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Tomba gigantes, tomba tudo. Festa no Jamor, festa em Torres Vedras madrugada afora. O Torreense fez história. É a primeira equipa de sempre do segundo escalão a vencer a Taça de Portugal. Deixa para trás o Sporting, numa época em que os leões acabam a época 25/26 de mãos a abanar, e vamos analisar esta final épica da Taça de Portugal nesta edição de "O Campeão É". A análise é feita pelo Luís Pinto Coelho, Augusto Inácio e também hoje conta com uma participação especial de José Dias Ferreira, conhecido adepto do Sporting e também antigo dirigente. Sejam todos muito bem-vindos. Eu sou o João Costa e Silva e já vamos falar do Sporting. Aliás, está implícito ao longo deste programa, porque o Torreense teve de vencer o Sporting para erguer esta Taça de Portugal. Augusto Inácio, é impressionante falar da época do Torreense. Ontem, até grande parte dos próprios adeptos, e fomos vendo isso ao longo das várias emissões, quer seja em televisão, em rádio, atribuía um grande grau de favoritismo ao Sporting. Estavam até a pensar mais nesse playoff de subida desta quinta-feira, à Primeira Liga, frente ao Casa Pia. Onde é que está o segredo para esta vitória? Boa tarde.
Boa tarde a todos. Um abraço especial ao doutor Dias Ferreira. Duas equipas entraram em campo, uma disposta a competir e outra disposta a deixar andar o jogo. E isso foi fatal para o Sporting. Depois de uma grande notícia, durante a tarde, em que o Aston Villa conseguiu classificar em quarto lugar, dando a hipótese do Sporting se qualificar diretamente para a Champions, era de prever que o Sporting, até pelo seu estatuto, pela equipa que tem e pelos jogadores que tem, era super favorito para este jogo. Mas é preciso jogar para ganhar. E o Sporting deixou andar o jogo e deixando andar o jogo, dá confiança ao adversário, marcou logo cedo, num pontapé de canto. A reação do Sporting foi deixar andar na mesma o jogo. Até que lá conseguiu fazer o golo do empate e esperava-se que a partir daí o Torreense caísse animicamente, até porque também tinha jogado na quarta-feira contra o Casa Pia, em casa, e que fisicamente se abatesse um bocadinho. O que é certo é que não foi isso que aconteceu. Devia ter começado por aqui, a dar os parabéns ao Torreense, porque foi uma grande equipa, na verdadeira acepção da palavra. Todos unidos, todos coesos, todos com espírito de sacrifício muito grande, por isso mereceram vencer esta Taça de Portugal. Mas as incidências do jogo fizeram com que o Sporting desse a confiança necessária para o Torreense acreditar, e o Torreense acreditou. Por isso, parabéns ao Torreense, mereceram vencer esta Taça de Portugal.
José Dias Ferreira, seja muito bem-vindo a esta edição de "O Campeão É". O Sporting não foi o Sporting que nos habituou ao longo da temporada neste jogo, como diz aqui o Augusto Inácio, deixou andar. Até se esperava, talvez, uma resposta diferente depois desse empate a um golo. Fica a ideia de que o Torreense quis mais vencer do que o Sporting.
Olá, boa tarde. Cumprimentos a todos, em especial, um abraço também ao Augusto Inácio, agradecendo o dele. Eu estou mais ou menos de acordo com toda a apreciação que foi feita da análise que foi feita pelo Augusto Inácio. É evidente que muita gente ontem falava sobre o treinador, sobre isto e sobre aquilo. Eu acho que o treinador não tem responsabilidade nenhuma. O treinador só teria responsabilidade se me dissessem que aquilo que o Sporting fez ontem era o treino habitual da equipa. Porque a equipa não só entrou para se equipar para um treino, como entrou para um treino sem objetivo nenhum. Foi uma equipa que nem existiu, eram uns jogadores que estavam sem fazer nada a uma bola. Quando numa final da Taça de Portugal se joga um jogo sem nenhuma intensidade, é evidente que parece que estamos mais num treino do que outra coisa. Ao contrário, o Torreense merece os parabéns de toda a gente, porque entrou nitidamente para ganhar. Nem se pode dizer que foi feliz por ter marcado logo aos quatro minutos. Realmente, parecia que o jogo ainda não tinha começado, que aquilo ainda era o aquecimento. E foi assim o jogo todo. Foi muito triste assistir a um jogo assim. Eu acho que é uma nota negativa para toda a equipa. Não é assim que se enfrenta uma final de uma taça. Até se pode dizer que foi com alguma displicência que confrontaram o Torreense. Não deram ao Torreense a possibilidade, parece que não havia possibilidade nenhuma de ganharem aquele jogo e, portanto, aquilo jogado a 5 km/h ou 2 km/h, era suficiente. Acho que é uma coisa mesmo muito má e muito negativa, e os jogadores devem estar, e com alguma razão, bastante envergonhados daquilo que fizeram.
Luís Pinto Coelho, nós ontem aqui no "O Campeão É" falávamos dessas possibilidades para o Torreense nesta final, que eram muito diminutas. Pergunto que significado tem esta conquista a meio de um playoff de subida. É, acima de tudo, um prémio mais do que merecido a uma equipa que jogou sempre de olhos nos olhos, independentemente do adversário, e o caminho que fez até aqui, tendo em conta a classificação que termina também na Segunda Liga.
Olá, boa tarde a todos. Sim, sem dúvida, é um momento histórico para o Torreense. Eu ontem tinha dito aqui que seria uma enorme surpresa, até pelo contexto em que o Torreense está. O grande objetivo do Torreense é a subida à Primeira Liga.
Os próprios adeptos falavam disso ao longo da tarde
Sim. E o que me estranhou, por exemplo, na segunda parte, até me pareceu o Torriense mais fresco que o Sporting, o que é estranho, porque o Sporting teve mais tempo para preparar o jogo. E, obviamente, para o Sporting era importantíssimo ganhar a Taça de Portugal, porque a época é diferente com a conquista da Taça do que não ganhar nenhum troféu. Muito bem o Luís Estrelão, a equipa sempre muito bem organizada, com uma matriz de jogo clara e o Sporting muito desligado. A primeira parte o Sporting ainda consegue criar, eu diria que tem ali três boas oportunidades, uma delas com o remate ao poste do Pote, mas depois na segunda parte não se consegue perceber. A equipa quebrou fisicamente, quebrou animicamente. Era esperado até que cavalgasse um bocadinho mais, pressionasse mais, mas foi o contrário. Até foi uma altura em que o Torriense teve até um pouco mais de bola e transições que podia ter ferido o Sporting. É algo estranho esta exibição do Sporting, eu não percebo muito bem. A equipa desligada, talvez o jogador já a pensar na questão das transferências. Também acho que não ajudou já os jogadores serem apresentados. Outros jogadores também já se sabe que vão sair. Tudo isto acho que não contribuiu. Rui Borges também não me parece que tenha mexido muito bem na equipa. Aquela substituição que é um bocadinho a substituição feita quase do dia anterior, Morita tem que sair sempre e normalmente o Sporting quebra sempre quando Morita sai e ontem novamente se repetiu e Morita estava bem na partida. Acho que foi este conjunto todo de fatores que não ajudou e muito mérito ao Torriense. E gostava, eu acho que agora está toda a gente a torcer pelo Torriense para chegar à primeira liga, mas acho que é todo o mérito ao Torriense.
E fez-se história ontem no Jamor, o Torriense vence esta Taça de Portugal, como disse logo na abertura, primeira equipa da Segunda Divisão a conseguir este feito. Isto, aliás, tem consequências também diretas para as provas europeias da próxima época. O Torriense garante lugar direto na Liga Europa, o Benfica, e isto aqui é importante, fica obrigado a jogar três eliminatórias para chegar à Liga Europa. Fazendo aqui as contas, as águias vão ter que começar a competir quatro dias depois da final do Mundial. A final do Mundial que está agendada para o dia 19 de julho, portanto o Benfica vai começar aqui a pré-temporada e com esta indefinição em torno de Mourinho, Marco Silva e o futuro treinador do Benfica, se Mourinho não sair, também aqui por definir e portanto há aqui também uma característica muito importante naquilo que vai ser a próxima temporada e neste caso a pré-época do Benfica. O Braga vai para a Liga Conferência e o Famalicão, quinto classificado do campeonato, que ficava aqui dependente de uma vitória do Sporting, fica de fora das competições europeias por força desta vitória do Torriense. Já o Sporting, como disse aqui há pouco o Agustinácio, apesar deste desaire, beneficia claro, do Aston Villa, que ficou em quarto na Premier League, e assim garante o acesso direto à Champions. José Dias Ferreira, é uma temporada em que não há troféus para o Sporting. Foram para Benfica, Foco do Porto, Vitória Sport Clube e Torriense. É uma época desastrosa nesse sentido para o Sporting? Podemos pôr essa carga desastrosa nesta época?
Não, eu não considero que seja desastrosa, porque em termos daquilo que hoje é habitual, perder um jogo numa Supertaça é perder um troféu, mas não considero que isso constitua algum problema ou para evitar outras coisas. Não é isso que considero. Sobretudo em comparação com os outros. Ficar em segundo lugar no campeonato, é um campeonato que pode ser ganho pelo menos a três. Foi ganho por um este ano, com todo o mérito, ninguém o pode, reconhecidamente, fez mais pontos, jogou mais, perdeu menos pontos, como é evidente. Agora acho que o Sporting fez uma época com uma pontuação, acho que muito semelhante à do ano anterior.
Foram os mesmos pontos.
Foram os mesmos pontos, portanto foi uma marca igual à anterior, uma foi campeã e a outra não foi. É aquilo que acontece de uma forma geral. Tinha o objetivo que era o tri, mas isso é um objetivo que os outros também têm, que é interromper esse tri. Isso para mim afasta a expressão desastrosa. Fez um jogo desastroso, efetivo, foi esta final da Taça, é desastroso. Ou foi um desastre, ou foi um incidente pouco agradável e que não deve beneficiar ninguém. E fez uma prova europeia e classificou-se diretamente para a próxima e fez uma prova europeia muito boa, que é isso que as pessoas às vezes também esquecem rapidamente e entram realmente num planeta diferente daquele em que eu vivo, e portanto começam logo a dizer tudo e mais alguma coisa. Eu espero que realmente a direção do Sporting, e até agora tem sido, que não se acanhe com algum ruído que está a fazer, e portanto que siga em frente com aquilo que tem estado a fazer, que dá bom resultado. Portanto, não se pode dizer que seja uma época desastrosa, não considero isso de maneira nenhuma. Que foi um mau jogo a final, foi uma coisa mal perdida, que foi ganha por uma equipa que realmente também mereceu. Tudo bem, e que existiu a desilusão e serva de censura também para aquilo que foi feito na tarde de ontem. Mas uma época desastrosa também é uma, então o que é que se diria, portanto, se estão a fazer comparações, o que é que se diria do Benfica? Era um tremoto que não há-de cair, com certeza.
Não querendo dizer que só boa época quem ganha Supertaça. Mas pronto, temos já que habituar.
Agostinho Inácio, falava aqui o José Dias Ferreira deste ruído e ontem no final do jogo, não sei se é percetível ou se podemos compreender ou não, algumas críticas a Rui Borges e o futuro está definido. Há renovação de contrato assinada, Rui Borges vai-se manter à frente do clube. Acreditas que depois deste desfecho algo pode melindrar a direção do Sporting ou até mesmo Rui Borges no que toca à confiança à frente do clube?
A resenha depois de uma época tem que ser pensada e avaliada. O que é certo é que eu também estou de acordo com o Dr. José Dias Ferreira. Não é a época mais destrozada para o Sporting. O Sporting fica no segundo lugar, entra diretamente na Champions, o que dá diretamente também 45 ou 50 milhões. O Sporting faz uma grande Champions, ficou classificado no oitavo lugar na fase de grupos. Acho que o Sporting foi eliminado pelo Arsenal, mas ficou a ideia de que o Sporting podia ter eliminado esta equipa inglesa que foi campeã agora na Premier League e que vai à final da Liga dos Campeões. Aquilo que salta à vista é realmente aquela final de ontem, em que o Sporting perde de uma forma que não devia ter perdido, uma imagem que não devia ter dado. E naturalmente, quando as coisas passam assim, há sempre aqueles que são críticos e que nada presta e nada serve. É sempre assim, mas há uns tempos atrás, quando o Rui Borges estava a fazer aquela Liga dos Campeões, todos os adeptos do Sporting estavam a dizer que realmente era um grande treinador e continua, na minha opinião, a ser um grande treinador. Aparece claramente que os resultados determinam muitas vezes a satisfação ou insatisfação dos adeptos. Agora, não há dúvida nenhuma que esta derrota, na próxima época, se as coisas não começarem a correr bem no princípio, claramente que as vozes vão se levantar, mas se as coisas começarem a correr bem, também depressa se calam. É assim, as emoções que os adeptos têm e que reagem nos momentos em que as coisas umas vezes correm bem, outras vezes não correm tão bem.
Em termos de troféus, em Portugal está tudo entregue. Falta decidir quem sobe à Primeira Liga. Já na quinta-feira que vamos ter essa última vaga de acesso. Ou fica o Casa Pia na Primeira Liga ou o Torriense garante essa subida histórica ao primeiro escalão. O apito inicial está marcado para quinta-feira às 20h00 em Rio Maior. Vamos olhar com especial atenção para esse jogo, para perceber se o Torriense consegue carimbar aqui uma época realmente histórica. Luís Pinto Coelho, não tenho mais tempo para falarmos desta questão do Sporting-Torriense, mas vou-te deixar contemplar as tuas notas. O que é que queres destacar hoje?
Obviamente que tenho que destacar aqui o Torriense, mas vou destacar principalmente o seu treinador, Luís Tralhão. Acho que ele vinha do sub-23, pegou na equipa a meio da época e eu tenho acompanhado bastante os jogos do Torriense e gosto da equipa, acho que é uma equipa que defende bastante bem, muito organizada, muito compacta. Depois é muito perigosa nas transições, está preparada para isso porque tem jogadores muito rápidos e ontem percebeu-se isso também. Acho que é um bom treinador do futebol português e ontem eu acho que também é muito dele a vitória, porque taticamente o Torriense esteve sempre muito bem, por isso um 20 para o Luís Tralhão.
E ele disse que não cumpriu a promessa. Ele disse que se ganhasse ia a pé para casa e acho que não cumpriu. Vai ter que cumprir um dia destes do Jamor até Torres Vedras.
Pode ser agora na quinta-feira.
Exatamente.
Tira o batiste, que era igual, ia a pé.
Agostinho Inácio, dás as tuas notas.
Ora algumas. Torriense claro nota 20 para tudo aquilo que já foi dito aqui, o Luís Tralhão, os jogadores, a cidade, adeptos, tudo, merece realmente este grande destaque. Também para o Miguel Cardoso, treinador do Al Ahly, que foi campeão dos Campeões da Liga dos Campeões Africanas e ganhou esta competição com todo o mérito. As despedidas do Pep Guardiola e do Bernardo Silva do Manchester City. Pep Guardiola teve 10 anos, Bernardo Silva teve nove, 460 jogos, 20 títulos para o Bernardo Silva, despedida em grande. Palhinha pelo gol que fez e que permite ao Tottenham ficar na Premier League. E por último, nota 20 para o atletismo do Sporting, campeão europeu em masculinos, é o segundo título depois de 2000, e vice-campeões em femininos. Em grande o Sporting no atletismo.
José Dias Ferreira, em 30 segundos, alguma nota de destaque nesta edição?
Estou quase de acordo com as notas todas dadas pelo Inácio. Como não sou habitué do programa, não estava à espera que as notas se dirigiam relativamente ao jogo de ontem e aí eu diria uma nota para o Torriense entre os 19 e os 20, e uma nota negativa para toda a equipa do Sporting.
Um agradecimento especial a si, José Dias Ferreira, por ter estado aqui conosco nesta edição de "O Campeão" e também a Agostinho Inácio e ao Luís Pinto Coelho. Ficamos por aqui nesta edição. Amanhã há mais, depois da 13h10.