Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E o Campeão é na Rádio Observador, edição de sexta-feira, 03 de julho. Seja muito bem-vindo. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo Gabriel Alves, Luís Pinto Coelho, João Castro e Augusto Inácio para a análise ao jogo de ontem da seleção. De resto, Espanha-Portugal, segunda-feira, 20h, está confirmado. Portugal está nos oitavos deste mundial, depois de uma batalha com a Croácia resolvida no tempo regulamentar, mas que mais pareceu um prolongamento. Gabriel Alves, foi a melhor primeira parte da nossa seleção neste mundial? Gabriel? O Gabriel não está conosco, mas já vai estar. Faço a mesma pergunta ao Augusto Inácio. Está cá. Gabriel, vamos a isso. Essa primeira parte de Portugal convenceu. Terá sido a melhor da nossa seleção neste mundial?

Sim, aquela primeira parte. Boa tarde para todos. É uma primeira parte que convence, até pelo desenho traçado pelo próprio treinador, Roberto Martínez, e pela resposta que os futebolistas deram. Portanto, é uma primeira parte consistente, mas com falta de definição. Há aqui que dar uma nota, muitas vezes criticado e eu incluo-me nisso. A entrada de Rafael Leão é uma entrada positiva e Rafael Leão correspondeu. Portanto, foi Rafael Leão, não aquele jogador apático que também durante a temporada o foi em Itália, mas correspondeu. Tem muito a ver com essa decisão do Roberto Martínez. Faltou definição àquilo que foi a primeira parte de Portugal. Depois o segundo tempo, de facto, é muito complicado. A sorte esteve para Portugal. Há situações interessantes desta segunda parte na sorte, desde a capacidade de decisão do Ronaldo na marcação da grande penalidade, à arte de bem jogar de cabeça do Gonçalo Ramos, que entrou. Portanto, o jogador que até no Paris Saint-Germain entra e marca gols, ontem na seleção, finalmente chamado, também entrou e concretizou de forma belíssima, bonito, de arte, com um grande trabalho de assistência de Rafael Leão, que já aqui elugiei antes. É um jogo que para o grande público é uma grande partida pelos factos emocionais, pelas polêmicas. Eu deixo essas polêmicas para a FIFA e para o Pedro Henriques. Ainda bem que foram a nosso favor, no sentido corretas e estiveram por Portugal. De resto, Portugal tem que repensar aquilo que foi a segunda parte face a equipes que conseguem dominar a posse de bola e que conseguem envolver aquilo que é o espaço da casa das máquinas. Portugal sem bola não existe.

Luís Pinto Coelho, eu creio que foi aqui no nosso grupo de WhatsApp do Campeão que o João Castro ontem antevia que o MVP da partida seria a tecnologia e aquele sensor na bola que evita o gol da Croácia já no final do jogo. Mas Diogo Costa também pode ter sido um dos melhores em campo nesta partida, fez defesas muito importantes e isso torna a continuidade no Futebol Clube do Porto também difícil depois de um mundial em que está a brilhar.

Olá, boa tarde. Sim, o Diogo está a fazer um tremendo mundial e ontem na pior fase de Portugal. Portugal tinha ali 15, 20 minutos que perde o controle da partida e é o Diogo que segura Portugal. Faz várias defesas muito boas e transmite segurança. Isso é o mais importante, transmite segurança pra equipe, mas uma das defesas, o remate de Kovačić que ele desvia pro poste, é uma defesa monumental. Mas muito bem, tem feito um mundial fantástico e obviamente que eu acho que vai acabar por aparecer um tubarão financeiro, eu diria que se calhar o Paris Saint-Germain.

Aqui a questão é haver uma colocação. Que equipe poderá estar mais necessitada de guarda-redes de topo como o Diogo Costa, porque em outras latitudes, em Inglaterra, estão mais ou menos tapados. Mas não sei se queres dar ideias também.

Sim, me parece que pode ser o Paris Saint-Germain, até pela qualidade que o Diogo tem a jogar com os pés, encaixa muito bem na ideia de Luís Henrique também e parece-me que é o ponto fraco neste momento do Paris Saint-Germain. Já há um contingente grande de portugueses, acho que se calhar vai agora o Diogo Costa substituir o Gonçalo Ramos. E continuar a ter quatro portugueses, se calhar, no Paris Saint-Germain. Acredito que possa ser isso que vai acontecer.

Se calhar foi por isso que o Gonçalo foi vendido, era uma espécie de cota nacional que não poderíamos ultrapassar na Liga Francesa. Força, Gabriel.

Os 60 milhões de um lado pelos 60 milhões do outro.

Pode ser.

Mais ou menos. Entre 60 e 100.

Daria para sair por 60 milhões Diogo Costa, Luís?

Sim, eu acho que é esse o valor que o Porto está. Até penso que a cláusula baixou de 80 pra 60 e acho que vai ser por aí.

Augusto Inácio, queria também a tua opinião sobre as mexidas que Roberto Martínez fez nesta partida. Fez quatro logo de uma assentada e mudou bastante o figurino da equipe. Não sei se podemos dizer que a equipe melhorou com estas mexidas, acabou por correr bem no final, mas como é que analisas estas mudanças que foram promovidas por Martínez, que às vezes é acusado de mexer pouco?

Boa tarde a todos. Deixa-me dizer que a primeira parte foi muito bem conseguida por Portugal. Foi uma surpresa para mim o Rafael Leão ser titular. E é uma surpresa, porque eu nunca sei quando é que o Rafael Leão está nos seus dias ou não, porque é muito intermitente. O que é certo é que ele correspondeu, como disse o Gabriel Alves, e bem. Foi realmente muito dinâmico do seu flanco e acho que Portugal, com essa entrada, equilibrou os setores de tal forma, encurralou de tal forma os croatas, que praticamente não tiveram grandes oportunidades e Portugal teve uma avalanche ofensiva boa, mas o Gabriel Alves disse "definição", eu digo que não teve praticamente quase nenhumas oportunidades de golo, a não ser uma ou outra, mas Portugal estava por cima do jogo e sentiu-se isso. Na segunda parte, quando eu vi a entrada da Croácia e não ser respondida da mesma forma por Portugal, como também tinha feito no primeiro tempo, eu temi que realmente as coisas tomassem um rumo complicado. E levou. Perišić marcou o gol, um lance que fica mal na fotografia à nossa defesa, como é evidente, mas depois é aquilo que tu dizes que é o kamikaze, é a roleta russa, mete-se quatro jogadores, o meio-campo desapareceu completamente, mas quando metes quatro jogadores, é verdade que mexe na estrutura.

Mexe na estrutura também, não é?

Também, mas aquilo ali já é o tudo ou nada, praticamente, como se costuma dizer. Mas quando entram os quatro jogadores, é quando há o pontapé de canto, grande penalidade sobre o Bernardo Veiga, Cristiano Ronaldo a marcar, uma frieza enormíssima, e as pessoas não dão valor a isso, mas eu dou muito, porque sei no momento em que foi Portugal a perder, e a frieza dele e a personalidade dele é realmente extraordinário. E Portugal faz um. Não deu para ver, realmente, sei que produziu logo efeito. O que é certo é que o jogo voltou outra vez ao normal, com a Croácia por cima e praticamente eu não vi meio-campo de Portugal. Não vi ninguém. Aquilo era um passador, como se costuma dizer, e estava tudo à espera, ou ele estava à espera, pelo menos, de que a continuar assim, a Croácia vai acabar por marcar. Entretanto, Roberto Martínez sentiu o perigo. O que é que ele faz? Coloca outra vez mais um homem do meio-campo, o Rúben Neves, que aí estancou um bocado a avalanche ofensiva que a Croácia estava a ter e deu uma oportunidade de nós posicionarmo-nos um pouquinho mais alto e estarmos um pouquinho mais desafogados, entre aspas. Mas depois aparece o segundo gol. O segundo gol não é um jogo coletivo, é uma jogada de dois jogadores. É o Rafael Leão que pega na bola, faz um excelente cruzamento e o Gonçalo Ramos, com um gesto técnico perfeito, faz o 2 x 1 e Portugal sofreu. Sofreu. O jogo nunca mais acabava. Eu estava a ver que passava a noite aí no Observador, porque o jogo nunca mais acabava. Até que ao apito final, depois daquele lance em que a Croácia faz o 2 x 2 e muito bem fora de jogo, offside, e que foi marcado. Mas eu diria que é uma vitória que nos deixa orgulhosos porque estamos nas oitavas de final, mas também deixa muitas preocupações em relação ao jogo que vamos ter com a Espanha, porque realmente aquele meio-campo da segunda parte desapareceu completamente e vejo Vitinha, vejo João Neves, vejo Bruno Fernandes, muito desgastados fisicamente, devido, talvez, à época que fizeram pelos seus clubes.

João Castro, queria também a tua opinião sobre a saída de Ronaldo. Há uma imagem televisiva em que ele até parece um pouco surpreendido e não muito agradado com a ideia, mas acolhe-a depois e fica também junto dos seus colegas, festeja bastante os gols que entretanto conseguimos. É um momento importante do jogo e deste mundial e deste grupo, esta troca que foi ali promovida e depois também o gol do Gonçalo Ramos.

Boa tarde a todos. Era uma troca normal, era o mais fácil para equilibrar o meio-campo, como disse o Inácio. Nós estávamos a jogar basicamente num 4-2-4, porque além de só estares a jogar com dois médios e um era o Bernardo Silva, tinhas dois extremos puros, que pouco ou nada defendem. Basta ver o gol da Croácia, em que o Rafael Leão ganha passo e não ajuda no momento. Portanto, quando jogas com dois médios e tens extremos puros que pouco ou nada defendem, a equipa fica partida. Basicamente, estavam ali cinco a defender e cinco a atacar. E portanto, foi muito complicada essa altura. E o normal para restabelecer o equilíbrio do jogo era claramente colocar mais um médio, podia ser o Rúben Neves, podia ser o Samu Costa, ou o próprio Matheus Nunes, se bem que não conta para o toque na bola. E portanto, acho que fez bem. E a saída do Ronaldo era o mais óbvio, o jogador mais cansado, o jogador mais velho. O Gonçalo Ramos tinha entrado há pouco, portanto, só se o selecionador inventasse e pusesse o Ramos na esquerda e mantivesse ali o Ronaldo, e tirava o Rafael Leão.

E metia o Bernardo Silva também para um mal.

Havia essa hipótese, mas eu acho que fez bem o treinador, era a solução mais óbvia, mais rápida de solucionar o problema. E depois, obviamente, teve sucesso, porque como o Inácio disse, foi um gol de dois jogadores. Há um cruzamento perfeito do Rafael Leão, mas há um trabalho fantástico do Gonçalo Ramos.

No meio de dois.

É, mas ele esconde-se sempre atrás, e é isso que os avançados devem fazer, sempre atrás do segundo defesa. Segundo defesa central, o lado cego do defesa. E portanto, fica muito difícil para o defesa saber se ele vai se antecipar, se vai recuar, dar dois passos para cabecear. E portanto, é aí que se nota realmente uma qualidade tática do Gonçalo Ramos a jogar o contra-lance. E é o jogador com mais gols de Portugal nas eliminatórias, nas fases finais. Já leva quatro. E portanto, acho que acaba por ser uma vitória justa. Deixa-me dar aqui os parabéns ao VAR. Muita gente não sabe, muita gente anda a criticar nas redes sociais o gol anulado à Croácia, mas a bola tem um sensor. Quem me dera que em Portugal também acontecesse. E portanto, é tudo mais fácil e eu acho que a exibição em termos do VAR foi perfeita.

Convido também para que ouçam pelas 13h45 na Rádio Observador, a edição especial do Sem Falta com o Pedro Henriques. Falamos um bocadinho também desse sensor na bola e não só. João Castro, estamos a ficar sem tempo. Queria pedir-te a tua nota de campeão e se muito rapidamente, como é que olhas para o sonho cabo-verdiano mais logo às 11 da noite frente à toda-poderosa Argentina?

É torcer pelos Tubarões Azuis. Vai ser difícil, mas tudo é possível no futebol. Cada vez as equipas estão mais organizadas, bloco baixo, contra-ataque. E esperar que o Messi também não esteja nos seus melhores dias.

E esse campeão?

Notas de campeão. Vai para a tecnologia. Nota 18 para a tecnologia, vai para o Gonçalo Ramos, nota 18, e vai obviamente para o Diogo Costa, para nota 18, só para brincar aqui com o Luís, que venha o Paris Saint-Germain ou qualquer equipa, mas que levem o homem daqui.

Luís Pinto Coelho, queres responder com nota de campeão também?

Vou lhe dar nota 20 ao Diogo Costa, obviamente, porque acho que fez mais uma exibição, já tinha feito anteriormente, mais uma grande exibição. Também um 20 para o Gonçalo Ramos. Entrou bem, marcou, faz um golaço. E depois 15 para Roberto Martínez pela primeira parte. Acho que o jogo foi bem preparado. Portugal surpreende a Croácia pelos corredores e eu acho que a Croácia não estava à espera de dois extremos puros de Portugal e Portugal teve uma primeira parte muito boa. Agora tem que estender mais tempo e não ser só uma primeira parte, mas o 15 vai para Roberto Martínez.

E Gabriel, quem é o teu campeão hoje?

Olha, também dou 20 ao Diogo Costa, segurou Portugal. Dou também ao Gonçalo Ramos pela arte com que marcou o golo. É fantástico, independentemente do momento em que o executa. Quero deixar aqui também um 18 para a Espanha, que foi um show de bola no jogo que fez ontem, com uma palavra muito especial para o Oyarzabal. É um artista despercebido, que não anda muito no Moneyball, como lhe chamam, e bem. Carlos Queiroz é um grande conhecedor de Moneyball.

Vai ser difícil esta Espanha para nós.

Vai ser muito complicado. Se o meio-campo de Portugal joga como jogou aquela segunda parte, não sei. Mas cada jogo é o seu jogo, naturalmente. Vamos esperar, a competição é o que é. Quero deixar uma nota muito forte para um jogador que está a passar despercebido entre nós, é da Suíça, joga no Friburgo, já tinha mostrado frente ao Braga que é um jogador interessante, chamado Manzambi. Mas que gala ontem frente à Argélia, e não só, e já leva três gols. Cuidado com este menino, tem 20 anos, é um espetáculo. Aliás, há vários jovens neste campeonato que naturalmente a determinada altura nós iremos certamente falar deles e deixar zero para a FIFA. Sabe quanto é que estão os bilhetes do México e Inglaterra? $36 mil. Coisa boa. Futebol é popular.

Augusto Inácio, fechamos contigo e com o teu campeão.

Pois, eu vou repetir com algumas das notas que já foram dadas aqui pelos nossos amigos. Diria também Portugal nota 18 porque passou às oitavas de final, nomeadamente para Gonçalo Ramos, nota 18 porque realmente fez um golo fantástico. E claramente, nós só ganhamos o jogo porque antes tivemos alguém que salvou o resultado, foi o Diogo Costa. E naturalmente o Diogo Costa, nota 20, não só pelo jogo de ontem, mas pelo grande mundial que está a fazer. E também queria dar nota 20, mas de motivação, de força, de crença, de desejo meu e se calhar todos nós, para Cabo Verde, que vai jogar contra a Argentina, campeã do mundo. Cabo Verde, vamos lá, cabo-verdianos, vamos lá fazer mais uma surpresa. Adoro este povo.

Augusto Inácio, Gabriel Alves, João Castro e Luís Pinto Coelho. Está feita a edição desta sexta-feira de "E o Campeão É". Bom fim de semana.