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Está dado o apito e por isso começa mais uma edição de "O Campeão É", aqui na Rádio Observador. Todos os dias escolhemos os protagonistas do desporto e damos notas de 0 a 20. Para isso, hoje juntam-se a mim o Bruno Roseiro, o Pedro Henriques, o Gabriel Alves e também o Augusto Inácio. Bons dias, como estão?

Bom dia.

Alguém na praia a aproveitar?

E o André Maia?

Eu estou bem, Gabriel. Obrigado por perguntar, é sempre único. Vamos avançar, vamos olhar para aquilo que se está a passar no futebol português, principalmente. Continuamos com estes ruídos da final da Taça de Portugal.

Fumaça.

É isso, como dizia ontem.

Dizia o André grandes times ver fumaça.

É apenas fumaça.

Exatamente. Mas então acha que é.

Mas neste caso eu diria que a palavra-chave é mesmo ruído, porque foi a expressão utilizada ontem por Frederico Varandas, quanto a este caso de Matheus Reis. Diz o presidente do Sporting que é o ruído do desespero do Benfica. Diz também que falou com Matheus Reis, diz que é impossível alguém dizer que houve intenção no pisão sobre André Belotti na final da Taça de Portugal, sendo que entretanto tivemos também a notícia de que Matheus Reis vai viajar para o Brasil, vai regressar ao Brasil, depois de ter recebido algumas ameaças de morte e outro tipo de ameaças pouco simpáticas, entre aspas, aqui em Portugal e vai seguir para o Brasil. Começo por ti, Bruno Roseiro. Como é que interpretas estas palavras de Frederico Varandas? É uma tomada de força do presidente do Sporting perante tudo aquilo que se tem dito e que se tem ouvido?

Mais do que tomada de força, é uma tomada de posição que me parece natural à luz do contexto que se viveu, não só nos últimos dias depois da final da Taça, mas também sobretudo olhando para o contexto do futebol português nos últimos meses, ou seja, sobretudo em 2025.

Nem dizes dias, meses mesmo.

Não, meses por uma razão, porque ele a certa altura fala, e bem: "O futebol deixou de ser dono". E depois, nessa altura, recorda que o Benfica votou ao lado do Sporting, ou seja, não por uma questão de estratégia, mas por considerar que também era o melhor projeto para as eleições da Liga, para as eleições da Federação, para as eleições da Associação de Futebol de Lisboa. Portanto, não faz muito sentido que de repente a derrota na final da Taça de Portugal mude tudo isso. Frederico Varandas fala aqui também numa questão do ruído pela questão do contexto eleitoral do Benfica e, portanto, por aí também me parece que essa análise é correta. Tem depois uma parte onde fala: "Ainda bem que ainda não perceberam como é que o Sporting está a ganhar mais dentro de campo, porque isso dá-nos alguma vantagem". E aí só faltou acrescentar que existe quase, e esta expressão pode ser exagerada, mas existe quase uma sportingização do Benfica, ou seja, olha-se muito mais para os fatores externos para justificar o insucesso. Não se começa a perceber o que falhou em termos internos e isso depois torna um ciclo que se quer virtuoso num ciclo vicioso, ou seja, onde não se ganha, continua-se a atirar as razões para fatores externos e nunca se percebe aquilo que está mal em termos internos. De tudo aquilo que disse, a única coisa que eu não concordo é a questão do Matheus Reis. Eu continuo a achar que deveria ter sido expulso naquele lance com o Belotti na Taça de Portugal. Frederico Varandas faz o seu papel, ou seja, pergunta ao seu jogador, ele diz que não foi intencional, ele acredita, portanto, faz o seu papel.

Mas como também já nos explicou aqui o Pedro Henriques, intencionalidade nem sempre é importante para decidir.

Não me parece que alguém possa dizer que aquilo não é um erro e que o Matheus Reis não devesse ter sido expulso. Sobre isso, acho que não há grandes dúvidas. E por fim, acrescentar que o Matheus Reis hoje faz a capa do jornal Record pela questão das ameaças. Eu, entretanto, também fui tentar perceber o que está em causa e desde chamadas, mensagens, fotografias que ficam no carro, horários de crianças, carros riscados, etc. Portanto, tudo isto aconteceu nas últimas horas em relação ao Matheus Reis. E a única coisa que eu nesta altura estou à espera, parece-me normal, é ele ir mais cedo de férias para o Brasil em relação àquilo que estava combinado, até porque a mulher está grávida. É disso que nós estamos a falar. E aquilo que eu estou à espera é de uma denúncia de César Boaventura na PGR, porque tendo em conta que um dos argumentos utilizados para a denúncia de Matheus Reis na final da Taça de Portugal, o lance com o Belotti, foi ofensas à integridade física, espero agora também uma denúncia de César Boaventura na PGR em relação a tudo aquilo que andaram a fazer a Matheus Reis.

Augusto Inácio, tu que foste jogador de futebol, espero eu nunca tenhas tido este tipo de ameaças, mas certamente sofreste também algumas pressões por parte dos adeptos. Como é que um jogador de futebol pode lidar com uma situação destas? E do que lemos desta situação do Matheus Reis, obviamente que a situação é grave, obviamente que isto parece que já é um acumular de várias situações que levam a esta agora.

Boa tarde a todos. Olha, deixa-me dizer que eu já tive uma coisa muito parecida com esta. Na semana em que perdemos com o Benfica em casa, íamos aos Algueiros jogar e, no caso de vitória, nós seríamos campeões, o que acabou por acontecer. Eu nessa semana, inclusivamente, dei uma conferência de imprensa e fui à À Polícia Judiciária e mostrei a carta que recebi, em que dizia praticamente isto: "Se algum jogador teu marcar um gol, tu não vais ter muitos dias de vida."

Ainda esta semana encontrei esse vídeo, contigo com um papel, a mostrar o papel na conferência de imprensa.

Exatamente. A gente não sabe a intenção das pessoas, a gente não sabe como é que as pessoas estão a reagir. Eu naquela altura reagi de uma forma, que não sei se foi a melhor ou não, mas corri os riscos que talvez hoje não corresse. Ou seja, eu fui para a conferência de imprensa e disse: "Não tenho medo de si e vou pedir aos jogadores do Sporting, em vez de marcar um gol, marquem cinco, que assim morro mais depressa, levo cinco tiros e morro mais depressa". Em tom de brincadeira, é verdade, mas não deixei de ficar preocupado com a situação, como é evidente, porque isto no futebol ou em qualquer outra sociedade, na política e tudo isso, há sempre malucos e se pode esperar tudo. E nesta situação do Matheus Reis, é natural que ele fique com algum receio, medo mesmo, e claramente que é uma coisa que não é nada agradável para quem está a viver estas situações.

Gabriel Alves, olhando não só para estas declarações de Frederico Varandas, mas já agora pegando também no próximo tema para tentarmos ir a tudo. Tivemos estas declarações de Frederico Varandas à saída da Cimeira de Presidentes, em que Varandas e Rui Costa estiveram juntos, pela primeira vez depois da final da Taça de Portugal, mas também tivemos André Villas-Boas, que ia deixar algumas questões ao Benfica em relação à centralização. Pelo que percebemos do que saiu dessa cimeira, Rui Costa terá voltado um bocadinho atrás em relação à questão da centralização. E depois tivemos também esta proposta de André Villas-Boas de acabar com a Taça da Liga, sendo que o presidente do Estrela Amadora ainda propôs a possibilidade de a Taça da Liga ser apenas um troféu entre clubes fora os três grandes. O que achas desta proposta? Pergunto-te já. Gabriel Alves. Não está conosco o Gabriel Alves.

Está. Estou agora?

Agora sim.

André Villas-Boas não fez só essa proposta, fez uma proposta de reestruturação daquilo que é o futebol português, porque ele quis saber, além dos direitos, o que são os produtos, que reformas é que vai haver, o modelo de quadros competitivos. Adiantou que quer uma diminuição da Liga, dos clubes na Liga. E depois a questão da Taça da Liga também é incluída e os direitos de televisão. Há aqui uma coisa que me parece que entre muitos ruídos, e pegando outra vez na fumaça, quando dá jeito, ela desprende-se. Eu acho que o modelo do futebol português em toda a sua essência, e também acho que há pessoas que já o viram e têm vindo a terreiro, é um modelo que está esgotado face àquilo que é hoje o negócio e a indústria em termos internacionais, mormente na Europa, onde obviamente também lá fora, noutros continentes, se vai olhando para o assunto e se vão pondo numa situação para poderem tentar acompanhar já aquilo adiantado em que a Europa vai. Se nós quisermos ficar naquilo que é o quarto mundo do futebol, continuamos. Eu acho que André Villas-Boas aqui tem conhecimento, a partir do momento em que quis ser presidente de um clube, em que quis ser dirigente, obviamente que tem conhecimentos através daquilo que tem sido a sua carreira ao longo da sua vida profissional, obviamente ligada ao futebol, de colocar questões que me parecem corretas. Se os clubes se queixam de muitos jogos, tantos jogos, o que a Taça da Liga traz? Há que ser repensada. Não sei se é acabar, mas alguém tem que a repensar. Ele levantou a questão. Apareçam os outros. Quanto a Varandas, acho que ele fez bem, porque tentou, e já que se falou do ruído, tentou pôr um bocadinho de filtro no ruído, não deixando, e bem, como disse o Bruno Roseir, não deixando de marcar a sua posição e a posição do clube a que preside.

Pedro Henriques, quanto a esta proposta de André Villas-Boas e também sobre as declarações de Frederico Varandas, mas olhando mais concretamente para esta proposta, seria benéfico e tu que abordas constantemente esta questão das cargas físicas que os jogadores têm tido, do calendário pesado, seria realmente uma proposta que os clubes devem seriamente pensar, chegar ao final, terminar a Taça da Liga?

Não. Acho que foi mais um estagiário que fez isto. Então vamos lá por partes. Espanha, França e Inglaterra não têm Taça da Liga. Então nós vamos tirar porque nós é que estamos certos.

Espanha, não.

Espanha não tem, sim, mas França e Inglaterra, os principais.

Sim, é só Inglaterra, creio eu. Neste momento. Sim, França teve em tempos, se não estou em erro, mas Inglaterra neste momento acho que é a única.

É Inglaterra e porque é um clássico. E mesmo assim vão lá os reservas, quase todos.

Pronto, mas onde eu queria chegar era aqui, inclusivamente à questão da restruturação do nosso futebol, que nós temos 18 equipas e podíamos eventualmente reduzir. Para associar as duas coisas. Como é que estamos ao nível dos outros países principais? Espanha, 18, a maior parte dos países tem ou 20 ou tem 18. E eles reduziram? Não. Então o que eles fizeram para solucionar o problema que temos das equipas? Deram capacidade às equipas de baixa e média terem melhores jogadores, ou seja, passando pelos direitos centralizados de televisão, por exemplo. Ou seja, tem mais dinheiro, tem maior hipótese de contratação de mais jogadores. O que nós queremos? Queremos os 6 a 0 que o Benfica deu ao Aves e os 5 a 0 que o Sporting deu ao Boavista? Não, eu não quero. Eu quero jogos mais competitivos. Vamos à Taça da Liga. O que acontece neste momento à Taça da Liga? Praticamente os grandes, a equipa que chega à final tem três jogos. Um antes daquilo que é a meia-final, a meia-final e a final. E esses jogos normalmente têm sido o quê? Benfica vs Porto vs Sporting, depois lá aparece um Vitória de Setúbal, aparece ali uma equipa ou outra, às vezes pelo meio, e esses jogos são altamente competitivos. E são esses jogos altamente competitivos e interessantes que levam até pessoas a ver. Aliás, basta ver estatísticas em termos de visionamento, em termos de televisão, inclusive nos estádios, para esses jogos específicos, não estou a falar para os outros, para esses jogos específicos, que aumentam a competitividade e que permitem ao Benfica e ao Porto vs Sporting serem mais competitivos lá fora. Não é os 6 a 0, nem os 5 a 0. Então, se calhar, queremos reduzir a carga competitiva. Aqui tirava-se três jogos à equipa que chega à final, que era o jogo antes da meia-final, a meia-final e a final E as equipas que ficam para uma final têm dois jogos. E estamos a falar dos que estão cá em cima. Então, se querem reduzir, vamos à Taça de Portugal e fazemos o seguinte: quando entram as equipas da primeira liga, eu não concordo com isso, entrarem logo as 18 equipas ao mesmo tempo, vamos meter primeiro as 10 equipas da tabela de baixo, porque normalmente as oito que estão à frente são aquelas que têm condições internacionais e aqui era menos um jogo. E vamos à meia-final da Taça de Portugal e o que é que nós fazemos? Retiramos a meia-final em duas mãos e pomos uma só mão e pomos em campo neutro, como muitas ligas já estão a optar. Resumindo e concluindo, em vez de tirarmos os três jogos da liga, que até pelo menos dois deles são altamente competitivos e permite vermos mais uma vez o Benfica, o Porto e o Sporting, é só ver nos últimos anos, a jogar entre eles, que é isso que nós gostamos e é isso também que às equipas dá competitividade e dá maior capacidade, vamos aqui à Taça de Portugal que temos dois jogos. Eu, no modelo atual que Portugal tem, não me choca haver uma redução de equipas. Por quê? Porque o nível é tão baixo que se calhar em vez de termos 18, temos 16 ou 14 e que poderia eventualmente ser melhor sob o ponto de vista de competitividade. Eu acho é que temos que pensar ao contrário. Não só pelos direitos de centralidade de televisão, mas também por outras formas, dando até mais condições aos clubes, é apedrechar esses clubes com jogadores com mais capacidade. Aliás, clubes com mais capacidade financeira, melhores jogadores e melhor competição. Eu acho que isso era mais relevante do que estarmos a tirar a Taça da Liga. E para terminar, só dizer em relação àquilo que foi dito por Francisco Varandas, dizer o seguinte: ele falou na questão da intencionalidade. Eu vou relembrar para ver se as pessoas metem isto uma vez por todas na cabeça, pelo menos quem nos ouve. Se eu estiver parado num sinal, porque está vermelho, e olhar para o sinal e dizer assim: "Isto está vermelho, eu estou a ver que está vermelho, mas eu vou passar". O que significa que aconteceu? Eu passei com a intencionalidade do sinal. Na prática, estando um polícia ao virar da esquina, vai multar-me. Mas eu tive intenção. O que é a intenção? É uma coisa mental. Eu olhei, vi, e mesmo assim-

É deliberado

...tive intenção. Não, é isso que eu estou a dizer. Não, é essa que é a diferença. Não é deliberado, é intencional. Deliberado, no ponto de vista das leis, é outra coisa que é: eu não vejo o sinal, nem faço ideia, porque o sinal foi lá posto ontem ou porque estou a olhar para outra coisa qualquer e passei o sinal. Na prática e na realidade, o que aconteceu foi o movimento que aconteceu. Esse é que foi penalizado. As leis diferenciaram e tiraram a palavra intencionalidade de quase tudo, meteram a palavra liberdade para não se focar naquilo que é a intenção mental, eu até acredito que o jogador, vamos supor, por hipótese, não pensou: "Está ali uma cabeça, eu quero pisar", mas vamos olhar para aquilo que aconteceu, que foi o movimento físico. E é por isso que nas leis de jogo, eu não estou aqui a olhar para o vocabulário do dicionário, é as leis de jogo, substituíram intenção por deliberado para dizer: o que aconteceu? É que ele acabou por fazer aquele movimento de cima para baixo com o pé e é isso que é deliberado. E isso é penalizado com cartão vermelho. Para as pessoas perceberem que quando utilizamos a palavra intencional, e só aparece lá, eu agora não vou aqui estar a explicar, numa outra situação que até tem a ver com a natureza disciplinar, em que a palavra intencional desapareceu do vocabulário para, no fundo, dizermos o que aconteceu, qual foi o movimento físico que aconteceu. E isso é penalizado da mesma maneira, por conduta violenta, com cartão vermelho. O árbitro não viu, o assistente não viu, o vídeo-árbitro ter visto. Já falámos sobre isso várias vezes.

Sim, claro.

Mas na prática e na realidade, pouco ou nada interessa, sob o ponto de vista da lei, se é intencional ou deliberado. Depois, para um processo mais elaborado. Obviamente, se o jogador chegar lá e disser: "Não, eu fiz com intenção", se calhar vai ser mais penalizado do que dizer: "Não vi, apoiei o pé, etc." Obviamente que sim, isso pode fazer diferença para um processo mais à frente.

Meus caros, vamos avançar muito rapidamente. Vamos ter pouco tempo para olhar para este último tema. Temos um novo treinador no Sporting Clube Braga. Carlos Vicent é a aposta de António Salvador. Falamos de um adjunto até agora, nas últimas épocas, antigo adjunto de Pep Guardiola no Manchester City. Esteve por lá desde 2021 até agora, até 2025. É a primeira vez desde 2003 que o Braga tem um treinador estrangeiro. Bruno Roseiro, é aquilo que fomos dizendo várias vezes, faltava projeto ao Sporting de Braga. Isto pode ser um primeiro passo para tentativa de criação de um projeto? Alguém que vem de fora, com esta escola de Pep Guardiola, será essa a tentativa de António Salvador?

Antes de mais, há aqui uma alteração de paradigma. Vinte anos depois, apostar num treinador estrangeiro é porque existe aqui uma alteração de paradigma. Depois, muito provavelmente, António Salvador, até pelas relações que tem, deverá ter falado com alguns elementos, nomeadamente o Hugo Viana, para saber até que ponto é que Carlos Vicent poderia acrescentar algo ao projeto desportivo do Sporting Braga. Depois é alguém que trabalha bem na formação e eu continuo a achar o Sporting Braga está ao nível dos grandes, Benfica, Futebol Clube do Porto e Sporting, na formação. Basta ver as equipas da Liga Revolução, basta ver as equipas do Sub-19, etc.

E até os últimos meninos que subiram à primeira equipa.

E todos aqueles que subiram. Se vai ou não resultar é uma incógnita. Acho que o risco é maior, tendo em conta as outras experiências, porque os treinadores portugueses, apesar de tudo, sabem melhor o contexto que encontram do que um treinador estrangeiro que vai pela primeira vez treinar em Portugal. Há uma coisa que eu, apesar de tudo, nunca retiro mérito a António Salvador, que é: nem tudo correu bem, mas muitos dos treinadores que entretanto deram cartas, foi António Salvador que viu neles potenciais treinadores de futuro. E Rúben Amorim é um exemplo paradigmático disso mesmo.

Gabriel Alves, é a aposta certa? Muito rapidamente.

Eu estou de acordo com o que disse o Bruno Roseiro, e tem 42 anos este treinador, o Carlos Vicent, portanto, já tem alguma experiência, já lidou com dirigentes e com isto de negócio que é o futebol, isto que é a estrutura do futebol, tem que estar atento àquilo que são, de facto, os ideais de António Salvador, porque António Salvador é um tanto quanto intempestivo e quer para hoje aquilo que se calhar só pode ser feito amanhã.

Augusto Inácio.

Sobre o treinador?

Sim, exatamente.

Olha, é uma incógnita para mim. É a primeira vez que vai assumir uma equipa. De certeza absoluta que António Salvador tem boas informações sobre este treinador. É verdade que vai virar uma página diferente daquilo que tem sido habitual, em que António Salvador tem dado também a oportunidade a treinadores que puderem singrar aqui também portugueses no futebol português

Mas há uma coisa aqui que também tem que ser avaliada, porque o Braga quer dar o salto, o Braga quer se intrometer no título. Não basta só o treinador. É verdade que normalmente em janeiro o Braga fica sempre sem dois, três jogadores fundamentais e depois pode pôr em causa aquilo que são as intenções. Vamos ver que ferramentas é que este treinador vai ter no sentido de atingir objetivos altos e se no meio da época as coisas não vão sair furadas.

Pedro Henriques, a ti não te queria perguntar sobre o treinador, mas queria perguntar a aposta certa. Real Betis 1, Chelsea 4. Parabéns, Conference League está certa também.

Pronto, sim, eu errei, mas é bom dizer que eu errei na outra porque fui pela parte mais passional. Todos nós queríamos de alguma maneira que o Rúben ou o Bruno Fernandes ganhasse o jogo. Mas eu era relembrar, acho que também falei nisso há dado momento, que a equipa do Manchester United na altura já tinha perdido três jogos com o Tottenham nesta época, um deles para a Taça da Liga, os dois para o campeonato, e um fora do campeonato. E sim, foi na Taça da Liga exatamente. E para dizer também o seguinte, que dois deles já tinham sido com o Rúben Amorim. Digamos que a coisa estava mais do lado do Tottenham. Por isso errei pela parte passional. Aqui parecia-me um bocadinho mais lógico, assim como também acho que o Paris Saint-Germain vai ganhar a Liga dos Campeões. E pronto, acabei por acertar. Aliás, já agora vou dar também a nota de campeão, porque além do Nuno Borges, que também vai ter a nota de campeão dos outros colegas aqui, por aquilo que realmente consegue fazer, ganhar a alguém que está no top 10, acho que é sempre bom, independente de qualquer circunstância. Nota 18. Também falar aqui para aquilo que foi o jogo do Chelsea. Normalmente dizemos em espanhol "la remontada" e agora estava aqui a ver qualquer coisa como "reassembled". Acho que é a expressão dita em inglês, neste caso foi uma remontada em inglês e acho que mostrou-se sobretudo na segunda parte, aquilo que foi realmente um Chelsea demolidor em relação à equipa espanhola e, portanto, nota também 18 para esta vitória, que é sempre importante. É uma competição europeia e é uma competição internacional e os adeptos, mesmo que seja a terceira divisão, como nós dizemos, tomara nós que os portugueses também chegássemos aqui e ganhasse esta competição.

Claro. Ora vamos muito rapidamente às notas. Bruno Roseira, começo por ti, que é o teu campeão do dia e que nota dás? Pedro Henriques já despachou a sua.

Sim, o Nuno Borges, o Maresca também acho que merece, porque o Maresca cumpriu aquilo que o Chelsea precisava, que é: foi à Liga dos Campeões, ganhou a Liga Conferência, arrumou um bocadinho a casa e o Chelsea deixou de ser aquela equipa que parece uma coisa de loucos, que tem de contratar tudo e todos. Continuam a fazer isso, mas ao menos com um bocadinho mais de critério, jogadores abaixo de sub-21. A minha nota vai para o Nuno Borges, uma nota 17. É certo que a certa altura pareceu que o Casper Ruud poderia ter algumas dificuldades, mas o nível de jogo do Nuno Borges subiu muito do primeiro e sobretudo do segundo para os restantes sets.

Terceiro e o quarto set foram uma loucura.

E independentemente do resultado que possa existir depois de acabar já este programa, deixa-me dar já aqui uma nota 17 também para o Henrique Rocha, que a jogar contra o Mensik, ou seja, o Henrique Rocha vem do qualifier, a jogar contra o Mensik, nesta altura é um top 20 do mundo.

Número 19.

Perdeu os dois primeiros sets, conseguiu ir ao quinto set e nesta altura está empatado. Oxalá consiga também chegar à terceira ronda. É sinal de que o ténis português está a rejuvenescer depois de João Sousa.

É isso. Já tínhamos pela primeira vez dois tenistas portugueses na segunda ronda, agora quem sabe tenhamos dois na terceira. Muito rapidamente, Gabriel Alves, nota e campeão.

Olha, eu começo por dar 17 ao Nuno Borges, mas não deixo de dar também 17 ao governo pela resposta que deu à caixinha do Benfica, desvalorizando, relativizando e pedindo tranquilidade, portanto distanciando-se, demarcando-se obviamente desse assunto, porque senão tínhamos caixinhas todas as semanas. E quero dar aqui uma boa nota ao Chelsea, dou 18, mas eu quero dar um bocadinho mais ao Cole Palmer, porque de facto o Cole Palmer explicou ontem aos nossos observadores que seguiram o jogo porque é que João Félix não entrou na equipa, porque na imprensa dizia-se que discutia o lugar com ele. Pois, pois, eu vou ali já bem.

Augusto Inácio, tem de ser mesmo 10 segundinhos, que é o teu campeão do dia e que nota dás?

Já foi dito 18 para Nuno Borges, por aquilo que já foi dito, mas também queria dar nota 20 ao Casper Ruud, porque não se impeliou, nem se desculpou com a pequena lesão que pudesse ter e deu todo o mérito ao Nuno Borges. Por isso, Nuno Borges, nota 18, Casper Ruud, nota 20 e também nota 17 para o Sporting em hóquei em patins. Começou ontem o playoff das meias-finais, ganhou ao Porto 3-2, grande jogo, grande vitória do Sporting.

Esperamos amanhã dar nota 20 ao Henrique Rocha. Meus caros, obrigado e até amanhã.