Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Vai voltar a chuva a todo o país. Chuva essa que vai ser mais intensa a partir da tarde, a norte e centro, e as temperaturas vão também diminuir. Amanhã Aveiro terá 19 graus de temperatura máxima, Porto e Lisboa vão chegar aos 20, Braga aos 22 e Faro aos 24. E parece que melhorias são mesmo a partir de domingo. Falamos de ciência e, neste caso, sobre uma tecnologia que pode ajudar a compreender algumas doenças e esperamos acelerar também tratamentos. Uma equipa de cientistas do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa e da Universidade de Oxford desenvolveram um mecanismo chamado Point e que permite compreender melhor o nosso ADN e ARN, ou na sigla em inglês e que estamos, se calhar, mais habituados a ouvir falar dele, o RNA.

E quem nos pode explicar isso também é Rui Sousa Luiz. Ele que nos vai falar também desta tecnologia e dessa importância também para a investigação dos cientistas portugueses envolvidos neste mesmo trabalho. É também aluno do doutoramento no grupo liderado pela professora Maria do Carmo Fonseca, no Instituto de Medicina Molecular. Muito boa tarde, Rui Sousa Luiz. Todos estão já familiarizados com esse conceito de ADN, pelo menos a maioria, mas o que é afinal este ARN e qual a função no organismo?

Olá, muito boa tarde. Antes de mais, gostaria de agradecer o convite e a oportunidade de poder partilhar o nosso trabalho. Então, a informação que as nossas células necessitam para o seu correto funcionamento está nos nossos genes, nas moléculas de DNA ou ADN. Direi DNA, que estou mais habituado a dizer no dia a dia, que bem falou, e estão dentro do nosso núcleo. Mas a molécula de DNA por si só é silenciosa, no sentido que não atua diretamente nos processos biológicos e a informação nela contida precisa de ser comunicada ao resto da célula. Essas falas fazem-se através exatamente destas moléculas de RNA. Existem maquinarias especializadas nas nossas células que transcrevem a mensagem presente no DNA, pré-RNA, e que mais tarde é enviado para fora do núcleo e traduzido em proteínas. Portanto, o RNA de facto é vital para os seres humanos no sentido em que é a molécula responsável pela comunicação de informação genética dentro das nossas células.

E, portanto, o que vocês querem descobrir ou traduzir, Rui Sousa Luiz, é essa linguagem. Como há pouco dizíamos, é esse mecanismo de interpretação da linguagem das células.

Exatamente. Isso é o que nós queremos perceber. É esse momento que estamos interessados. É na passagem da informação de DNA para RNA.

Porque quando essa informação falha, essa linguagem falha de alguma forma, pode dar origem a determinadas doenças e, portanto, compreendendo essa linguagem de forma correta e aquilo que falha, podemos também compreender melhor essas doenças e acelerar às vezes ou criar aqui novas formas de tratamento.

Exatamente. Tal e qual isso. Ou seja, há um conjunto de mecanismos envolvidos, não só na transcrição, na síntese, na passagem desta transmissão de DNA para RNA, mas também um conjunto de mecanismos envolvidos no processamento do RNA, que é vital depois nesta transmissão de informação para o resto de toda a célula. Não só a síntese, mas também o processamento. E é muito nisso que nós focamos, na síntese e no processamento do RNA.

E Rui Sousa Luiz, estamos a falar de que doenças, e já agora aproveito também para lhe perguntar. Enfim, nós falamos aqui da questão do acelerar de tratamentos, mas é também possível que este processo todo ajude a prevenir determinadas doenças?

Sim. Antes de mais, aquilo que nós fazemos é uma ciência muito fundamental. Não descartamos aplicar isto a doenças, mas baseamo-nos muito, e estamos bastante interessados, na parte fundamental, perceber os mecanismos biológicos. Por quê? Porque se os entendermos, conseguiremos de forma muito mais eficaz entender também as doenças. E há, de facto, uma fração delas cuja causa advém do processamento errado do RNA. E nesta tecnologia que nós desenvolvemos, no Point, conseguimos entender estas tendências ao nível do processamento e avançar mais tarde com formas inovadoras de corrigir estes efeitos. Até porque muitos destes erros têm uma relação direta com certas mutações no DNA, que é possível traçar e entender essa correlação e poderá, de facto, levar à prevenção de algumas doenças. Sim.

Certíssimo. E como é que surgiu esta colaboração com a Universidade de Oxford?

Esta colaboração entre o grupo a que pertenço, de Maria do Carmo Fonseca, e do grupo de Oxford, liderado por Professor Nicholas Proudfoot, já vem há alguns anos. Desde 2015 que já temos esta colaboração. Já fizemos uma técnica também em comum, mas agora chegou o momento de fazer o passo seguinte dessa nanotecnologia, que nós chamamos de Point, que conseguimos olhar de uma forma mais eficiente, mais completa para as moléculas de RNA no preciso momento da sua síntese e processamento.

E tendo em conta que agora se abriu essa porta, o que é que falta daqui para frente?

A ciência é um mundo infinito.

Ou seja, falta quase tudo, como sempre.

Sim. Enfim, tudo o que nós descobrimos, no fundo, são alicerces para construir a pergunta seguinte. Nunca há uma resposta definitiva e final. Mas aquilo que nós já conseguimos obter com o Point é, de facto, inovador. Conseguimos com isto aprofundar mais sobre esta síntese, sobre o processamento do RNA, e é muito promissor com isto que conseguimos fazer mais perguntas e são bastante promissoras as respostas que nós conseguimos antever com esta tecnologia.

Muito bem, portanto, uma colaboração que vai continuar e nós vamos continuar também a acompanhá-la, a acompanhar esses resultados. Rui Sousa Luiz, agradeço-lhe ter estado conosco neste nosso espaço de ciência. É um dos cientistas envolvidos nesta investigação que desenvolveu esta tecnologia, que compreende essa linguagem das células tão importante para compreender também determinadas doenças, para acelerar tratamentos, também para as prevenir. Esta é uma investigação do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa e também da Universidade de Oxford. É uma parceria e foi sobre ela que falámos hoje na Ciência. E voltaremos amanhã, à mesma hora. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.