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Tudo pronto para avaliarmos os principais protagonistas do mundo do esporte. Começa agora o "E o Campeão É", das manhãs 360, e hoje, na análise, juntam-se a mim e ao Júlio Magalhães, os comentadores Gabriel Alves, Luís Vilares, jornalista da Rádio Observador, Miguel Cordeiro. Bom dia aos três.

Bom dia.

Bom dia aos quatro, ao Júlio, já que está desde manhã cedo.

Bom dia.

Bom dia.

Muitas movimentações dos clubes no mercado de transferências depois da provável perda de João Mário pro Benfica. O jornal "A Bola" dá hoje conta de que o Sporting se prepara para uma eventual venda de João Palhinha, um dos jogadores portugueses que mais se terá valorizado no Euro e que pode ser substituído por Al-Musrati, do Braga. Luís Vilar, começo por ti, uma mexida tão grande no meio-campo titular não pode ser demasiado arriscada pra equipe de Rúben Amorim?

Antes de mais, bom dia a todos. Também bom dia à nossa expert em mercado de transferências.

MT, MP. Isto é uma privada, vamos explicar, é que eu escrevi no nosso grupo: "Vamos falar também de MT". E os experts perguntaram-me o que era MT, e eu: "Ai, que cromice a minha."

Sim, nós é que não sabemos.

Mercado de transferências.

Tu é que estás certa. Nós é que estamos distraídos.

Luís Vilar, perguntava-te se uma mexida tão grande no meio-campo titular não pode ser arriscada pra equipe do Rúben Amorim. Não temos Luís Vilar. Gabriel, queres tu avançar?

Temos. Desculpa. Parece que não se pode elogiar a Maria João, porque a dona internet acaba logo por nos cascabo. Mas olha, deixa-me ir direto ao assunto. E o assunto é interessante. Primeiro, olhar de um ponto de vista muito pragmático. Os clubes portugueses pagam em ordenados acima do que é a sua receita ordinária, o que faz com que tenham que acumular uma receita extraordinária em transferências de jogadores. Ou seja, os resultados no final do ano só são nulos ou positivos, se houver ali um incoming na casa dos 30, 40 milhões de euros. Obviamente, se houver mais, depois também permite-se que haja mais pra investir em jogadores. Posto isto, a pandemia também veio acelerar este déficit. A internet não está a gostar do que o Luís está a dizer.

Dificuldade em fazer receita. E o Sporting, como todos os clubes, vai ter que vender.

Luís, estamos com muitas falhas.

Peço desculpa. O que acontece? Pronto.

Vamos lá.

Época, péssima recepção, mas muito rápido, dizer-vos. O Sporting vai ter que vender, tem um de três jogadores para vender, parece-me a mim. Tem o Nuno Mendes, tem o João Palhinha e tem o Pedro Gonçalves. Assumindo que não tem o passe inteiro do Pedro Gonçalves, só tem 50%, só é interessante vender dois jogadores, João Palhinha ou Nuno Mendes. Para Nuno Mendes, está já a ter uma segunda opção na carteira, que é, e agora esqueci-me do nome, o Rúben Vinagre, exatamente. E para o Palhinha, tem já em carteira também o Al-Musrati, de quem o Benfica também se está a aproximar muito. Portanto, isto é vender um, comprar outro e no final ficar com saldo positivo nas contas.

Também estão em cima da mesa eventuais saídas de Seferović, do Benfica para o Tottenham, e de Vitinha, do Porto para o Wolverhampton. Júlio, são saídas que podem fazer mossa?

Não, são saídas programadas. Eu acho que o Seferović já fechou o seu ciclo, quer outros horizontes. Hoje há uma frase que lhe é atribuída, que eu por acaso nem sei se é verdadeira, se é mesmo dele, mas acabei de ler aqui há pouco no meu telemóvel, que é Seferović dizer: "Pelo que eu fiz no jogo com a França, não mereço um clube tão pequeno como o Benfica." Não sei se a frase é de Seferović. Está aqui e não sei se isto é um fake news ou não, mas não fica nada bem. E se ele disse isto, tem os seus dias contados no Benfica, com toda a certeza.

Ou já acabaram. Ou então já acabaram e ainda não sabemos.

Ou acabaram mesmo e nós não sabemos. Em relação ao Vitinha, tenho pena que o Vitinha não fique no Futebol Clube do Porto. Não é um jogador que tenha contado pro treinador do Futebol Clube do Porto no último ano. Não sei se ele está a contar com ele para este. A verdade é que se fala de novo na transferência ou no regresso de Vitinha para Wolverhampton. O Futebol Porto tem soluções de meio-campo com os quais Sérgio Conceição confia. Fico com pena que um jovem com esta qualidade não fique no Futebol Clube do Porto, mas o futebol hoje vive disto, de ter ativos que depois põem as contas em dia também dos clubes e nada a dizer sobre isso.

Gabriel, tudo isto mostra, mais uma vez, a dependência dos clubes portugueses em relação aos negócios que podem fazer nesta altura e obriga-os a ir acautelando eventuais saídas de última hora no fecho do mercado. Dos três grandes, quem é que achas que se está a movimentar melhor para já, Gabriel?

Ó Mariana, todos os clubes.

João.

Mariana?

Mariana é a produtora.

Exatamente, João, desculpa. João, peço desculpa. Isso não é só uma questão dos clubes portugueses, o que foi aqui trazido e foi levantado. Isto é uma questão dos clubes na globalidade. Nós temos, por exemplo, o caso do Barcelona neste momento, que está aflito para mandar embora uma série de jogadores para poder contratar Messi, porque há um teto salarial. Espanha tem um teto salarial. Ou das duas uma: ou consegue encaixar Messi nesse teto salarial ou não há Messi. Ponto, é isto. E portanto, hoje até a notícia é Griezmann sair do Barcelona, porque aquilo que ele ganha é de fato acima de qualquer tipo de hipótese de poder aguentar o ordenado do internacional francês. Portanto, hoje a notícia é Griezmann poderá estar de saída. Mas quem é que vai ficar com o Griezmann? Porque depois é quem é que quer Griezmann com aquele ordenado, com aquela massa salarial?

Portanto, há aqui todo um grande jogo. E eu acho que é extremamente interessante, por exemplo, algo que também está nas últimas horas aqui no país vizinho, que é quando o Pep Guardiola, que é um treinador experimentado, conhecedor, já esteve em várias ligas, na sua, no seu país, na Alemanha, na Inglesa, tem uma noção global, portanto, não só do trabalho in loco, mas também daquilo que confronta ao nível dos clubes onde tem trabalhado, que pôs um repto público ao senhor Tebas, que é presidente da Liga Espanhola e que é um bom presidente, mas pôs um repto fortíssimo, educado, correto, mas firme, pondo em causa, inclusivamente, a sua liderança, mas de forma correta. Atenção, tudo a nível alto. O senhor Tebas respondeu. Respondeu fortíssimo também, de forma correta, pública. E Guardiola já respondeu outra vez. Portanto, isto é que é a discussão daquilo que é o futebol. E estamos a falar de uma liga que não tem nada a ver com a nossa, nós não temos rigorosamente nada a ver com ela. Portanto, ao nível da sua dimensão, onde, eu vou aqui sublinhar, Cristiano Ronaldo e Messi muito ajudaram, muito contribuíram, muito foram a base de toda a riqueza que a Liga Espanhola ganhou no mercado global, no mercado mundial. Aliás, Guardiola frisa isso de forma veemente e sublinhada. Portanto, a verdade é que esta discussão é que é a discussão interessante. Quanto aos clubes portugueses, eu acho que eles estão neste momento a negociar com la plata que têm.

Muito bem. Miguel, ainda por cá no Benfica, Sérvia vai deixar o Clube da Luz, já assinou com o Celta de Vigo. Gabriel deixa de ser uma opção de Jesus, pode rumar ao futebol turco. Fala-se da eventual saída de Seferović. Muitas saídas e plomeia a crítica de Gaspar Ramos, que considera que falta velocidade a João Mário, a única contratação para já conhecida. Diz que não era este o médico que o Benfica precisava. Tens a mesma opinião?

Quanto a João Mário, a única opinião que eu tenho quanto à entrada dele no Benfica é que é um jogador de muita qualidade. Demonstrou isso, principalmente nesta tentativa de recuperação de carreira que fez no Sporting. Não sei como é que vai encaixar na equipa de Jesus, mas tudo aponta que o treinador vai alinhar com essa estratégia de três defesas, o três-cinco-três, algo por aí. E entrando nessa estratégia, acredito que fará um papel muito semelhante ao que fez o ano passado no Sporting. Para já, parece bom reforço. Olhando para esse mercado e para as saídas do Benfica, é uma equipa claramente a arrumar a casa. Está a arrumar a casa, para já ainda poucas contratações. Há uns regressos por empréstimo que também estão a ser arrumados, como por exemplo o Tiago Dantas, que vem do Bayern Munich e parece que está a caminho do Tondela. É uma boa mexida. Quanto ao Al Musrati, que parece que pode vir a ser o próximo nome quente nesta luta desenfreada entre Benfica e Sporting. Curioso, sim, basta folhear os jornais e vê-se que numa página fala-se do negócio de Musrati no Benfica, na página a seguir fala-se de Musrati como hipótese para o Sporting se sair pelinha.

E António Salvador esfrega as mãos.

É isso.

Está quentinho.

É isso. Só falta aparecer aqui um clube estrangeiro que é para acelerar isto, porque assim que aparecer um clube estrangeiro ou aparecer na imprensa que um clube estrangeiro quer Musrati, Benfica ou Sporting começam logo a acelerar este processo e deixam de ser apenas uma questão de rumores de transferências.

E eu sei que há muito ainda para acontecer no MT, mercado de transferências, mas vamos lá. Eu sei que vocês são capazes, até porque temos que fazer jus ao nome da rubrica. Quem é, até agora, para vocês, o campeão nesta cena, nesta saga que é o mercado de transferências? Campeão e nota. Gabriel Alves.

Oi.

Do que se conhece, já.

Que nota, do que se conhece? Conhece tão pouco. Pouquíssimo. Olha, eu para já não dou nota. Fica zero, estou a ver as provas.

Estás a assistir.

Estou a ver as provas, estou a corrigi-las.

Júlio, no teu caso.

Olha, no meu caso, lá vão vocês rirem-se outra vez, mas pronto.

Sérgio Oliveira.

Mas para já não há nada para fazer o futebol do Porto.

Júlio, desculpa, há um jogador do Futebol Clube do Porto, um jovem que vai para o Sporting.

Pois vai. Tem a ver com estas, exatamente, é o irmão do Tomás Lopes, vai para o Sporting.

Mas não tem havido muito ruído com isso, só houve com o João Mário. Até estou admirado. Por quê? Porque ele é muito miúdo?

Muito miúdo, ainda está na formação, a gente não sabe o que vai dar. E o João Mário a gente sabe.

A ironia do Gabriel Alves.

Pode acontecer o que aconteceu ao João Félix.

Juca, não esqueças o que vais dizer, mas isso é que é importante abordar. Qual é a estratégia, de facto, do Sporting, que procura miúdos nos outros clubes, portanto, miúdos de formação para construir o seu projeto. Essa é que é, penso, a grande discussão que deve haver dentro do futebol português, do Sporting, do Benfica, do Porto, qual é o projeto de cada um dos clubes e dos clubes mais pequenos, cada um à sua escala.

E será por essa a razão que deixou sair o João Mário sem fazer uma contraproposta interessante, pelo menos? Fica no ar.

Júlio, termina lá o teu raciocínio, quem é o campeão? É o Porto e a nota?

Acho que há uma maior instabilidade no Sporting e no Benfica em relação a contratações. Aliás, esta notícia do Al Musrati para o Sporting, acho que é uma resposta do Sporting à contratação do Benfica do João Mário. Portanto, está a haver aqui um conflito entre Benfica e Sporting, e o Porto, paulatinamente, está a fazer os seus reforços, de facto, sem grande ruído. Fábio Cardoso, o PP já chegou, quase não se falou dele e é um grande jogador que vem do Grêmio. Eu acho que o Porto tem aqui uma consistência maior na sua base, porque mantém os mesmos jogadores, mantém a sua base, tem este projeto. E até agora, não quer dizer que daqui para frente isto não se altere e passe a ser, mas até agora parece que não tem nada a ver com o Futebol Clube do Porto, Benfica e com o Sporting, tem a ver com esta solidez que acho que até agora o Porto tem mostrado mais do que o Benfica e Sporting, que andam com problemas diferentes.

Miguel, consegues eleger um campeão?

Consigo, mas não em Portugal, porque tirando esta questão entre Benfica e Sporting, ainda está a dormir um bocadinho para animar. E em Portugal normalmente anima quase sempre no fim, quando tem tudo para despachar, é habitual, é português. Mas Paris Saint-Germain está a fazer uma nova equipa galáctica. Começam a chegar jogadores. Apareceu ontem o Hakimi para reforçar a defesa, o Sérgio Ramos está a chegar, o Gnabry também está garantido. Daqui a pouco vai ter muito jogador. Para já o Paris Saint-Germain leva nota máxima no mercado de transferências.

20?

Sim. Está a conseguir fazer uma boa equipa e nem todos por valores que estamos habituados para o PSG. Donnarumma pode chegar a custo zero, não é bem um custo zero, mas é por aí. E Sérgio Ramos também, são jogadores em final de contrato, portanto estão aqui a formar uma ótima equipa.

O que estão a fazer todos os clubes ao nível global.

Sim, aproveitar esse negócio.

É esta a conversa que eu tenho aqui trazido e que nós temos visto a nível global. Hoje as grandes compras, os clubes a venderem, já vai tempo.

Luís, só faltas tu antes de passarmos para o Euro.

Para mim está muito claro quem é o campeão. Não é um campeão com uma nota à la Miguel, que o Miguel é generoso.

Está mãos largas.

Está mãos largas. O dinheiro não é dele.

Clássico. Sempre fácil.

Para mim o campeão é António Salvador, porque o António Salvador parece ter as meninas loiras todas do bairro. Quer dizer, larga o Paulinho, tem o Rúben Amorim. Larga o Rúben Amorim, tem o Ricardo Esgaio. Não tem o Ricardo Esgaio, tem o Almusrati. Isto não é por acaso. Parece muito claro que tem um método de tirar pão quente do forno. Já vendeu o Ricardo Esgaio a quem o comprou por mais. Agora o Almusrati está em todas as linhas, portanto é António Salvador a concretizar finalmente a estratégia para a qual desenhou este Braga, em que vai poder incrementar a folha salarial à conta desta receita extraordinária.

Vamos olhar agora para o Euro. Hoje, às 8:00 p.m., temos a primeira meia-final Itália e Espanha. Depois de ontem, já sabemos por quem aqui o Júlio e o Gabriel vão estar a torcer. Forza Italia, não é?

Forza Italia, classe operária. Classe operária face à aristocracia. Que é o que está hoje a correr.

Gabriel, Mancini vai dar tudo no jogo desta noite. As cábulas dizem que não vai mexer muito no 11.

Vai ter que mexer, no lado esquerdo vai ter que mexer, vai entrar o Emerson, o Spinazzola, infelizmente. Infelizmente, grande jogador, e infelizmente para ele. Qualquer atleta que fica lesionado e não pode trabalhar, é de lamentar. Agora, Emerson defende e avança, mas é bem mais lento que Spinazzola e isto pode mexer um bocadinho na estrutura defensiva da equipe italiana, porque isto vai obrigar a Chiellini a deslocar-se, e não sei até que ponto, porque velocidade é importante no futebol, até que ponto esse terrível jogador chamado Morata não poderá fazer estragos, dada a sua velocidade de execução e velocidade a ocupar espaços dentro da área contrária. Vamos ver. É a mexida que tem. Mas Luiz Henrique também tem uma mexida. A Arábia não está em condições, vai ter que integrar um jogador novo na equipa. Vamos ver quem é que vai entrar. Se é Moreno, porque Moreno faz bem também a faixa e entra da faixa para dentro. Vamos ver. Ou se é Dani Olmo, que normalmente tem sido o jogador que tem entrado para colmatar as substituições dentro do programa de jogo que Luiz Henrique tem. De resto, vai ser um trabalho fantástico de meio-campos. Eu penso que sim, Barella, Jorginho e Verratti por banda da equipa da Itália, aquilo a que chamam a classe operária de meio-campo, e depois os aristocratas. Aquele senhor patrão Busquets, aquele menino que joga fidinho chamado Pedri, e aquele rapaz que quando pega na bola, não se sabe, mas ele fazia parte do 11 ou é o 12º que entra? Aquele rapaz que tem aquela escola daquele treinador. Aqui para nós, em Portugal, pouca gente gosta. Um rapaz, como é que é? Como é que ele se chama? Simeone, vem lá da Argentina, campeão da Espanha. Que tem a escola toda, quer a defender, quer a armar, quer a atacar. Não sei por quê, ocupa-se sempre o espaço certo.

Já vou aqui, Luís Miguel. Na tua opinião, existe claramente um forte candidato para seguir em frente ou as coisas estão equilibradas?

Não há forte candidato. A Espanha vem crescendo e a Itália vem se confirmando ao longo deste Europeu. Estão as duas seleções em ótima forma, estão confiantes. São duas equipas em que a Espanha está agora confiante, pelo menos isso foi o que senti no último encontro, mas quanto à Itália, é uma equipa que sempre senti confiante, mesmo nesse jogo com a Áustria, que foi um pouco mais complicado. Acredita em si, acredita no trabalho que tem feito. Acho que não há um candidato à partida. Se tivesse que escolher, escolhia a Itália. Se tivesse que apostar o meu dinheiro, escolhia a Itália.

Apostavas o teu dinheiro na Itália?

És conservador, Miguel.

Apostava na Itália, porque mesmo com essa saída de Spinazzola, que até acaba por mudar aqui um pouco a maneira de jogar com a entrada de Emerson, porque características muito diferentes, até o próprio pé que utiliza é diferente, e isso é importante para essa posição. Acho que a Itália entra mais forte para este encontro. Neste momento é a seleção mais forte do Europeu e a Espanha, o que pode fazer, para mim, se passar em frente, será uma surpresa. Acho que a Espanha tem capacidade para surpreender, mas vai ter que jogar muito para responder a esta Itália, até porque é uma seleção Praticamente não sofre gols e a Espanha tem que trabalhar para conseguir marcar a Danaruma.

Júlio, o jogo de hoje vai ser muito bom de assistir. De um lado, temos uma Espanha tricampeã europeia, do outro, uma Itália, a Squadra Azzurra, que não ganha desde 1968. Portanto, há aqui muita fome de vencer, não é?

Sem dúvida, a Itália tem o melhor futebol deste Europeu. A Espanha tem o futebol mais difícil de contrariar deste Europeu. É o futebol de Espanha. É como acontece no Manchester City e no Barcelona. São sistemas muito difíceis de contrariar. A Dinamarca é a seleção mais naïf. A Inglaterra é a mais surpreendente destas seleções que estão no Europeu, porque mudou um bocadinho o seu perfil. Para o jogo de hoje, o que eu acho é que os espanhóis podem ganhar, e a possibilidade de terem de ganhar é nos pênaltis, porque a Itália hoje vai ter mais dificuldade em ter o seu jogo, porque a Espanha normalmente tem a bola e a Itália tem mostrado que precisa da bola para fazer o jogo que tem feito. E, portanto, pode redundar num empate no fim do jogo e depois nos pênaltis. Pode ganhar a Itália, pode ganhar a Espanha, e essa é uma possibilidade que a Espanha terá de ganhar. Eu aposto na Itália, embora vos deva dizer que estou quase a ficar ao lado do Luís Aguilar, no que diz respeito ao favorito para o campeão europeu, que é a Inglaterra. Tem feito umas belas artimanhas. Ontem houve um pormenor que me tinha escapado e que li ontem, é que estas quatro seleções que estão nesta fase final jogaram todas em casa. Ora a Inglaterra, Boris Johnson vai abrir o país a dia 21, mas já abriu ao público. O Wimbledon hoje vai ter a lotação esgotada, os estádios de Wembley vão ter lotação esgotada, mas as outras seleções não podem lá ir. Ou seja, Inglaterra vai jogar em casa. Bela artimanha.

Meia-final e final. Luís, no teu caso, já sei que vais torcer pela equipa que consideras mais fraca para defrontar a tua Inglaterra, caso não haja surpresas amanhã, não é?

Eu agora estava nervoso, pensei que ias pôr alguma música para eu dançar.

Não pode ser todos os dias.

"Football's Coming Home", mas eu percebo perfeitamente. Olha, eu acho que tem aqui um grande jogo em perspetiva. Acho não, tenho a certeza. São as duas seleções mais reputadas na prova. E aliás, e mesmo nos campeonatos de seleções, nós falamos muito de Inglaterra, mas a Inglaterra não tem currículo internacional. A Itália já ganhou quatro Mundiais, a Espanha já ganhou três Europeus. Esta, na verdade, é a reedição da final de 2012, em que a Espanha ganhou 4 x 0 depois de um empate 0 x 0 na fase de grupos.

E nesse Europeu jogaram duas vezes, jogaram na fase de grupos também.

Sim, o tal 0 x 0 no grupo C. O que me parece? Parece-me que ambas estão a viver períodos iguais da sua vida desportiva, mas simultaneamente bastante diferentes do seu passado recente. Ou seja, entre 2000 e 2010, estas gerações ganharam títulos internacionais à custa de equipas absolutamente diferentes daquelas que têm hoje. Hoje têm um rejuvenescimento grande. Se do lado da Espanha, nós vemos o Jordi Alba, o Azpilicueta e o Busquets como os mais experientes e mais nada. Do lado da Itália, muito sinceramente, eu vejo o Mancini como o único experiente.

E o Bonucci e o Chiellini.

O Bonucci e o Chiellini, sim, tens razão.

Esses dois rapazes que têm 300 jogos.

Mas pouco mais. Olhamos para os sistemas de jogo e aquilo vai encaixar na perfeição. Portanto, a Itália joga com dois médios recuados e um avançado, e a Espanha joga ao contrário, ou seja, o Busquets vai-se amarrar no Niccolò Barella, o Jorginho no Pedri e o Koke vai ficar provavelmente com o Verratti, se jogar. Não sei se vai jogar o Locatelli, mas deve jogar o Verratti. A Itália já não é o catenaccio de outros tempos e a Espanha também já não é o tiki-taka redondo, complexo, muito móvel e passe curto que era antigamente. Obviamente, e para terminar, que a Itália parece vir com vantagem, mas diz-me a experiência que nestes tipos de jogos, isso tudo desaparece assim que o árbitro apita e acaba por ganhar aquele que é mais eficaz e assertivo nos momentos de precisão, nos desequilíbrios, nos contra-ataques.

E qual é o teu palpite de resultado para amanhã? Estamos em cima do nosso apito final.

Sim, olha, eu vou dar para hoje, 2 x 1 para a Espanha.

2 x 1 para a Espanha. Gabriel.

Só uma nota. Eu só vou ficar, não sei se vou ter bel canto ou se vou ter zarzuela. Portanto, isto ou ópera ou zarzuela logo à noite, porque amanhã temos que ter no programa ou zarzuela ou ópera, vamos ver.

Gabriel, como é que achas que vai terminar?

Eu não admirava que a Espanha hoje ganhasse por 1 x 0 à equipa da Itália, porque a Espanha se surpreender, depois vai ser muito difícil à Itália.

Júlio, na tua opinião?

Eu mantenho a minha Espanha a ganhar a Itália só nos pênaltis, portanto acho que a Itália vai acabar por ganhar este jogo por 2 x 0.

Miguel?

Boa, Júlio. Vou exatamente no mesmo, 2 x 0 para a Itália.

E então logo mais saberemos. Amanhã discutimos isto e claro, a outra meia-final e o Campeão É para ouvir sempre depois das 21h30 ou a qualquer hora no site do Observador e em podcast. Obrigada aos quatro. Até amanhã.

Até amanhã. Bom dia.

Bom dia.