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"E o Campeão É", edição de sábado com Gabriel Alves, João Castro e Pedro Henriques. Bom dia aos três, bem-vindos. Gabriel, vamos já começar pelo rugby. Apuramento histórico de Portugal. Voltam ao mundial 15 anos depois. É importante para uma modalidade tantos anos afastada dos grandes palcos?

Bom dia. Acho que é muito importante. Até porque se trata de uma modalidade nobre. Vou usar aqui um termo que eu não gosto muito, mas vou usar. Além da grande virilidade que é posta no jogo, no contacto físico, porque é um jogo de muito contacto físico, acima de tudo, prima a lealdade. No jogo de rugby, tem que ser só uma exceção para confirmar a regra. Não sei em que tempo, onde, como é que há um caso, porque, de facto, a lealdade prima. Portanto, é muito bonito ver Portugal de novo e ver o esforço que ao longo de décadas, de gerações, tem sido feito nessa modalidade a que eu chamo nobre. Eu queria só dizer aqui algo mais. Tem sido um ano, este 2022, muito interessante em termos desportivos para portugueses. Repare, são agora os Lobos que vão ao mundial. Repare-se o que fizemos no futsal. Não esquecer, porque muitas vezes o momento sim, e depois entra no esquecimento. O trampolim das últimas horas. Atenção, campeões. Natação, o que tem evoluído, o que tem aparecido de meninos e meninas. O remo. E eu pergunto: e se houvesse uma política desportiva em Portugal? Eu não estou a falar de agora, se tivesse sido feita há muitos anos. Se calhar, se não estivessem distraídos, hoje tínhamos mais atletas, melhores atletas e uma juventude mais sã.

Portugal novamente apurado para o Campeonato do Mundo de Rugby. Estávamos há pouco a dizer que 15 anos depois, 15 anos do apuramento, 16 do mundial, que só se realiza evidentemente para o ano. João Castro, tu que segues também as modalidades, ainda tens memória daquela seleção emocionada a cantar o hino em 2007? Ontem foi também um empate que deu o apuramento com aquele sofrimento típico português, que dá ainda mais gostinho.

Bom dia. Sim, com aquele pontapé final que nos dá o empate diante dos Estados Unidos e conseguimos. Lembro perfeitamente também em 2007, do mundial. Eu gosto bastante de rugby, também partilho da mesma opinião do Gabriel Alves. Curioso é que nós ganhamos diante de uma seleção, que é os Estados Unidos, que eles são fortes, mas é num rugby diferente. Num rugby diferente, com capacetes e muitas proteções.

Este é para os corajosos.

Este é para os corajosos e conseguimos realmente o apuramento num grande pontapé e eu acho que é muito bom para o rugby português. Eu acho que há uma evolução também no rugby português, nota-se. Não sei o que foi feito a nível da federação, mas nota-se que há uma evolução. Se calhar é preciso haver mais apoio e, sobretudo, mais formação. Sei que existe alguma, as faculdades também estão muito ligadas à parte de rugby, algumas faculdades, mas acho que era importante também valorizar e apoiar cada vez mais a formação, porque só assim é que também conseguimos ter melhores jogadores, uma maior evolução para estarmos presentes e fazermos grande figura nestes mundiais.

E do rugby passamos precisamente para o futebol. Pedro Henriques, a seleção portuguesa realiza o primeiro treino no Qatar. A estreia de Portugal no grupo H está marcada para 24 de novembro. Esperada a presença de mil adeptos portugueses no primeiro jogo da seleção nacional neste mundial. A vitória folgada faz com que o trabalho se encarre melhor nestes primeiros dias antes da estreia oficial, Pedro.

Bom dia. Desculpa lá, mas falta qualquer coisa antes de irem descer do rugby.

Claro.

Tens toda a razão.

Desculpem lá. Coisas importantes. Não é o minuto 88, é o minuto 81 e 45 segundos. Samuel Marques bate uma penalidade, faz 16 x 16. Tínhamos vantagem por causa da diferença entre os pontos marcados e sofridos, e daí passámos. Mais Lobos versus Eagles. As Eagles desde 1995 não falham o mundial, embora estivessem no ranking colocados quase igual a Portugal, portanto, uma diferença mínima. Isto é muito significativo e é uma vitória que tem um impacto muito grande por aquilo que é histórico, está 16 anos depois e por todo o trabalho também que tem vindo a ser feito. Era só mais este bocadinho. Relativamente à seleção, os mil adeptos que lá vão, de certeza que não bebem, não fumam e não podem fazer outras atividades, porque senão não entram, não saem de lá. Portanto, esses são os mil adeptos que estou a falar.

Nada.

Nada, nadinha. Só futebol, só soccer.

Ó Pedro, estás a falar dos adeptos que vão daqui ou daqueles que vieram do Paquistão?

Não. Os adeptos portugueses. Nós temos aí muita rapaziada, não sei se patrocinados, comprados, etc., para estar lá, mas também vi algumas reportagens interessantes, até de uma senhora portuguesa que lá está no Qatar e que é responsável por aquela claque que a gente depois vê de pessoas, que muitos deles até são indianos. É curioso que é uma comunidade indiana muito grande a apoiar Portugal. Depois das diversas reportagens que nós vimos, também não deixa de ser curioso que muitos de Portugal conhecem apenas um nome chamado Cristiano Ronaldo. Depois lá um ou outro disse o Pepe e pouco mais. Mas é realmente a transversalidade e o Planeta Ronaldo ao mais alto nível. São só 470 milhões de seguidores no Instagram. A gente só por aí percebe claramente a importância que tem o Cristiano Ronaldo.

E já que estás a falar do Cristiano Ronaldo e do Instagram, viste o que ele acabou de partilhar há segundos? Partilhou precisamente a dizer que ele já chegou à Madame Tussauds e disse: "Taking over Times Square with my new wax figure and showing Portugal to the world". Portanto, em plena praça Times Square, temos um vídeo a passar. Cristiano Ronaldo acabou de partilhar exatamente isso na sua conta de Instagram.

Exatamente. E o Cristiano Ronaldo tem esta coisa. Ontem eu até destaquei a mensagem do Cristiano Ronaldo, que falava para levarmos conosco, parte final da mensagem, uma razão para levarmos conosco na bagagem todos os sonhos do mundo. E é um bocadinho isso, ele leva, Cristiano Ronaldo, a seleção e todos os portugueses, obviamente, não é só o Cristiano Ronaldo, levam os nossos sonhos. É uma seleção que deixou muito boas sensações neste último jogo. É uma seleção que nós olhamos, nós dizíamos sempre são candidatos ou favoritos, não interessa, mas nós olhamos e agora dizemos que independentemente do valor de uma Argentina, do Brasil, daquelas seleções europeias como França, Espanha e Alemanha, que são sempre favoritos e candidatos, nós temos aquela sensação que realmente por posição não só temos uma, mas temos praticamente dois jogadores de altíssima qualidade e que podem efetivamente, desta vez, fazer sonhar alto. Sabemos que há ali pormenores que depois vão fazer toda a diferença no que diz respeito ao ganhar e ao perder. É uma competição que passa a ser praticamente eliminada, agora é por pontos, mas temos boas sensações relativamente àquilo que pode ser feito. E acho que todo este momento em torno do Cristiano Ronaldo, que ele próprio criou, e não vamos voltar a falar sobre isso, já demos todos a nossa opinião sobre isso, eu acho que é um momento que ele próprio cria, por causa da situação de querer fazer a rescisão e querer sair do Manchester United, mas é momento que, ao contrário, que algumas pessoas possam pensar, e isto é a minha opinião, não quer dizer que eu tenha razão, que vai ser a favor da seleção e a favor, sobretudo, do Ronaldo e daquilo que eu acho que vai ser um grande mundial do próprio Cristiano Ronaldo. Por isso, estamos com boas sensações, estamos nas vésperas, até quinta-feira, para já começa amanhã o mundial. Estamos nas vésperas de uma seleção que vai dar um primeiro passo com uma seleção muito difícil, atenção ao Gana, que ganhou da gera à Suíça de forma perfeitamente impositiva, mas estamos todos com boas sensações. Vamos ver o que é que vai acontecer. Os próximos dias também serão importantes para também percebermos toda esta readaptação de Portugal ao ambiente. E é mesmo isso, é um pontapé de saída do mundial, é o pontapé de saída da nossa seleção.

Seja um pontapé Samuel Marcos, não é?

Exatamente. E o Cristiano Ronaldo faz esse favor, favor no sentido positivo, de ir colocando nas redes sociais, fazer um trabalho que nem a própria Federação Portuguesa de Futebol, nem outro jogador tem a capacidade de fazer, não só pelo mediatismo, como esta ligação aos adeptos e as pessoas gostam disto, e isto é muito importante. Mas é bom perceber que não é só o Cristiano Ronaldo, nós temos ali jogadores de altíssima qualidade, até pessoas mais simples na sua exposição e que têm uma relevância e importância sequer na seleção tão ou mais. Falo, por exemplo, do maestro Bernardo Silva.

Vou antecipar um teaser da entrevista ao Paulo Futre, que vai para o ar amanhã aqui na Rádio Observador, e ele próprio diz isso, que olhando posição a posição para a seleção portuguesa, não há uma posição em que esteja mais desguarnecida. Há sempre um ou dois jogadores de grande qualidade mundial. A entrevista vai amanhã para o ar, depois do meio-dia. Gabriel, esta situação, não só do Cristiano Ronaldo, mas a bolha do mundial, permite aqui outra concentração, outra atitude no trabalho da seleção nacional? Isso é importante agora estes dias?

Sim, neste momento, a concentração é exatamente naquilo que é o trabalho imediato. É a seleção, é a competição, é o mundial, são os jogos, é todo esse conjunto de situações. Naturalmente, é por aí que os jogadores, a estrutura, estão empenhados, atentos, concentrados, disciplinados, porque é com concentração, com disciplina, com projeto, com plano, com estrutura que se pode chegar a um bom porto, a um bom porto, dentro dos objetivos que estão traçados para este torneio, para este evento, que é nada mais, nada menos que o mundial. Eu gostaria só de trazer aqui, e isto estou de acordo com tudo o que disse o Pedro há segundos atrás, e dizer que o Ronaldo, se calhar, sozinho, faz mais pelo turismo português do que muitas das coisas que andam por aí. Mas eu não quero entrar pela análise política, não sou político. Mas queria só dizer aqui um fator que me parece importante. Já pensaram que este mundial tem 137 nacionalizados no Catar 2022. Jogadores oriundos de outros países que jogam, oriundos de países de nascimento que jogam por outros países. São 137. Portanto, isto chama-se globalização, chama-se inclusão, chama-se, de facto, facto mediático enorme e chama-se, naturalmente, os países a absorverem jogadores, pessoas que procuraram outros mundos e outras artes. Eu queria dizer que na África do Sul, em 2010, havia 77 nacionalidades. No Brasil, em 2014, 85. Em 2018, havia 82 na Rússia. É dizer que cresceu, tem havido um crescimento de nacionalidades. Falou-se aí do Gana. É interessante, dois irmãos, oriundos do Gana, nascidos em Espanha, o Iñaki, que é o mais velho, vai jogar pelo seu país de origem e o Nico, que vai jogar pelo país onde nasceu. Vão ser adversários no mundial, poderão encontrar-se ou não, mas cada um pela sua seleção. Isto é interessante para termos a noção do que é que vale este grande fenômeno social que é, de facto, o futebol. Eu não sei se querem falar do Sérgio Infantino. Eu vou já abordar aqui o Sérgio Infantino. Eu estive a ver aqui aquilo que ele disse ontem. Realmente vi, tendo em conta o que nós europeus andamos a fazer nos últimos 3 mil anos, devíamos era estar a pedir desculpa nos próximos 3 mil anos, antes de começar a dar lições de moral. Se a Europa realmente quisesse saber destes jovens, faria como o Catar, criaria canais legais, abrindo uma percentagem desse trabalho, etc. Porta-voz do Catar, o Sérgio Infantino. Porta-voz do Catar ou de algum presidente europeu? É que o problema é este. Isto é uma crítica aos europeus, mas parece que os europeus não têm emenda. Eu pergunto aos analistas, por exemplo, em África, o que é que lá vão dizer aos africanos? Por exemplo, ao nível do clima. Uma coisa é o que vão dizer e depois o que é que lá não vão fazer. Eu penso que seria uma boa investigação jornalística.

João Castro, o Gabriel já acabou por introduzir o próximo tema que tínhamos aqui, porque o presidente da FIFA saiu em defesa do Catar, acusou o Ocidente de hipocrisia, diz que devem ser os europeus a pedir desculpa. Isto é a FIFA à procura de defender a atribuição do mundial ao Catar?

Claramente. É a FIFA a desviar as atenções para o que aconteceu e para o que vai acontecendo no Catar, porque se formos falar do passado, a humanidade toda tem que pedir desculpas. Não é só os europeus, é a humanidade toda.

Exatamente.

A civilização nasceu na zona do Médio Oriente. Se formos pensar nisso, havia muita coisa para desculpar de parte a parte. Podiam ter perguntado ao Infantino, por exemplo, a questão de não haver álcool e um dos maiores patrocinadores da FIFA é uma empresa de bebidas. Não sei como é que ele vai justificar aquilo. Há aqui realmente uma grande hipocrisia, porque o que interessa é o que a FIFA pode fazer. Não interessa o que os outros podem pedir desculpa, é o que a FIFA podia ter feito de diferente para acautelar e proteger os trabalhadores que construíram os estádios, as más condições. Isso é que era importante a FIFA olhar para dentro e não culpar os outros. Acho que antes de apontarmos o dedo a alguém, devemos pensar o que nós fizemos. E a FIFA tem aqui um longo caminho para perceber que o dinheiro não é tudo.

Estás a me lembrar aquela história: padres há muitos, não sabemos é de que igrejas.

Pedro Henriques, deixa-me também lançar aqui esta questão das declarações do Gianni Infantino, que têm poucas horas e já suscitam o burburinho que suscitam. Eu vou só aqui acrescentar mais uma. O presidente da FIFA diz que se sentiu discriminado em criança por ser ruivo e ter sardas. São declarações infelizes por parte de Infantino. E também porque já falaste disso aqui na outra edição do "Campeão É", a situação no decorrer do mundial pode descambar ainda mais. Já tivemos o caso da Dinamarca que não pode entrar com certas camisetas de treino. Mas é possível que surjam mais questões de protesto político à volta deste mundial, ainda para mais com este acumular de declarações.

Eu acho que o bullying sobre o Infantino, agora por ele ser completamente careca, é capaz de ser maior do que quando ele tinha sardas e tinha cabelo. Não faço ideia. Depois, há o outro aspeto que é: se é para pedir desculpa, podemos começar já pelos nossos deputados da Assembleia, que agora alguns partidos realmente são altamente puristas e estão muito preocupados. Até em pedir desculpa pelos imigrantes que estão lá embaixo nas estufas do Alentejo e do Algarve. E pedir desculpa pela malta que está aqui na construção, na minha região, ilegal e anda na construção civil. E pedir desculpa pela restauração que as pessoas aqui já queixam muito forte.

E a experiência de pedir desculpa é um relato.

Pronto, exatamente, a restauração. Mas é isso tudo, Gabriel. É tanta gente que nós temos que pedir desculpa por que ilegalidades, atropelos aos direitos humanos e aquilo que é o mínimo dos mínimos, se calhar, toda a nossa sociedade tem que estar sempre a pedir desculpa. Portanto, acho que não vale a pena. Deviam era ter feito com que ou eles já tivessem as condições de direitos humanos e depois atribuíram o mundial. A partir do momento que foi dito lá naquele papelinho Mundial Catar 2022, não vale a pena. E toda esta malta esteve em silêncio durante estes 10 anos. Começaram agora a falar apenas por uma razão.

E o que é que venderam? Qual foi o negócio a seguir? Essa é que é a questão.

É um bocadinho de hipocrisia. Exato. É um bocadinho de hipocrisia e é também esta questão do senhor Infantino, agora com estas declarações, que também está a entrar na onda do politicamente correto. Eu acho que cada vez que ele diz mais qualquer coisa, ainda se torna mais ridículo na circunstância. Eu gostei mais, muito honestamente, vou dar o exemplo do nosso primeiro-ministro, que morra de amores por ele, mas acho que quando ele diz que não se trata de ir apoiar o Catar, mas se trata de se ir apoiar a nossa seleção, eu acho que é um bocadinho isso. Trata-se de apoiar o fenómeno desportivo, trata-se de apoiar as respetivas seleções. Óbvio que o mal já foi feito na perspectiva de se ter permitido realizar ali com todas estas condicionantes e agora é tentar minimizar os estragos, porque é assim, ainda não começou. Quando aquilo começar, e também da minha experiência de vida, vale o que vale, proibir é sempre o caminho mais perigoso. Às vezes vale mais permitires controlando. Eu vou dar exemplo. A questão do álcool. Quando dizes que não pode, vale mais criar nas fan zones, criar espaço em que as pessoas são identificadas para entrar nas fan zones e criar espaço onde, por exemplo, o álcool pode ser ingerido e controlares porque as pessoas entram e para sair de lá são controladas. Agora, proibir vai dar que as pessoas vão fazer ainda de propósito, vão fazer pior, vão querer mostrar ainda o lado da rebeliaria, porque o ser humano tem muito essa tendência, e eu acho que vai haver casos complicados com adeptos, depois vai entrar com aquela questão de serem detidos, depois vai entrar com a questão das embaixadas dos países e de alguma conflitualidade. Eu penso que podemos ter aqui, paralelamente à parte desportiva, alguns problemas, entre aspas, de convivência na natureza social, por causa destas regras muito restritivas. Já deviam ter pensado nisso antes, agora é tentar minimizar os estragos. E acho que o Infantino deveria, mais do que estar a entrar nessa parte política, porque no fundo ele está a fazer política, era entrar na parte desportiva, porque ele quando diz, e termino com isto, que é uma autêntica hipocrisia, que a FIFA, por causa das mensagens da camisola da Dinamarca, não pode, porque não se pode meter em política. Então, o que eles fizeram em 1992 com a Jugoslávia? O que eles fizeram agora com a Rússia quando os excluíram? Isto é o quê? Não é política? Independente das razões, corretas ou não. Não faz sentido, que é o mono cravo na ferradura. Eu acho que as pessoas chegam a patamar tão elevado, que acham que são tão superiores, que já não se aconselham, já não têm pessoas racionais e especializadas na comunicação que os ajudam, porque acho que eles podem dizer tudo, são ricos, são milionários, têm dinheiro todo e depois é este disparate completo. E o que acontece normalmente a esta malta? Morrem ricos, mas sozinhos.

Sabes de uma coisa? Havia aí jornal francês que aqui há uns tempos, há uns meses, tive a oportunidade de olhar e ler, dizia que Emmanuel Macron, quando deixasse de ser presidente, provavelmente teria escritório em Abu Dhabi. Provavelmente o senhor Infantino também terá, em Doha, uma propriedade no Dubai.

Ainda tenho alguns recados para dar a propósito precisamente da cobertura que a Rádio Observador vai fazer acerca dos jogos neste mundial, mas antes vamos avançar já para o "O Campeão É". João Castro, estás tão caladinho, vou começar por ti.

Claro, nota 20 para os Lobos de Portugal, para o apuramento do rei, a seleção merece e tinha que estar aqui nas minhas notas. E depois uma nota 10 para o Luís Enrique, para já positiva, por ser diferente. Não sei se é bom ou se é mau, para já é diferente, que ele agora virou streamer, virou youtuber e fala da seleção espanhola no Twitch, no YouTube. É algo diferente, ainda não dou negativo nem positivo, mas é diferente e há que destacar, porque é uma comunicação diferente. Vamos ver o que isto vai dar, principalmente quando começar os jogos, vamos ver o que ele vai justificar ou o que vai explicar, mas pode ser interessante, pode ser prejudicial, mas é diferente. Portanto, também nota 10 para Luís Enrique.

Gabriel Alves.

O Luís Enrique é, de facto, um personagem muito interessante e que trouxe, e bem, o João Castro mostrará isso, esse perfil, trouxe algo de novo a tudo isto que é comunicação em termos da seleção, sendo firme nas suas opiniões, sendo determinado nas suas opiniões, sendo dialogante naquilo que lhe é colocado. Mas atenção, dialogante, mas não timoteante. Portanto, Luís Enrique, para mim, é um excelente treinador, que provavelmente este será o seleccionador de Espanha no pós-Catar, e quem para lá for e aquele que está indisputado será uma pessoa muito dentro, não sendo igual, dentro da mesma linha. Eu dou também a mesma nota que o João Castro dá ao Luís Enrique, esperando que a situação cresça. De resto, a minha nota vai também para os Lobos, naturalmente, e já agora 20, claro, os Lobos, e deixar todos aqueles também na nota de muito positiva: trampolim, natação, remo, futsal, enfim, todos aqueles desportistas que trabalham em prol de modalidades que adoram, que amam, têm paixão e que têm feito, de facto, o nome de Portugal, a bandeira subir cantada e tocada com o hino do país a que pertencem.

Pedro Henriques.

Nota 20 para os Lobos, para a nossa seleção, obviamente, não podia deixar de ser, e para o Samuel Marques, embora aquilo seja um coletivo, mas foi nos pés dele que teve aquele momento final, o tal minuto 81 e 45 segundos, nota claramente 20. E nota 15, porque eu ainda estou um bocado ressabiado, porque eu anteontem, até ao minuto 84, estava em primeiro lugar nos palpites do jogo da seleção. E depois a seleção fez o 4 x 0. E portanto, eu ontem dei nota 20 ao João Pinto por ter ganho e ter acertado, mas eu quero passar aqui publicamente esta mensagem. Estou muito ressabiado com o nosso humorista João Pinto e estou à espera do jogo de amanhã para ver se lhe passo outra vez à frente. De qualquer maneira, é uma iniciativa interessante.

Vais tornar o desempregado.

Exatamente, ele está a acertar muito. Mas é uma das muitas iniciativas que a Rádio Observador tem a brincar e falando coisas sérias e por isso acho extraordinário e mantém também o espírito de grupo que todos nós temos destas brincadeiras, destas picardias. Nota 20 também para a Rádio Observador, exatamente por estas muitas iniciativas que temos agora a começar o mundial.

Olha, nem mais. Ainda bem que lançaste e falaste. Falar aqui de algumas 1 minuto 90. A Rádio Observador acompanha todos os jogos do Mundial do Qatar. Já amanhã, a partir das 16h, vamos acompanhar em direto o jogo de abertura do Mundial, Qatar-Equador. Depois também temos a força da técnica e a técnica da força. Vamos estar ao final de cada dia, Gabriel Alves vai analisar os jogos, fazer os destaques diários da competição. Sem falta contigo, Pedro Henriques, precisamente o áudio-árbitro da Rádio Observador, vais analisar diariamente os principais casos de arbitragem do mundial. E claro, temos também um diário do mundial, Bruno Roseiro, de resto o enviado especial da Rádio Observador ao Qatar, faz o balanço diário da competição. Já agora aproveito para dizer, já devem saber, que nós temos a leilão a caderneta do mundial, que a equipa do Três Toques andou a completar nas últimas semanas com a ajuda dos-

Conseguiu completar?

Exatamente.

Palmas para eles!

Com a ajuda dos ouvintes, é verdade. Os cromos estão assinados pelos próprios jogadores da seleção. Portanto, nós agora estamos aqui a fazer um leilão.

A grande juca.

E o valor angariado para este leilão vai revertir na totalidade para a Operação Nariz Vermelho, que leva alegria às crianças dos hospitais. Há uns tempos já tínhamos uma primeira licitação, que estava nos 400 €. Portanto, isto está para dizer, se quiser que a nossa caderneta, ou se quiser a nossa caderneta completa e assinada pelos jogadores da seleção, seja sua, só tem de enviar a sua oferta para o e-mail ouvinte@observador.pt. Pronto, estão dados os recados. Gabriel Alves, Pedro Henriques e João Castro, muito obrigada aos três e até amanhã.

Até amanhã. Bom fim de semana.