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Edição especial de "E o Campeão É?" para analisar o primeiro dia dos oitavos de final da Liga dos Campeões. O Sporting entrou em campo hoje, perdeu por 5 x 0 frente ao poderoso Manchester City. Derrota em Alvalade, sendo que ao intervalo já perdia por 4 x 0. No outro encontro, que vamos também analisar neste programa, o Paris Saint-Germain venceu por 1 x 0 frente ao Real Madrid. São dois jogos que vamos analisar nesta edição especial de "E o Campeão É?" Comigo estão o João Pinto, também o Bruno Roseiro, o João Castro e o Bruno Vieira Amaral. Boa noite a todos. Vamos partir para a análise destes jogos todos. E começo por ti, Bruno Roseiro, olhando para este encontro do Sporting, o que é que, de facto, correu mal aqui neste jogo?
Aqui é complicado percebemos o que pode ter corrido bem, a não ser os últimos 10 minutos, mas não propriamente em relação ao jogo, mas por tudo aquilo que aqueles 10 últimos minutos representam. Eu gostava só de dar aqui um bocadinho de contexto. Sinceramente, este resultado para mim é uma surpresa claramente negativa. E é uma surpresa porque assistindo a todos os jogos do City, aliás, provavelmente eu acho que ainda assisti a mais jogos do City do que jogos do Sporting também por questões de trabalho. Aquilo que eu via era os poucos pontos fracos do City, que encaixavam, de certa forma, com os pontos fortes que o Sporting tem em jogos grandes, nomeadamente a nível de transições e a mossa que consegue fazer nos adversários, como se viu, por exemplo, na Luz, como se viu no Dragão. Depois, aquilo que eu via é um Sporting que nos jogos onde as equipas adversárias querem ter mais bola, vão à procura de controlar por completo o jogo, e o Sporting acaba por quase conceder esse domínio, por norma, defensivamente, também se dá bem. E as respostas que foi dando nesse tipo de jogos em que claramente tem muito menos bola, tinham sido boas até aqui. E depois havia aqui um terceiro ponto, que era não só uma questão de afirmação dos jogadores de um clube, mas também do próprio treinador. Rúben Amorim está a começar a carreira, mas já se percebeu que Inglaterra é talvez o país que olha com mais atenção para este fenómeno Rúben Amorim, e até por isso havia aqui também algo na perspetiva de tentar mostrar o porquê de haver esse fenómeno. E se é verdade, e eu percebi exatamente aquilo que o Rúben Amorim explicou na conferência de imprensa em relação a ele ser um treinador ainda na primária, que tem uma ideia e tem um modelo de jogo muito bem definidos, mas que depois não encontra as soluções, não tem planos B, nem encontra outras soluções dentro desse modelo. Quando ele fala de Guardiola como alguém que é da universidade, é alguém que tem uma ideia de jogo e depois a partir daí, o modelo é uma coisa dinâmica. Ou seja, nós não podemos dizer propriamente que o City joga com tática A, B ou C, porque tudo aquilo é dinâmico, é mecânico, demorou muito tempo a construir, mas é algo que muito poucas equipas conseguem parar. Mas ainda assim, a maneira como o Sporting se expõe nos primeiros 20 minutos, independentemente de ter ou não sofrido os gols e da eficácia que o City teve, pareceu-me que foi desastrosa em termos de perspetiva de entrada. Ou seja, eu esperava que o Sporting tivesse linhas muito mais baixas, que evitasse muito mais vezes pressionar alto, porque aquilo que se vê no jogo do City é enquanto a bola continuar a rodar em Ruben Dias, em Laporte, em Rodri, o City não consegue propriamente criar perigo. A partir do momento em que a bola consegue entrar num espaço entre linhas, seja em De Bruyne, seja em Bernardo Silva, seja naqueles movimentos diagonais que Mahrez e Sterling fazem, aí sim é que está o perigo do City. E a maneira como o Sporting quase que se expôs a essa situação, para mim, acabou por ser a grande surpresa. Se Rúben Amorim dizia que estava na primária, eu diria que a maneira como a equipe entrou foi quase de pré-primária e a própria maneira como o Guardiola conseguiu dar largura ao jogo através dos laterais, passou de universidade para doutoramento. E depois a partir daí o jogo ficou a definir. O terceiro gol, para mim, mata por completo o jogo, até pela forma como acontece, escorrega o José, escorrega o Matheus Reis.
Fica muita desatenção do Sporting.
O Coates não consegue fazer o corte. Naqueles 10 segundos, houve ali um fenómeno de uma lei de Murphy, onde tudo que podia correr mal, correu ainda pior. E depois a partir daí foi, naturalmente, a melhor equipa a jogar ainda melhor, porque eu acho que em termos de transições, em termos de controle de jogo, e o próprio Bernardo Silva admitiu isso, o City esteve muito melhor na segunda parte do que esteve na primeira, e o Sporting a tentar evitar ainda mais estragos, até aqueles últimos 10 minutos, que acabou por ser quase uma redenção para os jogadores, de perceberem que independentemente da goleada que sofreram, na segunda vez que o clube vai aos oitavos de final da Liga dos Campeões, há, de certa forma, um reconhecimento por todo o caminho que foi feito até chegar a essa fase da Liga dos Campeões.
João Castro, nosso adepto do Sporting, estiveste também no Estádio de Alvalade, estiveste a acompanhar este encontro a partir do estádio e estás agora de viagem de regresso para a cidade do Porto. Mas para quem esteve nas bancadas, para quem assistiu a este jogo, o que achas que correu mal? Foi, de facto, toda essa estratégia de Amorim para este encontro, a abordagem para este encontro, para depois falhar também a atitude dos jogadores em campo?
Boa noite. Acho que há que distinguir duas coisas. Em primeiro lugar, o Sporting está a aprender. É uma curva de aprendizagem e isso nota-se em vários momentos do jogo e contra estas equipas mais fortes. O City é claramente melhor, mas há uma grande diferença entre as equipas. Mas concordo com o Bruno. Eu vim também, como se recordam, ver o jogo contra o Dortmund. O Sporting jogou com as linhas mais descidas. Hoje, não. Começou o jogo com as linhas um pouquinho mais subidas e isso fez com que o City aproveitasse também erros do Sporting ao início, marcou cedo e acho que criou a tempestade perfeita, que foi mesmo isso: erros do Sporting, total eficácia do Manchester City e o Sporting depois do 2 x 0 nunca mais se conseguiu encontrar. Até o 2 x 0, até aparecer o segundo gol do City, o Sporting ainda conseguiu sair várias vezes por Matheus Nunes e daí os elogios de Guardiola ao jovem jogador português. O Sporting conseguiu criar até lances de largura, que é uma das fragilidades do City, a mudar rapidamente de flanco para Pedro Porro, que teve duas investidas pela direita com espaço, conseguiu ir para um contra um com o adversário, mas a partir dos gols do City, do acumulado dos erros, depois os jogadores ficaram intranquilos e o Sporting nunca mais se encontrou, até que não fez mais nenhum remate enquadrado à baliza, não fez nenhum remate enquadrado à baliza, sempre só um remate de esgaio. E, portanto, eu acho que é toda uma curva de aprendizagem. Rúben Amorim tem razão nisso. Acho que o Sporting tem que estar presente nestas fases mais vezes. Obviamente, estando mais vezes, também tem outra capacidade financeira até para reforço da equipa, mas acho que também Rúben Amorim obviamente vai evoluir, vai perceber algumas coisas que fez mal, quer na estratégia, quer no 11 titular. Eu acho que correu mal na abordagem de Rúben Amorim com o 11 titular. Acho que também o jogo do Dragão teve aqui alguma pequena influência, pelo desgaste físico e emocional que o jogo também trouxe. Hoje notei um Sporting menos agressivo. Claro que chegava mais tarde à bola, o City roda muito bem a bola, mas a verdade é que o Sporting, mesmo em duelos de um para um, acho que foi muito menos agressivo do que deveria ter feito. E o jogo acaba por ser muito tranquilo para o City e o Sporting pagou por isso e pagou caro. Todas as oportunidades que o City teve. Chegou uma altura que estavam sete remates, cinco gols por parte do City. Mas é isto que acaba acontecendo com estas grandes equipas. E está na Champions, os adeptos têm que se habituar a afrontar estas grandes equipas e há jogos assim. Agora, é todo um caminho, uma curva de aprendizagem, que acho que todos do Sporting têm que ter isso em consideração. E depois, o único aspecto positivo em relação ao Sporting é realmente o apoio do público no final. A suportar a equipa, levar a equipa ao colo, a tentar levar a equipa para outros níveis anímicos já para o jogo de domingo contra o Estoril, porque isso é verdadeiramente o campeonato do Sporting. A Liga dos Campeões, obviamente, vai ficar para trás, vai ter mais um jogo de aprendizagem, mas é verdade que notou-se aqui uma grande diferença entre o Sporting e o Manchester City. O Rúben Amorim até aproveitou para fazer descansar alguns jogadores. Já na segunda parte, Palhinha, Sarabia. E aqui destacar, eu acho que há dois jogadores do Sporting que realmente foram menos maus. Para mim foram o Matheus Nunes e o Palhinha, que trabalharam realmente muito para a equipa, mas claramente não era suficiente e não era o dia do Sporting.
Já vamos também recuperar esse momento do final do jogo e a ovada desse apoio dos adeptos. E já vos vou pedir também notas no final desta análise. Mas, João Pinto, o João Castro falava aqui desta questão da aprendizagem. O próximo jogo vai ser novamente de aprendizagem, com o Sporting uma equipa em aprendizagem. É não só o Sporting a aprender, mas também o treinador Rúben Amorim a aprender a estar nestes grandes palcos?
Sim, acho que ele foi o primeiro a admitir isso, que tem muito jogo para fazer até chegar ao nível dos treinadores com quem ele também se está a medir. Vai ser para o Sporting, para alguns dos jogadores, uma oportunidade de se mostrarem também em Inglaterra, muito provavelmente o destino que desejam para si. Mas relembrar que isto começou mal já no sorteio, isto era para ser a Juventus hoje. E por uma falha no sorteio lá tiveram que refazer e calhou-lhes outra vez o Manchester City. Acho que o Sporting honrou a camisola, fez o seu trabalho. Era muito difícil para qualquer equipa do mundo e infelizmente calhou ao Sporting. Se calhasse ao Benfica, estávamos a falar de uma goleada igual ou maior, se calhasse ao Porto, também. Esta equipa do Manchester City está, de certeza, no pódio das melhores equipas do mundo e discutivelmente em primeiro.
É. E Bruno Veira Amaral, olhando também para aquilo que foi a exibição do Sporting, já falámos aqui daquilo que faltou ao Leão, daquilo que pode ter falhado também na estratégia, mas olhando para o outro lado, está de facto uma grande equipa que não vacilou no momento de enfrentar o Sporting.
Claro, mas isso já toda a gente sabia, que o City é uma das melhores equipas do mundo. Agora eu devo dizer que não concordo nada com essa ideia da aprendizagem, que é uma ideia muito conveniente para o Rúben Amorim, é que ele tem usado também para enquadrar, sobretudo, algumas derrotas, alguns acidentes de percurso. Eu acho que isso resultou quando foi o Ajax, foi o primeiro jogo na Liga dos Campeões, mas hoje percebemos, aliás, e mesmo no segundo jogo, que já não contava muito contra o Ajax, percebemos que, se calhar, o Sporting contra estas equipas está no limite da sua competência. É verdade que Rúben Amorim é um jovem treinador, mas jovens treinadores que brilharam e que conseguiram bons resultados na Champions, há muitos. Ele próprio já conseguiu bons resultados e boas exibições na Champions
O discurso da aprendizagem eu acho que é pedagógico e eu percebo que Rúben Amorim tenha esse discurso até para moderar as expectativas, mas hoje temos de ser honestos. Claro que é um grande City, mas o Sporting foi uma desilusão, não só em relação a outros jogos que já fez este ano na Liga dos Campeões, mas também todo o percurso que tem feito a nível interno. Foi uma desilusão para os adeptos do Sporting do Alcreim também, que tinham elevadas expectativas para este jogo. Porque depois desse tal acidente de percurso, que foi a goleada contra o Ajax em casa, havia a expectativa que o Sporting já tivesse então aprendido e que pudesse hoje dar, eu não vou dizer ganhar ao City, mas pelo menos complicar a vida ao City, dificultar a tarefa da equipe do Guardiola. E não conseguiu. O Sporting não conseguiu isso. Haveria um objetivo, que era o de deixar a eliminatória em aberto no final deste jogo, e o Sporting, no final da primeira parte, já estava com os dois pés fora dos quartos de final. Portanto, correu tudo mal. Eu percebo que depois do jogo Rúben Amorim venha dizer isso, estamos a aprender. António Adán, Sebastián Coates, João Palhinha, Paulinho, Sarabia não são meninos. Eu sei que, mais uma vez, é conveniente esta ideia da aprendizagem, mas estamos a falar de jogadores também já com muita experiência. Rúben Amorim tem menos, mas é um bom treinador, é um treinador com muita capacidade e até na comunicação ele tem sido inteligente. Como eu digo, esse discurso é para moderar um pouco as expectativas e fazer com que sejam mais aceitáveis estes acidentes de percurso. Mas dito isso, acho que a exibição hoje do Sporting, até tendo em conta o que o Sporting fez no último jogo do campeonato com o Porto, foi uma desilusão. O Sporting não esteve ao nível do que se esperava, o City esteve ao nível do que é habitual.
Vamos dar notas a este encontro e começo por ti, Bruno Viera Amaral, olhando para este jogo, que terminou com essa goleada por 5 a 0 em Alvalade do Manchester City, a quem queres dar nota?
O jogador do jogo, o homem do jogo, foi claramente o Bernardo Silva, pelos dois gols que marcou. Mas aquilo que já disseram o Bruno e o João Castro, João Pino, estamos a falar do City, uma equipa muito forte, muito mecanizada. Eu acho que toda gente pressente como é que a equipa joga, mas ninguém realmente tem um antídoto para o futebol desta equipa, porque não se sabe muito bem como é que aquilo funciona. Só que funciona. E destacar um jogador é quase injusto, mas como o Bernardo Silva marcou dois gols, ele que se continuar assim é capaz de bater até o recorde de gols marcados numa época, a ter de ser um jogador, escolher individualmente um jogador, é justo que seja o Bernardo Silva.
Sim, 18 para Bernardo Silva, fica com essa nota muito elevada. Bruno Roseiro, o Bruno Viera Amaral já falava aqui um pouco da comunicação do Rúben Amorim, ele que no final do encontro, primeiro na flash interview, fala que o Sporting até entrou bem e esteve bem em alguns momentos, mas depois acaba por corrigir um pouco essas declarações na conferência de imprensa. Perguntar-te sobre a maneira como Rúben Amorim digeriu este resultado, pelo menos nessas declarações aos jornalistas, e também para quem é que vai a tua nota neste encontro.
A maneira como o Rúben Amorim comunica, eu diria que se neste trajeto, que ainda é relativamente recente do Rúben Amorim como treinador, e basta recordar, o Rúben Amorim começou em janeiro de 2020 no Sporting Braga, chegou ao Sporting dois meses depois. Portanto, treinador a sério tem pouco mais de dois anos. Se é verdade que em alguns jogos ele falha, seja na perspectiva de como a equipa é montada, seja depois nas substituições, o que é perfeitamente normal, acho que na comunicação é daqueles pontos onde ele não falha e é fortíssimo. E até me parece que aquilo que ele disse na zona de entrevistas rápidas, eu não diria que ele mudou de opinião. Ele percebeu é que teria de reforçar algumas tónicas, nomeadamente o fato de chegar-se à frente e explicar que se os jogadores em parte tiveram tanto sofrimento, também foi um bocadinho por culpa do treinador e pela maneira como o City conseguiu chegar ao 2 x 0 e depois a partir dali ao 3 x 0 e 4 x 0 e até poderiam ter sido mais gols. Antes de dar só aqui um pormenor dessa questão, que não é apenas e só a aprendizagem, o Sporting chega ao intervalo com quatro gols sofridos e três faltas feitas. Isto não é só aprendizagem, porque este problema tinha sido exatamente o mesmo problema com o Ajax. Ou seja, o City não tem problema e há um lance logo no início da segunda parte, o Phil Foden vem a correr desesperado para fazer uma falta a Meitó Campos ou Sarabia para parar ali uma transição e o Sporting muitas vezes nunca conseguiu perceber esses momentos de jogo. Portanto, não é só uma questão de aprendizagem, porque o Ajax também tinha sido assim. Em relação à nota, campeão O Bernardo Silva, nota 18,5, não só pelo jogo que faz e pelos gols, mas também pela flash interview que ele tem na CNN. Há ali uma parte com que eu não concordo, quando ele diz que os outros companheiros de equipe do City olham para aquilo que se passou no Dragão e se riem muito. Eu olho, por exemplo, vejo Rodri e Laporte, que são espanhóis, de certeza absoluta que eles não se podem rir depois daquilo que aconteceu no Betis-Sevilha. O Zinchenko, tendo em conta que é uma das ligas onde tem mais problemas fora de campo com o hooliganismo e ultras, também não se poderá rir muito. O Ederson e o Fernandinho, até numa semana em que o Brasil-Argentina, que foi interrompido por médicos que queriam prender os jogadores da Argentina, porque supostamente não tinham feito testes ou deviam estar de quarentena, também não se poderão rir. O De Bruyne, tendo em conta que é da Bélgica, que teve o Charleroi com o Standard Liège interrompido há um mês e pouco por uma invasão de adeptos. Ou seja, aqui ninguém se pode rir uns dos outros em relação a coisas que não devem acontecer no futebol, inclusivamente os ingleses, que têm problemas, se calhar não destes, mas problemas tão ou mais graves, como problemas de racismo e um dos jogadores que mais sofreu com isso, até hoje, foi o Sterling. Agora, há uma parte que ele diz que é importante, que é uma, aliás, duas. "Nós estamos a ver o jogo do futebol clube do Porto e Sporting e não conseguimos analisar o Sporting, porque praticamente não há jogo." Ou seja, no fundo, ele está a falar não só do tempo útil de jogo, mas também da forma como muitas vezes as equipas disputam este tipo de jogos na Liga Portuguesa, e que é completamente diferente depois na Liga dos Campeões. E basta recordar aquilo que eu disse há pouco, o Sporting chega ao intervalo com quatro gols sofridos e três faltas. E depois um segundo ponto que é: como é que nós vamos corrigir isso? E se eu há pouco dizia que há poucos jogadores dentro das suas ligas que possam rir-se daquilo que se está a passar, como se não tivessem também problemas nas suas ligas locais, é aí que nós podemos dar o passo em frente. E é por causa disso que Inglaterra e Alemanha, que também tem o Gündoğan, estão muito mais à frente, porque é a forma como conseguem resolver esses problemas, é que faz com que sejam as ligas mais avançadas da Europa. De resto, há uma coisa que eu adoro no Bernardo Silva, que é saber falar, não tem problema em falar, seja eleições do Benfica, seja o que se passa no futebol nacional, não tem o mínimo problema em falar e eu acho que fazem falta mais Bernardos Silvas, não só no futebol português, mas também no futebol europeu.
João Pinto, para quem vai a nota neste encontro? É também para Bernardo Silva?
Tem que ser esse pleno. A única diferença é que eu vou lhe dar um 15, pelos 15 milhões pelo qual ele saiu da Luz.
Fica uma nota curta para Bernardo Silva. João Castro, olhando para este resultado e para aquilo que se passou neste encontro, queres pontuar quem?
O melhor jogador em campo, claramente, foi o Bernardo Silva. O melhor gol foi o de Sterling. O melhor jogador do Sporting, diria Matheus Nunes, talvez Isaque ou Palhinha. E o prêmio também de mérito para os adeptos do Sporting por aquele final que deram à equipa. De resto, referir que este Manchester City apenas gastou mil milhões em 10 anos, o que também justifica muito da diferença entre as equipas. Mas referir, sim, que isto tem um lado positivo. Rúben Amorim, com este tipo de resultado, se calhar fica mais um ano no Sporting, e também pode ser positivo para o clube.
Vamos ver o que acontece com Rúben Amorim, mas dou nota também positiva a esse momento dos adeptos e vamos recuperar. Nota 20 para esse momento no final do encontro. Os adeptos do Sporting no final dessa derrota pesada por 5x0 frente ao Manchester City nesta primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Há novo jogo daqui a duas semanas, já no Estádio Etihad. Vamos ao outro encontro desta noite, que colocou frente a frente Paris Saint-Germain e Real Madrid. Venceu a equipa da casa, os parisienses venceram por 1x0, com um gol no último minuto. Messi falhou um pênalti aos 62, Neymar voltou aos relvados aos 72, saiu Di María, e foi ainda a tempo de fazer uma assistência para Kylian Mbappé aos 90 mais quatro, que faz um grande gol frente ao Real Madrid. Vamos partir para a análise deste encontro. João Pinto, estiveste também a acompanhar este jogo?
Estive a ver o resumo alargado e aquilo que me deu a entender é que foi um jogo muito tático, muito xadrez e poucos artistas, em que depois no fim foi um artista que acabou por desbloquear num movimento incrível ali sobre o lado direito, a entrar em fintas sobre dois defesas do Real Madrid, depois num gol muito bonito a fazer o resultado final. É uma ideia de que nós podemos chamá-los para a nossa futura entidade patronal. É claramente uma tomada de posição dele contra o patrão a dizer: "Atenção, se calhar vale um pouquinho mais, aumentem lá o subsídio de almoço". Sei lá o que é.
Mas também é uma amostra de profissionalismo de um jogador que pode estar mesmo de saída, praticamente tudo confirmado.
Sim, acho que ele agora vai a Madrid, provavelmente vai jogar a segunda mão, pode ou não ser eliminado, mas vai, acho que é quarto. Agora vai já lá fazer um cervejita.
Bruno Roseira, concordas com esta análise que Mbappé está, de certa maneira, a mandar uma mensagem para Madrid, mas ao mesmo tempo também a mostrar que consegue ser profissional enquanto tem contrato a cumprir?
Eu acho que ele deu uma mensagem ao futebol, sobretudo num jogo onde o Neymar volta, mas o Neymar já tem 30 anos e nós continuamos a olhar para o Neymar como se fosse um garoto de 18, mas o Neymar anda neste ramram aos 30 anos e já não me parece que ele possa chegar onde alguns, e eu pessoalmente achava que ele poderia ter chegado lá mais acima. E é também uma equipa que tem Messi, capaz de fazer passes fantásticos, mas em termos de finalização faz muito menos a diferença do que fazia no Barcelona. O Mbappé deu uma mensagem para dentro, para o Paris Saint-Germain, deu uma mensagem para o Real Madrid e deu uma mensagem para o futebol europeu, que é ele que vai ser o dono disso tudo na próxima década. Sobre o jogo, este jogo estive a ver até com mais atenção do que o jogo do Sporting. O Real Madrid foi uma desilusão, para mim, autêntica. Agarro aqui no exemplo do Benzema, que para mim é paradigmático, é um jogador que nos últimos dias tentou tudo a nível de recuperação, que claramente entra em campo e não está a 100% a nível de movimentos, aquilo que ele era capaz de fazer, mas sentiu que era um jogo importante para estar com a equipa e o Benzema esteve muito mais tempo sem bola a defender do que com bola. E quando tinha bola, muito provavelmente estava no seu meio-campo. Portanto, o Real Madrid jogou demasiado recuado, não teve capacidade de transição. É certo que na primeira parte não houve propriamente muitas oportunidades a não ser um remate do Mbappé a passe do Messi. Na segunda parte, mais uma vez foi o Mbappé a desequilibrar. O pênalti também foi sobre o Mbappé. Ele tem mais uma bola que passa a rasar o poste do Courtois. Courtois, de longe, o melhor jogador do Real Madrid. O Carvajal, de longe, o pior jogador, mas porque tinha Mbappé pela frente e cada vez que apanhava numa situação um pra um, eu faço ideia como é que vão ser os treinos do Real Madrid durante a próxima semana.
Dia difícil no escritório. Exato. Dia difícil no escritório.
Aquilo vai ser uma complicação. E uma revelação aqui no meio disto tudo, que está também já a ser falado na imprensa, a exibição de Nuno Mendes e a garantia de que depois deste jogo, não há dúvidas que o Paris Saint-Germain vai acionar a cláusula dos 40 milhões, ou seja, o Sporting num dia onde fica afastado dos oitavos de final da maneira como ficou, poderá ter, entre aspas, essa boa notícia de receber esse encaixe de 40 milhões de euros, que para um clube que claramente se percebe que em termos financeiros tem as suas necessidades ainda, a boa notícia acabou por vir de Paris.
Bruno, sejamos honestos, também não estariam à espera do jogo de hoje para tomar essa decisão, acho.
Não, eu acho que o jogo de hoje ia ser um upgrade da primária para uma espécie de pré-secundário. E acho que ainda voltamos para essa pré-primária.
Para entrar.
Para entrar nessa linguagem de Rúben Amorim. Já vamos aí, Bruno Vieira Amaral, passar apenas pelo João Castro. Acredito que João não tenha estado com olhos para este encontro entre Paris Saint-Germain e Real Madrid. Já viste alguma coisa deste encontro que terminou com esta vitória do Paris Saint-Germain?
Não, só estive a ver realmente o pequeno resumo. Isso do Nuno Mendes, eu acho que já estava desde a semana passada decidida a compra do jogador, que hoje fez muita falta ao Sporting e nota-se realmente aquele lado esquerdo, as saudades que já deixou aqui em Alvalade. Mas eu queria focar mais, só num minuto, no que poderá ser a segunda mão. Já com o Benzema recuperado, a jogar em casa, o Real Madrid eu acho que vai apresentar outra cara. Esteve muito defensivo, pelo que eu percebi, neste jogo. Só que vai ter que ter cuidado com o contragolpe, com as transições do Paris Saint-Germain. Mas o Real Madrid é o Real Madrid e a Liga dos Campeões é a sua praia e, portanto, muito cuidado com este Real Madrid em casa, mesmo diante de um super Paris Saint-Germain com essas estrelas todas. Acho que ainda vai ter muito a dizer o Real Madrid com aquele meio-campo num jogo em casa. Portanto, vamos ver o que vai ser a segunda mão, vai ser um jogo extremamente interessante a nível tático também, mas eu acho que o Real Madrid ainda vai ter muito a dizer nesta eliminatória.
É certamente um grande jogo em perspetiva. Sim, Bruno.
Em relação à segunda mão, é que no meio de tantas notícias más, e apesar de tudo 1 x 0 até nem foi mau para o Real Madrid, nem o Casemiro, nem o Mendy vão jogar a segunda mão, porque estavam tapados de amarelo e viram amarelos. E só aqui uma nota também muito breve, que é o novo hashtag que eu vou criar, que é hashtag afinal não somos só nós, que é o que acontece também nos outros lados. Quer a Cadena SER, quer a Radio Marca garantiram que ao intervalo, o Nasser Al-Khelaifi e o Leonardo desceram até à zona dos balneários para pressionar o árbitro italiano, porque estava a ser demasiado benevolente e não estava a dar cartões. Portanto, como nós vemos, afinal não somos só nós.
De facto, esse envolvimento também das direções naquilo que está acontecendo no relvado. Bruno Vieira Amaral, para fecharmos esta análise antes de irmos às notas, o que achaste deste encontro que de facto teve como nome forte Kylian Mbappé?
Estive concentrado no jogo do Sporting, depois estive a ver o resumo. Duas coisas, uma em relação ao que disseste logo de início, a assistência de Neymar para Mbappé fez-me lembrar uma história do Mundial de 86, quando o Maradona marcou aquele grande gol à Inglaterra, em que fintou metade da equipe inglesa. Quem fez o passe para o Maradona foi um tal Hector Enrique, que anos mais tarde se gabava da assistência que tinha feito para o Maradona e dizia que era quase impossível o Maradona não ter marcado depois daquele passe.
Mais localmente, és o Tonito com o Ronaldo, que também diz o mesmo.
Aí está. E eu acho que hoje o Neymar é mais assistência do que a do Enrique, mas o mérito é quase todo dele.
Ele estava lá e ele assistiu
Sim, ele assistiu como nós também.
Exatamente.
Ele assistiu mesmo em direto, ao vivo e a cores, porque o mérito é todo do Mbappé, apesar de ter sido um passe de calcanhar. Eu diria que há um Messi em Paris, no Paris Saint-Germain, e não é o Messi, é o Mbappé. Tem sido o Messi desta equipa, tem sido o Ronaldo Fenômeno, tem sido o Cristiano Ronaldo do Paris Saint-Germain. E há outra coisa: eu, antes do jogo do Sporting, estava a ouvir os comentários aqui na Rádio Observador do nosso Gabriel Alves, e ele estava a ser muito cáustico e muito duro com o Paris Saint-Germain. É verdade que a Liga Francesa não é das mais fortes, nem das mais interessantes do futebol europeu, mas este Paris Saint-Germain eu acho que é uma equipa que por vezes é subvalorizada. É menosprezada, diz-se que não é uma equipa, que é só vedetas, mas mesmo que seja só vedetas, a verdade é que quando se tem vedetas deste nível, tudo é possível, como hoje se viu. E o Paris Saint-Germain, independentemente ainda da questão dos valores individuais, eu acho que, não sendo um Manchester City, não sendo um Liverpool, é uma boa equipa de nível europeu. Há duas épocas chegou à final da Liga dos Campeões, portanto, não é uma equipa qualquer, nem é um conjunto completamente desarticulado, só de bons jogadores, de vedetas. Eu acho que há ali mais qualquer coisa. Agora, perde também um pouco por estar numa liga menos competitiva, sobretudo em comparação com a liga inglesa.
Sim, e de facto vamos ver o que nos dá depois o mercado também em relação a esses valores todos do Paris Saint-Germain. Vamos dar notas a este encontro. Começo por ti, Bruno Vieira Amaral. Quem queres pontuar? É Mbappé?
Sim, eu tenho que lhe dar um 20 por causa daquele golo, que é um golo decisivo, ou pode ainda vir a ser decisivo, mas foi muito importante. E por causa também de tudo o que tem rodeado a possível ligação de Mbappé ao Real Madrid. É um golo que tem um significado extra por isso mesmo e é um golo fenomenal. Pode haver outros adjetivos, eu deixo-lhe este fenomenal, lembrando também alguns golos de Ronaldo Fenômeno, alguns parecidos, a capacidade que ele tinha de acelerar e passar no meio de adversários. Hoje o Mbappé fez isso e merece nota 20.
Bruno Roseiro, para quem vai a nota?
Sim, eu espero até ele chegar ao Real para lhe dar o 20. Agora fico com o 18, mas também nessa perspetiva, ou seja, além do golo e além daquilo que ele jogou, esta era uma prova de superação e ele achou imensa piada a isso. Porque as câmaras estavam todas apontadas a ele, as notícias eram todas sobre ele. Eu acho que é importante, por exemplo, hoje, e hoje tivemos não no futebol, mas na patinagem artística, um exemplo, a Kamila Valieva, com 15 anos, caiu-lhe o mundo todo em cima nos últimos dias. E é importante muitas vezes perceber que estes fenómenos que aparecem no desporto, muito daquilo que faz com que eles sejam melhores do que todos os outros, é a mentalidade e perceber que perante a maior pressão possível e perante os maiores desafios possíveis, eles fazem aquilo que sabem fazer melhor, que é, neste caso, jogar futebol, assim como a Kamila Valieva estar na patinagem artística. Portanto, nota 18 para o Mbappé e dar só uma nota no mesmo minuto em que o Messi falhou um penalty, e notar isso, às vezes é o Mbappé que marca, outras vezes é o Messi, neste caso foi o Messi que falhou. O Ronaldo marcou o seu primeiro golo em 2022 em Old Trafford, exatamente à mesma hora. E portanto, isto parece-me que é mais do que uma conjugação cósmica e ao menos que o ketchup agora dure até ao playoff da seleção, que é em março. Temos um mês e meio para preparar o ketchup para isso.
São os astros alinhados, Messi a falhar esse penalty, Ronaldo a marcar um grande golo frente ao Brighton, venceu o Manchester United por 2 x 0. Bruno Fernandes também marcou nesse encontro. Voltando ao Paris Saint-Germain e Real Madrid, João Castro, nota final para este encontro.
Aqui a nota é para o Mbappé, decisivo a dar a vitória, mas também relembrar aqui, o Paris Saint-Germain esteve na final há dois anos, em Lisboa diante do Bayern de Munique. Recordo-me porque ainda há pouco tempo estive a ver os documentários sobre o Neymar e o mundo estava a falar do Neymar com 30 anos.
João, estamos de facto a ouvir-te com muita dificuldade nesta ligação. Sabemos que estás em viagem neste momento até ao Porto. Vou ouvir o João Pinto. Já vamos tentar perceber qual é a nota que queres dar, João. Neste caso, João Pinto, para quem é que vai a nota deste encontro?
Vai para o Nuno Mendes, que fez realmente um jogo fantástico. 16. Um grande jogo e pela primeira vez a projetar o seu nome ao mais alto nível num jogo deste nível contra o Real Madrid. Portanto, uma montra fantástica que o põe mesmo no top dos laterais esquerdos. E relembrar que só hoje, Nuno Mendes, Bernardo Silva, João Cancelo, Rúben Dias, Matheus Nunes, além de Bruno Fernandes e CR7, estiveram a jogar e a brilhar. E, portanto, vai ser difícil engolir o não ir ao mundial.
Sim, a jogar ao mais alto nível. Vamos ver o que é que acontece nesse mês de março. Apenas perceber se conseguimos melhorar a ligação ao João Castro, que está em viagem até ao Porto. João, há pouco perdemos a ligação. Estavas a tentar dar nota a este encontro entre Paris Saint-Germain e Real Madrid.
Sim. Estava a falar de Mbappé, obviamente, pelo golo decisivo, e estava a recordar-me, o Bruno Roseiro falou realmente de Neymar já com 30 anos. Estava a recordar-me do documentário de Neymar que passa na Netflix e o Paris Saint-Germain esteve há dois anos na final de Lisboa contra o Bayern de Munique, a sua grande oportunidade de vencer a Champions. E eu acho que o Mbappé vai tentar vencer a Champions com o Paris Saint-Germain, vai tentar sair em grande com esse título. O Paris Saint-Germain tem as suas estrelas, a primeira Neymar, a última Messi, mas a sua maior estrela, neste momento, vai sair a custo zero e ir para o Real Madrid. E dá que pensar, porque é uma tendência no futebol atual. Saídas a custo zero.
E fica, de facto, esse momento. Vamos perceber o que acontece também no mercado de inverno, mas Mbappé o nome em destaque neste encontro entre Paris Saint-Germain e Real Madrid. Está feita mais uma edição de "E o Campeão É". Esta edição especial dedicada à Liga dos Campeões. O "E o Campeão É" está de regresso amanhã de manhã, depois das 9h30, já com a moderação da Maria João Simões.