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O Presidente da República, António José Seguro, manifestou expectativa de que se realizem mais reuniões sobre a habitação entre os partidos e o Governo, recusando que “tudo se resolva” esta quinta-feira e voltando a saudar a existência de diálogo.

“Eu julgo que nós devemos esperar, devemos esperar pelo que vai acontecer quer na reunião desta quinta-feira, quer nas seguintes. Quer dizer, não tenho nenhuma expectativa de que tudo hoje [quinta-feira] se resolva”, afirmou António José Seguro aos jornalistas em conferência de imprensa após o final da 30.ª Cimeira Ibero-Americana, na Galeria das Coleções Reais, em Madrid.

O chefe de Estado foi questionado sobre se a Presidência da República teve alguma intervenção na mudança de atitude da polícia nas manifestações pela habitação e respondeu: “A Presidência da República, e designadamente o Presidente da República, age quando deve, como deve, umas vezes com a discrição, outras vezes com a nota pública daquilo que está a fazer”.

“Para o Presidente da República o que é mais relevante é que, como ontem [quarta-feira] tive a oportunidade de sublinhar, os partidos e o Governo, o Governo e os partidos, estejam em condições e tenham disponibilidade para dialogar com o propósito de encontrarem soluções para resolver os problemas concretos das pessoas e, neste caso, da habitação”, sustentou.

Seguro recusou pronunciar-se sobre as críticas da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), que acusou o Governo de “instrumentalizar a ação policial” nos protestos pela habitação e “expor os operacionais no terreno a situações extremas”, lamentando a “intromissão política”.

Ainda sobre as reuniões acerca da habitação entre o Governo e os partidos, que começam nesta quinta-feira, Seguro reiterou que “não há nenhuma razão para que a democracia, os partidos e os líderes partidários não falem uns com os outros, o Governo com os partidos, os partidos entre si”.

“Nós devemos transformar isto, não numa raridade, mas no normal, porque é assim que as democracias adultas e consolidadas funcionam, porque a política tem uma função e os partidos exercem em concreto essa função, que é a de resolverem os problemas concretos das pessoas”, declarou.

“Isto parece uma coisa simples e é uma coisa simples, porque é que não se faz o mais simples na nossa democracia?”, questionou.