, que também é importante.
Não é fácil conseguir isso.
Nós conseguimos rir neste espetáculo que é duro. E que é bom também, que nos faz pensar nele de outra forma. Mas mudando agora também dessas coisas incríveis que se pode fazer nas marionetas, nós também temos um novo criador que vamos trazer, que é o Bert Berg, que anda mais pelo novo circo e pela dança e que pegou em 681. Ainda ontem eu disse: "681". Ainda ontem eu disse: " puto estou aqui a treinar com as 681, vem para Lisboa".
Ele é um belga, que faz este Sensitive Case, também é outra estreia nacional.
São 681 ratoeiras. Ele anda pelo meio e rabanetes. Constrói uma cidade em rabanetes. Eu não posso dizer o que ele faz com os rabanetes, mas digo-vos, é daqueles espetáculos que vamos estar em suspense.
Uma cidade cheia de torres e ruas e edifícios. O que vai acontecer? As ratoeiras fecham-se.
De vez em quando elas disparam quando menos esperas.
Não é impróprio para cardíacos.
É muito bom. É um espetáculo de suspense e de humor também. E muito bem feito, porque ele consegue fazer coisas com o corpo incríveis, juntamente um solo de dança com uma ratoeira. Queremos coisa mais bela?
Já que estamos a falar de novo circo, chamar para a atenção para o espetáculo do Leo Rouneret, que também é uma notícia.
Sim, o FIFA teatro chega exatamente, volta ao Centro Cultural de Belém. E é um espetáculo que se chama Eclipse, é um novo criador, o Leo Rouneret. Ele é francês, começou pela música.
Outra estreia nacional. É uma das grandes apostas deste ano, devo dizer.
E de repente voltou-se para o novo circo e para os objetos.
Nova magia.
E é incrível, manipula até água. Vocês vão ficar-- Com humor, parece um Charlie Chaplin dos tempos modernos.
Manipula o tempo, a luz, a água. Deve ser muito bom.
No CCB, para além deste, ainda há outro espetáculo, que é o Tempo, do Calemno, que acabou de ser selecionado para a Bienal de Veneza. E vem aqui a estreia nacional. Nós apresentamos o Calemno desde os primeiros trabalhos dele em 2010, ainda quase ninguém sabia quem ele era. Ele é um grande mágico, mesmo mágico, ilusionista. Ele faz coisas incríveis. E é também a manipulação do tempo. E é o que nós queremos manipular o tempo.
Outra estreia nacional.
Outra estreia nacional no CCB.
Este é o tal com o Fernando Melek, é brasileiro, não é?
Exatamente.
Da Finlândia, Suécia, Brasil.
Exatamente.
Nova magia também, que vai acontecer no pequeno auditório do CCB, dia 29, às 20h e dia 30 de maio, às 19h. Portanto, será possível parar ou manipular o tempo? É o que vamos saber então, Calemno.
E outra coisa que é muito curiosa, que temos, por exemplo, as grandes dramaturgias no Teatro Marionetas, com objetos e com outras figuras. Por exemplo, vamos ter o Louco, da Companhia Tchaika, no Teatro de Variedades.
Inspirado no Gogol. Que já tinha feito o Doutor Yeskin.
Fez A Gaivota. Neste caso, é uma marionete e duas marionetistas que manipulam um duo, que é absolutamente uma joia de manipulação. É uma lição de manipulação de marionetas, é absolutamente incrível. E a adaptação também é premiada. A forma como elas manipulam o ritmo do espetáculo. Temos ali o Diário de um Louco em 60 minutos de uma forma incrível.
Há também o Crime e Castigo.
O Crime e Castigo, que é apresentado em co-produção.
Cá está, em co-produção com o Doutor Yeskin. É dos belgas, não é?
Exatamente, é apresentado em co-produção com o Teatro Nacional Dona Maria II. A companhia Cariati já veio aqui, já apresentou Frankenstein e Os Miseráveis, em 2024.
Também com o Teatro Nacional?
Com o Teatro Nacional, sempre.
Eu lembro desta competição.
E eles gostam de pegar em grandes textos para adaptar ao teatro de objetos. E lembraram-se do Crime Castigo, do Dostoiévski. Porque devo dizer, este ano o FIFA também, assim como o espetáculo de abertura, tem muita música, é quase um musical, parece um bocado estranho, parece um sortilégio, mas não é.
Todos acertos
Eu acho que está lá todo, também com algum humor e com figuras incríveis que eles criaram para este espetáculo.
Luís Vieira, Rute Ribeiro, temos que fazer aqui um brevíssimo intervalo e já voltamos à conversa. Até já. Estamos a falar com a Rute Ribeiro e com o Luís Vieira. Eles são marionetistas e falam desta edição, da 26ª do FIFA, Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas, que arranca já amanhã e vai até 31 de maio. São dezenas de companhias de 12 países que levam mais de 25 espetáculos com uma centena de representações a 11 espaços da capital. 26 anos que celebramos com o magnífico FIFA, tão importante nestes tempos para sonhar, para pensar mais alto, para nos fazer pensar também. Este ano, no balanço geral, o que vocês diriam? Rute, Luís, esta questão: os senhores vão sair animadas no fim ou vão sair a pensar mais ou preocupadas ou o quê?
Não, eu acho que vão sair muito animadas. Vão sair a rir muito, mas a pensar muito.
Isso também é importante.
Porque eu acho que é importante ver coisas em que o humor nos vai fazer pensar. Eu acho que este ano o humor e a música estão na cena.
Estão na berra. Essas notas são mais sonoras este ano.
Marionetas, circo e música.
E dança.
E nova dança.
Há alguma linha ética curiosa, coisas que se evitem fazer com marionetas ou não?
Que se evitem? Não, a marioneta é um campo completamente aberto e disponível para toda a experimentação. É um grande terreno de experimentação e é um grande espaço de avant-garde do teatro, digamos assim, porque há muitas pessoas que começam a investigar e a procurar novas formas dramatúrgicas e de encenação através das marionetas.
De facto, a marioneta pode fazer em palco coisas que um ator de carne e osso não pode, obviamente.
Não, e é interessante, eu gosto sempre de voltar a falar também da nossa profissão, pode fazer uma série de coisas, mas tem que se dedicar muito e ter o corpo trabalhado, ter a voz trabalhada, porque a nossa profissão também é quase como o artista de circo, é de alto risco ou de dança.
E desgaste rápido.
E desgaste rápido das nossas articulações.
Devia ter um subsídio como beneficiário. Não, e é muito físico também.
É muito físico, é superfísico. As posições em que nos temos que colocar muitas vezes para dar vida a um objeto. E tem todo este trabalho, não basta chegar ali e abanar com a mãozinha.
Exatamente. Há muitos espetáculos quase sem texto. Eu acho que isso aproxima o público.
Sim, eu acho que é bom.
Há pessoas que dizem: "Não, eu gosto dessas coisas que são um grande poema, que eu vou lá, teatro clássico". Não, mas isto mesmo sem texto, como vocês disseram, não só abrange mais públicos.
Sim.
É mais difícil, às vezes, conseguir passar essa mensagem sem usar o texto.
É muito mais difícil.
É um desafio.
Sim, mas entra um bocado dentro, porque as imagens são tão fortes e poderosas que vivemos um poema visual. Na verdade, é estar a viver um poema visual.
Podia dizer que há alguma linguagem das marionetas ou cada boneco fala à sua maneira e não tem nada a ver uns com os outros?
Não, eu acho que no fim a linguagem é a linguagem da qualidade. Eu acho que depende das várias técnicas que são utilizadas. Por exemplo, agora estava a me lembrar que estava aqui a olhar para o flyer de um projeto europeu, que é feito por países de leste, que é o transporte, porque resolveram pegar na questão do ambiente e do transporte, o que está a passar.
Transporte internacional, transporte mundial, globalização do transporte.
O que isso pode causar. E eles tiveram uma ideia, a Tarumba também é parceira nesse projeto, eles tiveram uma ideia fantástica, pegaram em marionetas hiper-realistas em miniatura, que são todas feitas para cada uma dessas pequenas formas. E um deles com estas figurinhas hiper-realistas falam sobre o grande desastre de uma plataforma que prolifera de petróleo nos Estados Unidos, que foi o maior desastre até agora ecológico, para nos mostrar o que se passou no tribunal, porque o grande CEO da BP esteve no tribunal e as pessoas ficaram chocadas com as suas declarações. Mas fazem isto de uma forma superinteligente. Nós estamos todos à volta a ver todas essas figurinhas de uma forma tão incrível.
Uma razão de uma grande proximidade também com a cena.
No outro-
Também há aquele dos eslovenos que trazem, não é?
Dos eslovenos é muito bonito, que agora nós ainda agora passámos.
Da Lubljana Papa Theater. Outras internacional. Transport Departure, chama-se isto.
Exatamente, da Eslovénia. Eles passaram por umas cheias muito semelhantes à que nós passámos agora em Leiria, com tudo que passou em 2023.
Foi há três anos, sim, lá.
E eles a partir daí, nós ouvimos a história de uma família que passou pela perda da casa, a perda das memórias, o bairro inteiro que foi destruído. E vamos ver em figuras hiper-realistas. Primeiro temos a natureza, a natureza a ser destruída, depois os grandes bairros, as famílias felizes nos bairros.
Eslovénia é bonita e é muito floresta, se calhar.
Até que vem, infelizmente, a tempestade e vamos ouvir a descrição desta família, que é muito bonita, sobre a perda da memória e nunca pensaram que aquilo pudesse acontecer e que deviam ter pensado, realmente.
De facto, e as estatísticas não enganam, não é? E não perdoam. Desde 1980, o número de cheias na Europa aumentou 50% e a sua intensidade continua a subir devido a alterações climáticas. Quantas evis é que nós temos que ignorar antes de agir? Isto é verdade. É curioso trazer esta coisa dura. No fundo, é um teatro documental, como vocês dizem no programa, com estas marionetas hiper-realistas em miniatura, que falam desta família. É a experiência real de uma família que perdeu a casa e perdeu tudo por causa das cheias. É um alerta, no fundo.
Tudo isto é verdade.
Sim, tudo é verdade.
Mas contado com figurinhas e bonequinhos. É extraordinário.
Hiper-realistas em miniatura que foram todos construídos para cada uma destes espetáculos, destas seis companhias.
E todas as cenografias, as maquetes são extraordinárias, é tudo feito com um detalhe incrível.
Exatamente, muito minucioso.
Tudo muito minucioso.
E podemos ver que estamos muito perto dos artistas, estamos muito perto das figuras, é muito especial.
Este Heiner Müller, por que é tão importante?
O Heiner Müller.
Também é uma estreia em Lisboa.
A dramaturgia.
Morreu há 30 anos, estamos a celebrar os 30 anos da morte dele. Este do Teatro do Ferro e Alma d'Aram traz um espetáculo.
Juntaram para recriar.
Uma espécie de homenagem.
Uma espécie de homenagem entre vários textos, montaram no São Luís, no palco principal.
Este dramaturgo alemão.
Feito de uma forma um pouco diferente, bastante original.
Temos aqui vários Heiner Müellers em cena. Há um gigante.
Há vários excertos de textos que são montados e são arquitetados.
Com fragmentos da sua poesia, do seu teatro.
Exato. De forma a criar esta partitura extraordinária.
E que também fala de tempos e factos.
Aristocratas e ditadores, soldados, amantes, vivos e mortos dialogam com figuras maiores da mitologia da cultura europeia, numa tensão leste-oeste que Heiner Müller tão bem soube sintetizar. Isto promete.
Promete. Não podem ver estas duas companhias portuguesas.
Exato. Mais coisas.
Ia falar do Dark Circles. Ia falar do Dark Circles, da Companhia Stereoptique. Esta companhia esteve no ano passado no FINFA e as pessoas gostaram imenso do trabalho.
Outra estreia nacional.
E o que foi curioso, o primeiro espetáculo que vimos desta companhia foi este. Este espetáculo estreou, se não me engano, em 2015. Agora já não me lembro exatamente.
Bem-vindos ao Circo a Preto e Branco.
E aviou. E foi um grande sucesso, era muito bonito. E eles resolveram voltar a fazer este espetáculo. Nós quando soubemos isso, ficámos: "Vamos voltar já!" E é muito cómico, porque nós vamos ver um circo em que eles criam tudo ao vivo.
Com desenho ao vivo.
Com sombras, com areia, música ao vivo, é tudo criado. Nós vemos como tudo se faz e criam imagens belíssimas. E é um circo: venham ao circo mais triste do mundo.
Exato, é um circo estranho.
Venham chorar uma bocado.
Acontecem os catarses maiores, os trapezistas caem, o domador é comido pela fera.
É uma tristeza, é um espetáculo, uma tristeza. Até cá há um grande clique que não quero dizer demais.
A ideia é tão boa.
É muito bom, é um grande humor, é muito bem feito. E depois no fim pode ser, vem a cor. Porque primeiro começamos com o circo a preto e branco. Mas é muito bom.
O homem-canhão desaparece no espaço para sempre. Eu adoro isto.
O que fazer?
Não se assustem, vai tudo mudar. Vem um malabarista desajeitado que vai mudar as coisas. Mais espetáculos.
Ainda das companhias portuguesas, gostava de falar-vos da estreia, que vamos ter no FINFA, do Fernando Mota, que se chama "Até ao Fim do Mundo", que também quer chamar a atenção para o que se está a passar no ambiente. Vai ser na sala de estúdio Valentim de Barros.
É verdade, sala Valentim de Barros ali nos Jardins do Bombarral. Então fala-me lá do Fernando Mota, o que é que ele nos traz?
O Fernando Mota traz-nos uma nova criação com base naquilo que ele tem desenvolvido, que são instrumentos e pesquisas.
Objetos sonoros.
E tem a ver com geologia este?
Também.
Ele juntou uma série de pessoas à volta, fez uma série de filmagens.
Objetos sonoros.
De poesia. Assim como a marionete é a arte de fazer falar as pedras, ele é a arte de dar som às pedras, sair música das pedras. E posso-vos dizer que faz isso também.
Faz isso muito bem.
Através de árvores ele consegue criar instrumentos geniais.
E é uma performance, é um filme, onde há também poesia e literatura.
Falaste de filmes, o ciclo de cinema acontece sempre, este ano também na Cinemateca. Vai haver então este, "O sítio das coisas selvagens".
São dois filmes que são apresentados pela primeira vez na Cinemateca. Um é o "O sítio das coisas selvagens" do Spike Jonze.
E a Pequena Loja dos Horrores, então?
Foi quem tem medo do John Malkovich, quem se lembrar desse filme, "Being John Malkovich", se não me engano o nome agora. É um filme muito bonito, que na altura foi feito a pensar em crianças, mas que acabou por ser considerado mais para adultos. Houve uma polémica na altura e muita gente diz que se fosse feito agora, se calhar punham para maiores de 16 anos.
Parental guidance, ok. PG-13.
É um dos filmes mais bonitos, porque fala mesmo das emoções das crianças, aquelas emoções, o estarmos sozinhos e o saber ultrapassar. Acho que é um filme muito bonito para se ver em família.
Mas eu lembro-me de "O sítio das coisas selvagens", era aquele com os monstros.
Com aqueles monstros gigantitos.
Já sei, eu lembro-me disto. É de 2009, aliás, temos aí.
Exato. Portanto, vai ser no âmbito da Cinemateca Júnior.
Tens razão, era um filme que fazia pensar imenso e as pessoas ficam a pensar: "Isto não é nada uma história infantil". Mas aliás, muitas histórias infantis muitas vezes são para adultos.
Exatamente.
Portanto, é para ver em família, acho que é um filme ótimo.
E depois a Pequena Loja dos Horrores também vai acontecer.
A Pequena Loja dos Horrores é fantástica, faz 40 anos, é aqueles pastiches anos 80 magníficos. Mas com uma marionete ainda hoje incrível, porque temos de pensar que não havia os efeitos de computador como há agora. Eles tiveram que construir várias versões desta planta que come pessoas e alimenta-se de sangue humano. E quando atingiu o tamanho maior, tinham cerca de 30 pessoas a manipular esta marionete, que ainda hoje é considerada uma das mais estranhas. Sofreram muito os marionetistas. Entra o Billy Wilder, entra o Steve Martin. É toda aquela coisa dos anos 80.
Do humor.
Do humor. E o Frank Oz, o realizador, era o melhor amigo do Jim Henson, era a Miss Piggy. Era a voz da Miss Piggy.
Ah, não sabia.
O Ursinho, o Urso Fozzie também, aquele da águia que fazia todas as coisas, e eles eram sócios, digamos assim, e grandes amigos. Ele realizou inclusive alguns dos filmes dos Marretas em Nova Iorque, que foram realizados por ele, e depois ele continuou a sua carreira como realizador.
Até houve pessoas que acharam que este era um filme do Jim Henson.
Sim, porque havia, podemos dizer que é um segredo, os filhos do Jim Henson aparecem. E a filha dele, muito pequenina, aparece no escritório do dentista, porque aqui é um dentista que é estranho e tem uns clientes sadomasoquistas, não posso dizer mais nada. E o Jim Henson chegou a dizer, que é cómico: "Eu não estou ligado a esse filme, só me pediram conselhos e os meus filhos estão lá, mas eu não tenho nada a ver."
Exato, quis descartar.
Está lá a família, mas eu não tenho nada a ver com isso.
Exato. Mas de facto, os Marretas foi uma pedrada no charco. Incrível, o humor, o tipo, como ele caricaturava as pessoas, os famososÉ impressionante. Fala de alguma coisa, por exemplo, mais dirigida aos mais novos, às famílias. O Milo, os monstros esperançosos.
Temos o Milo este fim de semana, também da Cia. Americana.
No Lu.ca, Teatro Municipal? Que é sempre bom passar a voz.
Estreou na cidade de Los Angeles há 15 dias e vem diretamente para Lisboa, que é engraçado.
É dos americanos, do Alex Olmsted.
Sim. É também um daqueles-
Com magia também
...1904, com magia, com teatro de sombras.
Onde também nada corre bem, eu ouvi dizer.
Nada corre bem.
Eu adoro isto.
E é incrível como as expressões desta marionete mudam à nossa frente. Nós até ficamos baralhados como é que ela muda tão rápido. Tudo sem palavras. Ainda no Lu.ca, no outro fim de semana vamos ter os monstros esperançosos.
Outra estreia nacional? Digo eu.
Tudo feito com as mãos.
"Hopeful Monster" é esta a companhia.
É tudo em evolução com as mãos. Eles são três marionetistas em que com as mãos constroem sapos, animais estranhos, animais que podem vir a ser animais. É uma ode à imaginação.
Aliás, cá está, é outro espetáculo visual sem palavras, não é?
Sem palavras. E dou ainda um grande destaque para a semana de 21 a 24 de maio, ao imóvel saltitante dois, da Companhia Lamento.
É francesa?
Francesa, estreou há pouco tempo, está a fazer um grande sucesso em França, esteve no Festival de Paris há pouco tempo.
Estão mais em 150 países.
É incrível.
É impressionante.
Mistura dança, novo circo, objetos. É como estarmos a ver quase uma banda desenhada.
Ah, isto é o imóvel e saltitante, já sei. São dois personagens, é o imóvel e o saltitante.
Exatamente.
O imóvel está na parede ou está não sei o quê.
E também sem palavras.
Andam por todo lado. É impressionante.
Incrível. E então estão a preparar o minigolfe, ouvi dizer, mais original do mundo, os espanhóis.
Era para eu dizer o minigolfe. O último fim de semana do FINFA, portanto vão em família ou sem família, vão ao Museu da Marioneta.
O Museu de Lisboa, o Leopardino, no Campo Grande.
No Campo Grande, onde vão ver o minigolfe, que é um minigolfe com vários mecanismos. Há pipocas.
São 10 jogos.
Andam por ali, há castelos, há coisas que aparecem.
Engenharia artesanal, chama-se esta instalação.
Engenharia artesanal, exatamente. Tudo construído em madeira, mesmo ali o minigolfe. E o que é muito engraçado é que depois pelo meio também vão ter o Órgão Shibei, que é um órgão de barbárie, quase semelhante um pouco aos nossos.
É o reależ, não é? É isso que eu costumo chamar. Órgão de barbárie do Teatro Virgílio Castelo.
Criado pelo Paulo. O Paulo é um artista português que está radicado há muitos anos na Bélgica.
Mas este Clair de Lune Théâtre é dele?
É dele. Nós já o trouxemos há alguns anos a Lisboa.
Pois é isso que eu ia dizer, eu lembro-me de já termos falado dele.
E agora esta é a segunda vez que ele vai apresentar. É mesmo uma coisinha.
É um pequeno bijou.
Um pequeno bijou. É que vão pôr duas ideias completamente surreais.
Toca música, conta histórias.
Uma história, "Ce cine est pas une mouche". Isto é uma mosca, mas não é uma mosca.
Também tem 20 metros aos 10 anos.
Tem muitos mais, provavelmente.
É incrível. "Ce cine est pas une mouche". Isto é para brincar com o pintor, não é? Com o Magritte.
E ainda para os mais novos, também a destacar no Museu de Lisboa: Teatro Romano, a Pequena Circoooonferência pela Companhia Radar 360.
Que é portuguesa.
Que é portuguesa, que é do Porto e que nunca apresentou este espetáculo em Lisboa e é um pouco um professor meio louco, que nos vai tentar dar uma lição de história de circo. Vamos lá aprender o que é o circo. E que também usa muitos objetos e faz muitos malabarismos. Não é para tentar e também não corre muito bem.
Nem sempre.
Um ato de liberdade na reconstrução da história do circo, escrito e interpretado com elementos de humor, de risco e poesia, transversal a todas as gerações. Portanto, novo circo outra vez, com objetos, aqui para contar isto. Também há quem vá querer regressar ao ninho. É outra companhia portuguesa.
Era o que eu ia dizer. O ninho também da Companhia Partículas Elementares.
Carlos Silva, cá está.
Cá do norte, que vai apresentar na Biblioteca de Marvila para os mais pequeninos. É um espetáculo com uma marioneta muito bonita, todo o décor muito intimista, sobre um poema do Fernando Pessoa.
Miguel Torga.
Do Miguel Torga. Estou a enganar os nomes.
Estavas com o Pessoa na cabeça.
Do Miguel Torga.
Um convite à valorização das coisas simples da vida. Isso por quê?
É porque este espetáculo é muito bonito, é muito sensível. É ele sozinho em palco, com esta marioneta, onde há um ninho.
É muito ligado à escola também. Devia ir só para as escolas mesmo.
E mais uma vez não tem uma única palavra.
Boa, que giro.
E depois queríamos dar um grande destaque também ao Teatro Praga, que veio ao FINFA e que vai apresentar o "Hamlet sou eu" no Teatro Taborda. É uma forma de ver a peça do Hamlet, do Shakespeare, de uma outra forma. Porque devo dizer-vos, eles vão apresentar vários resumos da peça. Um deles temos, como é que os mais solicitados.
Agora resumo eu, agora resumes tu. Agora contam vocês.
É uma espécie de um espetáculo de jogo.
Mas é interativo um bocadinho, não é?
Participar e interpretar.
30 pessoas são convidadas a ir ao palco.
E vão também, depois do resumo que houver, criar o seu próprio resumo e devo dizer, há castelos insufláveis, há perucas.
A história do príncipe da Dinamarca.
Vamos ver que histórias é que vão surgir aqui.
Há vários objetos a criar.
16 e 17 de maio, às 16h30, no Teatro Taborda.
É mesmo a não perder.
Isto deve ser também emocionante, por acaso. Como é que se contam clássicos da literatura e da dramaturgia às crianças? É uma ideia curiosa este do Shakespeare, também está agora na berra. Com o Shakespeare, com o Hamlet, nos cinemas e nos Oscars, e portanto é de facto um convite irrecusável. Vocês realmente têm o condão de apetecer ver tudo quando a gente fala com vocês. E portanto, esta coisa eu fiquei sempre a pensar, isto precisa, de facto, quem lhe dê a mão e quem este apoio. Em Portugal faltam muitos apoios neste género de artes, espetáculo.
Sim, claro.
Tem algum. Também a DGArtes e coisas ajuda. Isso ajuda.
Sim, claro. Mas mesmo para o país, felizmente já há mais apoios do que há alguns anos atrás, mas ainda é muito pouco.
Os custos ainda são muito altos. Vocês têm de trazer companhias, cenários, hotéis para as equipas, as comidas.
O transporte, o preço dos hotéis em Lisboa, que como eu digo, continuam baratíssimos, mais a taxa turística, que também as pessoas não sabem que temos de pagar.
Acham que ainda há um bocadinho este estigma da bolada de anel para o bonecoApoiar boneco. Sinto que há coisinhas assim ainda.
Ainda. Olha que o boneco não está a trabalhar.
Exato, está a trabalhar para o boneco, literalmente. Mas é pena ver isso.
Há menos, mas ainda há.
Quando esta apresentação foi feita deste vosso programa fantástico que vocês têm, dia 21 de março, o Dia Mundial da Marioneta, foi também entregue o quarto prémio de mérito cultural, não é? Este Henrique de Delgado.
Exatamente.
E foi entregue a alguém que tinha a ver com os bonecos de Santalés.
Sim, à Cristina Zurbach, que é uma grande professora e investigadora. Acho que era chegada a altura, na quarta edição do Prémio Henrique Delgado. Ele próprio, que foi um investigador e uma pessoa que lutou tanto, infelizmente morreu muito cedo, mas se não fosse ele, quase tudo o que nós temos da parte histórica do teatro de marionetas em Portugal não tinha chegado aqui. A verdade é esta. Nem tínhamos muitas das peças que temos hoje, se não fosse o Henrique Delgado. E portanto, foi um grande prazer dar a uma mulher, que se pauta por uma grande investigação. Ela veio de Paris por amor. É engraçado, ela é francesa. E que fez um trabalho sobre os bonecos de Santalés, sobre tentar mostrar, e não só sobre os bonecos de Santalés, sobre o teatro em geral, sobre crítica, sobre traduções e sobre as marionetas. Portanto, foi muito bonito esse dia, de ter dado esse prémio a ela.
Premiar esta dedicação.
O trabalho de uma vida.
Ainda bem.
E é bom as pessoas sentirem-se reconhecidas e dar-lhes esse prazer enquanto são vivas, isso é que é preciso.
Eu costumo sempre dizer agora neste final, que o nosso tempo voa e apetece tudo, que há espetáculos esgotados. Já há, ou não?
Já.
Correm já amanhã.
Os bilhetes estão a voar.
Estão a voar. Mas eu digo sempre, mesmo os espetáculos esgotados, tentem sempre ir.
Sim, há sempre uma possibilidade.
Há sempre uma possibilidade de alguém desistir, uma pessoa. Vão sempre lá.
Vão ao tarumba.pt, ao site que está lá a programação completa.
Está lá tudo.
Está lá tudo, informação de bilheteiras, etc.
Ótimo. Luís Vieira, Rute Ribeiro, mais uma vez obrigado por vocês disponibilidade em vir aqui ao sudouro. Vocês já têm a cadeirinha aqui guardada, dedicada. Gosto imenso de ouvir as vossas novidades. Vocês são ótimos a falar daquilo que vos atrai, que vos ama, que vos mexe, que vos faz acordar todas as manhãs. É extraordinário. E assim que vos ouvem, fica este convite: consultem toda a programação do FIFAA 2026 neste site tarumba.pt. Escolha o que vai ver, inscreva-se, vá sozinho ou em família, leve os amigos, leve os afilhados, leve os sobrinhos. Deixe-se surpreender pelas propostas deste festival único, que é já de facto uma referência mundial. Tudo de bom para vocês e corra tudo muito bem. Bem-hajam por terem vindo mais uma vez. Muito obrigado.