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"E O Campeão É..." edição de terça-feira, ainda com o sabor bem presente e intenso do banquete oferecido pela seleção sub 17 de futebol, que ontem garantiu, pela primeira vez na história, a presença na final de um campeonato do mundo deste escalão. Derrotou o Brasil nas semifinais, foi através de grandes penalidades e com muito dramatismo à mistura. A seleção Canarinha teve o pássaro na mão, esteve a uma grande penalidade da final, falhou e deu a oportunidade a Portugal de chegar ao jogo decisivo. Ainda bem. E agora venha de lá a Áustria, é tema incontornável desta edição, em que vamos também perspetivar o jogo de mais daqui a pouco do Benfica nos Países Baixos frente ao Ajax, quinta jornada da fase da Liga dos Campeões. Temas para abordar pelos nossos campeões, Gabriel Alves, Augusto Inácio e Pedro Henriques. Sejam bem-vindos. Comecemos pelos sub 17. Augusto Inácio, foi um jogo de emoções fortes.

Boa tarde a todos. Sim, foi um jogo de emoções fortes, porque o resultado estava em zero a zero e ninguém conseguia marcar um gol. Nesse aspecto, foi um jogo de emoções fortes. Mas o jogo em si, propriamente dito, foi um jogo duro, muito tático, mais a não deixar jogar a outra equipa, porque as marcações eram ferozes. Eu diria que foi um jogo, no nível técnico, não muito bem conseguido nesse sentido, mas foi um nível de jogo em que o resultado, na incerteza disso, ficou sempre a sensação de que se houvesse um gol, era essa a equipa vencedora. Diria que não houve muitas oportunidades de gol, poucas. E o que é certo é que isto foi para as grandes penalidades e nesse sentido, Portugal foi mais forte. Mas como disseste, e bem, eu não concordo quando dizem que os penais são uma lotaria. Não, não é uma lotaria. É também um momento em que o jogador tem que estar forte, tem que estar confiante e as coisas não podem dizer que é uma lotaria, que não é. É também talento de concretizar essas grandes penalidades. Mas a tal pontinha de sorte tem que acompanhar sempre também os momentos. E nesse aspecto, no quinto penalti, o nosso guarda-redes falha a grande penalidade a favor de Portugal e depois o Brasil tem a grande oportunidade de se apurar pra final. Não conseguiu e acabou, pois, por ser Portugal a ser apurado e ainda bem que foi. Portugal, além de ser campeão da Europa, é agora um finalista do Campeonato do Mundo, com o mesmo treinador, o Bino. E eu diria que Portugal tem agora nas mãos a grande oportunidade de ser campeão mundial, mas diria sinceramente que Portugal, para chegar até aqui, só sofreu uma derrota, que foi com o Japão na fase de apuramento. Todo o resto tem sido realmente um trajeto incrível da Seleção Nacional de sub 17.

Pedro Henriques, destaques da exibição de ontem e pergunto também se terá sido, porventura, o jogo com menos brilhantismo destes miúdos sub 17.

Olha, bom dia ou boa tarde, neste caso. Eu preferia levar isto, não deixando de responder à tua questão, para duas questões que eu acho que ninguém aqui vai falar e que são muito mais relevantes e importantes, na minha opinião, que é olhar pro adversário que segue e não tanto o que aconteceu. E por uma razão muito simples.

Era a pergunta pro Gabriel.

Pronto, mas então peço desculpa pro Gabriel, porque eu fiz aqui um trabalhinho que eu acho que é muito importante de se fazer, na minha opinião, com aquela humildade, #humildade, que eu costumo colocar nas minhas intervenções. Esta Áustria, em sete jogos, ganhou os jogos todos. E tem uma particularidade: sofreu um gol e marcou 17. E mais interessante, e é aqui que agora pode entrar o lado da arbitragem e, neste caso, a seleção porque já vou explicar, não tem ninguém a colaborar com eles e devia ter. Repare que estes austríacos meteram em sete jogos adversários na rua, em cinco deles. E só não metem num jogo em que o desequilíbrio é muito grande, 4 a 1 à Nova Zelândia, porque o jogo estava tranquilo, e contra uma equipa que realmente tem uma atitude mental que é sempre muito fortíssima e não vou em cantigas, que são os japoneses. De resto, expulsaram sempre malta e, portanto, a Itália acabou com menos um.

É uma equipa agressiva, a Áustria é uma equipa agressiva.

Agressiva e provocadora. E Portugal é latino e os portugueses servem pouca água. E, portanto, era muito importante que alguém, o Bino, etc, façam esta análise, porque este jogo depois já não volta atrás. Depois de termos menos um, já não se volta atrás, já não há um segundo jogo para resolver. E, portanto, este aspecto emocional e psicológico é muito importante pra que os portugueses percebam que a equipa é que está pela frente, além de marcar muitos gols, 17, não sofrer nenhum, e isso é um aspecto interessante. Ou seja, fizeram um percurso ainda mais brilhante que os portugueses, vamos dizer assim, porque despacharam a malta toda com resultados de 2 x 0, 1 x 0 ao Japão, 4 x 0 à Inglaterra, 2 x 0 à Tunísia, 4 x 1 à Nova Zelândia, 3 x 0 à Mali e 1 x 0 à Arábia Saudita. Isto pra dizer que há aqui este aspecto. E depois um terceiro aspecto, e último, e termino com isto, que é: já que eles têm video challenger, e as pessoas ainda não pensaram nisso, que permite que o treinador possa, perante duas situações de jogo, e se ganhar alguma das situações, pode manter sempre essa situação que pede. Estão a pedir e estão a pedir no sítio errado. Ou seja, o que é que ontem se pediu? Pediu-se num eventual pisão que pode dar cartão vermelho. E o árbitro foi lá ao vídeo e percebeu que não era pra vermelho, era pra amarelo e como já tinha dado ao jogo, mantém-se amarelo. Vamos explorar o video árbitro e o video challenge. Se eu tivesse no banco, eu dizia assim: "Bino, esquece lá o cartão. Vamos ver um jogador que já tenha cartão amarelo, ok? Aguenta-te aí. E agora esse jogador, assim que fizer uma falta mais dura, vamos pedir pra vermelho. Mas isso não é pra vermelho, é pra amarelo. Ok, mas o VAR, o árbitro quando vai ao monitor e se percebe que o jogador que fez a entrada não era pra vermelho, era pra amarelo, é obrigado a dar. E amarelo contra amarelo, dá vermelho e metemos um cara na rua." E é estas coisas que são relevantes e importantes e que fazem a diferença, sobretudo em jogos finais. Portanto, a ver se amanhã, amanhã, não, desculpem, no fim de semana, quando for a final, não utilizem o video challenge pra vermelhos diretos. Isto é, a ideia é utilizar pra vermelhos diretos, mas utilizem jogadores que já tenham cartões amarelos, porque se tiverem entradas duras, o árbitro chega lá, porque o pedido é sempre feito a pedido vermelho, chega lá, vê que não é pra vermelho, mas se é pra amarelo, é obrigado por protocolo a mostrar e mete-se a malta na rua. Eram estes aspectos que eu queria dizer e agora passo pro Gabriel Alves.

Importante, tendo em conta até que antecipas que seja um jogo exilente essa final frente à Áustria.

Vejam os jogos da Áustria e vejam que eles são provocadores e duros.

Gabriel Alves, não vai ser pênaltis?

Está tudo explicadinho pelo Pedro Henriques. Eu não sei se ele está de apito na mão ou apito na boca. Vai ser aquilo a que se chama a técnica da força face à força da técnica, em que a técnica da força ainda acrescenta a técnica da superioridade numérica na arte de bem julgar a arbitragem. Portanto, têm que estar todos muito bem atentos. Eu queria, depois de tudo que já está dito e muito bem diferiçado pelo Pedro Henriques e pelo Augusto Inácio, pegar aqui noutra perspectiva, dizer que ontem este jogo entre Portugal e Brasil faz lembrar um pouco aquilo que aconteceu há 30 e tal anos, que foi a final de 91, também ela resolvida em grandes penalidades. Isso é algo que nos faz pensar que, de facto, estes duelos da língua portuguesa, de lusofonia, obviamente, são duelos interessantes com algo que trazem em termos de índice competitivo.

Achas que o Brasil ontem foi melhor do que Portugal, à semelhança do que aconteceu nessa final no Estádio do Brasil?

Não.

O Brasil criou mais oportunidades de gol.

Não. O que eu acho, e por isso é que me parece que é importante focar, é que sempre Portugal tendo uma legião estrangeira de grandes jogadores a competir na alta roda do futebol europeu, portanto, em grandes ligas como a Premier League, a Liga Italiana, a Liga Espanhola, inclusivamente na Liga Francesa, esta questão de ter os miúdos numa final de um Campeonato do Mundo, já vindos de um Campeonato da Europa, ainda expõe mais e melhor aquilo que é a verdade da arte dos meninos no futebol em Portugal. Portanto, eu acho que Portugal tem que estar muito atento a isto, porque desenvolver isto é fantástico e é fabuloso. Mas estes meninos, e já aqui há dias o Augusto Inácio explicou tudo muito bem, as etapas, como é, como não é, mas realmente ter uma estrutura forte para que, obviamente, estes meninos subam, cresçam. Eu não estou a dizer que todos que estão neste mundial vão ser grandes craques, mas que o maior número possível possa ter essa perspectiva de poder vir a ser. O mundo do futebol.

Potencie o desenvolvimento dos jogadores.

Exatamente. O mundo do futebol, aquele que é o grande futebol neste momento ao nível dos clubes, está de olho. A partir deste momento, eu acho, eles já estavam, mas a partir deste momento ainda com mais atenção, aquilo que nós chamamos, é uma palavra em inglês, eu prefiro dizer em português, olheiros. Os olheiros e os comissionistas e os negociantes, etc. Está tudo de olho.

E depois de Doha, no Qatar, rumamos até aos Países Baixos. Mais logo, Amesterdão é palco do encontro entre o Ajax e o Benfica. Mais uma jornada da fase da Liga dos Campeões, jornada número cinco, e vai opor as duas equipas que até agora não pontuaram nesta competição. Será o adversário ideal, pergunta Augusto Inácio, para o Benfica alcançar esses primeiros pontos.

A liga dos últimos?

Seu professor Gabriel.

É uma equipa para a outra. Ambas estão em crise, mais o Ajax, como é evidente, não tem treinador, tem um treinador interino. Anda ali às voltas para saber quem é o CEO do Ajax e só a partir daí é que vão contratar um treinador. É um clube que ainda agora perdeu para o campeonato com o Chelsea, que é uma equipa do meio da tabela para baixo, perdeu 2 x 1 em casa. E é um Ajax também que tem muitas deficiências, principalmente defensivas, em que realmente a equipa, no seu conjunto, é uma equipa que demonstra grandes debilidades no seu jogo, tanto ofensivo como defensivo. O Benfica, depois daquele responete do Mourinho, vamos ver como é que os jogadores vão reagir. Acredito, depois isto é que o Pedro Henriques vai dizer qual é a equipa, acredito que o Benfica não jogue uma linha de três centrais, jogue uma linha de dois. O Benfica vai utilizar o 4-3-3 ou 4-2-3-1, depende da maneira como o Mourinho quiser utilizar o Sudakov. Mas eu diria, sinceramente, se o Benfica não ganhar o jogo de hoje a este Ajax, não sei qual é o jogo que o Benfica vai ganhar. Mas há uma coisa que eu gostaria que não acontecesse, mas é a minha intuição, é aquilo que eu sinto e eu não posso mentir a mim mesmo. Mesmo que o Benfica ganhe, eu acho que o Benfica não se vai apurar para a fase seguinte da Champions, porque nove pontos não vai chegar para ser apurado. Dez, vamos ver. E o ano passado, com 11, foi quando as equipas foram apuradas. Por isso, eu acho que o Benfica tem, pelo menos, entre aspas, a obrigação dar uma outra imagem, uma outra maneira de estar, uma outra competitividade, uma outra atitude, para que o Benfica possa recuperar algumas coisas anímicas que estão ainda muito escondidas, porque, atenção, o Benfica está a seis pontos do Porto. Cinco de dezembro é um Benfica-Sporting. Se o Benfica não ganhar o Sporting, fica a oito ou nove pontos. É muita coisa para o Benfica, que ainda por cima está à espera do mercado para fazer contratações. Não sei se com nove pontos do Porto, se faz sentido fazer essas aquisições ou se, e isto também é um ponto de interrogação, com essas aquisições, mas o Mourinho vai continuar na próxima época ou não. É que isso ainda está no ar, a dúvida.

Fica a interrogação. Temos cinco minutos para a vossa perspectiva deste Ajax-Benfica e para os vossos campeões. Vou apelar à vossa capacidade de síntese. Pedro Henriques, Benfica, uma linha de defesa três ou quatro?

Vou já responder à equipa e dou o meu campeão. Fica despachado de uma vez só, Pedro e Inácio. Em relação à equipa, mesmo depois de gritos, confissões e chamadas de atenção, eu acho que vai ser mais do mesmo, no sentido de apostar em quase todos os que são normais. Normais, não vou dizer que os outros não sejam. Normais daquilo que é a normalidade do 11, com Tomás Araújo, Otamendi, Samuel Indí, claro, turbina Baliza, Rios, Barrancheia, Arsene, o Barreiro, o Sudakov e o Pavlidis. Vou para uma equipa muito normal e acho que o Menino não vai a jogo, pelo menos de forma titular. Isto na minha perspectiva. Vai ser um jogo difícil, alguém vai ter que sair com pontos, e estou como o Augusto e Inácio, se o Benfica hoje não consegue fazer pontos, então quando é que vai fazer? Portanto, tem que ir mesmo com tudo e pelo Benfica e por Portugal, que é sempre importante que as equipas portuguesas estejam no mais alto nível. Em relação à minha nota de campeão, hoje não vou fugir daquilo que tem que ser mesmo, que é dar nota naturalmente ao sub-17, com esta ressalva que já foi dita aqui muito bem pelo Gabriel Alves, que é lógico que os portugueses e Portugal estão atentos a isso e quem tem essas responsabilidades, mas que este talento, esta qualidade. Por isso vou dar uma nota 18 aos sub-17, não só por estarem na final, mas também com a expectativa de tentar dar um 20 depois da final, mas sobretudo com esta nota, não sei se entretanto tinham perdido ou não, é não percam o rasto destes meninos e os clubes portugueses sejam atentos. É importante ter jogadores com experiência, mas aproveitem este talento, que há ali muito talento e se for bem aproveitado, bem enquadrado e bem contextualizado, é o rendimento desportivo e mais tarde, naturalmente, o rendimento financeiro também com estes jogadores.

Gabriel Alves, muito rapidamente, a perspectiva deste Ajax-Benfica e já agora-

Vou dar-te com a nota que dou ao Mourinho. Vou lhe dar dois e vou relembrar aqui um texto que eu já li e vou voltar a ler só uma partezinha do Félix Kate, do Mirror, quando ele veio para o Benfica. "Mourinho está no ativo há muito tempo." Estou a citar. "Fez tantas conferências de imprensa acaloradas, criticou os árbitros, desentendeu-se com os donos de vários clubes e dispensou tantos jogadores que está a ficar sem rumo. Há um limite no número de pontes que podes queimar antes que as coisas caiam." Eu não sei se hoje é a última ponte que ele vai queimar, vamos ver, é com o Ajax. Olha, vou ver o jogo por obrigação profissional, porque eu quero ver, mas aquele jogo que me interessa ver, é o Chelsea-Barcelona, onde vou ver futebol. Portanto, para Mourinho, nota baixa, mas não quero deixar passar um treinador com uma nota alta. Chama-se Fabregas, é treinador do Como. Que equipa de autor! É menino, tem 30 e poucos anos. Que treinador que está ali. Olha, o Liverpool já está de olho nele. 18 para Fabregas.

18 para Fabregas. Liverpool também não está a passar por um bom momento. Augusto Inácio, o teu campeão.

Para já, nota 20 para o Benfica, porque joga hoje uma cartada muito importante e eu gosto que as equipas portuguesas ganhem sempre nas competições europeias. Nota 18 para o sub-17 por aquilo que o Pedro Henrique já disse. E queria dar nota cinco para o Manchester United e para o Rúben Amorim. Ontem, se tivesse ganho, ficaria no quarto lugar, enfim, a dois pontos do segundo lugar e perdeu essa oportunidade. Já não ganha há três jogos, no Nottingham 2 a 2, no Tottenham 2 a 2, ontem perdeu 0 a 1. O Manchester United parecia que estava em retoma, está a ter uma recaída muito grande, por isso, para já, nota cinco. Espero dar a nota mais positiva quando o Manchester começar a ganhar.

Pura ilusão, essa aparente retoma do Manchester United orientado por Rúben Amorim não está com vida fácil o técnico português. Convido mais logo, a partir das 17h45, a acompanhar todas as emoções desse Ajax-Benfica, em mais uma jornada da fase liga, da Liga dos Campeões. Relato em direto aqui na Rádio Observador.