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Maria, sabes que com esta barriga foi mesmo difícil acompanhar a Moda Lisboa.

Sim, Margarida, eu compreendo, mas a verdade é que enquanto tu estavas a descansar depois do almoço, a Sara Mendini estava a desfilar com uma barriga tão grávida quanto a tua para Duarte Algie.

Está bem, mas ela é modelo e modelo é sempre modelo.

"Do Avesso", um podcast sobre moda com Margarida Brito Pais e Maria Ramos Silva. Com bebês ou sem bebês a caminho, é um facto, isto é um pouco cansativo, não é? São dias muito intensos.

Muito intensos, mas sabes o que é que ajuda? É ter uma banda a tocar ao vivo. Aliás, como aconteceu no desfile em que a Sara desfilou.

É verdade, ajudou e muito, eles foram ótimos. Um dos melhores momentos também foi a apresentação de Portuguese Soul. O calçado português brilhou nos pés de um elenco de bailarinos incríveis, numa performance cheia de energia com coreografia da Beatriz Mira. Olha, aquilo valia a pena ter sido visto cá fora, assim mesmo num grande palco. A banda sonora teve Kraftwerk, até o nosso Carlos Paião com "Pó de Arroz", que pôs toda a gente a cantarolar.

Claro, quem resiste? Ninguém. Mas de facto, a forma como nós apresentamos, ou os designers, neste caso, apresentam as coleções, tem imensa influência. É verdade que o modelo desfile é a fórmula que geralmente é a clássica e que resulta sempre, mas tens outras fórmulas. Olha, a Constança Entrudo, por exemplo, optou por receber a imprensa no ateliê dela, onde mostrou de forma mais detalhada o seu trabalho têxtil, sobretudo aqui à imprensa internacional, que talvez não esteja tão a par das técnicas desenvolvidas pela designer.

Sim, vários designers com identidade já bem cimentada sentem que por vezes os formatos alternativos ou mais restritos acabam por funcionar melhor. Preferem dar prioridade ao seu núcleo de clientes, à comunidade mais próxima, que valorizam o processo e, sobretudo, investem nele, que é o mais importante depois no fim de contas.

Claro. E obviamente, isto implica um esforço da plataforma que organiza um bocadinho maior, até por uma questão de calendário, de deslocações. Mas para quem vai à Moda Lisboa todas as edições, como nós, às vezes sabe bem também ter aqui uma coisa diferente.

É verdade. Olha, foi o caso da Behen também, que fez uma apresentação em contexto também mais restrito, só por convite no espaço da Brotéria, que replicou muito os antigos desfiles de alta-costura, um pouco como ela já tinha feito no terraço do MUDE na última edição, com as manequins a entrarem com o número do look, mesmo à antiga e o público a registar ali os seus preferidos com um lápis. Quem também impôs o seu ritmo muito próprio foi a Lídia Kalou Vrate, que trouxe uma dimensão mais performativa para o desfile, tudo ali desconstruído no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian e com uma bela coleção logo ali na sexta-feira.

Sim, a coleção era muito bonita.

Eu gostei muito.

As peças mais estruturadas foram aquelas-

E a apresentação também, aqueles casulos, aquilo tudo foi muito interessante.

Olha, eu também gostei muito da Barbara Atanásio, que tinha um trabalho de denim superinteressante, as gangas estavam muito bem feitas. E uma coisa que achei interessante é que ela fez moldes femininos, ou seja, um fitting mais feminino apresentado em homem. Normalmente, quando tu pensas em coleções que podem ser unissexo, é sempre a coleção de homem que é os fittings mais largos de homem apresentados a mulher. E neste caso, tinhas assim umas belas calças à boca de sino, por exemplo, e umas cinturas desfiladas apresentadas na parte masculina da coleção e isso foi bastante interessante. E apresentou também a Ardnes, que eu gosto imenso do trabalho da Ana Rita. Ela trabalha muito bem as misturas de materiais, sobretudo o couro e as camurças, que ela tem desenvolvido aqui ao longo das últimas coleções. E depois também tem um trabalho enorme de rotação de pinças que vias nas camisas. E isso nota-se muito que há ali um trabalho de experimentação na coleção. Vê-se que é uma miúda, uma designer nova que ainda está nessa fase de experimentação. E os coordenados, que a frente era opaca e as costas eram transparentes ou vice-versa, também gostei muito.

É interessante. Olha, nesta edição mais recente do "Sangue Novo", eu creio que também se notou um pulo enorme na qualidade dos jovens designers. As vencedoras foram a Ariana Eurique, com as suas referências ao futebol, ali uns casacos ótimos, que dava para usar já, se assim fosse possível. E a Mafalda Simões, com um trabalho também superapurado no tricô e no crochê. Aliás, eu creio que ela estagiou com a Constança Entrudo, portanto, nota-se ali também essa base.

Também na plataforma Workstation tiveste coisas muito interessantes, assim de forma geral.

Sim, tu já falaste aí da Barbara Atanásio. Eu concordo, estou cada vez mais fascinada também com o Sal Funk. Eu acho que ele trabalha de uma forma superinteressante, habitualmente com figurinos, nomeadamente com o Chapitô.

É teatral.

Sim, isso nota-se obviamente na apresentação, essa dimensão performativa da roupa. Nós estamos sempre num ambiente assim meio shakespeariano. Podíamos estar no Hamnet, olha. Podíamos estar no palco, ali no meio do Hamnet, com aquelas longas vestes, golas, isabelinas, os folhes, as mangas exuberantes, mas ao mesmo tempo, eu acho que ele vai conseguindo equilibrar esse lado criativo com o wearable. Ou seja, tudo aquilo que na verdade, depois pode e deve ser vestível com, neste caso, a bomba sino, os veludos, ainda a lã, o burel. E eu acho que aquilo tudo acaba por resultar também para o dia a dia.

Exatamente, mantendo a sua imagem muito própria. Quem também tem uma identidade cada vez mais marcada é a Francisca Nabil, que apresenta uma imagem muito distintiva, muito girly. É muito fácil perceber que uma peça é da autoria da jovem criadora, mesmo que tu não gostes do estilo, tu vês um casaco dela e percebes que é dela, vês um trabalho de malhas e percebes que é dela. E além disso, já tem uma comunidade em torno dela, que a mim me faz lembrar um bocado o buzz que o Gonçalo Peixoto começou a gerar quando começou a desfilar.

E que mantém.

E que mantém, portanto, acho que ainda vamos ouvir muito falar da Francisca. Sabes quem é que me surpreendeu também? Foi a Rosalina e Silva.

Pois.

A designer que é sobretudo conhecida pelo seu trabalho com o pano africano, mas que nesta coleção apresentou tudo em branco e preto, peças super bem feitas, estruturadas, com desde fatos a roupa de um tipo mais cocktail.

Para usar.

Portanto, foi uma boa surpresa.

Sim, e uma fidelização interessante das clientes. Porque se nota que há ali um público que vai, é convidado e se interessa, mas depois compra. E essa parte é determinante. Por falar em fidelização, Margarida, anda tudo louco a comprar roupa em segunda mão na Humana. Só por isso há bons achados, e esse esforço para um consumo mais circular, ainda que depois haja ali umas coisas mais "shady", como costumamos dizer. Mas melhor ainda, o Dino Alves pegou em peças destas lojas e reinventou-as no exercício de upcycling, que eu gostei muito. Todo aquele arranque foi muito giro. Acho que dava para usar tudo.

Tinha propostas novas, os cortes a laser, tinha assinaturas dele. Mas aqui com esta mistura de tecidos.

Incrível.

Interessante. Aliás, ele depois acabou por apresentar uma segunda parte da coleção que, a meu ver, acabou por ficar um bocadinho ofuscada por esta primeira parte.

Que foi muito interessante.

Foi superinteressante. Depois tivemos Luís Carvalho, que tem sempre propostas muito bem confecionadas, que é uma coisa importante, que eu pelo menos dou bastante importância.

Importa, sim.

É essa parte. E não é só isso, é porque ele apresenta sempre blazers, calças, tudo muito bonito, mas tem também um trabalho de modelagem interessante. Tu tens pinças, tens bolsos extras, tiveste dois trench coats incríveis, oversized, mas depois aquilo assenta super bem.

Aquelas coisas que às vezes passam despercebidas, mas que são fundamentais.

Há um misto de alfaiataria para o dia a dia, mas com um twist de design de autor.

Não é só mais um casaco.

Exatamente. Não é só alguém que executa bem smokings e aquilo poderia ser uma coisa de fábrica. Não, tu vês que há ali uma assinatura de designer, apesar de serem coordenados para o dia a dia. Portanto, gostei muito. E gostei muito dos acessórios, sobretudo. Não sei se tu reparaste, havia um rapaz que entrou com uma gravata metalizada, de metal mesmo rígido, cravejada com aplicações brilhantes. Achei muito interessante.

Que maravilha. Margarida foi quem encerrou a Moda Lisboa, mas antes disso ainda tiveste de esperar por uma noiva.

Por uma não, por várias.

Por várias.

Por várias noivas, porque o Nuno Baltazar apresentou a sua primeira coleção de noivas, assumidamente só de noivas. Portanto, aquilo foi uma sucessão de vestidos brancos, com propostas desde o mais clássico até ao mais diferenciador. Não faltaram as rendas, os chiffons, os drapeados.

E depois também cor, ele fez um styling com colas cor-de-rosa.

Fez, um styling com colas encarnadas, com as luvas. Os véus iam a tapar a cara. Aquilo foi na verdade muito performativo, mas tu tinhas ali vestidos que davam para todo o tipo de noivas. Aliás, para as que se queriam casar e para as que não se queriam casar.

Também interessa.

No final do desfile, elas foram mesmo ao microfone, umas diziam que sim, outras diziam que não. Agora, só teve para mim ali um pequeno problema, que tem a ver com o tipo de apresentação. Era uma apresentação super performativa, ao som de violinos. Só que o problema é que nós tivemos muito tempo à espera para entrar. Portanto, não sei se depois aquela onda mais pesada ajudou a termos algum ânimo.

É porque depois quando a pessoa já está no casamento, já não está com grande vontade. Isso acaba por ser um handicap, é verdade.

Noivas também tivemos nos Oscars, não foi?

Sim, nesta altura era isso que eu ia dizer. Eu já andava necessariamente de volta dos Oscars, portanto é o que é. Isto depois é uma superposição de agenda que é complicada. Mas também se sentiu aí, de facto, muito o espírito bridal.

Deve ser do Pantone do ano.

É provável. Eu acho que eles estão a levar as coisas a sério, é verdade. Depois do preto, o branco. A verdade é que nós quando falamos de passadeira vermelha e logo nos Oscars, falamos necessariamente de moda, e cada vez mais. E eu até sinto que vivemos tempos peculiares. Não sei se estás comigo, mas deixa-me desenvolver aqui esta ideia. Por um lado, vemos um duelo cada vez mais cerrado entre os dois principais gênios criativos deste tempo, o Jonathan Anderson na Dior e o Matthew Blasio da Chanel, mas depois eu também vejo ali algumas coisas que não sei se serão muito favoráveis a longo prazo.

Bem, esse duelo, na verdade, é um duelo longo. Os próprios fundadores dessas casas de moda eram arqu inimigos, por assim dizer. Aliás, é nesse contexto de rivalidade que surge o perfume Chanel Number Five. Porque andava tudo louco a comprar o New Look da Dior, e a Gabrielle Chanel teve que arranjar ali uma estratégia para recuperar clientes e portanto, decidiu lançar um perfume, que foi uma coisa muito inovadora para uma casa de moda. E já que falas disso, nestes últimos dias, por falarmos aqui em Chanel, também tu viste bem a loucura das filas?

Sim, quando nós estávamos nas filas para os desfiles, havia pessoas nas filas para a Chanel.

Aquilo parecia os saldos da Zara.

Pois é.

Quer dizer, quem der, azar.

Sim, quem der, azar, exatamente. Olha, mas esse frenesi tem subido de tom. É interessante ver este duelo atual, de facto, entre estes dois pesos pesados da moda, que são dois gênios indiscutíveis. E claro que chega às red carpets, mas ao mesmo tempo, eu também temo, e era aí que eu queria chegar, que vá limitando as possibilidades de exposição de marcas, por um lado, mais emergentes. E na verdade, afunilando o resultado final.

Ou seja, tu achas que anda tudo muito bem vestido e que faltam aqui alguns looks maus. Estás com medo?

Eu não queria chegar tão longe, não é que queira ver looks maus. Aliás, os Oscars pedem elegância e foi isso que aconteceu de uma forma geral, porque é difícil aparecer pessimamente com Chanel ou Dior. Convenhamos, é preciso tudo falhar redondamente para a pessoa estar no chão.

Mas há menos risco.

Sim, é isso. Eu acho que é sobretudo isso. Há cada vez mais dinheiro em jogo, numa aparição destas. E as marcas, os atores não querem falhar de todo. Não se querem dar ao luxo de falhar. É por isso que de ano para ano se sente que o trabalho de styling é também cada vez mais exaustivo e meticuloso.

Completamente. Eu acho que a internet também vem contribuir muito para este medo de falhar. Porque as críticas hoje em dia são tão rápidas, um mau look viraliza tão depressa, que é muito arriscado tu ires com o vestido errado, porque de facto é muito fácil tu ganhares um rótulo nas redes. É que antigamente as coberturas era tudo papel. Portanto, enquanto a revista estava na banca, toda a gente dizia que tu foste mal vestido. Depois aquilo saía de banca e a coisa mais ou menos que passava.

Aliás, tu nem sabias. Para adivinhares o nome do designer, aquilo era uma dificuldade. Nós hoje sabemos ao minuto quem é que está a vestir o quê.

Sim, exatamente. E sabes até a história, se copiaste, se houve alguém que veio igual.

Se já foi usado quantas vezes.

Portanto, é de facto uma escolha difícil. Lá está, os stylists são fundamentais e esse trabalho vê-se sobretudo, sabes onde? Eu acho que é naquelas escolhas que tu nem achas tão bonitas, mas depois vais ver e aquilo, de facto, acaba por resultar com a pessoa que está vestida.

Sim, aliás, por exemplo, mesmo a Chloe Zhao, que surgiu de uma forma impactante, tipo Viúva Negra, com aquele véu negro em cima dela. A verdade é que se tu tirares aquela nota mais cénica, e mesmo mantendo essa nota mais cénica, o look, que é da Gabriela Hearst, é ótimo. É muito bom e aquilo funciona com ela.

Sim, outro bom exemplo é a Tyeana Taylor, que também tem uma onda muito particular. Eu não gosto muito desta palavra, mas acho que é o melhor descreve, que é um bocadinho arruaceira.

É sim, com ganas.

Assim rebelde, com vontade, uma miúda que desafia tudo e escolhe sempre coisas um bocadinho extravagantes, mas é tudo muito controlado. Tu percebes que aquilo está sempre ali no limiar de cair no vulgar, mas nunca cai para o lado do vulgar. Além disso, é inegável que ela tem um olho apurado para isso das modas, até porque anda por aí a circular um vídeo dela na Semana de Moda de Paris a filmar os looks que efetivamente estava a usar.

Já estava em prospecção, já estava a fazer o trabalho de casa. Muito bem.

Tu vês que existe sim um stylist para ajudar, mas ela própria tem uma consciência do seu corpo.

Isso é muito interessante. Que nem toda a gente tem.

Praticamente, nem toda a gente tem. Por isso é que também resultam aqui bem as coisas nela. Também houve escaparates que ela usou antes, que só ela é que podia usar aquilo.

Sim, pois ela tem atitude, de facto, tem um corpaço, tudo aquilo funciona. Olha, os vestidos também acompanham muito, normalmente, o tipo de protagonismo que esperas ter na noite, ou aquilo que te está mais ou menos destinado. A Jesse Buckley já era mais ou menos uma pré-vencedora. Esteve em Chanel, com muito bom ar, para receber o seu Oscar de melhor atriz, inspirando-se em Grace Kelly, portanto tem sempre ali uma grávida extra. Lá está, mas um look muito previsto para esta situação. Da mesma forma que a Jennifer Lawrence esteve em modo oscarizável com aquele rosa pálido com que subiu ao palco, há anos, ou a própria Gwyneth também, que sentiu aqui esta necessidade também de seguir o tom, criando assim um look que é muito bonito e que fica depois para sempre. Que é o que vai ficar nas fotos.

A Paltrow que voltou à carga este ano, com um vestido que engana bastante, porque de frente parece que está assim em modo recatado e idolátrico, depois ela vira-se de lado e é completamente transparente. Aliás, aquilo está tão bem feito que houve pessoas na internet a acharem que de facto havia uma abertura, que era a seda que abria, sem nada. Mas não, meus senhores, aquilo tem uma rede cor de pele, até com brilhantes. Portanto, está tudo agarradinho. Ela não ia ficar sem o vestido, não havia perigo.

Mas pronto, um pouco menos Oscar quality. Olha, eu também adorei o casaco Dior da Amy Madigan, que venceu para atriz secundária. Também é um Dior com aquele efeito de penas, ela que esteve assim lindamente. Uma coisa mais clássica com calças, mas lá está, com uma peça que faz a diferença, que marca o momento.

É uma forma também de evitar, porque calças sob um casaquinho.

É desconfortável. Eu acho que é, de facto, importante teres gostado daquilo que é a tua personalidade e a forma de estar.

Olha, quem foi devidamente tapada também com um casaco, mas lá está, tem a ver com a personalidade, porque ela anda sempre de casaco, foi a Anna Wintour, que teve um momento ótimo em palco com a Anne Hathaway, sobre o "Diabo Veste Prada 2", em que a atriz lhe pergunta o que é que ela acha do vestido e ela ignora olimpicamente e diz: "E os nomeados são..." E portanto, tornou-se completamente viral.

Sim, está aí quase a estrear, portanto 20 anos depois as pessoas devem estar muito entusiasmadas por este regresso. Olha, a Anne Hathaway, eu devo confessar, tem conquistado o meu coração com o tempo. Não era assim das pessoas que mais me entusiasmasse em termos de escolhas de moda, mas estava muito bonita no seu Valentino, todo florido com umas luvas, um ar muito dramático.

Estava incrível, de facto, e com umas joias super bonitas. Mas devo-te dizer que ela publicou um vídeo da preparação em que tinha pelo menos oito pessoas a ajudar, porque ninguém acorda com aquele glamour todo. Depois, também gostei muito da Demi Moore, que estava em Gucci com penas, mais penas, uivamesas penas.

Era difícil não reparar.

Era difícil não reparar. Mas para mim o Oscar de melhor vestida vai para a Rose Byrne em Dior. A atriz nos Globos de Ouro tinha vestido Chanel e desta vez foi para a Dior.

Lá está, esta dança de cadeiras é extraordinária. Também só é para alguns, nem toda a gente pode fazer esta transição de forma pacífica.

É verdade. Quem estava em Chanel era a Nicole Kidman, que também estava muito bem.

A Nicole não estava em Dior, ou estava? Estava em Chanel?

Estava em Chanel. A Nicole é embaixadora da Chanel e portanto isso também é uma coisa interessante, porque às vezes há pessoas que usam sempre a mesma marca e é exatamente porque são pagas pelas marcas, têm uma função dentro da marca de serem ou caras da marca, como é o caso, por exemplo, da Margot Robbie para a Chanel, ou então embaixadora. Portanto, existe aqui um compromisso também comercial. Isso também é importante aqui de desmistificar, porque às vezes não é só porque gostam muito.

Sim, mas ser obrigada a vestir Chanel não é propriamente uma coisa dura que a pessoa não consiga.

Não é um contrato.

Precise de ir depois tratar da cabeça.

E tu também gostaste muito de Mia Goth, não foi?

Sim, gostei. Eu acho que ela tem sempre aquele ar que parece que ainda está no Frankenstein. Não saiu da personagem, mas é uma coisa muito interessante. E depois tem ali um momento também na festa da Vanity Fair que eu acho que é engraçado. Aliás, até recupera ali muito aquela parte. É com Dior, eu acho que ela depois volta a Dior, vai ali buscar umas vibrações mais históricas muito interessantes.

E também estava bem para um casamento de festival.

Pois, é isso. Também estava, também podia dar essa nota.

O Chalamet também foi de noiva, com look branco da Givenchy, que não é dos melhores, mas também ele já deu muitos tiros ao lado e também já gastou.

Teve momentos bons, mais de moda, mais excêntricos, mas eles lhe trarem bem.

Já usou as cores todas, portanto, acho que o que lhe sobrava era mesmo o branco.

É o branco, é o Pantone. Já o Pedro Pascal, eu acho que esteve muito elegante naquele look também em Chanel, com um pormenor exuberante, uma flor sobre a camisa branca, sem blazer. E olha que é preciso ter muita pinta para poder deixar o casaco em casa e mesmo assim ser levado a sério num contexto destes.

Mas isso pinta ele tem pra dar e vender.

Mas não é para todos, de facto. Podia ficar a imagem que faltava ali qualquer coisa, mas ele aguenta a coisa.

Já sei que tu gostaste da Emma Stone, mas sabes que eu tenho um problema com a Emma Stone. Lá está, que usa sempre Louis Vuitton também, mas eu acho que ela tem um problema a escolher cores. Aquilo é sempre ao lado.

Eu concordo com isso. A questão é que é um daqueles vestidos que não conta uma história extraordinária, mas é um clássico que eu acho que vai parecer bem em qualquer altura quando tu estiveres a ver os álbuns antigos dos Oscars, mesmo daqui a mil anos, quando aquelas criaturas do Bugounga invadirem a Terra, acho que não vamos achar que a Emma Stone estava mal vestida. Mas depois pôr um pouco mais de cor, também uma cor mais lavada, mas é interessante. Eu não desgostei da Felicity Jones naquele amarelinho Prada. Acho que também foge aos brancos com alguma graça. E para um preto confortável, elegante, e que ao mesmo tempo também não dá bocejos, temos sempre a Maya Rudolph, mais uma vez em Chanel. Eu também gostei e também achei que tinha a ver com ela. Acho que tinha tudo a ver.

Conclusão, estavam todas bonitas.

Olha, Marida, vamos já terminar pra não estragar, porque é mesmo isso. Até para a semana.

Até para a semana.