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"I came here to be the manager of Manchester United, not to be the coach of Manchester United. Eu vim para cá para ser o gestor do Manchester United, não para ser o treinador do clube. E isso está claro. Eu sei que o meu nome não é Tuchel, não é Conte, não é Mourinho, mas sou o gestor do Manchester United e vai ser assim nos próximos 18 meses ou até que a direção decidir mudar. Esse era o meu ponto. Quero terminar com isso. Não vou desistir. Vou fazer o meu trabalho até que venha outra pessoa para me substituir."
"I will do my job until other guy is coming here to replace me."
É a notícia que marca esta manhã e tarde de segunda-feira. José Mourinho já não é treinador do Manchester United. O técnico português deixa o cargo depois de 14 meses nos Red Devils. Nesse período, venceu apenas 24 dos 63 jogos. Fica pra história também 18 empates e 21 derrotas numa conferência de imprensa explosiva depois do empate frente ao Leeds. Mourinho explodiu e criticou tudo e todos, menos os jogadores da equipa. E esta é uma edição alargada de "O Campeão é" ao longo desta hora da Uma. Eu sou João Costa e Silva, estão comigo o Bruno Roseiro, o Gabriel Alves, o Pedro Henriques e também o Augusto Inácio. Bruno, vou começar por ti. Aliás, vamos socorrer do título do artigo que assinas hoje no Observador. Mourinho esticou a corda, criticou quase tudo e todos e marcou posição. Umas horas depois, foi despedido. Foi este esticar de corda e este marcar de posição que ditou o fim? Não tanto pelos resultados, porque também já passou aqui por fases mais complicadas do que esta que estava agora a passar.
Sim, eu diria mais. Se o United tivesse ganho em Leeds, estaria a um ponto do Liverpool, portanto estaria a um ponto dos lugares da Liga dos Campeões, estaria à frente do Chelsea. E mesmo assim, este era um cenário que não iria deixar de acontecer. E por quê? Porque na sexta-feira há um turning point que era perceptível de fora, mas provavelmente Mourinho só nessa altura é que percebeu em termos internos de que ele era apenas e só o head coach e não o manager. Pormenor curioso, o United, na nota em que dá conta do despedimento de José Mourinho, fala que se foi embora o head coach e não o manager, como ele reivindicou na conferência de imprensa depois do jogo com o Leeds. E qual é essa diferença? Ser um manager, obrigatoriamente, faz com que, mais do que ser treinador, ele também prepare aquilo que é o mercado de transferências. E José Mourinho sai do Sporting num contexto onde o Sporting não contratava o melhor médio ou o melhor avançado. Contratava o melhor médio dentro da ideia de José Mourinho e o melhor avançado dentro da ideia de José Mourinho. Iókeres chega a Alvalade e é um autêntico fenômeno durante dois anos, mas havia avançados que provavelmente teriam tanta qualidade como Iókeres, mas que nunca se iriam adaptar. E uma é outro desses exemplos. Quando José Mourinho, na sexta-feira, tem uma reunião com Jason Wilcox, que é o diretor de futebol do United.
E foi aqui o primeiro embate, não foi? O primeiro choque.
Acho que foi o primeiro e último. Porque Wilcox tocou nas únicas duas feridas onde não podia tocar. Um, falou na questão tática, ou seja, pergunta a José Mourinho se ele testou com algum sucesso, porque o United ganhou ao Newcastle uma linha a quatro, por que voltou outra vez às três centrais e empatou com o Wolverhampton? Portanto, aqui foi a primeira ferida onde tocou. E segunda ferida, tocou na questão do mercado, sendo que José Mourinho percebeu que não iria ter os reforços desejados. No meio disto tudo, há aqui também uma outra figura que se chama Omar Berrada, que é o CEO do United, que é provavelmente a pessoa que mais acreditou naquilo que José Mourinho vendeu em outubro do ano passado, quando ele estava ainda no Sporting, e tinha a ver com todo o projeto a médio e longo prazo, muito sólido e muito em torno de uma ideia e de uma identidade tática que ele fez questão de explorar. E o United comprou o pacote, não comprou o treinador, comprou o pacote. E de repente, Omar Berrada desaparece deste cenário e é o Wilcox que acaba por assumir outro protagonismo. Portanto, basicamente, aquilo que José Mourinho percebeu na sexta-feira antes do jogo com o Leeds era que o seu tempo no United tinha sido esgotado e aquilo que fez foi carregar a arma e dizer à direção: "Está aqui, está virada pra mim, só tem que disparar". Pronto, e o board do United demorou algumas horas a disparar e com a pontualidade britânica, de manhã já não era treinador do United.
Estavas a dizer se o resultado ontem tivesse sido diferente, se o United tivesse vencido, possivelmente não teríamos este cenário para já.
Não. Eu acho que haveria sempre.
Haveria sempre.
Porque esta explosão iria sempre acontecer. José Mourinho tinha de esticar a corda. Porque das duas uma, ou saía, como foi o cenário que aconteceu.
Mas podia estar mais confortável com uma vitória, ou seja, se tivesse vencido, o forçar essa corda podia até levar a um legitimar por parte dos adeptos de perceber que se calhar era mesmo preciso ou não.
Muito provavelmente ficaria com mais adeptos do seu lado na decisão. E por quê?
Quando olhamos, e de uma maneira muito pragmática, o plantel do United é muito abaixo dos outros que estão a lutar pelos quatro lugares.
E curto.
E é curto. Quando olhamos para Porto, Sporting e Benfica, isto é pensar o que é tirar os três principais criativos e tentar na mesma marcar gols. É isso que acontece com o United nesta altura. Não tem o Bruno Fernandes, não tem o Bebé, não tem o Amad Diallo. O Mount também está a recuperar, que podia ser uma mais-valia, e o único criativo que se consegue perceber que tem alguma imaginação chama-se Matheus Cunha. Isto não é desculpa para todos os resultados que têm. Os resultados de Rúben Amorim são fracos, são maus, não podem ser resultados de um treinador do Manchester United. Agora, aquilo que Rúben Amorim, com aquela conferência, tentou fazer foi mostrar que apesar de muitas vezes ter colocado a jeito para ser o culpado, ele é, sobretudo, vítima de um problema que se chama Manchester United, que é um problema estrutural e não conjuntural. Dessa forma, Rúben Amorim acaba por sair deixando essa mesma imagem. Ou seja, estão a reclamar muito do meu trabalho, mas se calhar o departamento de scouting, o diretor desportivo, também não fizeram o seu trabalho. Portanto, basicamente, sabendo que iria sair mais tarde ou mais cedo, deixou uma bomba em termos internos para resolver e parece-me que o Wilcox também pode não ter muito futuro no clube.
Veremos. Augusto Inácio, como é que olhas para esta conferência de imprensa explosiva de Rúben Amorim? Era inevitável, depois destas declarações, sair desta forma, não é?
Boa tarde a todos. Realmente, o Bruno tem razão. O Manchester United, interiormente e internamente, tem muitos problemas e não é só referido ao treinador. Agora, deixa-me dizer, desde a saída do Alex Ferguson, em maio/08 de 2013, o Manchester United teve nove treinadores, dois dos quais interinos. Teve David Moyes, Ryan Giggs, Louis van Gaal, José Mourinho, Solskjær, Michael Carrick, este interino, o Ralf Rangnick, também interino, Erik ten Hag e Rúben Amorim. Reparem numa coisa. O Manchester United, quando contratou Rúben Amorim ao Sporting, sabia perfeitamente bem qual era o sistema e qual era a forma de trabalhar do Rúben Amorim. Eles estiveram meses e meses a olhar e a verificar se realmente era aquele o homem certo para o lugar que eles pretendiam que tivesse sucesso. Mas isso não é só contratar o treinador, que agora ficamos a saber que o Manchester United contratou o treinador e o Rúben Amorim pensava que tinha sido contratado o manager, que é completamente diferente. Não sei se isto está no contrato. O que é certo é que há uma diferença enorme entre ser treinador e ser manager. E o que é certo é que depois contrata-se o treinador e agora entrega-se a pasta a este homem e ele vai resolver os problemas todos. Não resolve os problemas todos, porque o sucesso só está ao lado daqueles que têm realmente uma liderança boa e uma competência forte também, porque o scouting, a parte do diretor desportivo, a parte daquilo que é as compras e as vendas, aquilo que é toda uma mecânica de tudo aquilo que é o envolvimento de uma equipa, não é só da parte do treinador, é da parte de todos os departamentos. E aí o Rúben Amorim sentiu que, provavelmente, algumas das coisas que vinham saindo em imprensa, que vinham com recados de dentro e que vinham para a esfera pública, é evidente que o Amorim começou a perceber que tinha ali alguém que não estava na mesma direção e alinhado na mesma direção que ele. E ontem acabou por explodir da forma como explodiu, sabendo de antemão que aquilo que disse ia ter efeitos realmente muito grandes. Vai ter efeitos no imediato, agora, para o Rúben Amorim, que acabou por sair, mas também vai ter efeitos no futuro em relação àqueles que estão lá e que, se calhar, provavelmente, pela calada da noite, andaram a mandar informações à espera que alguém mandasse o Rúben Amorim embora e a bomba é capaz também de arrebentar para esses mesmos.
Gabriela Alves, tu já há cerca de uma semana falavas que Rúben Amorim podia ter os dias contados. Coincido também aqui com a abertura do mercado, que abriu há pouco tempo, há cinco dias. A falta de reforços também e o facto destes não irem ao encontro daquilo que Rúben Amorim pretende no momento também vem aqui ajudar a esta saída e a esta explosão que teve na conferência de imprensa.
Boa tarde. Entretanto, ele mandou uma série de jogadores embora, que estão em alto rendimento nos clubes onde estão neste momento a cumprir os seus contratos, e estão felizes. Até já um pôs like no Instagram, na notícia do Fabrizio Romano. Gastou 250 milhões de libras em aquisições, é preciso dizer isto também. Contratou um ponta de lança que foi a pedido dele, que é um fiasco e que na imprensa inglesa já há tempo que vem considerado como fiasco, que é o Sesko. E depois, eu já vou à parte que me parece mais importante. Isto está das últimas horas. Jason Burt, do Telegraph Sport, escreve um artigo ontem muito interessante. Técnicos como Rúben Amorim nunca sobrevivem a ultimatos usados. Ele quis fazer o ultimato usado, fez. Agora, esqueceu o seguinte: quando eu há dias disse que ele tinha os dias contados, foi quando o senhor sir Alex Ferguson, que nunca se pronuncia, vai ao futebol, conversa, pronunciou-se. Porque uma coisa é o Solskjær, o Gary Neville, o Roy Keane, que têm muito peso, atenção, muito peso.
Fora os dos outros clubes, Carragher, por exemplo, também.
Carragher, mas também lá jogou, espera aí. São muito peso. Mas é o senhor sir Alex Ferguson dizer que nos próximos 10 anos este Manchester United não discute títulos. E o Rúben Amorim Começou por agarrar um envelope e meter dentro quando responde a Alex Ferguson. Está feito. Porque se Alex Ferguson apareceu, é o sir Alex Ferguson. De fato, é uma figura iminente, uma lenda dentro do Manchester United, com muito peso, até porque ele sai a determinada altura e quando saiu, saiu por seu pé, por razões diversas que não entro agora aqui. Portanto, o Ruben Amorim tinha os dias contados. Contados completamente. E quando nós vimos jogadores como o Antony, como o Rashford, como o Garnacho, como o Sancho, todos jogadores que estão em pleno e até são altamente pretendidos naquilo que é o mercado, já que estamos a falar de mercado, estamos a ver. Porque é assim, quando um jogador sai, porque não há entendimento ou porque não entra, não é incluso dentro daquilo que é o espírito do treinador, é um, vá lá dois. Agora, quando são todos que saíram e estão em alto rendimento com diversos treinadores, alguma coisa se passa com o treinador em si. Portanto, aquilo que hoje a imprensa espanhola diz: "Amorim fulminado", eu acho que é o título correto para isto. De resto, 38% só dos jogos que ele conseguiu vencer. É muito pouco. Pior que ele só o Ralf Rangnick, que 37,1. E 250 milhões de libras. Já agora, porque não tem nada a ver com o Ruben Amorim, mas acho que lhe assenta a ele e a todos os treinadores. Há uma entrevista hoje muito interessante dada por Fabio Capello, um senhor do futebol mundial, italiano, campeão em Espanha e Itália, como jogador, como treinador. Trabalhou treinadores como o senhor que treina hoje a seleção do Brasil. Eu vou citar. E isto é para Xabi Alonso, um treinador pipi, que agora anda aí. Ele diz, e eu cito: "Eu diria ao Xabi Alonso que ele tem que fazer vinho com as uvas que tem. Se ele quer fazer champanhe, mas não tem uvas próprias para champanhe, ele não vai fazer champanhe. E quando você chega a um lugar novo, tem que saber para onde vai trabalhar". Eu acho que Fabio Capello deu hoje, nesta entrevista, o ponto final. É para Xabi Alonso, mas pode ser também para Ruben Amorim e para todos os outros treinadores que andam por aí, até para outras profissões.
Pedro Henriques, somam-se várias reações de antigos jogadores, conhecidos ou não de Ruben Amorim, mas por cá, Rui Borges ainda há pouco em conferência de imprensa, disse que estava solidário com Ruben Amorim e reforçou as qualidades ao dizer que é um grande treinador. Quem é que perde mais no meio disto tudo, Ruben Amorim ou o Manchester United?
Convém estar solidário para ver se não perde o lugar. Ora bem, por partes. Eu acho que o Gabriel Alves tocou nos dois pontos que eu tinha aqui. Aliás, tinha três pontos para colocar aqui e um deles tem a ver exatamente com o primeiro, que é aqui um conselho à malta que nos estava a ver. Pessoal, sempre que forem assinar um contrato, seja de luz, de água, de seguros, leiam as linhas pequenas, aquelas que a gente diz que não são hordas. Porque é aí que está o problema todo. Aí é que está tudo. O que eu quero dizer com isto? Quer dizer que aqui, realmente, quando ele assume-se que é manager e não é treinador e depois é contrariado, até na nota de despedimento, chamemos assim, ou de escusa, alguma coisa não está certa, porque eu, se for dizer que realmente sou manager, tenho que ter um contrato que esteja lá bem expresso e explícito. E por isso é que eu muitas vezes, quando estou a falar de arbitragem, digo lei 13 ou lei 12, página 106. É para não haver dúvidas, mesmo que as pessoas não concordem. E aqui é a mesma coisa. Depois, o Amorim, dois aspectos que eu acho que são aqui muito relevantes e importantes. Se eu tenho uma turma de 30 alunos, em que 27 passam e três vão a exame, eu tenho quase a certeza absoluta que o problema está nesses alunos. Mas quando eu tenho uma turma de 30 alunos, em que só três é que passam e 27 vão a exame, eu tenho quase a certeza que a culpa está no professor. E isto tem a ver exatamente com aquilo que o Ruben Amorim, quando dizia: "Não preciso de ponta de lança, o Sporting vive sem ponta de lança, é o ataque móvel". Até escoçou, depois lá foi buscar o Gyökeres e a coisa resolveu-se. E o Ruben Amorim tem muito esta coisa da teimosia. E por isso é que eu disse que o Gabriel Alves falou nos dois pontos que eu queria falar, até por causa daquilo que o Fabio Capello disse, é porque independentemente dos jogadores totais, convém quando chegas a um sítio, a não ser que seja uma coisa para mudar radicalmente, porque resulta tudo mal. Convém adaptar-se ao que lá está. E há vários treinadores que cada vez mais falam sobre isso. Não é chegar lá e impor o meu sistema, se são cinco defesas em linha. Não, é agarrar nos que lá estão e tentar, sobretudo, potenciar. Porque depois, o incrível disto tudo é que até podemos dizer: "Ah, mas se eles não têm qualidade, se está um balneário..." Primeiro, tentar unir, tentar reorganizar, tentar motivar, tentar levar as pessoas para o meio. E depois, a conclusão que se tira é que se estes jogadores estão a render, eu sei que é noutros contextos, uma vez mais, parece ficar a ideia que talvez o Ruben Amorim não fez tudo o que devia ter feito exatamente nesse sentido. Depois, é normal, ninguém gosta de ser despedido, ninguém acha que pode estar solidário com despedimentos, bem pelo contrário. Obviamente que aqui a questão não é uma questão social, nem económica, nem financeira, porque ele felizmente está bem na vida, não é essa a questão que se coloca, é mesmo uma questão desportiva. E ficamos todos, porque somos portugueses, gostamos que os nossos portugueses também brilhem e tenham sucesso, mas eu acho que o Ruben Amorim, ao nível daquilo que era muito forte nas conferências de imprensa que tinha em Portugal, eu acho que em Inglaterra, porque o contexto é outro, não resultou. E viu-se exatamente o que ele fez, mas ele ontem também fez aquilo que era ou tudo ou nada. Ou realmente eu fico, ou realmente rói a corda e partimos. E ficou-se a perceber. Aliás, eu fiquei muito com essa sensação quando vi ele a falar nos próximos 18 meses. Eu até disse a brincar, vamos lá ver se são 18 minutos ou 18 horas em grupo de amigos. E realmente foi porque estava dito. Última coisa, 10 segundos. Também indo ao encontro daquilo que disse o Gabriel Alves. Estava-se mesmo a ver. Podemos meter com todas as pessoas, mas convém que aquelas figuras são iminentes. E o Ruben Amorim cometeu um erro estratégico quando devia ter ficado pura e simplesmente calado ou a dar razão àquilo que disse o Alex Ferguson. E quando ele responde da maneira que respondeu, aí sim, no meu ponto de vista, e por isso é que o Gabriel Alves muito bem foi visionário neste aspecto. Estavam os dias contados e viu-se.
Bruno Roseiro, a partir daqui também desta análise do Pedro Henriques, perguntar-te se Ruben Amorim deu um passo maior do que a perna ao assumir o Manchester United e também perceber o homem que se segue, que é Darren Fletcher, uma lenda do clube, que estava a treinar os sub-18, vai já orientar no próximo jogo frente ao Burnley, daqui a dois dias, já na quarta-feira, numa altura em que United está a quatro pontos do Liverpool, ou seja, a quatro pontos de uma qualificação direta para a Champions League. Ou seja, o cenário não é tão aterrador como aquele que Ruben Amorim chegou no ano passado, por exemplo.
E com uma vantagem, que é só ter competições internas. Isso parece que não, mas faz muita diferença, porque, por exemplo, o caso do Arsenal tem Liga dos Campeões, com objetivos claros, e tem ainda a Taça da Liga, com meias-finais e eventualmente a final
Em relação ao Fletcher, resumindo, é um treinador interino. Não tem nada a ver com o Van Nistelrooy, que ainda ambicionava algo mais. Neste caso, o Fletcher sabe que vai ser só um treinador interino, tem essa curiosidade de ter os filhos gêmeos no plantel, e Rúben Amorim já teve de jogar com um deles porque de facto não tinha outras opções e sabe que irá ser substituído mais tarde ou mais cedo. Em relação à sucessão, uma breve nota: parece-me cada vez mais que o estilo que, em termos internos, mais parece prevalecer, tem a ver com um estilo mais tradicional, um estilo mais British e um estilo que se calhar será feito para Gareth Southgate, até tendo em conta que o United não quererá voltar a pagar por um treinador para depois sair 14 meses depois. Em relação a Rúben Amorim e a tudo aquilo que foi sendo dito, eu percebo a parte do rendimento, ou seja, que deveria ter mais rendimento. Agora, fazendo novamente a analogia com a questão do champanhe, as uvas do United dá para pouco mais do que vinho de pacote. E aquilo que Rúben Amorim estava a fazer era começar a preparar uvas para ter uma casta que pudesse aspirar a algo mais do que isso. Não sei se seria champanhe, provavelmente seria um bom vinho, que já não era nada mau nesta altura do United. E ele fez, se calhar, aquilo que era mais difícil fazer no United, que era acabar com as vacas sagradas. E quando se olha para trás e pensa: "Epá, mas ele dispensou, se calhar, os melhores jogadores que tinha". O Rashford dificilmente é titular no Barcelona se tiverem todos os jogadores aptos. Jadon Sancho não existe no Aston Villa. Garnacho é um suplente do Chelsea, de vez em quando joga, mas é um suplente do Chelsea, e isso mostra que, se calhar, ele não estava assim tão errado. Agora, o plantel do United tinha bastantes fragilidades e eu acho que o maior engano de Rúben Amorim, concordando com aquilo que o Pedro Henriques disse em relação ao professor e ao aluno e quem está mal, o maior engano de Rúben Amorim foi acreditar que iria ter um respaldo total àquilo que seria a época de 2024/25, porque não teve. Ele é que ficou com o ônus de ser o que ficou em 15°, que perdeu uma final da Liga Europa. Ou seja, até a campanha da Liga Europa, que podia ser analisada numa perspectiva positiva de como é que é possível ter chegado a uma final, foi analisada numa perspectiva negativa de perdeu a final.
Se ganhasse, até conseguia estar numa competição europeia no próximo ano.
Estava na Liga dos Campeões, por exemplo. Portanto, só por aí, podia ter sido um turning point de toda esta história, mas ele acreditou muito que teria esse respaldo, não o teve. Muitas vezes teve vontade, isso também eu sei, de falar um bocadinho mais sobre aquilo que o United necessitava, e não era só de jogadores, era um centro de treinos que o próprio Cristiano Ronaldo, quando saiu, criticou e as pessoas disseram: "Epá, não, se calhar ele como não jogava, agora critica tudo e mais alguma coisa". Não, o Cristiano Ronaldo naquela entrevista, que só pecou pelo timing, que foi em cima do Campeonato do Mundo, acertou e diagnosticou tudo aquilo que estava mal no United e as pessoas não quiseram ouvir, mas de facto, os males continuam lá. E traçando aqui um paralelismo United-Arsenal. Recordar só o seguinte: Mikel Arteta chegou ao Arsenal como adjunto de Pep Guardiola em 2019. Estamos em 2026, ganhou uma Taça da Inglaterra logo nessa primeira temporada e duas Supertaças. O Arsenal, em seis janelas de mercado de verão, gastou 996 milhões de euros. Ganhou em termos de Premier League, que é o grande sonho, já são mais de duas décadas sem títulos, ganhou bola. E ainda assim, aquilo que existe é uma confiança plena e total no treinador. É difícil, se calhar, Rúben Amorim ter este espaço todo que Arteta tem. Agora, se calhar também merecia um bocadinho mais do que teve durante estes 14 meses.
Augusto Inácio. Gabriel, sim.
Muito rapidamente, só para falar da questão dos vinhos que o Bruno acabou de falar, pode ter, de facto, uvas para vinho barato, mas é preciso saber que adega é que tem para poder trabalhar as uvas. E é preciso olhar para isso. É a tal questão que levanta o Fábio Capelo, quando você chega a um lugar novo, precisa de saber onde vai trabalhar. E isso parece-me que o Rúben Amorim não-
E Rúben Amorim nunca soube onde estava?
Acho que o Arteta não. O Arteta, que vem de adjunto do Guardiola, do City para o Arsenal, percebeu muito bem onde estava a trabalhar. E talvez o espaço que tenha tido e que naturalmente vai ter ao longo deste tempo, com os tais 900 milhões, e verdadeiros, que gastou. Eu penso que o Rúben Amorim foi um bocadinho mais bicos dos pés e só lamento que tivesse sido pior para o tenário.
Augusto Inácio, volto a ti para te perguntar, falávamos aqui de vinho, vinho de pacote ou não, ou champanhe. Rúben Amorim, e agora leva-nos a pensar e fazer aqui também um diagnóstico, saiu do Sporting numa altura em que o Sporting se encaminhava para ser bicampeão, estava muito bem no campeonato, depois veio João Pereira e agora está Rui Borges ao leme da equipa do Sporting. Levou-o a pensar também agora neste momento, se fez a escolha certa ou não quando aceitou este desafio?
Ora, faz-me lembrar que eu adivinho sempre o número do Euromilhões sempre à terça-feira.
Eu lembro-me bem do que tu disseste na altura.
Às 21:00. Isso. O que eu acho? Eu acho que há momentos da carreira de um treinador que às vezes é difícil dizer que não, porque tem uma perspectiva de carreira e de um futebol completamente diferente, e neste caso, o melhor futebol do mundo, entre aspas, pelo menos a Premier League é considerada a melhor liga do mundo. Eu diria que é o sonho de um treinador ir para Um desses clubes e nomeadamente o Manchester United. Quando se fala de Manchester United, tu não estás a pensar nos problemas que aquilo tem lá dentro, se precisa de um centro de treinos diferente, tu estás a olhar logo para o Manchester United. Mas se quiseres ter alguma coisa a mais na tua carreira e te projetar a nível mundial, eu diria que também tens que olhar para esses aspetos. O que o Manchester pode me dar a mim e eu posso dar ao Manchester United? Ou seja, eu dou o meu know-how, mas o que o Manchester me dá a mim? Dá-me só o nome e mais nada? Não, o Manchester United também deu algum dinheiro para o Rúben Amorim se reforçar. Se foram caras, se não foram caras, se gastou-se o dinheiro que podia ter sido gasto noutras posições, é outra conversa que tem a ver com planeamento. Agora, eu diria que o Rúben Amorim, ao olhar para aquele momento em que estava, em que tinha ganho no Sporting aquilo que era o sonho, que era ser campeão, podia estar à porta de ser bicampeão nacional, porque aquilo hoje estava bem encaminhado, mas aparece um tubarão destes europeu que está a viver mais do nome agora do que outra coisa, é evidente que ele pensou seriamente naquilo que era o passo seguinte da sua carreira, porque ele sabe perfeitamente bem que ao sair do Sporting para ir para um grande clube como é o Manchester United, pelo menos o nome tem esse nome de grande, ele sabe que também está a jogar um pouco a sua carreira a nível internacional. E sabe que se não tivesse sucesso no Manchester United, as coisas podem, para aquilo que é o imaginário dele, de chegar a pontos altos, ter ali um travão. E ele arriscou. Arriscou e depois estás lá dentro e começas a perceber onde é que te vieste meter. Eu vou dar só este exemplo, que é muito engraçado. Eu no primeiro ano que fui para o Vitória de Guimarães a meio da temporada, eu olhava para o nome do Vitória e dizia: "Está bem, eu saí do Sporting, ok. Vamos lá para o Vitória, o Vitória está a lutar para não descer de divisão, não vai ser difícil o Vitória não descer de divisão". O que é certo é que uma semana depois de estar lá, eu digo assim: "Augusto, onde é que te vieste meter? O que é isto?" Porque o nome às vezes atrai-te outras coisas que não têm a ver com a realidade que está lá dentro. E a coisa foi complicada. E o Rúben Amorim foi a mesma coisa. Tentou a meio da época e isto aqui também é uma outra coisa que para quem está dentro do futebol ou quem está lá dentro do campo e o Pedro Henriques esteve lá como árbitro, mas também entende isto, o Rafael Lopes tem muitos anos disto, o Bruno Roseta também, de certeza que vai entender isto que eu vou dizer. Tu podes ter a tua perspectiva do teu modelo de jogo, daquilo que é a tua cabeça. Ok, o 3-4-3 do Rúben Amorim. Ok, eu gosto do 3-4-3, é isso que eu vou levar. Mas chegas a meio da temporada e vês o plantel que tens e não tens jogadores para jogar no 3-4-3. Se não tens jogadores para jogar no 3-4-3, então tens que te adaptar àquilo que são as competências dos jogadores que tens ali à mão. O que eu penso? O Rúben Amorim quis adiantar trabalho para esta nova época 25/26 e começou a jogar no 3-4-3, as coisas não davam bem, enfim, complicadas, difíceis, mas este ano já começou do princípio. Ora, começando do princípio, aqui também tem muito a ver com culpas, entre aspas, do treinador, porque não conseguiu levar a equipa para um patamar que se pensava e independentemente dos problemas internos que se tinha, se se gastou muito, se não se gastou muito, aqui há um problema que é de choque, que é que o diretor desportivo não casava com o treinador que estava ali à frente. E como não casava com o que estava ali à frente, começou-se, pois já sabe como é que isto é, se tu queres fazer mal a alguém ou se queres criar um ambiente para que realmente este treinador possa ir embora, é começar a dar notícias cá para fora, alguém depois comenta, depois os podcasts, depois os jornalistas amigos, colocam as coisas cá para fora. O Rúben Amorim começou a perceber aquilo, explodiu e naquela mesmo. Agora manda-me embora que tem mais 18 meses de contrato.
Deixa-me só dar aqui duas notas. Uma, recordar o contexto em que Rúben Amorim saiu, não só por ter igualado o melhor arranque sempre do Sporting com 11 vitórias no campeonato, mas também por estar nas primeiras posições da Liga dos Campeões e por ser uma época onde ligou alguns jogadores, vou dar dois exemplos, João Mário e Pedro Gonçalves, a dizer: "Vamos fazer uma espécie de last dance, vamos ficar todos, vamos fazer aquilo que nunca ninguém conseguiu". Este foi o contexto de saída. E uma outra nota, quando houve alguma contestação à volta do Rui Borges, disse: será que poderia ser o treinador para segurar, etc. Até mesmo depois de ter sido bicampeão e ter conseguido a dobradinha. Uma das coisas que a SAD do Sporting sempre disse foi: "Não, o Rui Borges fica, nós confiamos no Rui Borges e vamos mostrar a toda a gente que é possível haver vida depois da linha de três de Rúben Amorim". Isto era uma das coisas que o Sporting defendia. E, de facto, Rúben Amorim não deixou cair isso e caiu ele, e o Sporting deixou cair isso, e se calhar não ficou assim tão pior do que estava.
Pedro Henriques, o certo é que Rúben Amorim, e foi noticiado hoje pelo "Mais Futebol", ao que parece não vai aceitar qualquer tipo de convite, pelo menos até junho, quer assumir um novo projeto, ao que tudo indica, só na próxima temporada. É o que noticia o "Mais Futebol". Qual será o futuro de Rúben Amorim depois desta pedra no charco, vamos dizer assim, no Man United, algo que não correu assim tão bem?
Sim, em primeiro lugar, eu acho que faz bem. Para começar, porque embora tenha passado por Manchester United, o melhor futebol do mundo, etc., e um clube top, embora agora não corresponda em termos de classificações e de resultados, agarrar um projeto a meio podia ser perigoso. É sempre um risco e, portanto, eu acho que vale mais fazer aqui um descanso, de luto, como a gente costuma dizer. De certeza absoluta que um treinador como o Rúben Amorim, pelo sucesso que já tem tido em Portugal, mas o fato de ser projetado internacionalmente, e concordo com o Inácio, a ida dele pro Manchester United, mesmo que não corresse bem, e podemos dizer, em termos riscal, que não correu assim tão bem quanto se estava à espera, abre-lhe portas, porque é o nome que fica. Não é o despedimento de um treinador qualquer, é do Manchester United. De certeza que em todas as páginas dos jornais amanhã e hoje estão em muitos programas desportivos, vários países, pelo menos europeus, está-se a discutir ou a falar sobre esta sua saída. Tenho a certeza que mercado haverá, eu acho que vai continuar no estrangeiro e acho que muito provavelmente até pode ser em Inglaterra essa mesma continuidade, até porque ele agora vai dar tempo ao tempo nesse sentido. Termino só com isto, porque fizeste essa pergunta há um bocadinho e eu gostava também de só dar essa opinião, que é, quando fiz essa pergunta ao Inácio e bem, se ele fez bem ter saído ou não da altura, eu digo que sim e digo que não. Digo que sim, na perspectiva genérica, isto é, sem olhar pro contexto específico, agora o Bruno José falou aí muito bem, que é um convite vindo de um gigante e do melhor futebol do mundo, é pra dizer que sim e avançar. A minha única questão é que há coisas que pra mim são mais relevantes e importantes na vida. E se eu telefonei a alguém a dizer: "Vamos fazer", como disse aqui o Bruno, "'last dance'" e sabia-se que isso foi tornado público, vamos aqui ficar todos, ninguém vai abandonar o barco e vamos fazer esta época e depois a partir daqui, vamos todos ter sucesso, vamos ser todos bicampeões, vamos ganhar e, portanto, cada um depois vai à sua vida. Eu, se tivesse dito isso a um jogador, nem que fosse o 26° jogador, o suplente ou o apanha-bolas ou o roupeiro, eu já não saía, porque acho que há coisas mais importantes do que a própria dimensão da carreira, inclusivamente. Chama-se palavra. Eu sei que hoje em dia a coisa tá complicada, basta ver os nossos líderes mundiais que andam todos em guerra, que é uma coisa que eles também não fazem a mínima ideia e estes são os valores que, infelizmente, esta sociedade moderna cada vez tem menos, que é a questão da palavra. E a palavra pra mim continua a ser a melhor assinatura de qualquer contrato.
É o fim de linha para Rúben Amorim no Man United, que neste momento está na sexta posição do campeonato, está a quatro pontos do Liverpool, que ocupa o último lugar de qualificação direta para a Champions League. Ao longo destes 14 meses, o ano passado ficou no 15° lugar do campeonato, ainda assim conduziu os Red Devils a uma final da Liga Europa, perdeu, ainda assim, com o Tottenham por 1 x 0. Gabriel.
Só pra rematar. Disse bem o Bruno Roseiro do treinador inglês, portanto, o ex-socator, o ex-selecionador nacional, que será sempre uma figura em primeira linha. Não esquecer, no entanto, o treinador basco espanhol, Iraola. Atenção a esse treinador. E dizer aqui outra coisa que tem andado muito por aí, qual é a posição de CR7 em relação ao futuro do Manchester United e a sua posição em termos empresariais em relação ao Manchester United. Não se esqueçam que quando ele deu a entrevista, a tal entrevista com a qual estou completamente de acordo, até no timing. Isto não se escolhem timings, às vezes tem que ser na hora, em que se falou muito que ele e Beckham poderiam, com o fundo americano, vir a ser candidatos a adquirir o Manchester United. Não sei se agora, com as suas boas relações que tem na Arábia, não sei se CR7 um dia desses não será o patrão do Manchester United e depois vamos ver quem é que seguirá em tudo aquilo que é a estrutura do Manchester. Vamos ficar à espera.
Bruno, só acrescentar aqui uma coisa. O Iraola era, de facto, uma boa opção, mas tem aquele problema, que era preciso pagar. E nisso o Thiago Pinto não vai facilitar pra libertar o Iraola.
Que é um grande treinador.
Que é um grande treinador.
Com escola.
Com escola. E não é por acaso que Arteta, Emery e Iraola tão a dar as cartas que estão a dar nesta altura na Premier League, mas tem esse problema, é preciso pagar. E uma última nota pra recordar que antes do United, Rúben Amorim falou duas vezes com Todd Boehly, um dos proprietários do Chelsea, falaram com representantes e pessoas próximas, os responsáveis do Liverpool, pra saber até que ponto é que ele poderia estar interessado em assumir o clube depois de Klopp, e esteve reunido com responsáveis do West Ham. E Rúben Amorim achou que o United é que tinha mesmo de ser. 14 meses depois, tá aí a resposta.
Exatamente. Termina aqui a aventura de Amorim no Man United. Queria ainda fazer aqui uma ronda muito rápida, porque por cá também temos um líder incontestável, o Futebol Clube do Porto acaba esta primeira volta com 49 pontos. Venceu ontem nos Açores, um terreno sempre difícil, o Santa Clara, por 1 x 0. Bruno, volto até ti. Um jogo difícil e que se calhar o Futebol Clube do Porto esperava ter mais controlado. Foi também um jogo pobre ao nível de oportunidades. Ainda assim, o Porto há de destacar esta primeira volta apenas com um empate frente ao Benfica no Dragão.
Muito pobre em termos de oportunidades, ou seja, diria que o Santa Clara foi a equipe que melhor conseguiu travar o Futebol Clube do Porto, que tem uma oportunidade do William Gomes a fechar a primeira parte e tem um remate longe do Borja Sainz no final. De resto, há aquela oferenda do Gabriel Batista ao Samu pro gol e pouco mais. Tenho algumas dúvidas em relação ao ambiente que foi criado nos últimos dias, o impacto que pode ter tido ou não na exibição do Futebol Clube do Porto. Desde o treino aberto no dia um, à recepção que houve com 200 adeptos no aeroporto antes da partida para os Açores, começa-se a viver uma euforia demasiado grande de adeptos que já perceberam que têm tudo e mais alguma coisa para serem campeões, mas ainda falta uma primeira volta toda. Deixo a nota daquilo que para mim é o pilar da justificação deste recorde, ou a melhor primeira volta de sempre. O Futebol Clube do Porto tem uma vantagem, que é à partida nunca sofre golos e não sofrendo golos, está sempre muito mais próximo de ganhar. Este é o grande segredo do Futebol Clube do Porto e é isso que faz com que nos jogos em que joga melhor, ganhe, nos jogos em que não joga tão bem, ganhe. E em relação ao Sporting e ao Benfica, não podem dizer o mesmo.
Apenas quatro golos sofridos nesta edição do campeonato. Queria pegar naquilo que tu disseste, Bruno, para ir até ao Augusto Inácio, até porque não nos podemos esquecer e há esse fantasma de Farioli, da questão de ter perdido o campeonato com o Ajax, também com tantos pontos de vantagem. Isso também pode ser uma questão a pesar neste momento? O Porto tem vindo a perder algum gás ao longo das últimas exibições. Augusto.
É para mim?
É para ti, sim. Augusto Inácio.
Pensava que estavas a continuar a falar com o Bruno Roseiri. Olha, deixa-me dizer que isso é agora a motivação que os rivais têm, neste caso, o Benfica e o Sporting, ou têm aquela esperança de que realmente o Farioli seja aquele do Ajax e aquele do Nice que nas segundas voltas cai. E acho que está aí a esperança de pensarem ainda em ser campeões. Agora, o jogo de ontem foi mais transpiração do que inspiração. Lutou-se muito, correu-se muito, trabalhou-se muito, um terreno difícil, mas um Porto que tem o seu ADN já bem marcado desde o início de temporada. É que primeiro há que não sofrer golos e depois ver se há capacidade para fazer pelo menos um golo. E repara que cada vez que o Porto marca um golo, a primeira coisa que a ideia de qualquer jogador tem é toda a gente estar atrás da linha da bola em termos defensivos. E nessa perspetiva, o Porto é muito difícil para sofrer golos. Agora, claramente que no jogo de ontem saiu uma prenda extra do Natal ao Futebol Clube do Porto, porque aquilo acontece não sei de quanto em quantos anos, se alguma vez aconteceu na vida, mas aconteceu e o Porto aproveitou. E nisso o Porto soube ter e soube guardar esses três pontos. Acaba a primeira volta com 16 vitórias, um empate. É realmente uma pontuação extraordinária, mas como o Farioli no início teve aquele descalabro, como no Ajax teve nove pontos de avanço e deixou-os perder e perdeu o campeonato, há aquela expectativa de saber e agora a segunda volta, não vou dizer que vai ser igual à primeira, mas se vai perder aqueles pontos todos que vai dar a oportunidade dos rivais poderem lá chegar com um atenuante. É que o Porto tem que perder esses pontos todos, mas o Benfica e o Sporting também têm que ganhar os seus jogos todos.
Isso mesmo. Não temos muito mais tempo. Vamos avançar já para as notas. Vou pedir ao Pedro Henriques e ao Gabriel, caso queiram, para incluir o Futebol Clube do Porto nas vossas notas. E começo por ti, Gabriel Alves.
Olha, para o Futebol Clube do Porto dizer já chocolatinhos daqueles que o Samu ontem saboreou. Não saboreou todos os dias, nem todos os jogos. Chocolatinho, fofinho e tal. A minha nota vai para, hoje vou pela Espanha. Vou para o Gonçalo, um tal ponta de lança que tinha dado notas muito interessantes no decorrer do Mundial de Clubes, portanto já disputado no verão passado, e que depois desapareceu, porque há Mbappé, há Vinícius, etc. Astros, estrelas. Não há carregador de piano lá. Como diz bem o Capelo, falta de qualidade no meio-campo do Real Madrid assenta, portanto, aquilo do seu mau desempenho. Mas Gonçalo ontem, Mbappé não podia jogar. O Gonçalo ontem foi jogar, fez um hat trick, mas mais do que o hat trick, faz um golo fabuloso. Para um ponta de lança, há tantas estrelas e às vezes temos em casa coisas tão boas que não desfrutamos delas. Felizmente, ontem o palco de Madrid pôde desfrutar do Gonçalo. Olha para o Gonçalo, 15, que é para ele ver se lhe dou 20 daqui a uns tempos, se calhar não no Real Madrid, noutro sítio. Já agora, para Capelo, vai aqui uma nota minha também 18 por outro assunto. Vou meter na área do Pedro Henriques. Desculpa lá, Pedro, mas o Capelo diz em relação à arbitragem, algo que eu já aqui falei várias vezes contigo, obviamente, e aqui no VAR. Eu falo em geral, mas eu falo no VAR, que devia haver no VAR um ex-jogador de futebol, porque seria muito importante para a interpretação dos lances. Estou de acordo com Capelo. Ó Sr. Capelo, 18.
Pedro Henriques, vamos às tuas notas.
Quando vocês quiserem explicar aos vossos filhos o significado da expressão estar no lugar certo à hora certa, é mostrar o golo do Samu. E, portanto, por isso a minha nota vai para o Samu, porque independentemente do erro do guarda-redes, o topo foi outro que lá estava, era ele. Isso também conta e é importante. Todos nós lembramos há 20 anos falávamos que o Jardel marcava gols de qualquer forma e parecia que a bola ia lá ter. E o Samu é um bom jogador, é um goleador e estava no sítio certo. Portanto, nota positiva, porque acho que foi o maior destaque do jogo na perspetiva, o erro, obviamente, mas no sentido oportuno do Samu, porque o jogo em termos de qualidade foi fraco e, portanto, o Porto não fez uma exibição nada bem conseguida. E por isso a minha nota vai ser, portanto, nota 17 para o Samu, pela oportunidade. E obviamente que quando há despedimentos, independentemente das razões.
Estamos aqui com algumas dificuldades em escutar o Pedro Henriques.
Situações extremas e acho que isto não devia ter sido resolvido assim. E, portanto, nota negativa para a questão do despedimento de mais um treinador, porque independentemente do contexto e do campeonato, não gosto que isso aconteça. Portanto, nota negativa para este despedimento em si, independentemente do que nós já falamos aqui.
Augusto Inácio.
Agora sim. Eu queria dar nota 5 para o Manchester United, por tudo aquilo que desde que foi a saída do Alex Ferguson até agora, ninguém para ali, ninguém aguenta aquilo. Por isso é um problema realmente estrutural, por isso nota 5 para o Manchester United. Também queria dar nota 18 para o Futebol Clube do Porto. Esta primeira volta do Futebol Clube do Porto é realmente extraordinária, fantástica. Quase 17 vitórias, só falta um jogo que empatou com o Benfica. Está bem lançado e realmente é de enaltecer. E queria dar uma última nota ao Daniel Bragança. Voltou passado 323 dias, grande equipe para ver quanto ao que ele fez. Foram alguns minutos, é verdade, mas esperemos que ele tenha realmente um regresso bom e que não tenha mais lesões na sua carreira.
Nota positiva para o regresso de Daniel Bragança. Bruno, em 15 segundos.
Uma nota 17 para Juan García, buscar um bocadinho lá a Liga, aquilo que ele fez no campo do rival espanhol foi qualquer coisa do outro mundo. E uma nota 16 para André Villas-Boas. Para mim é o grande arquiteto daquilo que é hoje o Futebol Clube do Porto, porque arriscou, foi antecipar receitas, percebeu aquilo que era preciso, acertou no treinador e colocou novamente o Futebol Clube do Porto no caminho certo.
E fica por aqui esta edição especial de "O Campeão É". A não esquecer que amanhã começa a Final Four da Taça da Liga, Sporting x Vitória, com relato e análise em direto aqui na Rádio Observador. Apito inicial marcado para as 20h.