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O Campeão é na Rádio Observador. Dedicamos os próximos minutos ao desporto, num dia em que acordamos todos com essas derrotas de Benfica e Sporting Braga na Liga dos Campeões. Noite má para a comitiva portuguesa na Champions League. O Benfica a perder em casa por 2 x 0 frente ao Salzburgo, o Sporting Braga a perder também em casa, neste caso frente ao campeão italiano, frente ao Nápoles, derrota por 2 x 1. Vamos aos comentários. Pedro Henriques, Augusto Inácio e Gabriel Alves é a nossa equipa para hoje. Augusto Inácio, começo por ti. O Benfica completamente perdido ontem. Podemos dizer isto?

Boa tarde a todos. Eu diria que o Benfica já tinha dado sinais já contra o Porto na final da Supertaça. Não gosto muito daquelas equipas que o pressionam, que não deixam jogar e que pressionam na frente. E o Benfica não se dá bem com isso. É verdade, na segunda parte dessa final que o Porto jogou melhor, aumentou a intensidade, o Porto melhorou a sua agressividade também e o Benfica acabou por ganhar bem o jogo. Ontem, uma equipa que a média de idade é de 21 anos, não precisamos de esquecer isso, podia ser que entrasse com algum nervosismo ou com alguma ansiedade, mas não, foi uma equipa atrevida, que pressionou bem, não deixou o Benfica jogar, ganham o que parece um pênalti e depois de um lance infeliz do guarda-redes do Benfica. E depois falhou o pênalti, mas continuou sempre à procura do gol, até que tem um segundo pênalti, uma expulsão de António Silva e faz 1 x 0. Eu diria que o Benfica teve alguns espaços de jogo em que esteve bem. A sorte não esteve do seu lado, é verdade também, mas o que é certo é que o Benfica nunca foi aquela equipa mandona em campo. Estava a jogar com menos um, é verdade, mas nunca foi aquela equipa que se pudesse dizer que podia dar a volta ao resultado, porque este Salzburgo também tem jogadores muito rápidos na frente, são versáteis, são agressivos, boa técnica e acima de tudo desbaratam uma defesa com a sua rapidez e com as suas desmarcações. E o Benfica teve dificuldades nisso e acabou por ser uma derrota, eu diria, depois de tudo o que se passou, natural, porque o Salzburgo acabou por tudo que fez em campo também por vencer o jogo. E foi uma pena. Foi uma pena que depois do Porto ter ganho fora, ter Benfica em casa, que era bom pro ranking, e o Benfica ter somado uma vitória, não o conseguiu e agora vai estar naquela de fazer contas também, penso eu, como é evidente. Passar à fase seguinte, mas vai ser cada vez mais difícil.

Gabriel Alves, no final do jogo, Roger Schmidt falou numa noite má. Temos que perceber que não foi uma noite positiva para o Benfica, que tudo correu mal. Estamos a falar só de azar ou houve aqui também falta de competência?

Eu acho que o senhor Roger Schmidt deveria começar por falar dele. Boa tarde.

Boa tarde.

E não te esqueças que eu disse que o árbitro não esteve do nosso lado. Ridículo, pura e simplesmente. E de facto, isto tem que ser chamado à linha. O senhor Roger Schmidt, na minha opinião, é um treinador que sabe montar a equipa, trouxe boa novidade em termos de agressividade, em termos de pressão. Criou o novo figurino. Mas está aí conosco um senhor que foi treinador e ainda é, foi campeão nacional em Portugal, foi jogador, diretor desportivo, mas como treinador e como jogador. Os treinadores, durante os jogos, também têm que saber ganhar os jogos, porque um jogo tem 90 minutos e tem toda uma gama de incidências em que, naturalmente, o treinador tem que intervir. Não é só trazer o projeto e o plano de casa, claro, que é feito, que é trabalhado em função do adversário, etc. Só que as leis do jogo obrigam a intervenções e aí é que está a sagacidade, a capacidade de um treinador poder surpreender o outro. Isto aprende-se muito aonde? No basquetebol. O basquetebol foi a primeira modalidade em que os treinadores traziam essa capacidade durante os desafios, poderem surpreender com a matéria-prima de que dispõem os adversários. O senhor Roger Schmidt o ano passado poderia dizer que tinha poucos. Este ano tem mais, diversificados e qualificados. Não os usa. Também é verdade. E quando os mete, também se calhar mete aqueles que não devia de meter. De resto, eu acho que o treinador do Salzburgo percebia mais daquilo que Roger Schmidt iria fazer e trancou o Benfica logo à entrada, completamente. E o Benfica nunca mais se encontrou. E depois teve um aliado, um grande guarda-redes, um guarda-redes de estilo europeu, que o Benfica contratou pra Champions. Que faz aquele disparate logo a abrir. E aqui eu vou tentar, desculpa Miguel, entrar em diálogo com o Augusto Inácio. Augusto Inácio, treinadores e defesas. Quando um guarda-redes não é um esteio, quando não é da confiança dos defesas, primeiro dos dois centrais, são eles que estão à sua frente, e depois de todo o esquema defensivo que é montado pela equipa e por todos os mecanismos e todos os automatismos, a equipa fraciona, porque os jogadores passam a não ter confiança e passa a ser uma situação tremendamente difícil. Se eu estiver errado, Augusto, diz-me que eu estou errado.

Não, estás a falar bem. Não há dúvida nenhuma que uma equipa, seja a defesa, sejam os médios, sejam os avançados, neste caso, é a defesa que está mais perto do guarda-redes, tem que sentir confiança naquele guarda-redes que está na baliza, porque sabe que é o último obstáculo a ser batido. E se não tiver essa confiança, automaticamente depois a abordagem ao jogo, a abordagem aos lances É diferente porque os jogadores já não vão com aquela confiança que, no caso de eu falhar, temos o guarda-redes que nos vai safar. E não sentindo isso, a defesa treme mais.

E complica-se tudo, toda a estratégia complica. Depois o Benfica tem um defesa lateral direito que não defende, mas adoram.

E um defesa esquerdo que não avança. Defesa esquerdo que não é defesa.

E tem o defesa esquerdo. Mas olha, quando o Benfica voltar a ter um defesa esquerdo, não sei, vamos ver, e o Nelson sair daquela posição, eu já o disse aqui e vou voltar a dizer: vai para o lado direito, porque o Bá não defende. O Bá é um jogador que alimenta ataque, mas quando chega à posição de... Vamos lá ver. Os defesas hoje podem ser defesas e alas, mas têm acima de tudo, seja de uma maneira ou de outra, que saber defender, porque senão estão lá independentemente dos automatismos que se exigem dos homens do meio-campo que fazem as dobras e as coberturas aos seus avanços. E normalmente é um que avança, o outro fica. Tudo aquilo tem mecanismos muito próprios e montados consoante o figurino de cada treinador. Agora, Bá não. Mas é adorável. Pronto, OK, ainda bem para o adversário. O adversário já está há pouco tempo ali.

Gabriel, deixa-me ouvir aqui também o Pedro. Eu já queria falar um pouco mais sobre o guarda-redes. Mas Pedro Henriques, qual é a tua análise desta prestação do Benfica? Porque houve muitas vozes logo depois do jogo, dentro do Benfica, a falar de uma noite má, ou seja, a focar isto apenas neste jogo. Não sei se vês da mesma forma.

Eu dou cinco notas à forma como olhei para o jogo de ontem. As cinco notas são, não presta sequência. Nota um: Trubin claramente não está preparado para ser o número um do Benfica. Eu acho que o Sporting e o Porto ontem quando viram aquilo esfregaram as mãos de contente, muito honestamente. Número dois, não presta ordem, obviamente. A questão dos laterais já foi aqui falada. O Benfica tem claramente um problema, não é à esquerda, é à esquerda e à direita. E com tanto mercado, tanta contratação e tanta diversidade do meio para frente, esqueceu-se, se calhar, do meio para trás. E acho que isso é importante. Depois, terceira nota para a teimosia do Roger Schmidt, que todos os treinadores têm, obviamente, e se calhar se eu fosse treinador também era a mesma coisa. Temos aquele jogador fetiche, temos aquele jogador não fetiche, mas que ontem ficou claramente sublinhado quando de repente o Estádio da Luz, em vez de cantar o "Amo o Benfica" ou coisa assim do gênero, começou a cantar pelo Neris. Percebeu-se claramente ali o dito braço de ferro. E finalmente, a última nota. Já se percebe duas coisas ontem, um Di María em modo muito ditareme, caiu como nunca tinha visto, mas acima de tudo um Di María que nunca sai, nunca é substituído. E, portanto, não sei se isto, enquanto corre bem, fantástico, quando o balneário, se as coisas não começarem a correr bem, é por aqui que normalmente começa a ruir. É quando tu vês que, embora haja jogadores diferenciados, mas que depois, se tiver que ser substituído, tem que ser substituído. Não sei. E para terminar, porque agora aqui cada um de nós é treinador e falar depois de o jogo terminar é mais fácil. Eu posso te dizer uma coisa, eu ontem estava em modo arbitragem, não interfiro o resto. Quando vi a expulsão, se me perguntasse: diz lá um jogador que nunca sairia se tu fosses o treinador. E sabemos que somos todos treinadores. João Mário, porque naquele jogo, o que é preciso é jogadores para segurar, não é jogadores que não defendem.

Vamos ainda falar dessa questão do guarda-redes. Augustinho, já estavas a falar disso. O Pedro Henriques falou aqui de uma nota um, de não estar capaz ainda para ser guarda-redes do Benfica. E agora, levanta-se a questão de como é que o Benfica geriu toda esta saída do Vlachodimos, permanência de Trubin, o tempo em que esteve Samuel Soares. Que avaliação é que fazes desta gestão da pasta guarda-redes no Benfica?

Esta questão dos guarda-redes do Benfica já tem anos. Não foi só deste ano que isso passou, porque todos os anos o Vlachodimos era sempre questionado, vinha sempre um guarda-redes para lutar, e quando digo para lutar com o Vlachodimos, era para jogar no lugar do Vlachodimos. E todos os anos era isso. Até que aconteceu este ano tudo aquilo que aconteceu e aqui o treinador do Benfica tem uma grande responsabilidade também, porque há que saber gerir também aquilo que é a perspectiva e as ideias dos jogadores. E é evidente que o Benfica ao contratar este Trubin, claramente por 10 milhões, claramente que era para jogar, mas esqueceu-se de perceber se este jogador ou este guarda-redes estava em condições para entrar já na equipe do Benfica. Pronto, houve aquele problema com o Vlachodimos, acabou por sair, porque já não havia ambiente para isso, começou a jogar o Samuel. E sinceramente, o Benfica ficou ali com um duplo problema. Um guarda-redes que custou 10 milhões, não estava em condições de jogar, e um Samuel que era um jovem e estava à procura de afirmação. No momento dos dois, o Samuel tinha vindo a jogar e mais ou menos tinha vindo a cumprir. Eu não sei os treinos, eu não vi os treinos, mas pelas conversas que vinha vendo, notícias sempre na imprensa, notou-se claramente que o Trubin estava a se adaptar, e vamos ver qual é o melhor momento. Eu já sabia, ou eu tinha a ideia, como qualquer um de nós tinha essa ideia, que mais jogo, menos jogo, o Trubin ia acabar por chegar precisamente antes de começar a Champions para esse jogador ter pelo menos alguma rotina de jogo. E ele teve alguma rotina de jogo? Não, jogou com o Vizela. E que rotina de jogo é que teve? Não teve quase nada para fazer, por isso não teve rotina nenhuma de jogo, tem rotina de treino. E quando entras na Champions e tens um azar, foi logo no primeiro minuto ainda por cima, isso também é galo. Teve o azar de cometer aquele pênalti, automaticamente que afetou psicologicamente o guarda-redes, que ficou realmente atrapalhado. E ele até disse hoje que com os erros a gente vai aprendendo, mas o Benfica não pode aprender com os erros do seu guarda-redes. E da Champions, estamos a brincar?

E da Champions. O Benfica agora fica naquela. A alternativa do Benfica fica naquela. E agora? Vai continuar a apostar no Turim. E vamos ver o que vai acontecer a seguir.

Gabriel Alves, fez-te lembrar uma situação com Sevilla também num jogo de Liga dos Campeões contra o Manchester United que-

Sim

...depois foi o que foi.

Foi o que foi. Só que a questão é esta: se agora tudo isto der muito para o torto, vamos ter agora jogos a seguir, podem ser 10 milhões queimados.

Sim.

E o Benfica apresentou-se ontem com 69 milhões em campo e esses 69 milhões não se mostraram.

Sim.

Essa é que é a verdade.

Vamos falar ainda um pouquinho do Braga, antes de irmos às nossas notas.

Olha, muita competitividade e bateu-se muito bem. Apesar de tudo. Fantástico.

Já aí vamos, Gabriel. Pedro Henriques, surpreendeu-te? Espera que ontem já fomos dando essa nota de que o Braga podia de fato fazer um bom resultado. Não é um bom resultado por ser uma derrota, mas a exibição foi boa deste Sporting Braga.

Sim, o Braga, do que tira de ontem, é acima de tudo dois aspectos: a boa exibição que acabou por fazer perante o Nápoles, que também sabemos que não está num grande momento de forma, mas foi campeão italiano e, portanto, é uma equipa que, no meu ponto de vista, no plano internacional, estará se calhar nos últimos anos. Não quer dizer que o Braga também não esteja, mas até o próprio campeonato italiano é mais desafiante sob o ponto de vista de grau de dificuldade do que será o português. E nesse aspecto, era um Nápoles que se percebia que embora o Braga pudesse ter empatado, competido e ganho o jogo, mas percebe-se que é um Nápoles que quando for com o jogo lá, se calhar no devia haver, percebemos que o Nápoles estará um pouco acima. Agora, de qualquer maneira, o Braga está naquele grupo em que não tem nada a perder, tem que desfrutar, tem que ir para os jogos todos para tentar ganhar, para tentar prestigiar e pode ser que daí surja qualquer coisa de bom e positivo. E isso foi aquilo que realçou. E depois, à semelhança do que aconteceu com o Braga ontem, aconteceu também um pouco com o Benfica e nós, que o Gabriel Alves até foi tocando isso, ontem falámos isso, o João Pinto tentou defender um pouco até a questão do António Silva, quando eu disse determinada coisa. Isto é alta competição, é alto rendimento, tudo se treina. E portanto, é lógico que os erros acontecem, acontecem a todos, mas há coisas que não podem acontecer. Da mesma forma que os árbitros neste patamar, e que também erram e que é complicado, mas há coisas que já não podem acontecer, nem para os árbitros, nem para os jogadores. Não pode acontecer aquele penálti do António Silva, tem que ter a capacidade e ele disse que ia aprender, e isso é a nota mais positiva, agora passando aqui ao António Silva, a nota mais positiva é que ele diz que ia aprender com os erros, porque com 15 minutos de jogo é deixar a bola entrar, ponto. Porque há uma coisa que eles têm que perceber: não é a questão do árbitro, a VAR. Mesmo que passasse o árbitro, já não passa a VAR, portanto, tem que abandonar estas práticas que ainda estão um pouco enraizadas. O Braga, acho que aquele segundo gol é surreal. O segundo gol que ele sofre é surreal. O Braga está em superioridade numérica. O gesto técnico do jogador, isto tem muito a ver ainda com a incapacidade que os jogadores no geral têm em termos individuais de estar nestes patamares. Mas é disso que as equipas vão crescendo e vão se alimentando, e os jogadores também, e o Braga também.

Claro que sim. Gabriel Alves, falavas de uma bela prestação do Sporting Braga. Muito rapidamente.

E subscrevo, não vou tentar nada. Subscrevo o Pedro Henriques.

Augusto Inácio, surpreendeu-te? Só perguntar-te isto. Surpreendeu-te o Sporting Braga?

Olha, deixa-me dizer que fazendo uma analogia, o Sporting Braga está na escola primária da Liga dos Campeões. E o Nápoles já está na universidade. Ou seja, o Braga realmente bateu-se muito bem, teve uma boa postura. Não esperava tanto do Braga, sinceramente. Acho que o Braga até não merecia perder, mas isto é o preço também de estares na alta roda do futebol europeu e que isto no futuro vai rentabilizar estes jogadores do Braga e a equipa do Braga.

Vamos então às nossas notas de campeão. Gabriel Alves, começa por aí.

Olha, eu vou dar, para já, medíocre a Roger Schmidt. Por tudo aquilo que não fez e por aquilo que disse em inglês, árbitro não esteve do nosso lado. Feio. Depois, tenho notas positivas que eu tenho que dar. Não, tenho aqui uma. É para o Manchester United. Quarta derrota consecutiva. Ten Hag está de parabéns. Frattali, esse que em seis jogos marcou cinco gols no seu novo clube, chapéu. Depois, quero dar uma nota muito forte a Ancelotti e a Bellingham. Bellingham é naturalmente um miúdo, tem 20 anos, é um garoto cheio de futebol, talento, mas alta competição, alto rendimento, intensidade, tudo. E eu tenho que dizer que o relator ontem em Espanha, quando ele marca aquele gol aos 94 minutos. Maravilha! Derrubou o muro de Berlim. É uma maravilha. É delicioso, Romero.

O novo menino milagre nas remontadas do Real Madrid.

Nas remontadas. Fantástico. E é um gol fantástico, atenção. E depois falando de Ancelotti. Este sim, é um treinador, é um senhor.

Sim.

Quando chegou ao balneário, isto é preciso divulgar, reuniu os jogadores, que não foi um jogo fácil, foi um jogo extremamente difícil e disse aos futebolistas: "Ganhar assim é representar os valores deste clube." Nota a Ancelotti. 20.

Pedro Henriques.

Eu anunciei ontem à noite o meu campeão e vou cumprir. Nota 15 para Vlachodimos. Nos últimos cinco anos, nunca o universo benfiquista o valorizou tanto como ontem à noite. Ao fim de cinco anos, finalmente o valorizaram.

Augusto Inácio.

Nota cinco negativo para o Ten Hag, o treinador do Manchester United. Ele até não começou mal a época, ganhou ao Wolverhampton, mas tem quatro derrotas e duas vitórias. Isto para dizer o quê? Para dizer que o treinador até pode ser arrogante, o treinador até pode ser ditador, mas tem que ganhar. E já tem muitos problemas com os jogadores. Foi no passado, tem agora e o Manchester United não mexe em direita. Cinco negativos para o Ten Hag.

Está feita a edição de hoje de "E o Campeão É".