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Está conosco, em directo, o presidente do OSCOT, Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, coronel Francisco Rodrigues. Bom dia, obrigada por estar conosco. São para levar a sério estas ameaças, olhando para a série de incidentes que têm marcado a semana?
Olá, bom dia, muito obrigado pelo convite. Este tipo de ameaças são sempre a levar a sério e muito mais quando elas são em ambiente da aviação ou aeroportuário, porque o ambiente aeroportuário desde algumas dezenas de anos, foi sempre o ambiente procurado por alguns actores, sejam eles estatais ou não estatais, no sentido de provocar alguma disrupção nas sociedades. Sendo certo que antigamente nós assistíamos, de facto, a ameaças concretizadas.
Sim, com sequestros, nomeadamente, e desvios de aviões.
Com sequestros, mas mesmo engenhos explosivos. O que estamos a assistir atualmente, para já, e felizmente, Deus queira que continue assim, não passam de ameaças, só que as regras da aviação são bastante restritivas no que diz respeito ao cumprimento de uma série de procedimentos de segurança. A aviação não permite que haja qualquer tipo de interrogação.
De facilitismo.
De facilitismo, exatamente. Talvez seja a palavra mais adequada para a situação, é que facilite. Entram logo um conjunto de procedimentos de segurança, de protocolos de segurança, que são acionados de imediato, independentemente de, à partida, poder-se considerar que se trata, como no caso concreto, que já vão numas dezenas, embora alguns sejam do conhecimento público, outros mais reservados, mas já são de algumas dezenas de ameaças. E as polícias, autoridades do país, não só as polícias, mas os serviços de informações, etc., entram logo em processos de contingência.
Coronel, falou aí de uma questão importante. Alguns destes voos têm sido, de facto, notícia. O que nos está a dizer é que houve outras situações que foram mais reservadas, não foram do conhecimento público. Qual é a atitude que se deve ter nestes momentos em que há uma ameaça destas, por parte das autoridades e da divulgação ou não do que está a acontecer?
Ora bem, pode haver alguns indícios que levam, logo à partida, a poder-se interpretar de forma diferente as ameaças. No entanto, os protocolos de segurança são idênticos em todas as situações. Depois, a forma como eles podem, de imediato, ser acionados, pode requerer alguma confirmação daquilo que está a acontecer. Isto levar-nos-ia a uma conversa um pouco mais extensa. Mas de ato contínuo, os aviões que são sujeitos exactamente às ameaças, têm que procurar dentro do espaço geográfico à sua volta, no momento em que existe essa informação, um aeroporto onde possa aterrar em segurança. Isto depois leva a que as autoridades de navegação aérea procurem exactamente fazer esse tipo de pesquisa e perceber de que forma é que o avião pode aterrar em segurança no mais curto espaço de tempo, porque é sempre posto em causa se efectivamente é validada ou não a ameaça. E quando ele chega a terra, há também outro conjunto de protocolos que levam a que o avião seja o mais afastado possível do resto das áreas aeroportuárias para, no caso de existir qualquer confirmação que haja efectivamente o detonar de um engenho explosivo, os danos que possa provocar sejam limitados ao avião. E depois, há todos os procedimentos de busca, de rastreio do avião para saber ou poder determinar se efectivamente estamos na presença ou não de um engenho explosivo, mas já sem passageiros a bordo.
É isso. Ia perguntar, nesta altura já não haverá passageiros, a tripulação também já não estará a bordo e estará uma equipa da PSP a verificar se existe ou não.
No caso nacional, sim. Há a equipa de inactivação de engenhos explosivos da PSP que entra em ação, depois de naturalmente ser criado um perímetro de segurança em redor do avião. Há também a questão do acionamento das equipas de bombeiros do aeroporto, bombeiros especializados para situações destas e de incêndios nas zonas aeroportuárias, porque as viaturas, os equipamentos e todo o conjunto de materiais que têm à sua disposição têm que ser apropriados a este tipo de ambiente, porque uma explosão num avião não é exatamente a mesma coisa que uma explosão num carro. O combustível é completamente diferente, os efeitos são completamente diferentes. E depois, isto leva algum tempo, porque tudo aquilo que está a bordo tem que ser monitorizado, tem que ser scanerizado, tem que ser inspecionado, as bagagens têm que sair todas do avião, aquelas que de imediato são possíveis retirar.
Portanto, muitas horas de trabalho.
São muitas horas de trabalho e eu diria que requer, naturalmente, uma atenção especial por parte de quem faz. Estas situações já estão, desde o início deste mês, a ser bastante repetitivas e isto leva, naturalmente, acima de tudo, à destabilização do ambiente aeroportuário europeu, porque é fundamentalmente sobre o espaço europeu que isto está se a verificar. Traz naturalmente disrupção social também, porque há um conjunto de atividades que ficam condicionadas por este tipo de situações. E as pessoas hoje em dia utilizam muito o transporte aéreo, mesmo para questões comerciais. É um transporte hoje muito usual.
Sim, claro, é um meio de trabalho.
É um meio de transporte, exatamente. Portanto, isto traz um conjunto de disrupções, eu diria, para além do singular para o positivo, disrupções a uma série de atividades sociais.
Coronel Francisco Rodrigues, muito obrigada pelas explicações que nos trouxe aqui, importantes nesta altura em que não sabemos exatamente o que é que está a acontecer no aeroporto de Lisboa