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O apito está dado. Está na hora de avaliarmos e pontuarmos os principais protagonistas do Euro. Começa agora o "E o Campeão É". Para a análise aos jogos de ontem, juntam-se a mim e ao Júlio Magalhães, os comentadores Gabriel Alves e Luís Vilar e o jornalista da Rádio Observador, Miguel Cordeiro. Bom dia aos quatro.

Bom dia.

Bom dia.

Alô, bom dia.

Eu gosto muito de futebol, mas agora sim, ao fim de 45 anos, vou finalmente ficar uma pró, com a ajuda de entendidos como vocês. Vamos a isto?

Não são só 32.

Não são 45? São 45, Luís.

Que confusão que eu estou feito.

Não, ela já sabia de futebol antes de nascer. A questão não é essa.

Exato. Ontem jogaram-se as duas últimas partidas de acesso aos quartos de final. Começamos pelo jogo grande, Inglaterra x Alemanha. Os gols só apareceram a partir do minuto 74. A Inglaterra abriu o marcador com Sterling. Depois disso, houve aquele falhanço incrível de Thomas Müller, da seleção alemã, e aos 85 surge o 2 x 0 pelo capitão Harry Kane, que consolidou a vitória dos ingleses. Júlio, esta não era bem a despedida que Joachim Löw esperava ter no seu último Euro à frente da seleção. Isto porque com a derrota de ontem foi o último jogo do selecionador alemão. Júlio Magalhães.

Estão a me ouvir? Agora estão a me ouvir.

Sim, estamos a te ouvir.

Nota prévia, Maria João, tu comigo não vais aprender nada.

Aprende sempre, olha quem.

Gosto de desporto e de futebol, mas sou um adepto. Digo por aqui umas coisas, o Luís, o Gabriel, o Miguel é que são verdadeiros especialistas e percebem disto. Eu só digo por aqui umas coisas que são a minha opinião e nada mais. Sobre o jogo de ontem, sobre a Alemanha, eu acho que os meus companheiros até ontem, em que eu moderava e eles comentavam, ouviram-me dizer e se lembram que uma equipa quando está em crise, está em crise, e disse na altura que a Alemanha não ganharia este Europeu porque estava em crise e não há milagres no futebol. E por isso não foi nada surpreendente a Alemanha ontem ter sido eliminada pela Inglaterra. Eu não vaticinei que ia ser eliminada pela Inglaterra, vaticinei apenas que a Alemanha não estava em condições neste Europeu, porque entrou aqui em crise e uma vitória como aquela que aconteceu com Portugal podia dar muito ânimo à Alemanha, mas não era o suficiente, como se viu logo a seguir com a Hungria, em que a Alemanha podia ter sido eliminada. Há aqui um ponto que é importante. Ontem surgiram muitos memes e muitas brincadeiras com o fato das equipas do grupo da morte estarem todas eliminadas, acabaram por morrer todas mesmo. Portugal, França e a Alemanha, e a Hungria já tinha ido embora. Há aqui um ponto que pode ser importante nisto, que é a França, Alemanha e Portugal foram as únicas equipas deste Europeu que não puderam andar a gerir os jogadores durante a fase de grupos. E, portanto, tiveram que jogar sempre para ganhar e para fazer pontos para se apurarem até o último minuto do grupo em que estiveram inseridos. E eu acho que isso fez diferença depois para os quartos de final, porque chegaram estas equipas aos quartos de final com os jogadores muito mais cansados. Já vinham cansados da época, ficaram ainda mais cansados e não tiveram capacidade física para estar ao mesmo nível das outras equipas que depois em detalhes resolveram o jogo, porque tinham os jogadores mais frescos e portanto tinham essa capacidade física. Acho que este foi um pormenor importante para se perceber por que estas três equipas também acabam por ser eliminadas numa fase ainda precoce para aquilo que era a ambição delas.

Luís Vilar, tu hoje até pediste banda sonora para falar deste duelo.

Faz a música.

Entre estas duas grandes seleções.

Depois vai ser romance.

Em terras de Sua Majestade, parece que foi o fim da maldição alemã. A Inglaterra regressou aos triunfos 55 anos depois, portanto, venha de lá essa ode.

Olha, são 9h40, eu pedia aqui aos ouvintes, aos amantes do futebol, para pararem e ouvirem um bocadinho "Football Is Coming Home", esta música, os Three Lions. Isto é absolutamente fantástico. Eu estou absolutamente entusiasmado com este Euro e apesar de Portugal ter saído, estou mais entusiasmado do que nunca. Pedia aqui à Maria João para pararmos um bocadinho e ouvir esta música, porque, na verdade, vou vos ser sincero, é muito mais do que um jogo de futebol. Houve aqui alguém que uma vez disse que não é uma questão de vida ou morte, é muito mais do que isso. A Inglaterra ganhou a Alemanha em 1966, o Mundial, 4 x 2 em prolongamento. Curiosamente, foi em Wembley, foi no dia 30 de julho de 1960, e desde então que as coisas não têm corrido bem. Fez duas meias-finais de Europeus em 68 e em 96, este último já em casa. Fez as meias-finais em 90 e em 2018 de Mundiais, mas nunca mais conseguiu chegar a uma final, porque a Alemanha sempre esteve no caminho. O que acontece? Para mim, outra vez, o futebol é muito mais do que um jogo, e ver a Inglaterra eliminar a Alemanha, para mim, é voltarmos à essência do futebol, e é por isso que eu também trago esta música, para falarmos um bocado do romance do futebol. Para mim, é o futebol emoção a ganhar ao futebol máquina. Para mim, é este respeito absoluto pelos espetadores, porque eles é que são o futebol, em detrimento dos interesses do negócio que muitas vezes gravitam em torno do futebol. Eu acho que a Inglaterra ainda vive, em alguma parte, este romantismo junto dos adeptos. Um futebol ofensivo, desenfreado, que muitas vezes os resultados não são assim que se atingem, em detrimento de um futebol calculista, estratégico, mais latino, também mais alemão. Também para os nossos clubes portugueses, se calhar alguma maior transparência na comunicação, em detrimento de manipulações da opinião pública. Portanto, para mim, esta vitória da Inglaterra significa O reacendimento de uma chama de paixão no futebol, em detrimento de todo um interesse que gravita. E a Alemanha representa isso, mas não é só a Alemanha. Eu acho que é a vitória da Inglaterra que traz alguma esperança àqueles que sentem aquela saudade de vibrar na bancada. E ontem, com este estádio absolutamente cheio, o ruído que se fez, e o Gareth Southgate disse no final, absolutamente incrível. Eu, outra vez, João, se puderes pôr um bocadinho mais alto só aqueles cinco segundos para ouvirmos bem: "Football's Coming Home".

Achas que foi esta a banda sonora que o Joachim Löw ouviu ontem ao ir para casa?

Eu acho que não foi isto que ele ouviu ontem. O que ele ouviu ontem foi a "Blitzkrieg Bop" dos Ramones. Isso sim, deve ter sido o que ele ouviu ontem.

Que despedida, não é?

Que programa de cultura musical tão bom.

Miguel, que despedida como selecionador.

Sim, é uma despedida. Claro, o Joachim Löw, um grande selecionador.

Sem dúvida.

Foi durante muito tempo. As seleções acabaram por não se renovar como ele pretenderia. E esta seleção não tem o poder que outras equipas que ele treinou ao longo destes últimos anos, outras equipas da Mannschaft. Mas olhando aqui para esta questão do "Football is Coming Home", faz-me sempre lembrar o Mundial de 2018, em que passámos um mês a ouvir britânicos a gritar: "Football is coming home, football is coming home" e depois perderam com a Croácia e não chegaram sequer à final. Portanto, sim, é bonito, estádios cheios e vamos ter o Wembley cheio na final e Inglaterra vai jogar todos os jogos em casa até esse momento decisivo, se lá chegar.

Não, só Miguel, falta só que este próximo é em Roma.

Ah, o próximo é em Roma.

Com a Ucrânia é em Roma, mas depois volta ao Wembley para as meias e para as finais e para levantar a taça.

Pronto.

Para mim está muito claro quem vai ganhar.

Tem esse caminho e jogos quase todos em casa. Sim, "football is coming home" e temos estádios cheios, mas Inglaterra tem que correr, porque já vimos que este Europeu também está a ser pródigo em surpresas. E temos, neste momento, o grupo da morte todo de malas feitas para casa. É um grupo mais para rir do que outra coisa. Todas as equipas deste grupo, tirando a Hungria, só conseguiram ganhar um jogo neste Europeu e, portanto, já vieram para casa.

Miguel, deixa-me viver o sonho.

Eu deixo.

Nós deixamos.

Eles vão ganhar. Amanhã a gente já vai dizer realmente as verdades.

Gabriel Alves.

Só dizer que o sangue da Ucrânia, o sangue da Dinamarca e o sangue da República Checa parece muito mais bonito do que o sangue de Inglaterra.

Gabriel Alves, ontem falávamos em off que a sanção da Alemanha era sem dúvida uma forte candidata ao título. E agora, quem pode fazer frente à seleção de Gareth Southgate? Isto se a Inglaterra vencer a Ucrânia, que tem avançando e passando, não é?

É, a Ucrânia que é uma equipa um tanto cinzenta, mas a verdade é que já lá vai. Bom, em relação ao jogo ainda de ontem, eu quero destacar aqui a máquina, que o Luís, e bem, falou, gostei daquilo que o Luís expôs, mas também temos que dar a nota aos artistas. E a verdade é que o futebol pode ser todo ele uma projeção, pode ser ele todo um compêndio de táticas, pode ser ele todo de capacidade física, muito bem trazido pelo Juca em relação ao grupo da morte na sua intervenção. Pode ser tudo isso. Pode ser tudo o que há no computador, as estatísticas, e vai por aí fora. Mas depois, a Inglaterra ontem tinha um joker. Um joker chamado Grealish, um menino de 25 anos, tem 1,80 metro, segundo o Transfermarkt tem neste momento um valor de 65 milhões de euros. Acho que o Manchester City paga cento e tal milhões. Querem-no já para os seus quadros. E este menino Grealish foi o joker que Southgate tirou do banco. Recordar quando Southgate falhou a grande penalidade, o pontapé na marca de grande penalidade, que eliminou a Inglaterra em 96 face à Alemanha, ele ainda não tinha nascido. Pronto, e é este joker que entra em campo.

O futebol é tão bonito.

E dá um recital de futebol. Pronto, tudo aquilo mudou. Estilhaçou a Alemanha, que a Alemanha até estava cômoda no jogo, há que dizê-lo, estava cômoda. De alguma forma, obviamente, aquilo que se pode dizer cômodo. A Inglaterra não a tava nem desatava e a verdade é que Grealish em dois, três, quatro situações, deu à Inglaterra outro tipo de movimento de jogo e destroçou a equipa adversária. Isso quer dizer que o talento nunca pode sair da prática desportiva. É extremamente importante. Há o índice físico, há a atitude, há o caráter, há a concentração, a disciplina, tudo, mas tem que haver sempre um talento, alguém que mude as coisas do jogo, portanto, que altere as situações do jogo. E Grealish ontem foi exatamente essa nota.

E, portanto, é sem dúvida o teu campeão?

É o meu campeão em relação ao campeonato da Europa.

A este jogo, sim.

Em relação a este jogo, sim.

Sim, sem dúvida.

Não tenho dúvida. E digo já o campeão pela negativa é o Milner.

Aquele falhanço.

Aquele falhanço. Pronto, o futebol é isto.

Podia ter virado o jogo, não é?

E a substituição que não é preciso perceber alemão para perceber a azia que ia no bicho.

Exatamente. É o jogador mais tecnicista, talvez, desta equipa, o mais talentoso. Ele e o Kimmich. Também o Kimmich, não sei o que é que ele faz mal. Mas de qualquer das maneiras, é de facto uma perda, será talvez, se é que isto pode ser assim, a perda do campeonato. Mas a verdade é que a Inglaterra, como diz muito bem, o futebol volta a casa e é com um joker, que é Southgate, o tal que quando falhou um penalti tirou dá Luz Ribeiro um menino que ainda não tinha nascido.

Luís, quem é o teu campeão nesta partida?

Olha, o meu campeão nesta partida é obviamente o público, é o futebol inglês, é esta essência toda.

Não te estás a referir ao David Beckham, não?

Ele também lá estava.

E o Ed Sheeran.

Sim, o Ed Sheeran estava ali ao lado, com aquele cabelo absolutamente despenteado. Mas dizer que eu dou o campeão ao público, porque como o Gareth Southgate disse, ele nunca tinha visto um ruído tão ensurdecedor e eu acho que foi exatamente o público que empurrou a Inglaterra para os quartos-final.

Julio, quem é o teu campeão?

Pois olha, dentro do campo, o meu campeão é o Sterling. Ele esteve em jogo 90 minutos e acabou por marcar o gol que desbloqueou o jogo. Embora reconheça a importância da entrada do Grealish. Mas não queria dar nota de campeão neste jogo, porque foi um jogo combativo, não foi um jogo extraordinário de futebol. E ao contrário do que disse o Miguel Luís, não queria dar ao público, porque vou voltar àquilo que já disse hoje de manhã.

À pandemia, não é?

Claro. Há aqui um desencontro, um desequilíbrio que marcou este Europeu, que foi umas equipas poderem contar com o público e outras não.

A Inglaterra está a contar sempre.

E umas a jogar em casa e outras a jogar fora.

Umas a jogar em casa, outras fora.

E o estádio cheio e o estádio quase vazio.

Exatamente. A Inglaterra, que nos pôs na lista vermelha, andou a brincar conosco, a dizer que eles estão confinados, estão a tratar do vírus da variante delta, etc. Ontem mandaram às malvas isso tudo e meteram lá 60 mil pessoas, nenhuma com máscara, todas juntas e acho que não foi para um jogo que o mundo inteiro estava a ver. E portanto, para mim é nota dois, não é para o público, o público não tem culpa nenhuma, mas nota dois para a UEFA, para a organizadora deste Europeu, que tem permitido estas discrepâncias neste Europeu, que fazem alguma diferença depois naquilo que é o resultado final.

É o negócio do futebol que anda por aí, que naturalmente merece alguma atenção.

Os ingleses e os alemães, que também estavam lá os milhares, e a Angela Merkel, que ainda aqui há dias estava toda indignada por Portugal ter deixado os ingleses virem jogar a Champions ao Porto. E como se sabe, não teve efeito nenhum no Porto.

Isto é a Juventus. E quando temos numa Alemanha, por exemplo, um Bayern de Munique, que disse ao Sula, que termina o contrato em 22, fez-lhe uma proposta e o Sula disse que ia pensar, disse ao Sula: "Então vá procurar clube." E o Coman, que tem contrato até 23, pede 20 milhões por época para renovar e o Bayern de Munique já lhe respondeu que praticamente procure clube que não lhe paga 20 milhões por época. E depois, temos o Rummenigge a dizer, eu estou a citá-lo, não sou eu: "Andámos a engordar este monstro chamado mercado." Mas depois tudo isto cai dentro de um tacho que não sabemos bem o que é batata, o que é cenoura, o que é pimenta.

Gabriel, vamos só olhar para outro jogo, Suécia-Ucrânia. Quando tudo fazia crer que o jogo se iria decidir em penaltis, surge um gol no fim do prolongamento aos 120 minutos e temos uma Ucrânia nos quartos de final frente à Inglaterra. A Ucrânia lá vai passando de fase em fase e está agora entre as oito melhores seleções europeias, Gabriel.

Uma palavra para o Shevchenko. Eu acho que isto é o mérito do Shevchenko, que é o herói na Ucrânia, o futebol é isto, é o herói. Portanto, ele que como jogador foi campeão da Europa em mais de 18 títulos, bolador em 2004, 48 gols nos 121 jogos que vestiu a camisola da Ucrânia, 354 gols em 721 jogos no seu total, pelo Dinamo Kiev, que é o seu clube do coração, o Milan, que é o seu segundo clube do coração, ele gosta muito da Itália, basta ler o livro dele, e pelo Chelsea também, onde esteve. O jogo de ontem, foi um jogo que eu diria mesmo, houve ali momentos, que se foi entretido ali na primeira parte e na segunda, houve ali momentos que foi mesmo um jogo chato. Muito chato, onde a condição física levantada pelo Juca já neste programa para as equipas, falou do grupo da morte, mas ela estendeu-se a outras, também esteve em realce e valeu de facto aquele gol sobre a hora do cair do pano, que senão íamos ter para aí mais um quarto de hora ou 20 minutos nos pontapés da marca de grande penalidade, que se iriam arrastar já um bocadinho agonizantes.

Miguel Cordeiro, há pouco não deste a tua pontuação ao campeão e sei que agora ouvimos aqui falar do grupo da morte. E soma aqui um lembrete.

Sim. Sobre esse jogo da Inglaterra, a pontuação é rápida. Grealish, para mim, é um dos melhores jogadores daquela seleção, tem um perfume incrível, joga com as meias como jogava o Rui Costa e portanto tudo ali soa-me bem naquele jogador e a nota vai para ele, dou-lhe ali um 18 para aquele encontro.

E para este? Para este temos equipa para defrontar a Inglaterra?

Não sei. Acho difícil agora para esta próxima fase, a Ucrânia conseguir lidar com a Inglaterra. Mas olhando para o jogo de ontem, chateou-me não termos ido a penaltis. Já tinha as pipocas preparadas e de repente a Ucrânia com um gol no último minuto resolve a questão. Pronto, foram para o lixo. Não, não foram. Mas o que se passou neste jogo é muito o que disse agora o Gabriel Alves

Tivemos animação durante algum tempo, gols na segunda parte da primeira parte, mas sempre muito chato. As equipes encaixaram durante muito tempo. Houve alguns rasgos pontuais e foi um jogo com muita luta.

Miguel, a Ucrânia é uma equipe de jogo de rotinas muito combinadas. É verdade.

Sim. E processos simples, não complica.

É, mas também não tem criatividade.

É isso. Não há um grilo.

Há músculo. Portanto, é tudo muito determinado, definido, mas depois se falha qualquer coisa, o lego cai, a construção cai. Portanto, eu acho que é algo cinzento. Vamos ver. É uma equipe de muita alma.

Sim, isso percebeu-se, marcar um gol no último minuto.

E atenção, é das poucas equipes que é quase base de equipe, porque aquilo, de equipe de clube, Dinamo Kiev, mete cinco a seis jogadores por jogo.

Mas é isso, acho que vai ser muito difícil essa tarefa da Ucrânia frente à Inglaterra, pela qualidade dos jogadores, pelo perfume que Inglaterra tem também, mas esta questão de ser uma equipe unida e trabalhar bastante, pode complicar o jogo para os ingleses.

Pode.

Luís Vilar, há jogos que se assistem melhor do que outros? Como é que vibraste com este Suécia-Ucrânia?

Não vibrei da mesma forma. Até acho que esta energia toda-

Não havia música, não havia banda sonora à altura.

Não tens uma banda sonora para aqui?

Banda sonora para os ucranianos com aquela frieza toda.

Eu nem quero imaginar se Inglaterra ganhar, o que tu vais ter para dizer.

Ainda podia ter posto os ABBA, mas depois com aquela expulsão do Danielsson percebi que não ia pôr ABBA em lado nenhum.

A entrada é assassina. Aquilo é uma entrada-

Absolutamente, e o vermelho foi muito bem mostrado. Percebeu-se logo de início que ia ser um jogo muito tático, já como o Miguel e também o Gabriel disseram. Por quê? Porque aqui, também parabenizar o Andriy Shevchenko, porque a Suécia jogava com dois avançados, muito claro, o Kulusevski e o Alexander Isak, e o que a Ucrânia fez foi mudar o sistema e passou a jogar com uma linha de cinco. Ou seja, passou a jogar com três defesas centrais para equilibrar aquela zona, e depois deixou que na frente, o Yarmolenko e sobretudo o Yaremchuk conseguissem uma jogada de criatividade. O que acontece? Equilibrou o jogo, equilibrou atrás, a parte da frente também estava equilibrada para o lado da Suécia, o jogo foi morrendo. O Forsberg foi aparecendo, o jogador da Suécia, o médio-esquerdo da Suécia, foi aparecendo e fez aqui um bom par de remates, duas bolas no poste. Eu achei que ainda podia dar Suécia, mas quando o jogo começou a decorrer, começou-se a perceber que, sobretudo com a expulsão do Danielsson, que ia ser muito difícil para a Suécia aguentar-se. Minha nota de destaque, eu não sei se posso já adiantar.

Vamos já para os campeões, até porque temos de terminar a seguir.

Neste jogo, o campeão para mim foi o Zinchenko, que apareceu como quinto defesa do lado esquerdo a fazer o corredor todo, que faz o primeiro gol, um pontapé muito certeiro, que o Olsson ainda conseguiu tocar, mas tanto também a violência não conseguiu desviar, e depois um cruzamento absolutamente brilhante para o segundo gol, em que o próprio Lindelof, também ex-jogador do Benfica, não fica muito bem na figura.

Júlio Magalhães, o teu campeão e nota para esta partida.

Se há bocado dei nota negativa à UEFA, sobre este jogo dou um 16 à UEFA. Não sei se fizeram de propósito ou não, mas este alinhamento de sorteio é excelente para que estas equipes possam chegar mais longe, como acontece na NBA, em que os melhores jogadores vão para as equipes mais fracas para criar um equilíbrio no campeonato, como acontece no golfe, em que os handicaps permitem que os jogadores menos cotados ganhem campeonatos. Este alinhamento foi o que permitiu Portugal ir a uma final do Europeu e ganhá-lo, foi o que permitiu à Croácia ir à final do Campeonato do Mundo, e é o que permite equipes como a Ucrânia e a Suécia estarem em prova, neste caso, a Ucrânia e Portugal, Alemanha e França já não estarem. Portugal hoje tem o estatuto de candidato e de grande equipe europeia e mundial, porque de facto chegou a uma final. Isto vai criando a estas equipes essa motivação para também começarem a ganhar esse estatuto e a estruturarem-se de forma a, noutros campeonatos, virem com esta motivação e estarem naquele alinhamento certo, em que depois não cria um crónico vencedor de um campeonato. Eu não sei se isto é de propósito, se é feito por isso ou se não é. A verdade é que acho que é um belíssimo critério para não ter-

Mas parece que o critério foi o do negócio.

Campeão e nota, Júlio.

Portanto, é para a UEFA, 16, neste caso, porque permite que estas equipes não cheguem e não se passa aqueles campeonatos em que os mais fracos nos grupos vão-se embora e ficam os mais fortes, que é isso que interessa.

Gabriel Alves.

Para este jogo é o Shevchenko, porque é a alma dele esta equipe, portanto, dou-lhe 15.

Miguel Cordol. Sim, eu sei, ainda vamos lá.

Eu vou dar nota rápida à Ucrânia e dou aqui uma nota ao Luís Vilar, que inaugurou a questão da música. E tenho uma aba para ele, e principalmente com a canção que os ucranianos cantaram ontem. "The winner takes it all" e os suecos foram para casa.

Antes de terminarmos, queria, Gabriel Alves, falar de Messi, que ao final do dia é um jogador livre, cessa o contrato com o Barça. Temos 30 segundos, Gabriel.

Às 24 horas é um jogador livre. Quem diria, Messi, Laporta está em conta-relógio, está ao sprint, porque as marcas, o negócio, as marcas só pagam depois de saber se Messi fica ou não. Money, money, money. Amanhã ele vai para trás delas. E não se esqueçam esta marca, 19 segundos e 88 centésimos. Estamos a falar de desporto. Dezenove segundos e 88 centésimos nos 200 metros. Não se esqueçam. É só irem ao Observador e lerem.

Amanhã não se joga Euro, mas o mercado de transferências, como aqui vimos já Messi, temos também o futuro de Cristiano Ronaldo em aberto. O que acham de falarmos sobre isto amanhã?

Tudo em aberto.

Tudo em aberto. O "Campeão É" hoje fica por aqui. Amanhã estamos de regresso para nova análise aos pugilistas do mundo do desporto. É sempre um gosto aprender com quem sabe. Obrigada aos quatro. Até amanhã.

Até amanhã.

Prazer em tê-la.

Até amanhã.

Até amanhã.