Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Os ataques informáticos são cada vez mais uma realidade que importa prevenir e é aqui que entra a ferramenta Pandora, que pretende contribuir para o fortalecimento da capacidade de defesa cibernética da União Europeia.
E para nos ajudar a compreender melhor como funciona esta ferramenta, convidámos António Pinto, é um dos investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores: Tecnologia e Ciência, que estão envolvidos neste projeto europeu. António Pinto é também professor da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria. Muito boa tarde, António Pinto. Começo por lhe perguntar como é que funciona este sistema, o Pandora, desenvolvido na STG.
Boa tarde. Em primeiro lugar, gostaria só de dizer que o Pandora ainda não está desenvolvido. Portanto, este é um projeto de investigação que vai iniciar, em princípio, agora em novembro, em que nós pretendemos, ao longo dos próximos dois anos, desenvolver esta plataforma que deverá, se tudo correr bem, estar concluída no final desses dois anos.
Mas para que é que vai servir exatamente esta plataforma com este nome épico Pandora?
Qual é o propósito principal disto? É basicamente dotar a União Europeia de capacidade de defesa na parte do mundo digital, da internet. Essencialmente, a parte mais interessante que a gente pode encontrar aqui neste projeto é, de certa forma, uma capacidade distribuída, ou seja, pelos vários Estados membros envolvidos, pelos vários países da União Europeia, que terão essa plataforma em funcionamento. E depois, nos vários sistemas dos vários Ministérios de Defesa e das próprias instituições onde isto se colocar em funcionamento, vamos ter os vários computadores de toda a gente que vão recolher dados e que poderão eventualmente identificar ataques informáticos.
E, portanto, para quem nos está a ouvir, para compreender tudo isto, este é um projeto que envolve muita gente, são 15 parceiros, são sete países. E como é que será testado exatamente, António Pinto?
O funcionamento normal disto é nós produzirmos o projeto em conjunto. Tipicamente temos reuniões de três em três meses e trabalhamos em tarefas específicas e depois com parceiros por tarefas que são mais pequenas. Por exemplo, no nosso caso em particular, nós somos líderes de uma tarefa, que é a tarefa de privacidade de dados e de anonimização, nós e INESC. E depois temos mais dois ou três parceiros que vão trabalhar connosco naquela tarefa. E depois nas reuniões, onde há, se quisermos, reuniões em assembleia, onde se juntam todos os parceiros, fazemos o cruzamento da informação e a complementaridade das tarefas entre os vários parceiros. Portanto, é um trabalho, se quisermos, que é feito de facto em contínuo por todos em conjunto.
E já há cenários de teste traçados?
Já, temos dois previstos. Um deles é basicamente um navio de guerra. Por que um navio de guerra? Porque, na prática, um navio de guerra tem, de facto, muita tecnologia e muitos sensores e é necessário que ele opere tudo de forma coesa, desde os sistemas de armamento, a navegação do próprio navio e a gestão e a operação do próprio navio. E pode ser alvo também, de facto, de muitos tipos de ciberataques, quer de impedir que o navio tenha comunicações para fora, porque se baralham os sinais de rádio, quer ataques via drones dirigidos para as redes de comunicações wireless que existam no navio, quer injeção de vírus, se quisermos, dentro do próprio navio por uma pessoa mal-intencionada. Portanto, este será um dos cenários onde nós queremos implementar a solução para detetar este tipo de problemas e reagir na hora. E depois o outro cenário será redes de sensores militares. Onde é que se aplicam estas redes de sensores? Essencialmente, sempre que há uma ação militar, se quisermos, temos quer as armas, quer câmaras de filmar, quer drones, quer um conjunto de equipamentos que comunicam entre si criando uma pequena rede. Como é uma rede de comunicações normalmente sem fios que compõe aquele pequeno grupo, poderá ser alvo de ataques. Então o nosso objetivo é também detetar ataques nesse cenário de referência.
António Pinto, e tudo isto conta com o financiamento da Comissão Europeia?
Sim. Isto, na essência, não é um projeto europeu de investigação como os tradicionais, porque há aqui uma relação de financiamento também com o Ministério de Defesa dos países envolvidos. Portanto, o financiamento não é todo da União Europeia, mas há uma porcentagem, é 70% da União Europeia, 30% os Ministérios de Defesa dos países envolvidos no projeto, de forma que haja, de facto, um interesse e um compromisso com o projeto. E, portanto, o financiamento é repartido.
E, portanto, estão aí dois anos de muito trabalho que vamos também acompanhar. António Pinto, agradeço-lhe ter estado connosco. É um dos investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores: Tecnologia e Ciência, que estão envolvidos neste projeto europeu para criar essa ferramenta contra ataques informáticos, ferramenta que se chama Pandora e que será desenvolvida nos próximos dois anos num projeto que tem 15 parceiros e estão envolvidos sete países. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.