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Arranca agora o "E o Campeão É?" das manhãs 360. Eu sou a Maria João Simões. Esta quinta-feira estão comigo e com o Júlio Magalhães, o editor de desporto do Observador, Bruno Roseiro, o Gabriel Alves, o Pedro Henriques e também o João Castro. Bom dia a todos. Boa quinta-feira.

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Esta quinta há mais futebol na Rádio Observador, é o playoff da Liga Europa. Júlio, vais ter de sair mais cedo e por isso começo já por ti. Às 20h entram em campo Futebol Clube do Porto e Lazio. Conceição não vai poder contar com Vandom e Marchesín devido a castigo. Isto vai ser o tudo ou nada depois de ficarem de fora da Liga dos Campeões?

Vai, esta Liga Europa é muito importante para o Porto e o Sérgio Conceição sabe disso. Para ele é muito importante também. E o jogo de hoje ainda é mais importante, por causa de Sérgio Conceição versus a Lazio. É um dos amores da vida de Sérgio Conceição, onde ele foi muito feliz.

Vai estar dividido entre dois amores.

Ele foi campioníssimo lá.

Foi campioníssimo e é um jogador muito respeitado. Aliás, os adeptos vão recebê-lo muito bem quando o Porto lá for jogar. Portanto, o jogo de hoje tem essa característica também de ter o Sérgio Conceição ligado à Lazio, mas agora pelo Futebol Clube do Porto e a ganhar. Aliás, como disse, o Sérgio Conceição não perde com equipas italianas e também não é hoje que vai perder. Agora, não estou à espera de um jogo demasiado arriscado, porque são duas mãos, o Porto vai jogar lá.

E é um playoff de acesso.

É um playoff de acesso, claro. Os italianos são mestres também a defender e a jogarem para o resultado. Estou à espera de uma Lazio que queira vir aqui ao Dragão pelo menos empatar, mas vai ser um grande jogo e esta é uma Liga Europa onde as equipas portuguesas, o Porto, o Benfica ou o Sporting, têm hoje possibilidade de fazer alguma figura. Além de fazerem figura na Champions, de passarem a primeira fase da Champions, a partir daí é muito difícil qualquer equipa portuguesa, como se tem visto, chegar mais longe. Na Liga Europa, não. Na Liga Europa, tanto o Porto como o Benfica, como o Sporting, estão ao nível de muitas outras equipas e portanto, chegar à final não é uma ilusão para uma destas equipas portuguesas. E o Porto tem essa ilusão este ano. Vamos ver. Pode não acontecer, pode ficar já aqui pela Lazio, mas não acredito que isso vá acontecer.

Mas estás confiante?

Estou muito confiante mesmo.

Queima final Porto-Barcelona.

Estás a ver. Era uma bela final entre duas equipas, duas cidades que lutam contra o centralismo.

Em Sevilha.

Até podia ser no Alentejo.

Júlio, beijinhos e obrigada. Até amanhã.

O meu campeão hoje é o Sérgio Conceição. Não pelo jogo de hoje, mas pelo que disse ontem. Acompanhou o Rúben Amorim, fez também uma boa reflexão e é aquilo que disse: só quem está na ficha de jogo é que tem a ver com o jogo. E portanto, mesmo assim, eu só fazia mais um reparo a isto. Na ficha de jogo tem que ser só treinadores e jogadores. O que é do jogo é entre treinadores e jogadores, não é entre mais ninguém. Não é, Esteve?

Muito bem.

Muito bem. Bruno, o que esperas desta partida desta noite?

Sobre esta eliminatória, sim. Sobre a Liga Europa, não. Acho que o Futebol Clube do Porto passou de ser um dos favoritos a ganhar a Liga Europa, a ser um claro outsider com a saída do Luís Dias. E o próprio Sérgio Conceição fez questão de dizer isso à administração da SAD do Futebol Clube do Porto quando isso aconteceu. Em relação ao jogo de hoje, e isto muitas vezes também é bom nós estarmos nos sítios para perceber porque é que as coisas acontecem, a Lazio sem o Immobile não existe. Uma pessoa vai ao Olímpico de Roma, e eu estive lá este ano a ver o jogo com o Inter em outubro, há uma Lazio com Immobile e uma Lazio sem Immobile. E portanto, o facto de o Futebol Clube do Porto não ir defrontar o Immobile ajuda muito.

Então considera-a um favorito?

Eu acho que é o favorito desta eliminatória.

19 golos do Immobile pela Lazio esta temporada.

Porque o Immobile tem uma coisa que é: o Immobile pode fazer a maior asneira do mundo e toda a gente fica rendida, aquilo é tudo uma maravilha. Em contrapartida, há outros jogadores, nomeadamente o Milinković-Savić, que nós nunca sabemos qual dos lados é que se apresenta, porque por vezes pode ser um dos melhores médios da Europa, como pode andar a fazer disparates um jogo inteiro. E isso poderá ser eventualmente um problema, porque a Lazio terá de arranjar maneira de chegar à frente e tentar fazer mossa no Futebol Clube do Porto. Tem Pedro, tem o Felipe Anderson, que passou o ano passado pelo Futebol Clube do Porto sem grande sucesso e que em Itália está a pegar. Por exemplo, nesse jogo com o Inter foi ele que marcou o golo decisivo. Ainda assim, o Futebol Clube do Porto favorito. Não acredito sinceramente que vá muito longe nesta Liga Europa, porque a partir do momento em que Sérgio Conceição ficou sem Luís Dias, ao contrário do que lhe tinham dito, acho que as atenções ficam no campeonato e na taça e pouco mais.

Gabriel, concordas com o Bruno Roseiro?

Sim, eu estou de acordo. É uma bandeira de esperança, fica por aí. Até porque esta Liga Europa tem o Barcelona, tem o Borussia Dortmund, tem o Nápoles, tem o Atalanta. Tem clubes, equipas extremamente fortes e obviamente que não vai ser realmente fácil. Agora, a verdade é esta: só conta quem está e Luís Dias é um passado. Mas como diz, e bem, o Bruno, esta Lazio sem o Immobile é um pouco o Futebol Clube do Porto sem o Dias. De qualquer das maneiras, é uma equipa que atua normalmente em 4-3-3. Tem bons jogadores, vamos ver quem é que vai alinhar. Eu tenho aqui algumas dados. O Savic, que é um excelente oito, 10. Vai com oito assistências esta temporada. Luís Alberto é um espanhol que já andou pela Inglaterra, formado no Sevilha, leva três assistências, também é um jogador de meio-campo. O Pedro, nos seus 34 anos, com muita escola de futebol, tem sete assistências para esta temporada. Portanto, há de facto vários jogadores bons. É uma equipa que defende pior do que ataca, tem 52 gols marcados, mas também tem aquilo a que se pode dizer a pior defesa com 39 gols sofridos. Em termos de campeonato, tem mais dois pontos que a Roma de Mourinho. Eu acho que vai ser um jogo de caráter tático Em que ambas as equipas vão tentar ser competentes.

Antes disso, temos João Castro. À 17h45 jogam o Braga e o Sheriff do Bruno Vieira Amaral, lembram-se?

Ele já lá deve estar.

Exato.

Já lá está.

Essa é que é a diferença, este não é o Sheriff do Bruno Vieira Amaral.

Não é o mesmo Sheriff.

Este é só o Sheriff, porque o outro, entretanto, no mercado já foi tudo embora.

Pois é. Carlos Carvalhal já disse que está confiante na vitória.

Sim, eu acho que o Braga é favorito, até pela razia que teve o Sheriff no mercado de inverno.

Pois vamos agora ao Bruno.

Parte claramente por favorito, embora tenha que ter cuidado. O Sheriff é uma equipa muito boa em termos de contragolpe. Vai tentar levar esta eliminatória para o jogo de casa, mas eu acho que o Braga é favorito, embora o Braga realmente tenha tido e tenha muitas oscilações em termos de exibicionais. Pode fazer um grande jogo.

Muito irregular.

Muito irregular mesmo. E portanto, vamos ver como é que o Sheriff irá se posicionar, provavelmente mais defensivo, com os blocos mais baixos, e depois tentar partir em transição. Cabe ao Braga não deixar sair em transição e não cometer erros, que por vezes comete, defensivos e proporciona gols ao adversário. Em relação ao Porto-Lazio, só aqui uma referência muito rápida. Eu acho o Porto favorito, e já disseram quase tudo, Imóvel não jogando, provavelmente jogará o Romagnoli, mas eu acho que o Porto é claramente favorito. A Lazio hoje, quanto a mim, tem um objetivo: claramente levar o resultado e o jogo para Roma, e aí sim poderá tentar, e o Estádio Olímpico de Roma completamente cheio, tentar alguma graça em relação ao FC Porto, mas acho o FC Porto, neste momento, mais equipa que esta Lazio.

Já vamos à Liga dos Campeões. Sim, Gabriel.

É uma nota agora em desrelação. Eu há pouco, quando o Juca falava, disse que o Sérgio era campioníssimo na Lazio, quando por lá esteve. Ele esteve em 98, 2000 e 2003, 2004. Atenção que ele venceu a Taça dos Vencedores das Taças, a Supertaça Europeia, a Série A e a Taça de Itália. É de campeão.

Não, e acrescentaria uma coisa: o plantel da Lazio de 2000 é provavelmente dos melhores planteis, senão mesmo o melhor, que foi campeão nos últimos 20 anos em Itália.

Exatamente.

Estava lá também o Fernando Couto, etcétera. Mas estava Cláudio López, estava Mihajlović, estava Simeone. Tinha um plantel fabuloso.

Fabuloso mesmo.

Daí também ter ganho tudo.

Exato.

Vamos então, antes de irmos à Liga dos Campeões, Pedro Henriques, queria ouvir-te sobre esta Liga Europa, as tuas expectativas. Tanto para o Porto como para o Braga.

Sim, eu acho que claramente tanto o Porto como Braga são favoritos no cômputo geral da eliminatória. Portanto, acho que ambos têm muitas possibilidades de passar, neste caso, sair deste playoff e irmos para a fase seguinte. Relativamente à equipe do Braga, já foi dita essa questão. O Braga não vai encontrar propriamente aquela equipe, o Sheriff, que tanto entusiasmo gerou.

Em vez de um conto de pistolas, só tem uma.

Exatamente, diminuíram as pistolas. E relativamente à equipe do Futebol Clube do Porto. Acho que praticamente também já foi dito tudo. Acho que o Porto hoje vai se apresentar com aquilo que eu acho que vai ser um 4231, com o Favio e o Evanilson nas costas. Acho que não vai haver grandes novidades. Acho que vai dizer ali um Grujić e um Vitinha à frente dos quatro defesas, com o Pepe naturalmente central, e depois o Otávio, Favio e Pepe nas costas. Quer dizer, vão fazer o três, e com o Evanilson lá na frente, penso que será por aí que vai ser o jogo. De resto, não há de haver grandes novidades, no meu ponto de vista, relativamente à equipe do Futebol Clube do Porto. E como foi também já dito pelo Sérgio Conceição, e não só, é um Porto que vai enfrentar isto como se fosse a Liga dos Campeões. Naquilo que é a atitude, a motivação e o espírito. Esperemos que seja uma eliminatória positiva para nós.

E dois bons jogos, não é?

Bons jogos. Só referir que nós estamos também com aquela questão dos pontos, que é muito importante por causa das idas à Liga dos Campeões, etcétera. Eu, se fosse a UEFA, não teria nomeado um árbitro holandês para este jogo, por uma razão muito simples: se correr bem, tudo ok, se correr mal, vão dizer: "Pois, Portugal está em luta pro sexto lugar a nível de países com a Holanda e nomearam para aqui um árbitro holandês." É nesses pormenores que eu acho que as entidades que regulam o futebol sob o ponto de vista da arbitragem, mais concretamente, deveriam estar sempre mais atentos. Os árbitros vão para lá, vão para dar o melhor e vão fazer o melhor, porque eles são demasiado egoístas para pensar noutra coisa que não seja no próprio umbigo, no sentido de: eu quero é ter uma boa nota e ser nomeado para o próximo jogo e, portanto, tenho que fazer bem. Mas depois são estes pormenores que a UEFA muitas vezes descuida, como cá em Portugal, muitas vezes o nosso Conselho de Arbitragem não liga a estes pormenores e depois põe-se jeito em determinadas situações. Era só esta a nota que gostaria de dizer em termos de arbitragem.

Olha, eu só queria dar aqui mais uma nota, atenção. Isto é um jogo, entre a Lazio e o FC Porto. Isto é assim, dois treinadores que são muito emocionais, o Sarri e o Conceição. Vamos ver. Também é um jogo de treinadores, ok?

O Porto-Lazio vai ser transmitido aqui na Rádio Observador e depois disso há uma edição extra do E o Campeão É, com a análise aos protagonistas do jogo. Ontem tivemos mais uma noite de Liga dos Campeões, Bruno, e com surpresa. O Salzburg empatou a um com o líder do Campeonato Alemão, o Bayern de Munique, mas quase que vencia. Senão fosse o Coman. Coman got you.

Como é possível? Salzburg, como é ser possível? Não, eu sou sincero. Eu estive a ver os dois jogos. Acho que há aqui uma fronteira que: um, jogadores como o Thomas Müller perceberam que aquela coisa de o Bayern perder um jogo e a seguir alguém vai ter de pagar a fatura, nem sempre é assim. E o Bayern fez um jogo ainda pior do que tinha feito com o Bochum, em termos gerais. Mas há aqui uma outra parte que muitas vezes fica escondida e que eu gostava de salientar, que é o jogo que o Salzburg fez, que foi sem bola, praticamente perfeito. Antes do Coman fazer o empate, e sabendo que o Bayern também teve uma oportunidade, a oportunidade mais flagrante da primeira parte é do Salzburg, a oportunidade mais flagrante da segunda parte é do Salzburg também, uma bola que o Pavard salva em cima da linha de gol. E no meio disto tudo, e achando que o Salzburg até merecia um prêmio maior, tendo em conta que muito provavelmente vai ser eliminado na segunda mão, a nota que fica também é: nós costumamos muito falar nesta questão do David contra Golias, e aquilo que ficou ali expresso é, independentemente, e voltando àquilo que se passou em Alvalade, independentemente do City ser nesta altura uma das melhores equipas europeias, senão mesmo a melhor equipa, o Sporting poderia ter feito muito melhor. E é um exemplo

Num jogo com características completamente diferentes, feito o que aconteceu entre o Salzburg e o Bayern, que também tem uma diferença enorme de valor, seja em termos coletivos, seja em termos individuais.

Mas as estatísticas foram avassaladoras para o Bayern de Munique. Atenção.

Não, mas se fores ver as ocultidades flagrantes.

Não, desculpa, mas estamos a falar só de 72% contra 28% de posse de bola, 22 remates contra 11.

Sem perigo nenhum.

652 passes contra 254.

Sem perigo nenhum, Pedro.

Precisão de passe, 84 contra 58.

Não existem estatísticas a isso.

Eu também vi o jogo, é só por isso. 10 cantos contra cinco. Portanto, eu acho que foi avassalador e o Bayern de Munique fez aquilo que as grandes equipes fazem. É suficiente. Na segunda da volta vai dar a volta, vai ganhar, vai passar. Portanto, é tranquilo.

Acho que não. E até acho mais uma coisa: acho que o Nagelsmann deixou-se ir na pressão que havia na imprensa, que lhe perguntava por que ele jogava com três defesas, com quatro defesas, etc. E ele ontem foi jogar com três defesas, também pressionado por essa questão e pela maneira como sofreu quatro gols do Bochum, e foi ainda pior, ou seja, desequilibrou ainda mais a equipe. Daí o Salzburg ter tanta capacidade para sair, que é uma coisa que nós estamos habituados ao Bayern a fechar as equipes no meio-campo delas e não têm capacidade de saída. E ontem o Salzburg teve exatamente, porque o Nagelsmann aposta numa linha três e depois basicamente joga com tudo para frente. Era Gnabry à direita, Coman à esquerda, Müller, Sané, Lewandowski e portanto a equipe acabou por ficar desequilibrada e queria tanto dar uma prova da sua superioridade e de que era capaz de marcar e de encostar a outra equipe, que muitas vezes acabou por desequilibrar.

E acabou por defrontar a outra equipe que é da ansiedade. Que essas coisas também acontecem às grandes equipes. Diz, João.

Ias acrescentar alguma coisa, era isso provavelmente?

Não, era isto que eu ia acrescentar. E de resto, saber jogar sem bola hoje é extraordinariamente importante e é preciso ter uma grande capacidade atlética, um grande índice físico. Esta é que é a verdade.

No outro jogo destes oitavos de final, o Liverpool venceu o Inter em Milão por 2 x 0. Vamos ao caso Palhinha.

E J lesionou-se.

Sim.

Com gravidade.

Vamos ao caso Palhinha. João Carlos, se calhar começava por ti. O jogador do Sporting que deveria ter cumprido um jogo de suspensão por acumulação de cartões amarelos. Mas como tudo aconteceu na época passada, a decisão final veio nesta temporada, o médio leonino livrou-se do castigo. Não é assim que vamos lá, não é? E que evitamos cenas como as que se passaram na sexta-feira no Dragão.

Isto aqui não vamos lá e vai fazer só a jurisprudência no futuro. Vai-se saber que o tribunal não é competente para decidir estas questões. Portanto, vai ficar só a jurisprudência para o futuro em questões como esta. De resto, vai ficar tudo igual. É como disseste, Ibán, está fechado, vai ficar tudo igual. Eu acho que mais uma vez deixam-se algumas portas abertas e os clubes aproveitam tudo que é legal para fugir a castigos, a suspensões e tudo. E vamos continuar assim. Deixa-me só voltar um bocadinho à Liga dos Campeões para dizer, e concordo perfeitamente com o que o Bruno Roseira disse, o Sporting devia ter feito muito mais. Isto porque basta ver o Red Bull e mais uma vez um treinador jovem alemão, Matthias Jössel, que era treinador adjunto do Brøndby. A verdade é que o Salzburg desceu mais as linhas, não joga só com dois médios como o Sporting joga. E aqui eu acho que em termos do Sporting, já tinha referido isso, a maneira como Rúben Amorim quer manter a mesma identidade verso pragmatismo é que causou, não só neste jogo, mas contra o Ajax, contra o AS Klein, porque é um sistema do Sporting que é muito difícil de jogar contra estas grandes equipes que sabem jogar muito interior.

E que também estudam o sistema.

Claro. O Sporting é a única equipe na Champions que joga com dois médios centros só. E isso faz toda a diferença. E portanto aqui Matthias Jössel com o Red Bull Salzburg, no projeto da Red Bull, com uma equipe com média de 23,7 anos, baixou as linhas, tapou todos os espaços que era possível ao Bayern de Munique, jogou muito bem sem bola e depois em contra-ataque com diagonais a aproveitar realmente os três centrais do Bayern e com o Adeyemi a dar muitas dores de cabeça à equipe bávara. No outro jogo, nós não falamos no outro jogo, mas o Inter esteve muito bem. O Inter esteve muito bem até entrar Díaz e Firmino, o Inter estava por cima do jogo. Gostei bastante do 3-5-2 do Inter. E só referir que se o Inter tivesse Lukaku, em vez do Dzenko lá na frente, o jogo teria sido completamente diferente e o resultado também. Portanto aqui também uma grande exibição do Inter, mas depois o Liverpool tem outra categoria.

Tem outro pedal.

Tem outro pedal. E lançou dois jogadores, Díaz e Firmino, e a partir daí conseguiu puxar o jogo para si e ganhar. Só esta nota sobre a Liga dos Campeões.

Muito bem. Têm sido muitos os temas quentes nestes últimos dias e não tivemos tempo para falar de um, sobre o qual gostava de vos ouvir. Um estudo do Observatório do Futebol que revelou que a Liga Portuguesa tem pouco mais de 57 minutos de tempo útil de jogo, ou seja, em que a bola está a rolar na relva. Ocupamos o lugar 31 no lote de 36 ligas analisadas. Em primeiro lugar estão os Países Baixos, com 63 minutos e 21 segundos. Em segundo, a liga principal da Suécia, com 63 e 5 segundos, e em terceiro, a liga da Rússia, com 62 minutos e 59 segundos. Quem é que quer começar? Bruno.

Este estudo está desatualizado.

Já está? Está desatual já?

O estudo está desatualizado completamente. Isso refere-se a 2018, 2019.

Isso foi revelado na segunda-feira.

Exatamente.

Sim, mas depois de 2021 há já outros dados.

Exatamente. E há outro aspecto. A liga o ano passado elaborou um livro bastante interessante, que eu tive a oportunidade de receber diretamente da liga, em que vem com todos os dados referentes aos árbitros, que é normalmente com isso que eu depois me baseio quando vou fazer aqui os relatos dos jogos. Claro que eu não falo nos penaltis, etc, mas falo sobretudo nas faltas cometidas.

E aqui estamos ou já não estamos no lugar 31?

Não, o que está em questão não é o lugar 31, porque neste momento é um estudo da liga feito em relação ao futebol português e, portanto, não tenho aqui as referências em relação às outras ligas. O que acontece é que em 2018/19, nós aparecemos com um tempo útil de 57 minutos e nove segundos como média, o que significa que há árbitros que tenham jogos com 58, 59, 60 e outros, provavelmente, com 55, 54. Ora, no último estudo, feito na época anterior, por acaso, curiosamente, com dois árbitros que até já nem sequer se encontram na Primeira Liga, os piores árbitros que nós tínhamos, piores no sentido de tempo útil, tinham quase 58 minutos de média. Estamos a falar do Iancu Vasilica, que é um nome que até fica na cabeça, porque a origem dele não é português, e o Hugo Silva. E o Hugo Silva, que era o penúltimo, já tinha uma média de 58,44. Portanto, já estamos a falar de 58 minutos e quase 30 segundos. No sentido contrário, os árbitros que tinham mais tempo útil de jogo era o Tiago Martins, no ano passado, com mais de 64 minutos, o Artur Soares Dias com 62,61, portanto, quase 63 minutos, e o João Pinheiro com quase 62 minutos. O que significa que as nossas médias já subiram bastante. Essa é uma questão diferenciadora. Claro que, mesmo assim, obviamente, comparado com aquilo que são as médias da Holanda com 63 minutos, da Suécia, da Rússia ou, por exemplo, de Itália, que é do Big Five, aqueles que aparecem, estão em quinto lugar com uma média de 62 minutos e meio. Diríamos que, se calhar, ainda estamos longe daquilo que pretendemos sob o ponto de vista de tempo útil, mas mesmo assim já melhorou. E obviamente que aquilo que se passou no Estádio do Dragão é uma situação completamente excepcional.

Sim, o Júlio dizia no início da semana que tinham sido jogados em um tempo de 40 minutos.

Em 105 minutos foram jogados 43. A segunda parte teve 21 minutos de jogo em 56 possíveis, só 38%. E portanto, o tempo útil desse jogo total foi 41%, que foi uma média vergonhosamente baixíssima e que nada tem a ver. De qualquer maneira, é uma preocupação, até porque depois há outros dados, que não vamos aqui falar hoje.

Vamos só ouvir o Bruno para depois irmos ao vosso campeão.

Que têm a ver com outras situações, como cartões amarelos, vermelhos, as faltas, etc.

Bruno.

Eu queria só deixar uma nota. Um, eu não acho que o caso Palhinha esteja fechado, ou seja, está fechado em relação ao jogador, não está fechado em relação ao Sporting. De recordar, o Benfica fez uma participação para fazer um apuramento de um alegado recurso a tribunais estaduais e uma eventual participação ou utilização irregular do jogador. Foi ao Conselho de Disciplina, passou para a Comissão de Instrutores da Liga e continua lá um ano depois. Portanto, só no dia em que a Comissão de Instrutores da Liga disser alguma coisa sobre este processo é que vai ficar fechado o caso Palhinha, sendo que para o jogador está fechado, para o clube ainda não. Em relação à questão do tempo útil de jogo, agarrava nas palavras do Bernardo Silva no final do jogo, quando falou na vergonha que tinha sido, etc., e os companheiros a rirem-se muito daquilo que se tinha passado no Porto-Sporting, quando ele diz: "Nós sentámo-nos para ver o jogo e não conseguimos analisar, porque praticamente não houve jogo e não conseguimos analisar o Sporting." E aquilo que nós vimos é, depois, no jogo com o Manchester City, o Sporting chega ao intervalo com mais gols sofridos do que faltas. Tinha quatro gols sofridos, tinha três faltas. E depois, muitas vezes nós falamos que as outras equipes têm mais intensidade do que nós nas competições europeias. Basta perceber que no dia em que o tempo útil de jogo em Portugal seja mais elevado, nós estamos muito mais aptos para não sentirmos tantas diferenças de intensidade nos jogos europeus.

Exatamente.

Exatamente. Mas a verdade é esta: excessivas interrupções, perdas de tempo, simulações, grande quantidade de faltas, tudo isto afeta diretamente o ritmo do jogo.

Gabriel, quem é o teu campeão do dia? O Júlio diz que era o Sérgio Conceição? Sim, pela negativa.

Não, pela negativa. Hoje ele vai levar a zero.

Sim.

Perante o último classificado de Espanha, o Atlético de Madrid, campeão, perde em casa por 1 a 0. Diego Simeone. Chegou o fim do ciclo dele, por muito que ele queira.

Bruno, quem é o teu?

O meu campeão é Magnus Andersson, treinador da equipe de handball do Futebol Clube do Porto. Depois de ter perdido aquela série inacreditável de jogos sem derrotas em termos nacionais no Pavilhão da Luz, foi jogar ao Veszprém, que é uma das melhores equipes europeias. Conseguiu o empate. Olhando para o calendário do Futebol Clube do Porto na Liga dos Campeões de handball, ganhando em casa ao Motor e ao Dinamo Bucareste, que não é nada do outro mundo, poderá passar mesmo na quinta posição do seu grupo. Cruzaria com o Kiel no acesso aos quartos de final. De recordar que o Futebol Clube do Porto já conseguiu bater o pé ao Kiel, inclusivamente na Alemanha. E portanto, parece-me que foi a melhor resposta possível daquela que é a nossa grande equipe europeia no handball e que consegue ir dando passinhos pequenos, mas de afirmação na Liga dos Campeões também.

E que nota dás ao Magnus Andersson?

15, nota 15.

Pedro Henriques, o teu campeão?

Hoje vou mudar de modalidade, vou para o ciclismo e portanto vou dar como começou a Volta ao Algarve. Para esta prova, que eu acho extraordinária no nosso circuito, e hoje temos uma etapa que eu por acaso conheço bem a região, que vai de Albufeira ao Alto da Fóia.

Já fizeste?

Já fiz, mas não foi à velocidade que eles fazem.

É o teu ritmo.

Já foi ao meu ritmo e com a minha companheira de sempre, que é a minha filhota. Somos apaixonados por ciclismo. Realmente, aquilo ali já é a séria. A gente parou pelo meio, demos umas aguinhas, etc. Mas, de qualquer maneira, para a Volta ao Algarve, exatamente, que é uma prova fantástica, porque o ciclismo é uma prova extremamente popular, com gente nas ruas, etc. E por isso, digamos que o meu campeão, com a nota 18, não é para esta etapa, é para esta Volta no geral e para o ciclismo de uma maneira geral, que sou também um grande apaixonado.

Muito bem. João, para terminar.

O meu prêmio vai para o Salzburg, claramente, com nota 16. O Salzburg é a equipe embriã do Leipzig, da Red Bull, é a segunda equipe, depois a terceira é o Liefering. É aqui que os jovens jogadores são lançados para depois passarem para a Bundesliga, para o Leipzig. E a verdade é que tem aqui grandes jogadores. Basta ver o Adeyemi, que já falamos aqui, o próprio Okafor, que entrou ontem, o Capaldo, Camara no meio-campo, são futuros grandes craques que estão aqui nesta equipe. Portanto, quando as pessoas querem ver futuros grandes craques, basta vir aqui ao Salzburg e observar e a bater o pé ao grande Bayern de Munique. Portanto, nota 16 para eles, por esta grande participação na Champions.

Muito bem. João Castro, Bruno Roseiro, Pedro Henriques e Gabriel Alves, em mais um "E o Campeão É?". Amanhã há mais para comentar. Bons jogos. Obrigada aos quatro. Até amanhã.

Até amanhã.

Obrigado.

Amanhã ou até logo.