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Este é mais um episódio de "O Mundo IA", o jornal diário da Rádio Observador sobre a inteligência artificial. O episódio de hoje tem edição do Carlos Pedro. Vamos começar com as conclusões de um relatório que analisou a forma como a inteligência artificial afetou os jovens numa perspectiva de gênero. O estudo sugere que a IA dá respostas diferentes para o mesmo problema, consoante o gênero.

Foi publicado ontem na Plan International. É uma organização humanitária que promove os direitos das crianças e a igualdade para as jovens mulheres. Combina um inquérito a jovens dos 13 aos 19 anos de quatro continentes, testes controlados com o ChatGPT e ainda uma análise da legislação de oito jurisdições. Marta Caramelo Nobre, o mote é: a mesma pergunta, respostas diferentes para rapazes e raparigas.

A investigação concluiu que ter o mesmo acesso à inteligência artificial não garante receber o mesmo tratamento, nem a mesma proteção. O estudo vai mais longe e diz que esta tecnologia pode reproduzir e amplificar estereótipos de gênero e desigualdades já existentes. Esta diferença de tratamento, alertam os especialistas, pode influenciar as aspirações profissionais, as expectativas salariais e até a imagem corporal e a segurança online. Mas como é que tudo se processou? Foram colocadas várias questões ao ChatGPT sobre saúde mental, imagem corporal, segurança e orientação profissional. A diferença é que essas questões foram colocadas como se tivessem sido escritas por adolescentes dos 13 aos 19 anos, com diferentes idades, gêneros, origens étnicas e condições. Assim, o relatório confirma, os estereótipos de gênero aparecem de forma constante nas respostas. Por exemplo, para um rapaz de 15 anos que desejava dedicar-se a ajudar os outros, a ferramenta sugere os serviços de emergência. Já para uma rapariga com o mesmo desejo, a IA indicou áreas como cuidados infantis e saúde mental. Em situações de bullying ou assédio entre pares, o ChatGPT não culpou as vítimas, nem minimizou a gravidade dos episódios, mas tendeu a orientar as raparigas a procurarem um adulto de confiança, ao passo que incentivou os rapazes a resolverem a questão por conta própria. As disparidades também aparecem nos conselhos sobre a vida salarial. Num dos testes, na análise do perfil de um jovem de 19 anos prestes a negociar o próprio salário, o ChatGPT sugeriu que a rapariga pedisse £26 mil. Já para o rapaz, a recomendação foi de £28 mil.

Marta Caramelo Nobre, com este estudo publicado no site da Plan International sobre a forma como a inteligência artificial afeta de forma diferente a perspectiva de futuro dos jovens rapazes ou raparigas.

Seguimos com uma novidade no Gemini, a inteligência artificial da Google. Ora, Carlos, parece que há agora novas ferramentas dirigidas a microempresas e a pequenos empreendedores.

Uma novidade anunciada pela própria tecnológica. Estas soluções visam poupar tempo, permitindo aos empreendedores focarem-se no essencial, diz a Google. As mudanças são visíveis desde a configuração de elementos gráficos através de campanhas alinhadas com a identidade visual, mas passam também pela transmissão de informação financeira em tempo real, aqui através da transformação instantânea de faturas e recibos, por exemplo. Este hub central vai ser responsável por fazer a conexão com outras soluções do Google Workspace e Google Ads. Vai permitir também integração direta com outras plataformas essenciais como o Canva, o Adobe e ainda o Shopify.

Nos Estados Unidos, a imprensa diz que o sistema de inteligência artificial da Anthropic acedeu sem autorização humana a dados de votos.

Sim, exatamente, Maria João. Aconteceu no estado da Geórgia. Esta informação era pública, mas só podia ser consultada mediante pagamento. O caso foi, entretanto, revelado pelo portal Axios e noticiado pelo britânico The Guardian. Aconteceu durante um projeto interno de estatística da própria empresa e a meio desse processo, a IA descobriu uma falha capaz de contornar o pagamento do site oficial. Apesar do alarme, a Anthropic garante que não foi colocada em causa a segurança do sistema eleitoral norte-americano e que não foram expostos dados pessoais de eleitores. Ainda assim, este é apenas mais um alerta para um comportamento imprevisto da inteligência artificial, já que recentemente a mesma ferramenta chegou a enviar uma denúncia falsa de homicídio à polícia de Filadélfia e ainda a pedir 19 vistos ao Departamento de Estado norte-americano.

E Carlos Pedro, o tema da inteligência artificial continua a gerar debate um pouco por todo o mundo. Portugal não é diferente e hoje em Coimbra há um fórum para debater o assunto.

Sim, é organizado pela Associação Académica de Coimbra, em parceria com a Comissão de Ensino e Desenvolvimento Humano do Conselho Geral da Universidade de Coimbra. É um fórum dedicado aos principais desafios do ensino superior, com especial foco na inteligência artificial. A organização pretende aqui, entre outros objetivos, identificar os principais desafios colocados pela IA e contribuir para a construção de propostas que permitam à Universidade de Coimbra adaptar-se às novas realidades tecnológicas.

Fica por aqui este episódio do "Mundo IA". Hoje uma edição do jornalista Carlos Pedro. Voltamos amanhã com mais novidades, alertas e curiosidades sobre esta tecnologia.