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Arranca agora mais uma edição de "E o Campeão É". Nos próximos minutos falamos de desporto na Rádio Observador com glória para os vencedores. É o tónico do programa de hoje, onde conto com os comentários do Gabriel Alves, do Augusto Inácio e também do Pedro Henriques. Sejam todos muito bem-vindos. Meus caros, vamos começar por falar de Liga Europa e do triunfo do Aston Villa, que venceu de forma clara o Friburgo, 3x0 no marcador, para alcançar este título europeu. Gabriel Alves, vou começar por ti e por te perguntar se isto é uma vitória do futebol inglês na Europa.
Unai Emery League. Podia começar por aqui também. De facto, é o senhor Liga Europa, o senhor Unai Emery, com as que já venceu anteriormente, venceu a quinta ontem. Agora é uma vitória, naturalmente, de uma equipa do futebol inglês na Europa, que é importante, tem uma outra que está com a possibilidade de o vir a fazer, que é o Arsenal, dentro de dias. A Premier League representada naquilo que é a primeira e a segunda divisão da competição europeia. A grande Champions com o Arsenal e depois a prova transversal que é a Liga Europa. É uma boa vitória, porque a equipa alemã que confrontou este Aston Villa, que já tinha deixado notas de equipa, com todo o respeito, uma equipa não tão bem receada e apetechada. Ontem, obviamente, que acabou por mostrar isso face ao Aston Villa. Não há jogos fáceis. É evidente que para conquistar, para ganhar de 3x0, para teres a vitória, tens que te aplicar. Não há vitórias no papel. Não, há competição, há que haver intensidade, há que haver competitividade o mais séria possível. E foi o que o Aston Villa fez, inclusivamente o próprio Friburgo tem ali um momento ou outro em que até, de alguma forma, acabou por tentar discutir. Eu não digo que discutiu, tentar discutir. Porque de resto, a equipa do Aston Villa foi marcando os ritmos, foi marcando a dimensão daquilo que é o jogo, mas acima de tudo, aquilo que me ficou na retina e eu gostei. Eu gosto muito de isto, é ver trabalho nas equipas, porque aquela questão da tática, da questão técnica, dos futbolistas, das adaptações, das multifunções, dos movimentos, das dinâmicas, é fantástico. Mas aquilo que é o pormenor e o detalhe ao nível dos lances de bola parada, que é cada vez mais dado, de facto, da forma como as equipas se armam e se erguem em termos defensivos, porque obviamente é a defender que tu ganhas campeonatos e é a atacar e a marcar gols que ganham os jogos. Aquilo que são os lances de bola parada, o trabalho específico, o trabalho de casa, é óbvio que me chama a atenção e me delicia. E ontem o Aston Villa deu mais uma prova disso, uma nota disso, que sabe fazê-lo, que trabalha, trabalha e trabalha de forma séria e tem um grande treinador. Olha, não tem a estrela da comunicação social, não tem aquele sol, mas olha, tem cinco Ligas Europas no seu bolso.
Augusto Inácio, estamos perante um justo vencedor ou tal nem se pode pôr em causa quando uma equipa consegue chegar a uma final europeia?
Boa tarde a todos. Olha, como se costuma dizer, sem espinhas. Foi tão flagrante a superioridade do Aston Villa que realmente não deixa dúvidas a ninguém. Eu estava a olhar para aquela final ontem e estava a dizer assim: "Pá, com um bocadinho mais sorte, entre aspas, no sentido-
O Braga seria um adversário mais espinhoso?
...do Braga estar ali naquela final ao invés do Friburgo, mas as coisas não foram assim. Houve aquela expulsão que deitou muito a perder, mas foi o Friburgo que estava ali, é uma equipa alemã, tem sempre as suas possibilidades, mas a superioridade dos ingleses foi tão grande, tão grande, não deixa dúvidas nenhumas. É uma das notas de campeão que eu tenho aqui. O Gabriel Alves já referiu e bem. O Unai Emery depois de três Ligas Europas em Sevilha e depois ganha uma com o Villarreal, ganha agora com o Aston Villa, cinco, a quais que se pode dizer que é o senhor Liga Europa. É realmente um homem talhado para estes grandes momentos. É um treinador que ao longo dos anos tem sido muito consistente no seu trabalho e lá está. Está no Aston Villa, é ganhar para o olho, se não estiver no Aston Villa, se estiver em outro clube qualquer, não interessa qual, atenção, porque onde for, se calhar está sujeito a ganhar outra Liga Europa.
Pedro Henriques, quero também ouvir-te sobre esta final da Liga Europa ganha pelo Aston Villa.
Boa tarde. Sim, já está tudo dito. A sensação que eu tinha, e nós já tínhamos falado aqui, é que aquela expulsão, a gente não viu dosches. E se houve uma expulsão, é porque houve um jogador que se isolou e podia ter criado uma situação de gol, e acho que foi o Jorge Jesus na altura que o derrubou. Mas é daquelas situações que se as equipas trabalhassem um bocadinho mais profissionalmente estes aspetos, para isso têm que ter árbitros a trabalhar com eles, ou ex-árbitros, pessoas relacionadas a isto. Se isto trabalhasse sistematicamente, nenhum jogador que trabalhe isto depois vai cometer aquele erro com oito minutos de jogo ou com nove minutos. É meter, mecanizar, mecanizar, mecanizar, é para deixar seguir. Se for a 10 minutos do fim, destrói e arriscas. E isso deitou tudo abaixo, até porque o Braga, mesmo quando estava com a vantagem numérica, até ficou a sensação que até podia ainda fazer história. E eu acho que o Braga era superior ao Friburgo, e isso não ficou patente no resultado, sob o ponto de vista de quem passou, mas ficou patente naquilo que foi o jogo jogado, na minha perspectiva, na minha opinião. Posto isto, eu acho que estavam as fichas todas apostadas no Aston Villa, era só saber como é que começava e por quantos é que era. Quem gosta até de brincar com as apostas e tudo, o que é que fez? Gols, obviamente. E saca-se dinheiro, como eu costumo dizer, porque é a lógica. Nem sempre o futebol tem lógica e às vezes é uma final. E a final, como diz alguém que está agora nas bocas do mundo, o ex-treinador do Benfica, o José Mourinho, costuma dizer muito que
As finais não são para ser jogadas, são para ser ganhas. E às vezes acontece isso. E temos ao longo da história, o Futebol Clube do Porto, quando jogou com o Bayern de Munique na final da Liga dos Campeões, o Inácio sabe melhor do que ninguém, se calhar a lógica não dava isso e ganhou. Mas boas notícias pro futebol português, no meu ponto de vista, porque acho que é diferente até pro planejamento de uma época, uma equipa ir diretamente à Liga dos Campeões, que é uma certeza, e até para aliciar, no bom sentido da palavra, de contratos, jogadores, etc., e pro projeto que vem, do que ainda ter que disputar dois jogos para poder lá chegar. Estou a falar, neste caso concreto, do Sporting, mas falta o quarto lugar ainda do Aston Villa. E dir-me-ão: "Mas falta um empate". Aqui a minha questão é só esta: se o Aston Villa empatar ou ganhar, e depois também depende do resultado do Liverpool contra o Bayern, o Sporting vai à Liga dos Campeões. Mas se o Aston Villa não conseguir fazer o quarto lugar, sabem quem é que vai no lugar do Sporting? Uma equipa inglesa. Vamos lá ver como é que isto corre.
Ora bem, meus caros, na edição de hoje de "O Campeão É" vamos manter o tónico nos vencedores para falar do campeonato inglês, para muitos o mais complicado de se vencer e que foi ganho pelo Arsenal, que conquistou o título após uma escorregadela do Manchester City. Gabriela Alves, podemos dizer que o pupilo Arteta conseguiu finalmente vencer o mestre Guardiola?
O Guardiola tem muitos pupilos. Vou olhar para aqui. Xavi Alonso, Enzo Maresca, que será o sucessor do Manchester City, Luis Enrique, campeão europeu e finalista deste ano, Kompany do Bayern de Munique, até o Ten Hag também foi seu pupilo. Portanto, eu quero dizer que o Guardiola tem muita gente, tem muitos alunos, hoje grandes senhores do futebol. E portanto Arteta, que já foi há uns anos pro Arsenal, andou diversas vezes naquilo que é o quase, e acaba este ano por conquistar não só a liga, que é uma liga importantíssima em termos mundiais, em termos de contexto mundial, e começar na final das Champions 26, com todas as hipóteses, no tempo de jogo, de poder bater o também seu colega, discípulo de Guardiola, Luis Enrique. Eu acho que Arteta é um treinador ainda jovem e que tem, na realidade, espaço na sua frente para mostrar classe e categoria. Hoje no Arsenal, ele traz o Arsenal outra vez à ribalta, àquela ribalta que Arsène Wenger, estando lá toda uma série de anos, conseguiu trazer. E aí está a mentalidade do Arsenal lá pelo Arteta não ter ganho anos anteriores os títulos, etc. Esperou e agora tem aquilo que é o proveito de um título e a hipótese de chegar a segundo. E segundo a inteligência artificial, é tudo a favor do Arsenal, segundo essa.
Não estava a contar que o Gabriel Alves se pusesse a falar de inteligência artificial neste programa. Agustinácio.
Pois, está bem.
É sem dúvida peculiar. Agustinácio, este campeonato ganho pelo Arsenal, o que é que podemos dizer desta caminhada de Arteta?
O que podemos dizer é que é importante acreditar no projeto que se tem e no plano que se tem. Repara que há sete anos que o Arteta andava à procura de ser campeão e o que é certo é que a estrutura do Arsenal acreditou sempre neste treinador. Se fosse num outro clube qualquer ou num outro contexto qualquer, se calhar o Arteta nem estava ali há sete anos. Mas esteve e acreditaram. Acreditaram e agora ao fim de sete anos, o Arsenal campeão da Premier League, está na final da Champions. Acho que vale a pena ter paciência e acreditar mesmo naquilo que é um projeto desportivo, como os responsáveis do Arsenal tiveram. Sinceramente, os jogadores são os grandes obreiros, o treinador é o grande obreiro, mas eu dou muita importância à estabilidade que os responsáveis dão para que os treinadores e os jogadores possam trabalhar independentemente depois de serem campeões ou não serem campeões. Por isso, o Arsenal no seu todo é que está de parabéns, porque não é só o Arteta nem os jogadores.
Pedro Henriques, quero também escutar-te sobre este título conquistado pelo Arsenal. Vou pedir-te alguma brevidade que ainda há um tema que eu queria abordar.
Duas coisas. Primeiro lugar, a regularidade. Eu acho que cada vez mais se percebe, não quer dizer que às vezes não aconteça o contrário, que as equipas que mais vezes vão liderando o campeonato, mais vezes estão na frente, normalmente porque é uma prova de regularidade, como nós dizemos, acabam por ter o título. E o Arsenal só na parte final, houve uma altura que ia bastante destacado, e agora na parte final é que tremeu um bocadinho, o que também é normal. Segunda questão, a festa propriamente dita, feita de forma diferente, neste caso, a ver o jogo do rival e portanto toda aquela festa foi feita nos bastidores, que eu acho que é sempre aquilo que são as imagens que perduram, não só na internet, mas nas nossas memórias para sempre. Realmente foi muito bonito e sentiram muito a importância deste título 22 anos depois.
Meus caros, vamos ainda abordar um tema do futebol português, acaba por ser quase a grande temática que está a dominar as manchetes. Vai ou não o Benfica ficar sem treinador? Para já, ainda nada oficial. A imprensa desportiva diz que o José Mourinho está de saída para o Real Madrid. Os ecos são já de que Rui Costa estará a procurar uma alternativa que não vai ser Rúben Amorim, porque o treinador não está disponível para voltar a Portugal. É o que diz a agência que representa o técnico. Em comunicado, escreve que Rúben Amorim tomou há muito tempo a decisão de prosseguir a carreira no estrangeiro, depois da saída do Sporting em 2024. Meus caros, nós vamos certamente ter muito tempo para falar sobre este tema nos próximos dias. Hoje tenho um minuto para cada um, para depois ainda termos também tempo para conhecer as vossas notas e os vossos campeões do dia. Portanto, Gabriel Alves, faz sentido este esclarecimento?
Do Amorim?
Da agência que representa o Amorim.
Acho que sim. É só dizer não. Ponto, parágrafo, não há novelas. Não está para entrar nisso da novela do atual ainda, acho que ainda é atual, não sei se é ou não é. Mas a questão dos treinadores, muito rapidamente. Aqui ao lado, no país vizinho, em La Liga, só cinco treinadores estão confirmados para a época que se vai seguir, 26/27. Flick, Barcelona, Simeone, Atlético de Madrid, Claudio Giraltes no Celta, Manuel Pellegrini no Betis, Pellegrini e Mata Razos na Real Sociedad, Quique Flores no Alavés. Quanto aos outros, logo veremos. Acontece. E na Itália vai no mesmo sentido e não vou dizer mais, não vou entrar mais porque pediste-me um minuto e acho que aqui chega o exemplo. Agora no Benfica já só há o Paulo Fonseca também.
Um minuto por agora, sendo que é certo que este tema vai continuar a estar na ordem de Augusta Inácio. Esta tomada de posição tem algum propósito, além de dizer que Rubén Amorim não vem para Portugal?
Zé, estavas a falar para mim, não estavas?
Estava, sim, Augusto.
Houve um momento aqui que eu perdi o som e só ouvi a parte final. Estavas a falar em relação ao Rubén Amorim e a dar esse esclarecimento.
Exatamente.
Ok. Acho que faz muito bem. Se ele realmente não tem interesse em trabalhar cá em Portugal, nada mais do que esclarecer logo e pôr os pontos nos Is. Deixa de haver realmente estas novelas que se criam, estas palangonas que se têm, é Rubén Amorim, não é Rubén Amorim, é Marco Silva, não é Marco Silva, é Amorim, fica, sai, vai para Madrid. Quer dizer, tudo isto podia ser muito mais clarividente ou transparente. Eu sei e compreendo que às vezes as jogadas têm que ser feitas e tem que se ter algum cuidado, porque as coisas não são assim tão lineares quanto isso. Mas em relação ao Rubén Amorim, se ele realmente já tinha na cabeça e já tinha o seu plano de que não quer voltar a Portugal, quer treinar no estrangeiro, acho que fez muito bem esclarecer e acabou, já ninguém vai falar agora no Rubén Amorim de certeza absoluta.
Pedro Henriques, um minutinho também antes de irmos às notas.
É só para dizer que assim fosse o Rui Costa tão esclarecido e tão capaz ao nível da comunicação, como o Rubén Amorim acabou de fazer. E portanto, o universo benfiquista se calhar perceberia melhor o que é que se passa neste momento no Benfica, quem vai ou quem fica, e não teriam dúvidas, eu vou dizer pela segunda vez, que eu gosto de subtilezas acerca do ex-treinador do Benfica. Em relação à minha nota, estás a pedir já a minha nota de campeão, é isso?
Era o que eu ia fazer, portanto podemos ir já para aí.
Ok, prontos. Não precisei ser já para miou, não. Prontos, em relação à minha nota de campeão, até porque teremos tempo depois também de abordar, porque sempre que um árbitro é nomeado para uma final de uma Taça de Portugal, obviamente que é um momento alto e o António Nobre, depois eu explicarei noutros programas o motivo ou razão que pode tê-lo levado a essa nomeação, mas o António Nobre foi nomeado pela primeira vez para arbitrar uma final de uma Taça de Portugal. Isto é um momento marcante na vida e na carreira de um árbitro, porque como já disse aqui várias vezes, ir ao Jamor, por muitas condições ao menos boas que tenha, realmente aquilo é um estado mítico sob todos os pontos de vista. E portanto, parabéns ao António Nobre e a toda a equipa de arbitragem, que depois a seu tempo falaremos. Para já, nota 17, esperemos que se transforme num 20 com uma arbitragem de qualidade.
Gabriel Alves, vamos 30 segundos para conhecer as tuas notas.
Duas de expectativa, Bernardo Silva no Atlético de Madrid. Dado que Griezmann saiu, portanto, provavelmente sim. E fica perto de casa. Depois, mundial de 2030, de 48 a 64 equipas. Isto merece também uma palavra mais tarde. E depois as minhas notas são 19 para a Arteta, pelo campeonato conquistado, e falámos disso. Dar-lhe-ia 20 se fosse aos Champions, naturalmente. Mas dou 20 à direção do Arsenal e a todas as direções profissionais e responsáveis que andam neste negócio e em todos os negócios. Responsáveis e profissionais. E dou 20 ao Guardiola, que é o pai disto tudo.
A nota 20 do Gabriel Alves, falta-me apenas conhecer, Augusto Inácio, em 30 segundos, as tuas notas e os teus campeões.
Como já foi dito ainda há bocadinho também, Aston Villa, Un Emery pela Liga Europa, estava a faltar o termo, que merece realmente o grande destaque, nota 20. Mas também queria dar nota 20. Sabes que na nossa carreira passamos por clubes e a gente fica com simpatia, fica com carinho. Eu fiquei com muita simpatia, com muito carinho pelo Zamalek. E o Zamalek ontem sagrou-se campeão do Egito. Depois de 2021/2022 ter sido campeão, ontem voltou a ser. Já me parece que os alfaiates já tinham sido campeões no Zamalek, mas ontem o Zamalek foi campeão, por isso merece da minha parte nota 20. Um grande abraço para todos os Zamaleques.
Ora bem, e é com uma nota para o campeão egípcio que fechamos a edição de hoje de "E o Campeão É". Muito obrigado, Gabriel Alves, Augusto Inácio e também ao Pedro Henriques pelos comentários.