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Muito bom dia, está com o Observador. Se só agora ligou o seu rádio, seja bem-vindo. Eu sou a Maria João Simões, comigo estão a Carla Jorge de Carvalho, Judite França, o Paulo Ferreira e nós, neste direto ao assunto, recebemos agora Joacine Katar Moreira, a cabeça de lista pelo LIVRE às legislativas de outubro. Bom dia, muito obrigada por estar nas manhãs 360.
Olá.
Não era a pergunta que tínhamos para si, mas hoje é inevitável falarmos nesta questão da requisição civil. Concorda com a opção do governo para lidar com a greve dos motoristas?
Eu iria imediatamente re-
Joacine tem-
Vou dizer isto. É necessário respeitarmos, digamos assim, quais quer reivindicações dos grevistas.
É importante, Joacine, desculpa interromper, mas os nossos ouvintes estão a vê-la. Tem assumidamente uma gaguez e vive muito bem com ela.
Obviamente.
Mas é importante, só para os nossos ouvintes não pensarem que se está a sentir mal ou está particularmente nervosa com a entrevista. É só para isto. A Joacine tem uma pequena gaguez assumidíssima e vive muito bem com ela.
É isso mesmo.
Aliás, há colegas nossos de rádio.
De rádio, que também têm essa dificuldade e que a assumem também muito bem. Peço desculpa interrompê-la, mas é para darmos este contexto aos ouvintes.
Sim, senhora. Sim. É óbvio que o que está, digamos, imediatamente à vista são as enormes assimetrias sociais e os ordenados baixos em relação aos quais é necessário que os executivos iniciem a olhar objetivamente para a necessidade de aumentar. É urgente aumentar o ordenado mínimo nacional. É urgente nós iniciarmos a compreender, digamos, a alta desumanização que é o indivíduo auferir € 600 ao mês, € 800 ao mês, e estar oito horas, 11 horas.
A trabalhar.
Sim.
Essa é, aliás, uma das bandeiras do LIVRE, precisamente.
É isso mesmo, do aumento do salário mínimo.
Do salário mínimo nacional. Para que nível é que propõem que o salário mínimo seja colocado?
Nós consideramos que um ordenado mínimo nacional precisa de ser um ordenado mínimo que esteja acima dos limites da sobrevivência. Portanto, um ordenado mínimo de € 900.
€ 900.
Que é o salário médio nacional. Ganha-se mais ou menos isso em média pelo país. Deixe-me só começar agora pelo início, voltando àquilo que se calhar era o início da nossa entrevista, se não estivéssemos agora a viver esta questão da crise dos motoristas. Por que escolheu o LIVRE para se candidatar?
Número um, porque eu olhava para a Assembleia da República, eu olhava para os nossos ministros e secretários de Estado, etc., e não me reconhecia minimamente.
Nos outros partidos, então?
Nenhum.
Nem no Bloco de Esquerda? Deixe-me perguntar isto, porque ideologicamente o LIVRE está mais próximo do Bloco de Esquerda. Aliás, Rui Tavares foi líder do Bloco de Esquerda, foi um dos dirigentes do Bloco de Esquerda, foi eurodeputado pelo Bloco de Esquerda, depois houve ali uma cisão, saiu, mas há ali uma gênese comum, ideológica.
Mas há especificamente no que diz respeito à retórica.
À retórica, apenas. Uma retórica comum que é sua também?
Não, que é obviamente uma retórica de defesa das minorias étnico-raciais, dos mais humildes, dos mais pobres e por aí fora.
Isso leva-nos à nossa segunda pergunta.
Mas isto não era óbvio nos elementos e na proposição dos candidatos.
E isso leva-nos à outra pergunta que é inevitável fazer, para quem não nos está a ver. Se a Joacine fosse branca, eu não estava a dizer isto, mas a Joacine é uma mulher negra e é a primeira cabeça de lista negra e mulher a umas eleições legislativas. Isso vem em linha de conta com o que falava da questão das minorias étnicas e raciais, mas não teme ser usada como trunfo exatamente por causa disso?
Eu iria eventualmente ser usada se não existisse algo que são eleições que há no meu partido. Portanto, não é uma direção que opta pelo candidato. São os candidatos que concorrem.
Que são escolhidos.
Podem ser escolhidos.
É um sistema diferente dos outros partidos.
É isso mesmo, mas não unicamente pelos nossos militantes, mas igualmente por qualquer indivíduo.
Ah, por fora também?
Exatamente.
O processo do LIVRE é aberto.
Enfim, aconteceu isso uma vez no Partido Socialista com a eleição de António Costa. Mas continuando ainda na questão racial. Somos um país racista?
Obviamente.
Sente isso todos os dias?
Não há nenhum país com enorme e impactante passado colonial.
Que não mantenha as sequências daí.
Exatamente. E especialmente isto aqui. Olha-se para a época colonial como se fosse algo há 90 anos, foi unicamente há 40.
Não é passado ainda.
É isso mesmo.
Mas sente que, apesar de tudo, há uma evolução no bom sentido em relação ao racismo na sociedade portuguesa ou não?
Há.
E sente isso na pele, no seu dia a dia?
Sim, há. Mas há especificamente no que diz respeito à melhoria da legislação que se vai fazendo. Mas é óbvio que há uma invisibilização enorme e há um silenciamento enorme das minorias.
Essa é a principal bandeira que tem para esta eleição?
Não.
Então qual é a sua principal bandeira?
É óbvio que eu sou uma candidata, que é uma ativista feminista e uma ativista antirracista. Mas normalmente eu dou uma ênfase enorme a isto. Eu antes de ser uma ativista antirracista, eu sou especialmente uma ativista feminista intersexual. E eu acho que não há nenhuma iniciativa para a igualdade, políticas da igualdade.
Que não tenham que passar por aí também.
Tenha estas intersexualidades da origem dos indivíduos, das enormes desigualdades financeiras, econômicas, e assim sucessivamente. E a minha bandeira é justiça social. E isto está relacionada com a justiça ecológica.
Joacine Katar Moreira, cabeça de lista pelo LIVRE às eleições legislativas neste Direto ao Assunto. Muito obrigada por ter aceitado o nosso convite e por ter vindo às manhãs 360.
Obrigado.
Com licença.
Quatorze minutos para as 9:00. É altura de sabermos como anda o mundo. Carla Jorge Carvalho. Menos grevistas esta manhã em Aveiras de Cima, horas depois do governo ter decretado a requisição civil, o Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas acusa o governo de prepotência. São cada vez menos os motoristas presentes nos piquetes da greve. O PCP considera que a requisição civil cria graves limitações no direito à greve. O CDS concorda com a decisão do governo. Volta a falar na necessidade de discutir uma alteração à lei da greve. Três ministros foram ontem aos três canais de televisão para dizer que o não respeito pela requisição civil pode levar ao crime de desobediência. O Porto joga hoje a segunda mão da terceira pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. Depois de uma vitória por 1 x 0 na Rússia, os azul e brancos procuram defender esta vantagem e seguir para a próxima fase. Carla Jorge Carvalho com as notícias no Observador. Às 9:00 voltamos a atualizar toda a informação aqui no Observador, aconteça o que acontecer. 13 para as 9:00, a caminho da hora certa. Agora com o Massiga Wig, FKJ. Esta chama-se "Tadow". Bom dia, boa terça-feira.
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