São 400 milhões de euros devolvidos com retroativos e a quinta descida do imposto decidida com este Governo, mas será das menos relevantes no aumento do rendimento líquido disponível. Segundo as simulações feitas pelas consultoras PwC e EY, o crescimento dos rendimentos líquidos será, na melhor das hipóteses, pouco acima dos 0,5% no caso de trabalhadores dependentes. Na maioria dos casos estimados, os rendimentos crescem entre 0,3% e 0,45%.
Estes cálculos foram divulgados horas depois das simulações apresentadas pelo Ministério das Finanças. Ainda não estão disponíveis simulações para os pensionistas que, além do corte no imposto, vão também ter direito a um bónus, se auferirem até 1.611,39 euros.
Quem recebe, quanto e o que fazer para ter acesso? Como vai funcionar o bónus pago aos pensionistas
De acordo com as contas da PwC, os maiores ganhos em termos relativos serão sentidos nos rendimentos entre os 1.850 euros mensais e os 3.750 euros mensais brutos. Quando traduzidos para euros, estes ganhos variam entre os 9 e os 172 euros por ano para os solteiros com e sem filhos, e entre os 18 e os 343 euros para um casal com ou sem filhos.
Nos patamares de rendimentos mais baixos — na casa dos 1.000 euros mensais — a redução no IRS a pagar em 2026 dará uma folga anual estimada entre os 9 e os 58 euros (para casais com filhos). Há poupanças que quase não compensam a subida da fatura anual com os combustíveis para atestar uma vez o carro.
Na primeira semana de março, antes do primeiro impacto dos ataques contra o Irão nos mercados, encher um depósito de 50 litros de diesel custava entre 81,5 euros a gasóleo e 85 euros a gasolina. O custo de comprar os mesmos litros, aos preços médios registados no início desta semana, subiu 18 euros na gasolina e 26 euros no gasóleo.
As simulações da EY indicam percentagens de crescimento do rendimento líquido entre os 0,4% e os 0,6%, com as poupanças no imposto a pagar a oscilarem entre os 65 euros por ano — para rendimentos brutos que começam nos 1.500 euros mensais — chegando aos 343 euros nos rendimentos mais elevados — 4.000 euros e 5.000 euros mensais brutos para casais com filhos. Os maiores ganhos relativos (em percentagem do rendimento) estão nos salários mensais de 2.500 e 3.000 euros brutos.
Este corte das taxas do IRS até ao sexto escalão teve como principal justificação da parte do Governo a opção política de usar a folga das contas públicas para devolver rendimento aos portugueses (que pagam IRS) em vez de subsidiar os combustíveis, baixando o imposto petrolífero. Segundo as estatísticas deste imposto de 2024, cerca de 6,2 milhões de contribuintes entregaram declaração, mas apenas 3,3 milhões liquidaram IRS.