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Muito bom dia, o senhor agora chegou. Seja bem-vindo às manhãs 360. Eu sou a Maria João Simões, comigo está a Carla Jorge Carvalho e agora junta-se a nós o jornalista do Observador, João Francisco Gomes. Bom dia, João.

Bom dia.

O convidado do direto ao assunto desta manhã é o Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança de Portugal, Dom Rui Valério. Chegou há duas semanas de uma viagem à República Centro-Africana. Acompanhou o ministro dos Negócios Estrangeiros numa visita aos militares portugueses em missão no país. Bom dia, Dom Rui Valério.

Olá, muito bom dia.

Antes de mais, é importante explicar o que faz um bispo das Forças Armadas.

Antes de mais, um bispo das Forças Armadas justifica a sua existência e presença nas Forças Armadas e nas Forças de Segurança pelo facto de ali se encontrarem pessoas com todo o tecido da sua existência, as suas problemáticas, os seus problemas, os seus desafios, as suas alegrias, as suas esperanças, expectativas. E são as pessoas que realmente justificam a presença e a missão de um bispo das Forças Armadas. Isto, obviamente, numa linha de continuidade com aquilo que desde a fundação da nacionalidade vem acontecendo. Se nós termos presente e em conta que já o Dom Afonso Henriques e os seus soldados eram ajudados e coadjuvados pela presença de sacerdotes. O Santo Teotónio, por exemplo, era e foi um dos principais conselheiros do Afonso Henriques. E depois, ao longo dos séculos, houve sempre esta simbiose, esta presença permanente de capelães junto dos nossos militares. Talvez os momentos auges no século XX foi que era a Primeira Guerra Mundial, onde capelães heroicos estiveram presente na frente de batalha. Recordo aqui, por exemplo, o Dom José do Patrocínio Dias, que depois veio a ser o bispo de Beja. E aí, naturalmente, quando houve aquelas expedições para a África, na chamada guerra colonial, com propriedade ou sem propriedade, ali a presença e a ação dos capelães foi decisiva, não apenas para a moral das tropas, mas fundamentalmente para lhes dar um equilíbrio que, mesmo assim, não foi completo, não foi total. E hoje temos a situação dos ex-combatentes ou dos combatentes, alguns deles a viverem situações verdadeiramente dramáticas. Mas digo, não é mais difícil, não é mais dramático, graças também à ação e à presença dos capelães.

E, portanto, parece-lhe que faz sentido agora, e fez aqui uma rápida visita pela história, faz sentido agora no século XXI, num Estado laico ainda haver este cargo?

Faz todo o sentido pela simples razão de que quando nós estamos na missão, ali essa diferença que a senhora jornalista acentua de laicismo e religioso ou sagrado, isso aí, digamos, não vou dizer que não tem muita relevância, mas é tudo esbatido pelo sentido de missão, pelo sentido humano que ali sobressai. Nessas circunstâncias, como sabe, e ainda hoje isso acontece, mesmo numa cidade como Lisboa, que quem abraça esse tipo de desafio e de missão e de vocação, quem segue essa vocação, está sempre na linha da frente, mesmo estando no quartel ou mesmo estando numa esquadra ou mesmo estando, por exemplo, numa brigada de trânsito, mas está sempre na apetência do desafio grande, está sempre numa situação de limite e de extremo. E nessas circunstâncias, o elemento ser humano vem ao de cima e sobrepõe-se a todas as outras clivagens que nós pudermos querer fazer.

E há um acompanhamento espiritual para militares que sejam fiéis de outras religiões, além dos católicos?

Há essa possibilidade prevista pela nossa lei e pela nossa legislação, sim.

Mas não há esse tipo de oferta em relação, enfim, estou a falar de oferta. Não há disponibilidade de outras confissões.

Aquilo que justifica a presença de um capelão católico, de um capelão muçulmano ou de um capelão judeu ou de um capelão budista, é a existência de soldados dessas profissões religiosas, mediante um padrão que foi estabelecido e está descrito, isto, como sabe, desde o Auguste Comte, que ele estabeleceu essa coisa muito pelo numérico e pela porcentagem.

Portanto, precisávamos de rácios. É isso. Já falou dos ex-combatentes. Quais são as preocupações que tem, o senhor que acompanha a vida destes homens, Forças de Segurança e Forças Armadas, quais são as grandes preocupações que sente nestas pessoas?

Olhe, antes de mais, temos que tomar nota e ato de que o próprio governo veio dar uma resposta positiva a essa situação com a nomeação de uma secretária de Estado, que entre as outras incumbências que tem, não é apenas de Recursos Humanos, é também de antigos combatentes. O que significa que a sociedade portuguesa hoje está finalmente serena para olhar para essa realidade com eficácia, consciência, com racionalidade.

Ainda não se fez justiça para esses homens.

Eu penso que a justiça tem se vindo a realizar ao longo dos tempos, ao longo dos séculos. É verdade que nós, em Portugal, acho que temos um grande limite, é que é tudo feito muito rapidamente e por vezes tudo muito feito em cima do joelho. E depois leva tempo até que as realidades voltem a uma situação de serenidade. Eu penso que hoje, efetivamente, temos então essas condições para olhar para a condição existencial, para a condição do ser humano que temos perante, o qual vive toda uma carga de drama dentro de si, que nos obriga, a nós, sociedade portuguesa, a olhar Para essas pessoas, cara a cara, para tentar reduzir e diminuir muito os seus problemas, porque há situações e causas de traumas impressionantes. Não vou agora aqui especificar com testemunhos próprios. No entanto, são pessoas que deram tanto, aliás, deram tudo ao seu país, à sua pátria, e o mínimo que agora nós podemos pedir e solicitar é que a pátria olhe para eles com um sentido de justiça e de reconhecimento.

Gostava que nos ajudasse também a fazer aqui um balanço deste ano que acaba agora do ponto de vista da Igreja Católica. É um ano que acaba por ficar marcado por dois grandes temas. Por um lado, a questão dos abusos sexuais, e podemos dizer que foi um ano em que se deram, pela primeira vez, passos muito concretos a partir do Vaticano no combate aos abusos sexuais. Por outro lado, a questão do sínodo da Amazônia, onde se começou a discutir a possibilidade de levantar o celibato obrigatório. Relativamente a este primeiro tema, aos abusos sexuais, uma das decisões mais recentes e com uma grande relevância foi o fim da imposição do segredo pontifício nas investigações internas de abuso sexual. Concorda com esta medida do Papa Francisco?

Eu não concordo é com essa agenda midiática que o senhor jornalista apresentou. Eu acho que a Igreja, aquilo que sobressai é o fato de que passou mais um ano e a Igreja fez tanta obra maravilhosa, um pouco por todo o mundo. Tanta gente foi saciada e teve comida graças à ação da Igreja, tanto homem e mulher que não esteve mais isolado porque houve uma comunidade que foi ao seu encontro. Ou seja, aquilo que é a verdade é que a Igreja, uma vez mais, com todo o esforço e com toda a fadiga, mas viveu a fidelidade ao Evangelho e a Jesus Cristo. Isto é a verdadeira novidade que nós temos para mais um ano.

Mas houve uma novidade em que foi a cimeira de Roma.

Para a agenda midiática, não haja dúvida nenhuma que essa questão dos abusos sexuais teve exatamente esta pertinência, esta resposta da parte do santo padre. Eu gostaria de começar por dizer que é uma situação que nos envergonha, e a mim, particularmente, por todas as razões e por mais uma: porque desde o momento em que eu sei que a Igreja e os homens e mulheres da Igreja existem exatamente para suavizar, para responder, para ajudar o ser humano na esperança da sua vida, para os auxiliar, para reduzir o sofrimento, quando me é dito que a Igreja é a causa de sofrimento de alguém, isso é uma vergonha que me entristece e me deixa vermelho.

E esta decisão recente do fim do segredo pontifício, o que é que concretiza?

Essa decisão do fim do segredo de justiça, vem fundamentalmente para revelar o quanto a Igreja está seriamente empenhada em acabar com essa situação e com essa circunstância. A Igreja sente-se, e por isso tem valor este fim do segredo, porque é um grito que a Igreja lança à sociedade civil, aos seus mecanismos de justiça, nomeadamente, para ajudar aquelas pessoas que, praticando estes atos, precisam de ser ajudadas pela justiça, pelo acompanhamento psicológico. E este fim de segredo serve fundamentalmente para isso.

Isto na prática significa que as informações que constam das investigações internas da Igreja passam a poder ser partilhadas com as autoridades civis?

E não só. Isso obriga a que qualquer padre ou qualquer bispo faça uma situação em que declaradamente, mesmo que não seja publicamente, mas declaradamente, há uma situação de abuso sexual por parte de um membro da Igreja, é nosso dever moral, a partir deste instante, de não ficar com ele retido no segredo, lá está, da confissão, mas nós temos a obrigação moral de não é ir contar, porque aqui o problema e a questão não é nesse ponto, mas é de promover esforços, iniciativas e ação para primeiro acabar com a situação e depois ajudar a pessoa que precisa de ser ajudada, que é tanto a pessoa abusada como o abusador.

Mas implica denunciar às autoridades civis?

Não é que eu não use essa palavra aqui deliberadamente.

Não usa essa palavra, porque põe em causa até a confissão.

Exatamente, eu não uso aqui essa palavra de denunciar. O que o fim deste segredo quer responder é exatamente a esta necessidade de que esse problema resulta da circunstância de duas pessoas que precisam de ser ajudadas. E o fim do segredo é exatamente neste sentido: é para ajudar tanto a pessoa que é abusada como ajudar o abusador.

D. Rui Valério, houve esse encontro em Roma, juntou os 180, 190 líderes mundiais.

Está a falar do Sínodo da Amazônia.

Não, estou a falar ainda da cimeira dos abusos sexuais, que aconteceu em Roma, já lá vamos à Amazônia. Acha que a Igreja mudou efetivamente depois desse encontro? Ou deveria ter mudado?

O que eu vejo é que, sejamos realistas, neste momento os holofotes, quando se fala de abusos sexuais, estão exclusivamente centrados sobre a Igreja. Sabemos que não é assim. Existem outros setores, outras profissões onde o problema é ainda mais grave e outras instituições.

Como por exemplo?

Olha, eu não vou aqui especificar, mas aquilo que eu leio é que existem profissões onde esse problema também existe, e sem estar aqui a fazer, obviamente, denúncias, é aquilo que eu leio, nomeadamente no campo do desporto, no campo do ensino, em organizações, inclusivamente de cariz internacional, esse problema também está presente.

E existe também em Portugal.

Não sei. Isso não lhe sei responder.

Mas na Igreja há uma gravidade moral maior?

Exatamente. Mas o que eu queria dizer, para responder à pergunta, é que se revela e demonstra o quanto a Igreja está verdadeiramente empenhada em, na sua casa, fazer iniciativas que vão acabar com essa vergonha, como eu já lhe defini.

Mas ainda não está garantida a expulsão dos sacerdotes que abusaram de menores.

Não. E já não é de agora. Já anteriormente havia tolerância zero para esses casos, para essas situações. Isso já existe há dois ou há três anos. Não é uma coisa nova. Aquilo que com este fim de segredo pontifício se quer é exatamente: na Igreja as coisas que são produzidas, são sempre produzidas com sentido de pedagogia e são sempre produzidas com sentido redentivo. E portanto, aquilo que se quer, com todas estas iniciativas, é vir ao encontro da pessoa que é abusada e que sofre, mas, por outro lado, tentar ajudar a pessoa que é o abusador. Temos ali um ser humano também e vamos olhá-lo como pessoa que precisa de ser ajudada.

Falamos agora do outro assunto que marcou o ano, em termos de mediáticos.

A agenda mediática.

Exatamente. Da Igreja Católica, a questão do Sínodo da Amazônia. Uma das propostas que surgem no documento final do sínodo como possível resposta à escassez de padres naquela região do mundo, é a possibilidade de ordenar como padres, homens já casados. Isto é uma porta que se abre para o fim do celibato obrigatório na Igreja?

Não haja dúvida que o Sínodo da Amazônia teve esse tema sobre a mesa. Responder a uma situação local de necessidade, onde se verifica que para preencher aquela necessidade de pastores locais, para uma cultura também ela muito específica, abriu-se e falou-se dessa possibilidade de haver homens, mesmo casados, que sejam, no entanto, já diáconos permanentes, que possam aceder à ordenação sacerdotal. Mas pelo amor de Deus, a Amazônia é muito mais do que isso e tentou vir ao encontro de um problema muito mais grave do que esse. Qual é? É o problema daquilo que nós estamos a fazer ao planeta, pelo amor de Deus. O que o ser humano atualmente está a fazer ao planeta, que o está a destruir dia após dia, com o seu estilo de vida burguês, com o seu estilo de vida de bem-estar e que não quer abdicar daquilo que prejudicou o planeta. O Sínodo da Amazônia não veio apenas para responder a um problema pontual de uma questão da Igreja. Não. O sínodo é muito mais do que isso.

Mas aí enquadra-se já numa lógica do Papa Francisco, até desde a "Laudato si".

O sínodo tentou dar voz ao grito da Terra. Da Terra que está a necessitar de ações concretas, não de paleio, porque é aquilo que nós temos oferecido e feito.

Mas é aquilo que lhe dizia, essa questão já vem enquadrada numa lógica de pensamento do Papa. Mas talvez a maior novidade seja esta questão.

Exatamente. Mas por quê? Porque o Papa Francisco, e muito bem, e do meu ponto de vista, muito acertadamente, o Papa Francisco tem uma perspectiva da chamada ecologia integral, onde o bem-estar do planeta, na sua dimensão vegetativa, na sua dimensão animal, tem que ser correspondida com o bem-estar do ser humano enquanto tal. Ora, quando ele verifica que na Amazônia há comunidades que são cristãs, que têm uma identidade cristã, mas que estão privadas, por exemplo, da Eucaristia, e a Eucaristia, como sabe, é central e focar numa perspectiva de vida cristã, ele quer vir também ao encontro dessa carência, dando às pessoas a possibilidade de ter acesso aos sacramentos com a presença de sacerdotes. É uma resposta.

Parece que será uma decisão lógica do Papa, de permitir a ordenação de padres já casados.

Olhe, a questão é muito pontual. Eu penso que nós, aqui na Europa, precisamos de encarnar a perspectiva e o contexto amazônio para poder referirmo-nos a esse problema e a essa questão, o que é dificílimo, porque nós estamos a funcionar no mundo ocidental, com todos os valores e contravalores que caracterizam a nossa sociedade e a nossa cultura. E nós agora estamos a expressar sobre uma realidade que para já, até do ponto de vista geográfico é longínqua.

Quer dizer, caso isso aconteça, será sempre circunstancial e não será a abertura de uma porta para situações noutros pontos do planeta.

Eu não quero ir tão longe, até porque, repare, e eu sendo politicamente incorreto ou não me saciando muito a essa voragem, eu continuo a ter um apreço, uma consideração e um respeito muito grande por aquilo que é o celibato dos sacerdotes da Igreja Católica, que para mim não tem uma validade apenas pastoral, mas o celibato insere-se numa lógica relacional entre a pessoa que é o sacerdote, Jesus Cristo, a Igreja e o povo de Deus. Ou seja, o celibato, para mim, é ainda sintoma e testemunho de uma disponibilidade de decoração e efetiva do sacerdote e para Deus e para a Igreja e para o mundo.

Mas deve ser obrigatório para todos?

Se deve ser obrigatório para todos ou não deve ser obrigatório para todos.

Pode abrir-se aqui um precedente.

Isso é uma questão que eu acho que a própria Igreja, começando por uma reflexão interna, tem que realizar e proceder, tentando responder exatamente a todos estes requisitos que, por um lado, garantam A plenitude da disponibilidade do coração, do amor e da relação para com Deus e para com o mundo, por um lado, e por outro lado, os novos tempos, as novas correntes e as novas perspectivas que têm surgido.

Outro assunto que esteve em cima da mesa no Sínodo da Amazônia foi a possibilidade de dar mais relevância ao papel das mulheres dentro da igreja. Aliás, uma das coisas que vem precisamente escrito no documento é que as mulheres devem ter um lugar nos processos de tomada de decisão da igreja. Parece-lhe irônico que este documento, que diz isto, tenha sido votado só por homens?

Eu começo por constatar que o cristianismo, ao contrário daquilo que as pessoas possam eventualmente pensar, foi pioneiro na concessão de importância à mulher. Eu tomo nota de que celebramos há pouco o Natal, e é curioso porque Deus fez-se homem numa mulher. Nossa Senhora, para nós, como sabe, que é o feminino, tem uma importância extraordinária. Portanto, o Natal está associado e tem como figura central uma mulher. Depois, a ressurreição, a pessoa a quem Jesus em primeira mão apareceu foram as mulheres, e foi delas que, em primeiro lugar, anunciaram a boa-nova da ressurreição. Ao longo da história, a mulher tem tido sempre um papel capital e fundamental no desenrolar da própria igreja.

Mas nunca de autoridade. Podemos ver isso em breve, na igreja?

Estou me a lembrar de Santa Catarina de Sena, a importância que ela teve. Nos primeiros séculos da igreja, e hoje sabe-se que foi mais ou menos até o século III, século IV, ou seja, até que o modus do batismo da igreja era feito não nos moldes e nos termos em que hoje é feito, mas noutros moldes, em que se entrava verdadeiramente dentro de um recipiente, de uma piscina autêntica, havia mulheres que tinham o sacramento do diaconado.

Gostava que isso pudesse voltar a acontecer?

Eu gostava que isso pudesse voltar a acontecer, até porque hoje em dia há muitas comunidades que são dirigidas por mulheres, muito embora a elas ainda não se faculte o sacramento do sacerdócio, mas a realidade é que em muitas comunidades são garantidas e são presididas por mulheres, já fazem celebrações da palavra, dão-nos um exemplo maravilhoso. Agora, eu acho que nós estamos em caminho. A meta cada vez mais se aproxima e está cada vez mais perto, e eu estou confiante de que, provavelmente, a reflexão dentro do seio da igreja vai continuar, vai progredir, obviamente.

Vai ser um caminho, então. Dom Rui Valério, estamos mesmo a terminar. Há mais um assunto midiático que não podemos deixar escapar. Posso perguntar-lhe se viu o especial de Natal da Porta dos Fundos deste ano?

Olhe, não vi e, portanto, aquilo que eu posso opinar é apenas com aquilo dos ecos que me chegaram. Eu faço duas ou três observações a propósito desse assunto. Em primeiro lugar, se foi uma crítica relativamente à figura de Jesus, em que se pôs a ridícula figura de Jesus, quer dizer, nada de novo debaixo do sol, porque já os evangelhos atestam que já no seu tempo Jesus era acusado de tudo e mais alguma coisa, era amigo dos publicanos, foi acusado de se embriagar, amigo de mulheres de má vida, portanto, nada de novo debaixo disso. Agora, aquela associação com pessoas concretas, que é os homossexuais. Eu penso que foi um bocadinho de mau gosto, não só para a figura de Jesus, como vemos, ele já foi tanto debatido ao longo dos tempos, inclusivamente no seu tempo, mas eu acho que deveria haver ali uma delicadeza da parte de quem fez essa-

Justifica depois aquela reação, inclusivamente com ataques à produtora?

Não, claro que não. Isso é o fracasso do diálogo, e é do diálogo que nós obtemos a verdade e a justiça. E por isso essa reação violenta que foi ali perpetrada, é evidente que aquilo não tem justificação nenhuma, até porque todas estas coisas são para ser tomadas na sua justa medida e com os justos critérios. É uma obra de arte, como tal vai apreendida. No entanto, constato que a própria sociedade brasileira ainda não se sente muito à vontade, ainda não respeita muito, e neste caso, nem Jesus Cristo, nem se calhar os homossexuais.

Obrigado.

O bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança de Portugal, dom Rui Valério, muito obrigada por ter aceitado o nosso convite e por ter vindo.

Obrigado eu e a todos. Continuação de santas festas e um feliz Ano Novo.

Boas festas. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.