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Quase a chegar ao fim. Começa agora mais uma edição do Diário do Mundial, hoje com o jornalista Miguel Gato. Olá, Miguel, mais uma vez.

Olá, João.

Vamos falar desta luta pelo bronze, a ideia de ficarmos a conhecer quem fica no terceiro lugar neste Campeonato do Mundo de Futebol.

É verdade. Pode dizer-se que é o jogo que ninguém quer jogar, uma vez que isto significa que tanto a França como a Inglaterra não conseguiram o principal objetivo de chegar à final.

Também há algum desânimo nesta meia final. Vai ser triste, duas seleções queriam muito chegar à final.

Sim, e isso também ficou explanado nas conferências de imprensa, já lá vamos, dos dois treinadores e também por questões diferentes. Mas primeiro, é certo que, ao contrário do que acontece, por exemplo, nos Europeus, em que não existe este jogo para ver quem é que leva o bronze na competição, esta é uma tradição dos Campeonatos do Mundo. Há quem veja com maus olhos, uma espécie de amigável, um jogo que já não interessa para muito ou para nada para muitos. Mas a verdade é que os treinadores acabaram por não desvalorizar o jogo e já vamos a essas declarações de Thomas Tuchel e também à declaração feita por Didier Deschamps. E por isso vai acontecer hoje esse duelo entre França e Inglaterra, às 22h, hora de Lisboa, é às 18h, hora local. A partida joga-se no Hard Rock Stadium em Miami.

E Miguel, vamos aqui recordar quem é que ficou também no terceiro lugar nestas últimas edições do Mundial. Essa é uma pessoa muito esquecida.

Vamos a isso, João, até porque és uma pessoa esquecida, mas eu também não me lembro muito bem, não tenho grande memória.

Os adversários, talvez ainda vá lá.

Então vamos a isso. Lembras-te quem é que ganhou este jogo no Catar em 2022?

Quem era?

Era a Croácia e Marrocos.

Foi a Croácia.

Foi a Croácia, exatamente. Foi o grande mundial de Luka Modrić, que também já tinha feito um grande mundial em 2018. Ora, foi a Croácia, a seleção que foi eliminada neste mundial por Portugal, acabou por vencer há quatro anos a equipa de Marrocos por 2 x 1. E olhando aqui um bocadinho para o histórico de França e Inglaterra em jogos para ver quem é que fica no terceiro lugar do mundial. A França esteve três vezes neste jogo, acabou por vencer dois. Em 1958 venceu a Alemanha Ocidental por 6 x 3. Na altura a Alemanha estava dividida e por isso é que estamos a fazer também esta distinção. Em 1982 acabou por perder para a Polónia, 3 x 2, e em 1986 a França venceu a Bélgica após prolongamento por 4 x 2 e ficou no terceiro lugar.

Jogos sempre com muitos golos.

Muitos golos, um pouco diferente daquilo que acontece hoje em dia, é um pouco raro ver um 6 x 3. Já Inglaterra nunca venceu um jogo do terceiro lugar no mundial, fê-lo por duas vezes. Esteve presente em 2018, na altura perdeu frente à Bélgica de Roberto Martínez, ficou no quarto lugar e a Bélgica em terceiro.

Roberto Martínez conseguiu alguma coisa.

Exatamente. Foi mais infeliz neste nosso mundial. E em 1980, 2 x 1 para a Itália frente à Inglaterra. Portanto, pode ser que hoje, pela primeira vez, a Inglaterra consiga ficar no terceiro lugar do mundial. Nunca conseguiu, perdeu sempre neste jogo.

Sem dúvida, um grande jogo, digno de final, aliás. As duas seleções chegarem até aqui é a prova disso mesmo. No que toca ao histórico entre elas, há mais vitórias para que lado, Miguel?

Isso depende, João, da análise que fizermos, porque existe um histórico de oito jogos oficiais entre Inglaterra e França, três em Mundiais e cinco em Campeonatos da Europa. Ora, até agora temos três vitórias para a França, a última no Mundial de 2022 no Catar, mas também no Euro 2004, aqui em Portugal, e no Euro de 1964. Duas vitórias para a Inglaterra nos Mundiais de 66 e 1982 e dois empates entre as duas seleções nos Europeus de 66 e também de 92. Portanto, se olharmos aqui para os jogos oficiais, a França tem vitórias no Europeu, no Mundial e a Inglaterra em dois Mundiais. Mas se olharmos para os duelos entre as duas seleções, contando com amigáveis, que foram muitos, 32 jogos entre estas duas seleções, aí Inglaterra leva a melhor e por larga margem. Dezassete vitórias, mais de 53% dos triunfos. França tem apenas 10 vitórias, mas se olharmos para os jogos oficiais, a França é mais forte, a Inglaterra é mais forte em jogos que não contam para muito.

E depois desta aula de estatística que nos deste, Miguel Gato, vamos ao que disseram os treinadores nesta antevisão deste jogo na luta pelo terceiro e quarto lugar.

Exatamente, ficou prometido e, portanto, vamos a isso. Já sabíamos que ia ser o jogo de despedida de Didier Deschamps, o selecionador francês. Ele admite que esta não era a despedida que queria, ao fim de 14 anos aos comandos da França, mas deixou uma mensagem de motivação aos jogadores. Diz que o dever da França é conquistar o terceiro lugar do mundial, já que não conseguiu chegar à final nem ganhar a competição. E diz que por mais que este possa ser interpretado como um jogo amigável, como falávamos no início deste Diário do Mundial, ninguém queria jogar este jogo, mas já que a França está lá, é para vencer o jogo. Sobre a despedida no cargo de selecionador, Didier Deschamps diz que não quer que ninguém chore por causa da saída do cargo de selecionador. Diz que é o fim, o fim está próximo, mas a vida continua. Portanto, não quer ver ninguém-

Foi um selecionador muito bem-sucedido aqui à frente da França.

Sim, venceu mundiais, também perdeu em 2016, foi bem-sucedido para nós. Mas sim, sem dúvida que é um selecionador que marca a história da seleção da França. Ao lado de Didier Deschamps, teve o defesa central Ibrahima Konaté, que também acompanhou o treinador na conferência de imprensa, nomeadamente nas declarações que Didier Deschamps fez. Diz que apesar do golpe amargo na meia-final, os jogadores estão ansiosos por proporcionar a Deschamps uma despedida em grande. Diz que a seleção francesa tem de estar grata a tudo o que Deschamps fez e que a medalha de bronze no mundial é a melhor prenda para o treinador de 57 anos. Dar só uma nota sobre a participação da França nos últimos grandes torneios de seleções, porque isto é um dado curioso. Esta foi a terceira derrota consecutiva dos gauleses numa semifinal de um grande torneio, depois de, no Euro 2024 e na Liga das Nações em 2025, terem perdido precisamente na semifinal e todos os três jogos foram perdidos contra a Espanha. Portanto, havia aqui um histórico.

Por acaso não tinha lembrado disso, é verdade.

À terceira é de vez, não é?

Pois, vamos ver. Vamos ainda à antevisão feita pelo técnico alemão, que treina a Inglaterra, Thomas Tuchel, que tem estado aqui sob alguma polêmica nestes últimos dias, Bellingham e não sei o quê.

Exatamente. E por isso, esta antevisão acabou por ter um tom um pouco diferente da de Didier Deschamps. Thomas Tuchel acabou por defender em conferência de imprensa a tática que decidiu utilizar na última meia hora do jogo da semifinal frente à Argentina. Os nossos ouvintes que acompanham o mundial recordam-se. A Inglaterra adiantou-se no marcador aos 55 minutos, gol de Anthony Gordon. Aos 72 minutos, mais de meia hora, se contarmos com os descontos, antes do jogo acabar, Tuchel acaba por tirar o extremo e põe Konса, um defesa central, e aos 82 minutos, ainda em vantagem, faz mais duas substituições. Saem Reece James e Declan Rice, jogadores que estavam a jogar no meio-campo, para entrarem mais duas torres para o eixo defensivo, Dan Burn e também Nico O'Reilly. Ora, a Argentina, como sabemos, acabou por dar a volta ao marcador, com gols aos 85 e também aos 92. E esta atitude defensiva da equipe inglesa foi muito criticada por adeptos, também pela imprensa inglesa. E essa imprensa conta mesmo que os próprios jogadores não ficaram contentes com esta tática que Tuchel acabou por implementar em campo. E só para ver, João, até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou dizendo que não compreendia como é que um avançado como Harry Kane estava tão recuado em campo. Eu não sei se Donald Trump é fã de futebol ou de soccer, como ele diz.

Possivelmente agora, se calhar, está a acompanhar mais, não é?

De certeza e com a boa relação que tem também com o Infantino, com o presidente da FIFA. Mas não vamos por aí. Ontem, na conferência de imprensa, Thomas Tuchel diz que a derrota na meia final é uma cicatriz.

Cicatriz.

Cicatriz. Estava difícil esta palavra.

Acordaste muito cedo, Miguel, tens desculpa.

Tu também, mas conseguiste dizê-la. Se for preciso, assume as culpas, mas que não quer entrar neste tipo de jogo de quem é que culpa. Diz que tomou decisões durante o jogo com base na confiança da equipa, na competitividade e na experiência que tem como treinador e no que realmente sentia em campo e a partir daí, segue em frente. Esta estratégia não resultou e portanto, aqui Thomas Tuchel não admitir a culpa da derrota, ou pelo menos a dizer que foi a decisão que tomou e não quer comentar mais sobre isso. A verdade é que a imprensa inglesa diz que a Federação Inglesa mantém a confiança no técnico até 2028. A ver vamos o que acontece no futuro. Eu acredito que vá fazer, se calhar, a Liga das Nações.

Mas com esta contestação dos jogadores. É porque é sempre mais fácil mudar o treinador, é o mesmo com as equipas, mesmo quando falamos de futebol nacional, internacional, do que mudar a equipa toda. E falamos de uma seleção, ainda por cima.

Exatamente. E ouvimos aquelas declarações, como disseste, do Jude Bellingham, depois do jogo dos quartos de final.

Sim, ainda nem tínhamos chegado a esta fase.

Exato. A dizer que o Thomas Tuchel não percebia o que se passava dentro de campo, portanto não é muito bom quando ouves um treinador e um jogador com essas versões que acabam por ser tão diferentes. O jogo é às 22h, hora de Lisboa. Amanhã é essa grande final entre Espanha e Argentina, João.

Exato. E contamos contigo amanhã de manhã também para o novo "Diário do Mundial", mais cedo, a partir das 08h35. Vamos falar do jogo em si, mas também desse grande espetáculo que vai acontecer para assinalar o final do Campeonato do Mundo, final entre Espanha e Argentina, que vai ter relato aqui em direto na Rádio Observador. Emissão especial amanhã, domingo, a partir das 19h.