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E o campeão é? Vamos saber nesta edição de quarta-feira do programa, que esta tarde junta Gabriel Alves, Augusto Inácio e Pedro Henriques para um olhar a atualidade desportiva marcada pela Liga dos Campeões e por esse encontro entre Arsenal e Sporting. Mais logo com emissão especial aqui na Rádio Observador. É dia de Champions, é um dia que pode ser histórico para o Sporting, pelo menos é isso que quer Rui Borges. Referiu-se à história e ao dia histórico, à noite histórica que pode ser esta de mais logo para o Sporting, para um avanço para as meias-finais desta prova. Tem de reverter essa desvantagem de 1 x 0, o resultado da primeira mão num gol já tardio do Arsenal em Alvalade há uma semana. Ainda assim, antes de irmos ao Sporting, vamos a esta jornada da Liga dos Campeões com a ajuda do Gabriel Alves, que ontem viu um belo embate entre Atlético de Madrid e Barcelona. O Barcelona até venceu, mas é o Atlético que segue em frente. Também resultados de ontem, o Paris Saint-Germain voltou a aplicar a chapa dois ao Liverpool e com o agregado de 4 x 0 também avança para a próxima fase. Gabriel Alves, muito bem-vindo. Foi um jogo intenso, que também se jogou para além do minuto 90, com declarações polêmicas de parte a parte, com provocações, mas foi uma bela noite de futebol que deu a passagem à próxima fase à equipe de Simeone.
Boa tarde. Os árbitros agora que são sempre os culpados de quando se perde. Mas isso já é trivial. Aqui, ali, acolá. Olha bem, a verdade é esta, o Rafinha ficou, diz que é um resultado roubado. Olha, eu acho é que o Barcelona devia ter acabado com nove, porque o guarda-redes jogou a bola com as mãos fora da área. Mas pronto, são opiniões do Rafinha. Olha, foi um belo jogo de futebol, isso é que agora interessa. O Atlético mais forte, isso é verdade, daquilo no que eu compro, faz um Barcelona que entrou prometedor. Agradou, porque era futebol, estávamos a ver. A emoção também faz conta disto. Boa estratégia do Flick, um meio-campo ali bem povoado para dar liberdade para Ferran, para Lamine, portanto poderem naturalmente circular, e o próprio Darión. Aliás, eles estão nos gols. Mas a verdade é que se Lamine ontem foi ele que é o bailador. E bem, ele é emblema para a Espanha neste mundial em tudo que é redes sociais, muito bem cantada. A verdade é que isto esteve muito bem no final do jogo, cumprimentando todos os seus companheiros que estavam espalhados pelo relvado do Metropolitano. Mas a verdade é que este Barça, é preciso ter isto em nota, há 15 jogos consecutivos que sofre gols na Champions. E sofre duas expulsões em dois jogos consecutivos, exatamente pelos dois centrais. A verdade é esta, os campeonatos ganham-se com a defesa e os jogos vencem-se com os ataques. E o Barcelona, naturalmente, tem que ver esta situação. Depois também, naquilo que é o desempenho do jogo, as substituições foram melhores no Atlético do que no Barça. Lewandowski e Rashford não trouxeram nada ao jogo, ao passo que Bayern e Sorloth trouxeram muito. De fato, foram dois jogadores cruciais naquilo que foi a ponta final do jogo, naquilo que foi o segurar digamos, da eliminatória para o Atlético. De resto, Pedri ontem foi uma sombra de si, ao passe que, por exemplo, Griezmann pautou. Autêntica força da técnica. Grande jogador, está de saída, vai para os Estados Unidos. E Llorente foi aquilo que é a técnica da força. Uma complementaridade fantástica, na minha opinião, entre esses dois jogadores a trabalharem do meio-campo para diante. E atenção, no Atlético de Madrid, se Oblak, esloveno, é de fato um grande guarda-redes e teve escola em Portugal, atenção a este guarda-redes, Muslera, argentino, de 31 anos, alto, 1,91 m, mas que exibição. Olha, em Espanha já dizem que é o melhor guarda-redes suplente. Eu quero terminar esta minha nota ainda às defesas, sou muito rápido, do Simeone dizia há dois dias. A equipe que tem um bom ataque, define bem, normalmente, tem uma defesa frágil. E quem tem uma defesa sólida, normalmente, tem um ataque não tão vistoso e não tão concludente. Ora bem, esta é a foto do jogo de ontem. Deem um bocado de atenção ao Simeone.
Augusto Inácio, vamos ter Paris Saint-Germain de novo campeão europeu. Continua a ser a equipe mais favorita à conquista desse troféu, o que seriam boas notícias para a armada portuguesa de Paris.
Boa tarde a todos. Claramente que o Paris Saint-Germain é o campeão europeu, está nas meias-finais outra vez, quer revalidar esse título, mas para mim, isso é uma opinião meramente pessoal e particular, eu aposto mais no Bayern de Munique. Acho que o Bayern de Munique tem uma equipe fantástica, extraordinária, mas é muito difícil. O Real Madrid também lá está e o Real Madrid é a equipe de Champions, não é a equipe de campeonato, é a equipe de Champions. Vamos ter umas meias-finais extraordinárias. Espero que o Sporting lá esteja também, porque seria bom sinal.
Pedro Henriques, foi um jogo polêmico este no que toca a arbitragem entre Atlético de Madrid e Barcelona, mas ainda ontem referias também aqui num fórum mais privado entre nós, de que de fato a mais-valia do VAR, desta nova tecnologia, está bem patente nesse jogo de ontem.
Por isso é que uma das minhas duas notas, depois falaremos sobre isso, vai pro Rafinha. Quando ele diz que foi um roubo, não entendo o medo que as vitórias do Barcelona causam. Em primeiro lugar, o Barcelona marcou um gol em fora de jogo e o árbitro validou, ou o árbitro assistente, neste caso. Veio o VAR e disse: "Muito bem, fora de jogo e está fora de jogo". A bola tocou no jogador do Atlético de Madrid, mas é o chamado ressalto. Para isso é preciso perceber a lei 11. Uma coisa é a bola vir de um adversário e o jogador jogar deliberadamente a bola. Outra coisa é a bola bater num jogador do Atlético de Madrid e ressaltar pra um jogador que, no momento em que o seu colega fez o passe, remate, o que queiram chamar, já estava em fora de jogo e, portanto, a lei 11 é clarinha neste aspecto, gol bem anulado ao Barcelona. E a seguir, o árbitro assistente dá um fora de jogo que não existe, o VAR revê, não há fora de jogo e há um cartão vermelho, porque o VAR só pode intervir, como nós sabemos, neste caso concreto, ou em penaltis ou em cartões vermelhos diretos, duas das quatro situações. E neste caso, havia um cartão vermelho, porque o jogador vai isolado. "Ah, mas vem o outro." Não vem nada na dobra, esqueçam lá isso. É parar a imagem e perceber que o outro só consegue aparecer na dobra porque há uma falta sobre o jogador do Atlético de Madrid, porque se não houvesse a falta, chamamos a isso de claro penálti gol. Direção da baliza, distância curta, bola controlada e mais nenhum jogador defensor pode intervir no lance pra velocidade que ambos jogam ou correm. E aqui o VAR não vai medir, nem a lei permite medir quem é que corre mais rápido. É parar os jogadores e ver onde é que está. E, portanto, segunda extraordinária decisão, e decisiva, que é a expulsão. Relativamente às mãos do guarda-redes, o VAR foi verificar duas coisas. Primeiro, jogou a bola com a mão fora da área, é livre direto, e o VAR não pode intervir em livres diretos. Segunda questão é se era cartão vermelho ou não. Não é cartão vermelho, porque uma coisa é o jogador adversário levar a bola e o guarda-redes cortar a bola com a mão. Outra coisa é uma precipitação de um guarda-redes que não anula uma clara oportunidade de gol. Se ele jogasse a bola dentro da área, aquele frame, aquele segundo mais pra trás, era exatamente a mesma coisa, só que se precipitou e jogou ali. No limite, antidesportivo, cartão amarelo. Não é situação pra cartão vermelho. E daí que o VAR, ao analisar o lance, não tenha feito a sua intervenção. E, portanto, o VAR esteve muito bem. E o Barcelona só não passa porque existe o VAR, porque senão o Barcelona ontem tinha feito o empate meritorio com o 3 x 1 em gol irregular, tinha ficado com 11 jogadores. E como o Barcelona é muito melhor que o Atlético de Madrid, no meu ponto de vista, tecnicamente, coletivamente, individualmente, em tudo, o Barcelona teria passado e era muito mais perigoso, seja pro Arsenal, seja pro Sporting, porque o Barcelona é muito mais equipe. E pronto, tá tudo dito em relação ao jogo de ontem.
São boas notícias, então, se calhar essa passagem do Atlético de Madrid, caso venha a encontrar o Sporting, pelo menos na opinião aqui do Pedro Henriques. Gabriel Alves, o que tem que fazer o Sporting para anular essa desvantagem que leva de Alvalade para Londres? Tem que ser uma noite histórica e perfeita, como diz Rui Borges?
Sim, tem que ser uma noite e acima de tudo, assente de muita disciplina tática, numa estratégia que certamente e obviamente está devidamente montada. Muita clarividência, muita concentração competitiva. Tirar algum partido. Isto só falta quem está presente, não é quem está ausente. Há cinco jogadores que estão de fora: o Rice, o Saka, o Ødegaard, o Carlo Ancelotti, o Timber. São jogadores que são fundamentais naquilo que é a manobra da equipe do Arsenal.
Está mais desfalcado o Arsenal, ainda assim?
Tá. O Arsenal tá desfalcado.
Vem de uma fase má, não é?
Exatamente. E penso que psicologicamente também tá afetado, porque aquilo que pareciam favas contadas, neste momento, tem o Manchester City com ao menos um jogo.
E jogam no fim de semana.
E jogam no fim de semana, vem numa derrota que não se tava a contar com isso. E duas, aliás, porque também foi batido. A verdade é que esta questão é que leva o Arsenal a ter tudo. Portanto, o Arsenal é assim, ou tudo ou nada nesta partida, porque obviamente tem tudo tremido em relação à época que se dizia grandíloca. Portanto, o Sporting, e se de fato conseguir chegar às semifinais, é uma noite fantástica pra os sportinguistas, mas eu estendo isso, é uma noite fantástica pro país, porque ter uma equipe portuguesa de novo numas semifinais da Champions, ao mais alto nível, o futebol português só tem que dizer: obrigado, Sporting.
Augusto Inácio, há aqui a ausência de Fresneda, tem sido titular no Sporting, também ainda assim alguns regressos, Vásquez, o próprio Bulópa está de regresso, o Rafael Nel está também nesta comitiva que viajou para Londres. Como é que Rui Borges deveria solucionar esta ausência do seu habitual titular, Fresneda?
Olha, tudo depende daquilo do jogo que o Rui Borges quer. Se quer que realmente tenha um flanco direito realmente dinâmico, que vá pra frente e que procure o gol através dessa faixa direita, naturalmente que o Vásquez era o jogador que tava mais preparado pra isso. Se quiser um jogo mais de contenção, no sentido de não dar grandes passos ao lado esquerdo do ataque do Arsenal, Quaresma é realmente o melhor pra essa solução, até porque Quaresma também, cada vez que o ataque do Arsenal se fizer do lado direito, Quaresma incorpora-se por dentro dos centrais e fica o Sporting a jogar com uma linha de cinco, já que o Geny Catano também recua no terreno e o Sporting fica com uma linha de cinco, e Quaresma é realmente um central. Agora, tudo depende daquilo que o Rui Borges vai querer. Eu estou a crer que vai ser um jogo muito tático, não vai ser um jogo muito vistoso, não vai ser um jogo bola cá, bola lá, porque as equipes inglesas às vezes são assim. Mas em Alvalade já se viu um Arsenal resguardado, um Arsenal a não querer dar espaços ao ataque do Sporting, porque sabe que o ataque do Sporting é imaginativo, tem ideias, faz gols de um momento pro outro, tem Geny Catano, tem Tricão, tem Suárez, tem Pote, e eles sabem desse perigo e por isso eu acho que o Arsenal, até porque ganhou em Alvalade 1 x 0, vai se resguardar um bocadinho mais, não vai abrir muitos espaços.
Isso é bom pro Sporting?
Não sei se é bom, porque eu acho que o melhor para o Sporting seria o Arsenal atacar e o jogo ficar mais aberto. Sendo assim, o Sporting também tem que ter preocupações no contra-ataque do adversário, porque também tem jogadores que fazem a diferença. Por isso vai ser um pouco como em Alvalade. Momentos repartidos, alternância de comando, Sporting com bola, Arsenal com bola, mas aquelas jogadas de grandes oportunidades de gol que vai haver, não vai haver muitas. Sinceramente, não acredito nisso.
Pedro Henriques, estas duas equipes estão aqui numa situação parecida. O Arsenal vai jogar com o Manchester City no próximo fim de semana. Há o dérbi de Lisboa também no próximo fim de semana entre Sporting e Benfica. São duas questões que podem influir aqui?
Eu acho que não.
Está tudo ainda longe.
Estás nas quartas de final, por muito que estejas focado no campeonato, e o Arsenal neste momento está um bocadinho em maus lençóis porque aquela vantagem que tinha pode se esfumar.
Tem seis pontos de avanço, mas o Manchester City tem menos dois jogos.
Um jogo a menos. E a minha questão é: estás nas quartas de final, por muito a exultar para subir, para descer ou, neste caso, para ser campeão, não pode entrar. Eu estou sempre a brincar com isto, mas gostei muito dessa expressão, que para mim foi ridícula na altura, quando o Jorge Jesus, na Liga dos Campeões, disse que o importante era o Arouca. Ou seja, abdicava de jogadores para depois, na altura pelo Benfica, ir jogar com o Arouca. Não pode ser. Claro que o jogo com o Benfica é fundamental para o Sporting, como é o jogo com o Manchester para o Arsenal, como depois a taça, mas neste momento, tanto o Sporting e o Arsenal, e então os jogadores, quando apitar, é para meter o pé, é para jogar com tudo.
Às seminais e aos milhões.
Exatamente, não pode entrar. Quer dizer, estás nas quartas de final e com acesso à semifinal, não pode entrar qualquer que seja o jogo que venha a seguir. Este é o jogo mais importante para o Arsenal e para o Sporting. Relativamente aos jogadores que aqui foram falados, eu acho que é o Quaresma que está em jogo e acho que o Sporting com o Quaresma em jogo vai jogar por vezes em modo Rui Borges, outras vezes em modo Ruben Amorim.
E qual é a sombra?
E o Inácio já falou aqui nisso. Eu acho que naquilo que é o mais normal, o Rui Silva na baliza, com o Gonçalo Inácio e o Diomande centrais, o Maxi à esquerda, o Quaresma à direita, e depois faz o meio-campo com o Hjulmand e o Morita, e depois o habitual Luís Soares lá à frente com Pedro Gonçalves à esquerda, o Gianni pelo direito, o Trincão nas costas de Suárez. E depois, tens essa possibilidade, com o Quaresma, fazer aquilo que o Inácio disse, que é jogar em modo Ruben Amorim, que é de repente tens um trio de centrais com Quaresma, Gonçalo Inácio e Diomande, baixas o Gianni e Katombe a fazer o lateral e o Maxi, se quiseres até podes juntar o Hjulmand e o Morita e faz um 3-4 e depois esquerda para o pó, Trincão para a direita e Luís Soares baixa ali o meio-campo e faz um 3-4-3, neste caso, um 3-4, ou então se quiseres uma linha de cinco, como agora quiseres olhar, com esse baixar do Gianni. E acho que com isso o Sporting pode, quer na construção, quer a defender, ir mudando o seu sistema.
Tudo para conferir mais logo também aqui na emissão especial da Rádio Observador, que vai contar com o Pedro Henriques, obviamente. Pedro, pedia-te brevidade no campeão do dia para hoje.
É rápido. Dois campeões, nota zero para as palavras do Rafinha. Como disse o nosso Gabriel Alves muito bem, parece que de repente os problemas são todos claros, que as arbitragens não são perfeitas, mas parece que os problemas são todos a árbitragem. O Barcelona ontem perdeu e perdeu a eliminatória com muitas culpas deles, até que do meu ponto de vista são melhores que o Atlético de Madrid, não foi nada a arbitragem. Aliás, a arbitragem não roubou. Fez uma coisa muito importante, que foi retificar os erros do árbitro. E com isso o Atlético de Madrid passou e por isso nota zero para as palavras do Rafinha e para o Sporting. Hoje, que estamos a falar de Sporting, que sejam uns 16 para depois a gente amanhã transformar em 20, porque estamos todos a torcer pelas equipes portuguesas e pelo sucesso dos portugueses no estrangeiro.
Gabriel Alves, pedia-te também alguma concisão para este campeão de hoje.
Duas notas para começar, a primeira para o desaparecimento do Vicente Lucas.
O Magríço.
Um homem de louvo perfil, um futebolista de louvo perfil.
Hoje homenageado pelas duas equipes do Belenenses, no início do treino.
E muito bem, porque era do Belenenses e portanto também ficam aqui os sentimentos, não só à família, como também a todos os belenenses, naturalmente. É uma perda. E o desaparecimento também de Santa Maria, o uruguaio do Real Madrid, 96 anos, que ajudou a construir este Real Madrid, que é hoje grande, está nas primeiras quatro Taças dos Campeões Europeus. E finalmente, vou dar uma nota 20, mas tenho mesmo que dar. Senhores observadores, já viram o gol do Dembélé ontem? É uma pérola. 20 para Dembélé. Aquilo é futebol, aquilo é maravilha, aquilo é entretenimento, aquilo é divertimento, aquilo é o pulo do jogo.
Marcou dois.
Sim, mas eu estou falando do segundo, a utopia do segundo. É fantástico, é uma coisa maravilhosa.
Augusto Inácio, fechamos contigo com o campeão de hoje.
Nota 20, como sempre eu dou às equipes portuguesas, neste caso, nota 20 para o Sporting, para o jogo de logo, que consiga ganhar o jogo e passar. Nota também 20 para a morte do Vicente Lucas, por tudo aquilo que o Gabriel Alves já disse. E nota 15 para a nossa seleção feminina, que ontem ganhou na Letónia 3x0, tem três jogos, três vitórias. No próximo sábado joga na Eslováquia. Estamos bem encaminhados para sermos apurados para o Mundial 2027.
Muito obrigado, campeões. Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques na edição de hoje de "E o Campeão É...".