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Arranca hoje a 22ª jornada do campeonato, que podemos dizer que está relançado depois do clássico desta segunda-feira e desse empate entre Futebol Clube do Porto e Sporting. Hoje joga o Benfica frente ao Santa Clara, nos Açores, às 18h30, hora de Portugal continental, 17h30 em São Miguel. Também este fim de semana, o Futebol Clube do Porto vai jogar nas ilhas, mas no arquipélago da Madeira, frente ao Nacional, e o Sporting joga em Alvalade frente ao Famalicão. Vamos fazer a antecipação desta jornada 22, principalmente do jogo do Benfica. Joga hoje num relvado complicado do Santa Clara. Eu sou o Miguel Cordeiro, comigo estão o Gabriel Alves, o Pedro Henriques e o Augusto Inácio. Bem-vindos. Vamos começar por este encontro. O Benfica precisa de pontos se de facto se quer manter nessa luta pelo campeonato, uma luta que de repente aqueceu, em que os três primeiros se aproximaram com aquilo que aconteceu nas últimas três jornadas. Gabriel Alves, Mourinho colocou a tónica quase neste encontro como se fosse uma final, em que o Benfica precisa mesmo destes pontos para continuar viva esta luta. O que esperas deste encontro e que dificuldades pode ter o Benfica nos Açores?

Boa tarde. O Benfica precisa destes pontos, naturalmente, para manter a chama da candidatura ao título. Mas o Santa Clara, depois de quatro derrotas consecutivas, precisa dos pontos para fugir da situação difícil em que está, de possível despromoção, depois de ter tido uma excelente época na época transata e não estar a repetir. Mudou de treinador e hoje tem à frente da equipa um treinador que conhece bem a casa Benfica, chamado Petit. Portanto, naturalmente, conhece-se bem o que é Petit e aquilo que Mourinho passa para os seus jogadores, aquilo que Petit passa para os seus jogadores. Eu antevejo que poderá ser um jogo interessante, divertido e entrtido para todos vermos, independentemente da emoção, da pressão e da ansiedade que quer uma, quer outra formação vão ter daquilo que é disputar esta partida. Uma, para fugir a lugares de descida, outra para obviamente não perder o ritmo do título. Portanto, o Benfica vai jogar aqui sem um jogador. Não há insubstituíveis, nada na vida, mas é um jogador que obviamente é um jogador importante naquilo que é a tática e a manobra do Benfica, que é Ósrins. Este nórdico, o Benfica tem dificuldade em viver sem ele. Portanto, não vai ser fácil. Ele não é um galáctico, não, longe disso. Mas é um atleta de alta competição exemplar e tem-se visto ao longo da sua carreira, aqui em Portugal, aqui em Lisboa, aqui ao serviço do Sporting Lisboa e Benfica, que ele é um jogador extremamente importante onde quer que jogue. Inclusivamente, durante a partida, se há necessidade de fazer mais alguma coisa que outros não consigam, chama-se por Ósrins, porque ele tem, acima de tudo, uma escola de alta competição, uma escola de alta qualidade desportiva, de educação desportiva e, portanto, tudo isso transparece naquilo que é o seu futebol. Tem Lukebakio também anunciado, mas Lukebakio está de volta, é um grande jogador e eu que o conheço há data de anos e ando a vê-lo jogar há data de anos. Mas a verdade é que vem de uma lesão difícil e obviamente que não é chegar, ver e vencer vindo de lesão. Obviamente que vai, naturalmente, ter que voltar a surgir com a sua adaptação e vai ter que ganhar ritmo de competição, que é algo que se sabe muito bem que acontece em alta competição, em qualquer modalidade. Portanto, tenho a impressão que é um Benfica que também vai fazer deste jogo, a mim me parece, não vou dizer que é igual, mas vai fazer algum estudo, independentemente daquilo que é ganhar, que é o mais importante, para aquilo que se vai seguir no carnaval, isto é, na sua discussão com o Real Madrid na Champions. Portanto, o Benfica terá que pensar muito bem neste jogo, projetando aquilo que vai acontecer na próxima semana, não esquecendo, obviamente, que lá por Madrid não há ideias de futebol. E a verdade é que o Benfica, por aquilo que nós temos vindo a observar, tem uma ideia de futebol. Lá por Madrid, há estrelas, há galácticos, há jantradas, mas futebol vai havendo pouco.

Augusto Inácio, o que vai ser mais complicado para o Benfica? Jogar no relvado do Santa Clara ou jogar sem Ósrins?

Boa tarde a todos. Boa pergunta, Miguel. Diria que é um somatório de várias coisas. A primeira, claro que o relvado tem uma importância muito grande, porque para as equipas mais técnicas e que são mais evoluídas, as coisas podem ser complicadas. E eu já lá joguei e sei que aquilo é realmente muito difícil. Até a aderência ao piso, as coisas são complicadas. Mas depois também tens o valor, que este é o mais importante, devia ter começado por aqui, pelo valor do Santa Clara. O Santa Clara é uma boa equipa, está a fazer um campeonato não de acordo com aquilo que tinha sido feito o ano passado. Já trocou o treinador, Vasco Matos por Petit. O Petit é o segundo jogo que vai fazer pelo Santa Clara e o Santa Clara também precisa de pontos, é preciso atenção. E por isso mesmo, o Benfica tem os problemas que todos os outros clubes também têm. O Benfica não tem Ósrins, mas o Sporting também quando jogasse sem sete, oito, nove jogadores, também temos jogadores importantíssimos, como o Pote, principalmente, vou-me referir a esse, que é o jogador mais mediático, que marca a diferença na equipa do Sporting, também o Sporting esteve meses sem esse jogador. O Benfica tem um plantel, tem um plantel para gerir, tem um plantel para dar corpo àquilo que foram as suas ideias e as suas contratações Por isso o Benfica sabe que só tem um resultado nos Açores, que é ganhar, se quer pensar e ter esperanças de chegar onde quer chegar, que é ser campeão. O Benfica, há duas semanas, estava completamente fora e depois coisas mudaram de repente. O Porto tem duas jornadas, perde cinco pontos. Deu um mote muito grande e uma motivação muito grande ao Benfica. E o Benfica claramente que agora também está a dois pontos do segundo lugar. Atenção, é preciso não esquecer isso. E o Benfica também tem aspirações agora, de sonhar um pouquinho mais alto. Por isso, seja sem Aursnes, seja com o terreno, seja pelo valor do adversário, ao Benfica só interessa o resultado. Mas atenção, o Santa Clara não vai facilitar.

Pedro Henriques, o que esperas deste encontro? O Benfica a jogar nos Açores frente a este Santa Clara, que também vai tendo nos bastidores algumas preocupações, problemas com a direção, com a SAD, pensar talvez abandonar o clube. Se isto depois também acaba por ter impacto no próprio clube. E olhando para o Benfica, há um jogo frente ao Real Madrid na próxima terça-feira, se isso também entra em campo no jogo logo à tarde.

Boa tarde. Eu penso que essa questão extra do que vai acontecer ao Santa Clara, nesta fase, acho eu, que ainda não entra no balneário, porque os jogadores só ficarão preocupados depois do futuro deles, próximo e imediato, estiver em cima da mesa. Aí sim, porque mexe com contratos e mexe com as vidas pessoais também dos jogadores. Essas situações, enquanto estiverem um bocadinho na discussão, os jogadores ficam alheios em relação a essa questão. Aliás, muitas dessas questões, às vezes burocráticas e que são programas desportivos, muitas vezes não entram dentro do balneário, a não ser que digam respeito diretamente ao jogador X ou Y. Relativamente ao jogo, já se sabe que há duas coisas. Primeiro, está bom tempo, o que é uma novidade e contrasta um bocadinho com o que se passa na zona continental. Portanto, está bom tempo nos Açores. Por outro lado, sabemos também no próprio dia, nos Açores, faz todas as estações e pode acontecer. O relvado, sim, é uma problemática, tem sido sistematicamente. O Augusto Inácio sabe, porque já jogou lá. Curiosamente, o meu primeiro jogo de futebol profissional, primeira liga, foi lá, foi Santa Clara-Braga e curiosamente o meu último jogo da Liga 2, da minha carreira, também foi lá. E portanto, é um relvado que não tem grandes condições e sabemos que quando o mau tempo ou chove, etc, ainda afeta mais e isso prejudica sempre. Já sabemos que os relvados prejudicam ambas as equipes, sempre mais prejudicada a equipe que tecnicamente vai à procura de fazer mais qualquer coisa e de construir. Há um jogo difícil, como já foi aqui dito, o Benfica é um bocadinho, por isso é que o Mourinho diz que pro Santa Clara os pontos são importantes, mas pro Benfica ainda são muito mais importantes, porque neste momento reacendeu-se aquela questão que é, estando a dois pontos do segundo e a seis do primeiro, sabendo que o Benfica ainda joga com o Sporting e com o, isto sob a perspetiva do Benfica, obviamente, e com o futebol clube do Porto, há sempre aquela ideia que não só podem cortar, como de alguma maneira podem, e está avançada claramente a questão do título, quanto mais não seja em termos de matemática. E o Benfica, das três, é quem menos margem pra perder, porque é o que está mais atrás em relação ao Sporting e ao Futebol Clube do Porto. Em relação à equipe, como já foi dito, o Aursnes vai fazer falta, faz sempre, os grandes jogadores, os bons jogadores fazem sempre falta. Há um conjunto de jogadores que estão a regressar, Duk é um deles. No meu ponto de vista, não vai titular, obviamente, vai pro banco, mas o Benfica tem que começar e provavelmente vai entrar. Aí aconteça o que acontecer, porque o Benfica tem que dar minutos a estes jogadores que são acima da média, até porque aquilo que o Benfica tem pela frente, a começar já pela questão do Real Madrid. E em relação ao 11, Trubin na baliza, Otamendi com António Silva, Dalot e Bajrami. O Leandro Barreiro hoje vai ter o Enzo Barreiro na sua companhia, porque não há Aursnes. E depois nas costas do Pavlídis, na minha opinião, Scheldrup, Prestianni e Sudakov. Portanto, não sei se Rafa vai ser titular.

Vamos falar aqui também rapidamente do sorteio da Liga das Nações. Augusto Inácio, Dinamarca, Noruega e País de Gales são o caminho de Portugal pra próxima Liga das Nações. Portugal que é vencedor em título. O que achaste deste sorteio?

Eu diria que o sorteio foi bom. Foi bom pra Portugal, porque Portugal atingiu um patamar que olhando pra essas seleções, é claramente superior a todas elas. Mas claro, são sempre jogos difíceis, sempre jogos que têm o seu grau de dificuldade, mas se Portugal estiver ao seu nível, como tem estado, eu acho que Portugal tem muitas hipóteses de vencer este grupo. Agora, é claro que essa Liga das Nações, às vezes, é pra dar oportunidades, se calhar, a outros jogadores que poderiam aparecer nas seleções e às vezes pode-se não dar a dimensão daquilo que é realmente a seleção desses países. Vamos ver, cada jogo é um jogo, mas claramente Portugal não se pode queixar desse sorteio.

Pedro Henriques, quero saber também a tua opinião sobre este sorteio.

Dinamarca e Noruega são sempre países difíceis. Porque tem futebol muito físico, já não são só físicos, já têm jogadores de altíssimo nível, já estão carreadinhos também de talento em todos os aspectos. Mas quem está no grupo um, naquelas que são as principais seleções e um grupo tão restrito, é óbvio que tinha que calhar sempre equipes, mesmo que não sejam do mais alto nível, são de nível muito elevado. Mas isso é bom, porque é importante que não haja só jogos pra Portugal, quando é a caminhada pra os campeonatos europeus, pra os campeonatos do mundo, só com grau de facilidade. Bem pelo contrário, porque esses jogos sendo mais difíceis também vão apurar por esse grau de dificuldade e exigir mais da seleção portuguesa. E isso só vai acontecer depois do mundial. Eu penso que mais à frente iremos falar, porque eu acho que vai haver uma grande revolução sob o ponto de vista de seleção nacional, a começar pelo selecionador e portanto, estamos a falar num pós-mundial, num pós-final de contrato e provavelmente num novo selecionador, que se calhar já está cá a viver em Portugal. Aliás, está, certeza.

Vamos ver, Pedro. Antes das nossas notas de campeão, Gabriel Alves, muito rapidamente, quatro nuvens negras no corpo do Barcelona. Ontem, numa primeira parte de loucos, o Atlético Madrid venceu por 4 x 0 a equipe catalã na primeira mão da meia-final da Taça do Rei.

Vale a pena falar deste jogo. Valeu muito a pena ver este jogo, sentir este jogo e esta goleada. É, de facto, uma goleada, mas não é por acaso. Há muito bom futebol. Simeone tem tantas críticas, soube jogar muito bem com aquilo que é taticamente o Barcelona, que cometeu muitos erros. O próprio Flick, o treinador racional, acaba por denunciar isso, dizer que cometeu muitos erros naquela primeira parte, que foi desastrosa. A falta de Pedri sentiu-se ontem na equipa do Barcelona. Llorente, que é um todo-o-terreno, faz lembrar um pouco o Óscars, ontem voltou a jogar de seis. Lamine Yamal desapareceu. O Griezmann, os velhos são os trapos. O Julián Álvarez, fala-se muito dele para o Barcelona, mostrou porquê. O Lukeman, cuidado com esse jogador. Eu conheço-o bem da Itália, é um jogador que rapa tudo. O Julián, o filho do Simeone, mas que profundidade! Há que dizer aqui que foi um jogo onde tudo em termos técnico-táticos correu bem, por muito bem preparado e tratado por Simeone. Errou. Casadó não pode ser o jogador para aquela posição e toda a imprensa espanhola naturalmente ganha isso. Mas há aqui um facto, e esse é para o Pedro Henriques: é a questão do gol anulado, da intervenção do VAR, da falha tecnológica, dos sete minutos, que acaba por aparecer muito naquilo que é o Barcelona, eu não diria como justificativo, porque Flick considera que houve erros por parte e grandes, e o próprio Lamine Yamal também nas suas entrevistas, mas acaba por vir a ensombrar, porque obviamente havia situações que parecem que não devem acontecer e penso que é um assunto para refletir na arbitragem e no VAR.

Vamos ver o que acontece na segunda mão desta meia final. Vamos às notas de campeão. Augusto Inácio.

Eu vou dar nota 20 ao Francisco Costa, o Kiko Costa do nosso andebol, considerado o melhor jovem de andebol do mundo e já tinha sido o melhor também da Europa. Por isso, é um jovem que realmente é encanto a vê-lo jogar e merece realmente este grande destaque. Também queria dar nota 15 para aquilo que o Gabriel Alves acabou de dizer agora. Eu vi o jogo do Atlético de Madrid e Barcelona. Aquela primeira parte do Atlético de Madrid, para dizer uma palavra mais portuguesa, foi um amasso. O Atlético de Madrid deu um amasso ao Barcelona, 4 x 0. Eu diria que o Simeone talvez fosse dos melhores jogos que eu vi do Simeone a jogar com o Barcelona, foi realmente esta primeira parte. Por isso, nota 15 para o Atlético de Madrid. Tem tudo encaminhado para chegar à final, mas atenção, estas coisas ainda faltam um jogo.

Pedro Henriques.

Estava aqui a puxar a minha nota, que eu tive que tirar aqui um apontamento. A minha nota hoje vai para a Federação Portuguesa de Futebol e para o Pedro Proença, especificamente, porque há um ano, não sei se vocês se relembram, Fernando Gomes, à altura presidente da Federação Portuguesa de Futebol, demissionário, não apoiou a eleição do Pedro Proença para o comitê executivo da UEFA e fez questão de deixar o facto muito claro, inclusive junto às federações europeias. Aliás, foi lá presencialmente para retirar o apoio e fez uma carta, é de certa. Passado um ano, Pedro Proença, com o cartão verde na mão, que a eleição é feita em público, no mesmo seio da UEFA e em nome da Federação Portuguesa de Futebol, elegeu ou ajudou a eleger para membro honorário do comitê executivo da UEFA, o doutor Fernando Gomes. É só isso que eu quero dizer. Quando se diz que precisamos de lufadas de ar fresco e mudança de paradigmas ao nível dos nossos presidentes, sejam eles quais forem, Pedro Proença, ao contrário de alguns presidentes de clubes que parece que são um pouquinho mais jovens e mudaram a cor do fato, porque de resto mantém-se tudo igual, o Pedro Proença está a dar um bom exemplo de duas coisas distintas. Uma é as nossas tricas internas e os nossos problemas. Aliás, a questão de Fernando Santos, dos 2,6 milhões à Ação Social, que a Federação diz que vai pagar no mandato de Fernando Gomes. Mas depois, quando é a nossa imagem projetada para o exterior, essas coisas não contam e temos que ter portugueses representados. E o Pedro Proença deu um excelente exemplo de como é que se faz. Uma coisa é esgrimir internamente os nossos problemas. Para o exterior, somos todos os melhores e temos que mostrar coesão, força e união. E foi isso que o Pedro Proença fez uma vez mais, por isso é que ele é diferenciado e diferente de todos os outros. Nota 20.

Gabriel Alves, para fechar.

Para o jogo que foi aquele Atlético de Madrid e Barcelona, dou 16. Estou à espera do segundo, que deve ser uma coisa louca. Quero dar 20 ao Vitinha, 26 anos. Faz hoje anos, é preciso ter isso em nota. E quero dar 20 ao Dia Mundial da Rádio. Estamos todos aqui na rádio, não ao observador, aconteça o que acontecer.

E não esquecer que logo ao final da tarde há relato do Santa Clara-Benfica.