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"E o Campeão É..." de sábado com o Luís Pinto Coelho, o João Pinto e o Pedro Henriques. Bem-vindos. Luís, começo por ti. Amanhã temos final da Taça de Portugal. Este jogo, no caso de uma vitória do Sporting, que é o claro favorito, salva a época dos Leões?

Olá, bom dia. Eu não diria que salva a época, mas ajuda a compor um bocadinho o ramalhete. Eu acho que o Sporting faz uma excelente Liga dos Campeões, ganhando a taça, e no campeonato também consegue o segundo lugar. Esteve na luta praticamente até ao fim, por isso acaba por ser, na minha opinião, uma época relativamente bem conseguida do Sporting. Não é por se perder o campeonato que a época tem que ser sempre negativa. Depende muito do contexto, depende se lutou até o fim ou não, depois as competições europeias, Taça de Portugal e as outras competições. Acho que o Sporting acaba por fazer, se ganhar a taça, se perder a coisa fica um bocadinho diferente, mas se ganhar a taça, penso que acaba por ser uma época positiva para o Sporting.

João Pinto, há aqui esta questão: a temporada do Sporting será relativamente boa com ou sem Taça de Portugal, ou é essencial ganhar a taça para que a época seja salva?

Eu concordo com o Luís. Bom dia. Acho que a época do Sporting tem momentos mal conseguidos: a Supertaça, a Taça da Liga, a questão dos jogos contra os grandes no campeonato, até de alguma maneira, algumas exibições depois daquela fase com mais jogos. Mas depois quando se vai olhar para a classificação, o Sporting é segundo, tem o melhor ataque, tem o melhor marcador. Chegou realmente muito longe na Liga dos Campeões, só tinha conseguido uma vez na sua história. Faz alguns jogos absolutamente históricos, como contra o Paris Saint-Germain, coisas que vão ficar na memória da malta. Faz um grande negócio no início do ano com o Gyokeres. Parece que este ano vai repetir a dose com outros jogadores e, portanto, acho que o ganhar a taça acaba por compor realmente uma época que também, de alguma maneira, o Sporting tem o fator sorte muito a jogar a seu favor. O Sporting perde em casa com o Benfica e depois o Benfica deixa-se escorregar por puro demérito. E o Sporting ainda agarra o segundo lugar, o que lhe permite chegar à Liga dos Campeões e com isso também compor a época. Portanto, há aqui mais uma série de outros fatores, mas isso faz parte. Acho que sim, acho que ganhando a Taça o Sporting compõe o ramalhete. Só não concordo com o Rui Borges quando ele diz que no ano passado ganharam com todo o mérito. Aí já não consigo concordar.

E também há a questão de se chegaram à final este ano com todo o mérito, porque também houve polémicas suficientes pelo caminho.

Que bom que foste tu a dizer, porque senão parecia ressabiance.

Pedro Henriques, este jogo é preponderante para o balanço final da época do Sporting? Pedro? Tentava chegar aqui ao contacto com o Pedro Henriques. Já vamos também ouvir o opinion do-

Dificuldades em ouvir?

Sim, agora sim, acho que já te conseguimos ouvir.

Agora sim. Estava aqui com dificuldades, o que faz estar a trabalhar ao sábado a formação às camadas jovens, neste caso do clube aqui da minha terra, do Mafra, mas foi por uma boa causa, com miúdos de oito anos, que é uma coisa espetacular. Eu concordo com aquilo que foi dito nesta perspectiva que obviamente para Benfica, Porto e Sporting, ser campeão é que é concluir uma época com sucesso. A partir daí, nunca é o sucesso completo e total. Agora o Sporting, se ganhar a taça, acaba por ganhar aquele que é o segundo troféu mais importante. Com a carreira que fez na Champions League, com os negócios que fez, com o melhor marcador, acaba por ter aqui uma época que não sendo, lá está, para o Sporting e para o Benfica, boa, porque não foram campeões, mas acaba por compor alguma coisa naquilo que é uma competição importante, como também é a Taça de Portugal. Agora, há um aspecto que é relevante: a taça não está ganha. Nós estamos aqui muito focados naquele aspecto que o Sporting vai ganhar, e a trilha e o linho farinha amparo. Eu queria relembrar, e o Sporting tem essa consciência, o próprio Rui Borges tem alertado, o exemplo com o Académico de Coimbra, o exemplo com o Aves. Sei bem que os contextos eram diferentes, mas são contextos que muitas vezes levam ao facilitismo e sabemos que estas equipas, membros de escalões inferiores, acabam por ter o mote da motivação, sabem que não têm nada a perder e como diz o Tralhão, treinador do Torriense, pegando nas palavras que ele usou, que são as palavras do Hugo Mano Morim, e se correr bem, o Torriense pode fazer história. E portanto, o Sporting vai ter dificuldade, vai ter que jogar e vai ter que provar em campo. Agora, se ganhar a Taça de Portugal, acaba por concluir uma época com algum sucesso, mas lá está, o sucesso para o Benfica, o Porto e o Sporting é serem campeões nacionais.

E pegando nisto que o Pedro estava a dizer, Luís, o Torriense está a fazer uma época que ficará certamente na história. Está na luta para subir de divisão. Empatou a zero com o Casa Pia na primeira mão do playoff de acesso à Primeira Liga, está na final da Taça de Portugal. É um projeto que está agora a obter frutos. Pedia-te não só um balanço desta época do Torriense, mas também esta questão, que é o Sporting, mesmo sendo muito favorito para este jogo, ainda conta aqui com um Torriense que tem que estar preocupado também com o jogo que terá na próxima semana e que pode ser decisivo, que é o do acesso à Primeira Liga.

Sim, sem dúvida, eu acho que esse é o principal objetivo do Torriense, que é a subida de divisão. E acho que fazer os três jogos numa semana, eu acho que se podia ter encontrado aqui uma solução um pouco melhor, porque obviamente que é desgastante para o Torriense no final da época, fazer os três jogos que vão decidir tudo numa semana acaba por ser complexo e percebe-se que o Torriense não tem a profundidade do plantel que tem o Sporting. Obviamente, querendo ganhar a taça, mas o principal objetivo é a subida de divisão.A motivação muitas vezes nestas equipas é maior do que nos grandes, que estão mais habituados a estas finais. E o Torriense obviamente tem essa motivação extra de estar numa final da taça e acho que pode fazer um jogo interessante, pode incomodar o Sporting, mas é como digo, o foco maior do Torriense é a subida de divisão, que era esse o principal objetivo da época. A final da taça é um bônus, eu acho que vão desfrutar, obviamente, e acho que o treinador até vai tirar essa pressão completa dos jogadores, é desfrutar, viver o momento e às vezes quando estão mais soltos, mais sem pressão, é quando surgem as surpresas. Mas obviamente que aqui o Sporting é claramente o favorito.

João, não sei se acompanhas esta opinião de que um título é um título, uma Taça de Portugal ficará sempre na história, mas pro Torriense é também muito importante esta questão de poder estar para o ano na Primeira Liga.

Sim, falou-se tanto de calendário e em mudanças de calendário e em cancelamento e adiamentos de jogos e mudanças de calendário, e não sei como é que não se pôde fazer o jogo que se fez nesta quarta-feira e depois jogava-se na próxima semana. Mas sim, quem acabou por tirar a fama disso tudo foi o Torriense, que foi vítima do seu sucesso. Conseguiu chegar aos lugares de playoff, está apurado, e conseguiu chegar historicamente à final da Taça. Aquilo que temos que fazer é punir o sucesso e garantir que uma equipa vai coxa pra uma coisa e coxa pra outra. Acho que a federação e a liga deviam ter falado um pouquinho mais e garantir que isto não acontecia.

Pedro, houve aqui falta de cuidado nesta questão da gestão do calendário? O Torriense vai perder pulmão nesta semana decisiva.

Olha, o que realça disso tudo, e concordo com o sarcasmo aqui que foi utilizado, porque na essência, a mensagem que foi passada tanto pelo Luís, pelo João, é que é importante. É que podíamos ser todos muito mais proativos, e quando digo todos, estou a falar das instâncias que organizam o futebol, nestas questões. Reparem que aquela questão, até do tom dela, que é disso que também estamos a falar com o Sporting, foi porque ninguém pensou que o Sporting alguma vez estava nos quartos-final. O Sporting era eliminado antes e já não havia problemas. E é este tipo de circunstâncias que nunca ninguém iria pensar que o 16° classificado da Primeira Liga, ou neste caso o terceiro da Segunda, poderiam estar a disputar uma final da Taça de Portugal, e portanto, estaria tudo bem. E este é que é o problema da proatividade da organização. E acho que nesse aspecto, embora as instituições Liga e Federação já sejam extremamente profissionais, podem claramente aprender com essas circunstâncias, porque não faz sentido nenhum, da mesma maneira que não fez pro Sporting em dado momento e daí os adiamentos, não faz agora sentido nenhum para o Torriense, que tenha que no espaço de oito dias, ter três jogos completamente relevantes, importantes e decisivos, sendo que até, claro que a Taça de Portugal é um marco histórico e único, mas muito importante, porque em termos financeiros, de patrocínios e apoios, faz toda a diferença. O Torriense estar na Liga 2 ou estar na Primeira Liga é mesmo comparar a noite com o dia, em todos os aspectos, e portanto, esse é que é o foco. E não fez sentido nenhum o Torriense ter este jogo da Taça de Portugal aqui pelo meio. "Ah, mas depois há os jogadores que vão à seleção e o estágio e havia ano mundial." Há muitas formas de resolver e muitas vezes com mais três ou quatro dias, pode-se fazer a diferença. É preciso é que as instituições pensem e planeiem antecipadamente, menos croquete, menos cafezinho e mais trabalho de gabinete e a coisa resolve-se.

Luís Pinto Coelho, há aqui também uma dimensão deste jogo do Sporting, que é o fato de poder ser ou significar uma despedida para vários jogadores. Acreditas que isso acontecerá e com quem?

Sim, vai acontecer. Yilmaz logo à cabeça, Morita já sabe que também sai. Eu acho que o Pedro Gonçalves também vai sair, consta até que ele pediu para sair. E acho que até faz algum sentido para o Sporting terminar aqui um ciclo. Há muitos jogadores com vários anos de Sporting e acho que às vezes é preciso também quebrar esses ciclos, porque depois há uma certa acomodação, há muitas rotinas que às vezes também é preciso agitar e mudar, e parece-me que o Sporting está nessa mudança de ciclo. Aproveita que está bem financeiramente, fez este ano 80 milhões na Liga dos Campeões, também vai fazer aqui algumas vendas interessantes e aproveita pra mudar uma parte significativa do plantel. Acho que faz sentido. Percebe-se que o Sporting tem um rumo traçado e eu acho que pra alguns jogadores também é bom, se calhar, mudar ares, mas acho que faz todo sentido no contexto, quer do jogador, quer do clube.

João, que jogadores é que apontas pra este fim de ciclo do Sporting? Os que achas, não os que desejas.

O Kenda já saiu. O Morita também, portanto, são dois jogadores que entram ali naquele grupo dos 15 titulares. Hoje vi a notícia do Pote, vi com alguma surpresa essa saída. Se estamos a falar da Arábia, de um campeonato desse gênero, acho que sim, que era bom pro jogador. Surpreende-me, acho que o Pote cai muito bem no Sporting, é daquele tipo de jogadores que podia ficar mais dois ou três anos e ser um histórico pra sempre do Sporting. E depois, o Yilmaz, é essa questão de sai, não sai. O Geny Catame tem muito mercado, o Diomande tem muito mercado. Também acho que não é uma altura do Sporting fazer um reset completo. Aliás, a política desportiva do Sporting tem sido manter uma espinha dorsal do plantel e ir acomodando os ordenados mais altos com vendas de miúdos que saem das escolas, o Afonso Moreira, o Renato Veiga, o Tiago Tomás e outros que tais. Este ano o Nazinho é capaz de ir também. E esta política desportiva, um bocado imitar aquilo que o Luís Filipe Vieira fazia nas histórias dos 15 milhões, tem tido sucesso e portanto acho que quando a fórmula resulta não há como mudar, não há razão pra mudar e acho que Frederico Varandas não vai fazer.

Pedro, perguntava-te não só por este fim de ciclo, se tu reconheces esse fim de ciclo no Sporting, mas também se o Sporting terá esta capacidade de retenção que teve, por exemplo, este ano com o Yilmaz, que o convenceu a ficar mais um ano, se terá essa capacidade de retenção, por exemplo, com jogadores como o Maxi Araújo.

Eu acho que sim, porque a entrada da Liga dos Campeões, e vamos ver o que o Aston Villa faz neste fim de semana, porque o quarto lugar está a um passo e esse quarto lugar dá acesso direto à Liga dos Campeões. A minha única dúvida é que se o Aston Villa não ficar em quarto lugar, quem vai no lugar do Sporting é uma equipe inglesa e portanto pode haver ali uma arrumação interna. Mas de qualquer maneira, eu acho que o Sporting, com a questão da Liga dos Campeões, tem aqui um aliciante. Um aliciante para segurar os jogadores, nem que seja mais uma época, para dizer: "Olha, vais te projetar ainda mais, vais ter sucesso, vais ter aqui jogos de grande envergadura", porque a Liga dos Campeões vai sempre proporcionar um, dois ou três jogos com equipes de topo. Isso também pode dar mais dinheiro no futuro ao Sporting, mais projeção, e o jogador em vez de sair para um clube média-alta, se calar depois até sai para um clube alta. Portanto, essa capacidade de retenção, que é pelo projeto, que é pelo sucesso que o Sporting tem tido e que é sobretudo por esta projeção ao nível da Liga dos Campeões. E daí que, se calhar, o Max Eberl está exatamente nesse contexto, que é este ano fica mais um ano, ajudas aqui a Malta e para o ano está garantido que baixamos a questão da tua cláusula, podes sair, etc. Um bocadinho à semelhança do que aparentemente está a acontecer com o Umanni e acima de tudo, acho que o Sporting nesse aspecto aprendeu, oxalá sim, para o bem do Sporting, que é não criar mais novelas tipo Gyökeres, que isso é que não faz sentido. Que é vamos criar aqui um acordo de cavalheiros, ficas mais um ano e depois a gente facilita o teu processo, dentro, obviamente, também de um determinado valor, mas não o valor mais elevado. E a Liga dos Campeões é claramente um aliciante, porque os jogadores hoje ou pensam na Arábia para ir fazer aquele dinheiro que não conseguem fazer noutro sítio qualquer, ou então pensam na vertente desportiva, e a vertente desportiva no plano internacional é a Liga dos Campeões, claramente.

Veremos essa capacidade de retenção do Sporting depois do jogo de amanhã, que dita também o final da época para os Leões. Antes de terminarmos, deixe-me também ir só aqui a mais um capítulo da novela José Mourinho Real Madrid. As candidaturas para a liderança do Real Madrid terminam hoje, a entrega das candidaturas. Há a questão dos avais bancários, que ao que parece, Florentino Pérez foi dispensado de apresentar um aval bancário para a candidatura. Enrique Riquelme, que é o outro candidato, teve que o apresentar, mas existindo dois candidatos, Luís Pinto Coelho, a vida de José Mourinho fica aqui em suspenso e a de José Mourinho prolonga-se também para a de Rui Costa, fica aqui em suspenso?

Sim, fica aqui um pouco em suspenso, porque me parece que Rui Costa também não quer despedir o Mourinho. O Mourinho também não se despede. Por isso, a questão pode complicar um bocadinho, porque se Florentino Pérez não apresentar Mourinho e ficar à espera do resultado das eleições, isto pode complicar a vida do Benfica. Eu percebo que há dinheiro em jogo, se calhar 7 milhões é dinheiro, obviamente, mas o Benfica já podia ter tomado uma posição de força, porque se sabe perfeitamente que Mourinho e Jorge Mendes já negociou com o Real Madrid, mas isto atrasa e de que maneira a questão da planificação da época do Benfica. Já se percebeu que o Mourinho não vai ser o treinador do Benfica. Por isso ainda há aqui um jogo de sombras, toda a gente a empurrar um bocadinho pra frente. Acredito que Rui Costa esteja na esperança que Riquelme não seja candidato pras coisas segunda ou terça-feira ficarem resolvidas, porque senão vai atrasar a vida do Benfica.

João Pinto, esta questão das eleições pode dificultar ainda mais a preparação da época do Benfica e adiar as tais explicações de Rui Costa?

Repara, eu já estou como tu dizes. Esta novela tem tido tantos capítulos, que se quiseres eu até junto já o meu comentário à nota, porque realmente eu até dava aqui uma nota 16 ao Rui Costa, ao contrário do que muita malta acha, porque vamos lá ver. O José Mourinho tinha contrato, mas o ruído era que o Rui Costa tinha má memória se renovasse com o José Mourinho acabado, sem saber como acabava o campeonato. Depois o José Mourinho foi assediado e o Rui Costa estava distraído, porque não renovava com um dos melhores do mundo. Depois José Mourinho estava vai, não vai, para a imprensa sempre, e o Rui Costa já era mau a planear porque não tinha plano B. Agora, que ninguém sabe como é que isto vai acabar, se isto foi tudo uma invenção midiática, o Rui Costa foi tolo, porque vai ter que gerir um balneário dividido. E depois, durante todo o processo, o Rui Costa foi mau a comunicar, porque não reagiu a cada mudança diária de narrativa para a qual ele nunca contribuiu. E, portanto, eu, sinceramente, no meio disto tudo, aquilo que vejo é um encher gigantesco de jornais, um encher gigantesco de rubricas e de podcasts como o nosso, num assunto que se vai arrastando.

Desculpa por encher o saco.

Não, eu não estou chateado porque tenho a palavra, eu fico muito contente e muito agradecido. Mas realmente aquilo que me parece é que o Rui Costa, se fala é mau da fita, se não fala é mau da fita, se age é mau da fita. Portanto, o coitado do homem também, aquilo que ele pode fazer neste momento é mandar-se da ponte.

Mas deixa-me só acrescentar já agora mais uma questão, que é: achas que isto pode dificultar uma eventual negociação com o Marco Silva, que é o nome que tem sido mais falado?

Eu, sinceramente, aquilo que vejo, e concordo com o que o Luís disse, é que o Rui Costa neste momento tem que perceber, ou já percebeu, que ele não quer pagar. Portanto, se o homem se vai embora, era o que faltava o Benfica ainda pagar para o homem se ir embora. Portanto, o Benfica está a ver se o dinheiro entra em vez de sair. E com o dinheiro que entra, depois vai buscar o Marco Silva ou vai buscar outro Marco Silva qualquer. Normalmente. Agora, se o Rui Costa assim que abrir a boca, o Benfica está a perder cartas. O Benfica tem que manter as cartas junto ao peito, esconder o jogo e não ter que vir para a praça pública contribuir para uma narrativa que já vimos tudo e o seu contrário. Portanto, aquilo que o Rui Costa está a fazer, penso eu, é defender os interesses do Benfica. E os interesses do Benfica muitas vezes defendem-se com silêncio, com recato, a saber o que é que se está a fazer e a gerir as cartas como ele tem gerido. Portanto, neste aspecto, acho que quer o Mário Branco, quer o Rui Costa, têm feito um bom trabalho.

Pedro Henriques, esta situação das eleições do Real Madrid vem complicar ainda mais a vida a Rui Costa?

Olha, há uma certeza que eu tenho. Eu nunca podia ser candidato, não tenho 187 milhões. Acho que é esse o requisito. É um valor-

Exatamente. É mesmo isso

...um bocadinho estratosférico. De qualquer maneira, hoje é o limite e eu, neste momento, sou sincero, ainda não me pus por dentro de toda a comunicação social, porque como disse, estive a dar formação até amanhã. Hoje é o prazo limite e, portanto, parcialmente hoje vai ficar resolvido, porque se não aparecer essa candidatura, e acho que ainda não apareceu. Não apareceu no sentido de ainda não foi formalizada, a situação fica mais fácil, no sentido que segunda-feira estará tudo resolvido e parece que os ventos apontam para que o Real Madrid, neste caso o Florentino, venha buscar o José Mourinho. Agora a complicação que pode existir é exatamente se porventura aparecer outro candidato que apresenta-se também com outras ideias relativamente ao treinador. Também se pode dar o caso, até porque isso está legitimado e aconteceu um bocadinho com o Benfica quando também foi buscar o José Mourinho antes das eleições, que é haver um ponto em que o Florentino vai buscar o José Mourinho com uma cláusula. Se porventura se perder as eleições e vier a haver o desenlace do outro presidente, não tem que ficar com o Mourinho. E o Mourinho pode arriscar nessa circunstância, porque isso também podia ter acontecido no passado recente, quando o Rui Costa usou, de certa forma, o Mourinho como trunfo eleitoral.

Pois, anda aqui sempre a fazer trunfo nas eleições.

Exatamente. E o Mourinho, se calhar, arrisca, porque a probabilidade que o Florentino tem de ir a eleições e ganhar também é bastante grande. Penso que neste momento, não tenho aqui sondagens nenhumas, mas penso que é maior do que haverá sempre vozes descontentes, mas depois quando toca a hora de votar, a malta não gosta de arriscar assim tanto, porque é o nome do clube e o clube em si que está em jogo. Relativamente ao Mourinho, eu aqui estou de acordo com o João Pinto. Eu acho que neste momento o Rui Costa, neste momento em que estamos por dois ou três dias, faz muito bem em não tomar decisões tipo: "Agora vou tomar a decisão de despedir e perder os seis ou sete milhões". Acho que faz muito bem. O José Mourinho é que está num jogo muito interessante que é: "Eu, José Mourinho, tenho uma namorada, que até é jeitosa. Mas se eu conseguir arranjar uma namorada ainda mais jeitosa, eu vou te largar. Se não te largar, fico contigo." Isso é que custa um bocadinho para a namorada. Para a que fica e para aquela que vai ser deitada fora.

Pedro, é voltar para a ex, ainda por cima.

Ainda mais grave. Nem sequer é uma nova, para experiência, é uma ex.

E no meio de tudo veremos se não fica é sem nenhuma. Também há sempre esse risco. Vamos à nossa ronda final. Luís Pinto Coelho, quem é o teu campeão de hoje?

Vou dar um 20 ao Bruno Fernandes, que foi considerado o melhor jogador da Premier League. É um miminho para ele que antes do Mundial, isso pode o motivar a fazer um Mundial fantástico e é um jogador que tem muito peso na nossa seleção. E vou dar aqui um 18 também ao Afonso Lalo, que hoje tem uma etapa que pode ser decisiva para ele conseguir ali pelo menos manter um top cinco no Giro d'Italia. É a etapa, se calhar, mais difícil até ao fim e hoje é alta montanha e ele pode aqui hoje tentar segurar um bocadinho o top cinco. Ele está em primeiro lugar. Isso é impossível praticamente de segurar, mas eu diria que o top cinco é possível. E hoje um 18 em jeito de incentivo para subir aquelas montanhas gigantescas.

E ele próprio também já reconheceu que hoje pode ser o último dia com a tal camisola rosa vestida. João Pinto, quem é o teu campeão de hoje? Rui Costa, como disse há pouco, nota 16 para o presidente do Benfica, que quanto a mim tem tido uma boa maneira de gerir este dossiê, com recato, com cuidado. E depois para o Bruno Fernandes também, uma nota 20. É o terceiro português, depois de Rúben Dias, Cristiano Ronaldo e agora o Bruno Fernandes, creio eu, como melhores jogadores da Liga Inglesa e, portanto, segue e soma. Pedro Henriques, falta-nos apenas o teu grande campeão.

Sim, ciclismo. O Lalo, porque eu tinha vaticinado que o nosso ciclista português, provavelmente naquele contra relógio, porque ele é mais trepador do que contra-relogista, iria perder a camisola amarela, porque era isso que apontava, sobretudo por causa do avant-garde, que realmente é uma das especialidades dele. E ele conseguiu ficar com 24 ou 27 segundos e depois a partir daí foi-se mantendo. Portanto, chegar a esta etapa, que como disse o Luís Pinto Coelho bem, que é a etapa onde há a possibilidade de efetivamente ele perder, porque é das mais duras e ele próprio reconhece isso. Mas chegar aqui com a camisola rosa, eu tinha dito que para o ciclista português ficar nos top 10 era extraordinário e agora neste momento, estou com o Luís, é que neste momento, mesmo que não corra tão bem assim, vamos dizer assim, top cinco é muito possível, o que é um feito completamente fantástico. E, portanto, hoje vou estar muito atento àquilo que vai ser esta etapa duríssima e oxalá haja forças para trepar aquelas montanhas.

E sobretudo quando estávamos todos desiludidos pela falta de presença de João Almeida, Afonso Lalo aqui a trazer-nos uma experiência.

Agora levámos à Rádio Observador o Afonso Lalo aconteça o que acontecer. Estamos aqui com o João Almeida e eu também quero tirar uma foto com ele.

Terá que acontecer no fim desse Giro d'Italia e o Afonso terá certamente muitos pedidos para ir à imprensa, porque está a ser a competição que o está a dar a conhecer ao país e ao mundo.

A etapa está a começar agora mesmo.

Exatamente. Aqui também o João Miguel Santos, que está comigo esta manhã, também é um adepto de ciclismo e vamos aqui também acompanhando essa etapa que terminará durante a tarde. Uma etapa muito complicada. Luís Pinto Coelho, João Pinto e Pedro Henriques, obrigado por se juntarem ao "E o Campeão É de Hoje".