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A partir do 43º Congresso Nacional do PSD, segundo e último dia. Daqui a pouco Luís Montenegro vai protagonizar o discurso de encerramento, depois de conhecidos também os resultados para a nova direção nacional, com três vice-presidentes novos: Sebastião Megalho, Carlos Moedas e Pedro Duarte. Mas antes disso, e caso ontem se tenha deitado antes da meia-noite e só esteja a acordar agora, Santana Lopes apareceu no congresso do PSD, está formalmente reentronizado militante do PSD. Miguel Pinheiro, é uma ajuda útil para este combate político e para esta fase de combate político em que o PSD vai entrar agora?

Acho que é mais uma questão de nostalgia, um pouco como aqueles festivais de música no verão sobre os anos 80 ou sobre os anos 90. Não me parece que isto vá mudar grande coisa, até porque Santana Lopes ontem foi o regresso físico ao PSD, mas espiritualmente, politicamente, já tinha regressado há mais tempo. Basta ouvir as intervenções de Pedro Santana Lopes, ele já era uma grande ajuda para o PSD e para Luís Montenegro. Portanto, não me parece que mude nada. Foi um ato falhado, como tu dizias. Estava tão pouca gente aqui que nem sequer havia ninguém para, como António Capucha há uns anos, poder dizer: "Chegou o jet set", porque estava pouquíssima gente aqui. Alguns já estavam a dormir, de forma merecida, nas cadeiras e de repente aparece Pedro Santana Lopes vindo do nada. Ele explicou que tinha estado no exercício das suas funções como presidente de câmara, numa sessão de um filme de um cineasta da Figueira da Foz. Eu imagino Luís Montenegro e Hugo Soares durante o dia todo a olharem para o relógio e a pensarem: "Onde é que o homem se meteu?" Porque ter um número destes preparado e tudo isso acontecer perto da meia-noite, foi um tiro ao lado. De qualquer forma, é o regresso inevitável de Pedro Santana Lopes depois de um percurso falhado no Aliança. Pedro Santana Lopes lembrou aqui que na altura ele pressentiu que a direita estava em mudança, e de fato estava. Ele poderia ter sido, em certo sentido, o André Ventura. Pedro Santana Lopes sempre foi um político populista, não necessariamente no mau sentido. Um político muito carismático, sempre com a aspiração de criar um movimento político dentro ou fora do PSD, muito personalizado, muito ligado às preocupações do povo. Ouvindo os comentários que ele faz na televisão, percebemos que ele está muito sintonizado com várias preocupações de André Ventura. Ele poderia ter antecipado esse movimento com o Aliança, mas depois teve a vertigem da respeitabilidade ali a dada altura, falhou, e depois sabemos o que aconteceu na direita. E agora, olha, regressa ao PSD.

Esse caminho de aproximação que é mais ou menos natural. A mensagem de ontem já foi tardia, mas ainda assim vem ajudar Luís Montenegro, a questão de ter o partido bem conquistado, de não é possível fazer mais reformas porque os outros não estão a deixar. É sempre alguém que vem ajudar nesse combate.

Ajudar vem, mas não me parece que tenha o impacto que quem lidera o PSD gostaria que tivesse, por tudo aquilo que o Miguel dizia. Obviamente, Pedro Santana Lopes é uma figura muito popular, muito carismática, mas não tem o peso político que tinha há uns anos valentes. Uma curiosidade, por causa do próprio momento em si, houve o cuidado de gente que está a organizar o congresso, da direção do PSD, de pedir aos militantes que regressassem ao pavilhão onde está a decorrer a reunião magna para garantir que havia pelo menos mais gente, algumas pessoas na sala. Houve esse cuidado, como o Miguel dizia, foi um ato falhado. E não tenho grandes dúvidas que aconteceu assim porque Pedro Santana Lopes quis que acontecesse, porque se chegou a esta hora, foi porque não quis vir no horário nobre. E acho que isso se presta a muitas leituras. Talvez Pedro Santana Lopes não esteja assim tão alinhado ou tão satisfeito com o desempenho do governo para ser cabeça de cartaz de um congresso que serviu essencialmente para defender Luís Montenegro. Acho que se pode retirar essa leitura. Não me convence a ideia de que Pedro Santana Lopes esteve a ver um filme ou teve uma agenda muito preenchida num sábado à tarde na Figueira da Foz. Quer dizer, sem qualquer desprezo para a Figueira da Foz e para a agenda cultural da Figueira da Foz, mas acho que Pedro Santana Lopes teria arranjado uns minutinhos para ficar.

Seria o mesmo se fosse em Lisboa ou no Porto.

Aliás, Carlos Moedas veio, Pedro Duarte veio. Figueira da Foz é muito mais perto que Lisboa e Porto da Nadir. Acho que Pedro Santana Lopes quis vir cá mostrar apoio a Luís Montenegro, mas fê-lo com um pé meio dentro e meio pé fora. Agora, sobre a mensagem em si, é uma espécie de anti Passos. Pedro Passos Coelho tem tido um discurso muito negativo para com este governo, críticas muito duras e Pedro Santana Lopes, ainda que à meia-noite, vem trazer alguma positividade, dizer que as coisas estão a correr bem. Ou vão correr bem, melhor dizendo, vão correr bem. Estão a correr mais ou menos e vão correr bem, vão melhorar. É a única resposta que de fato existe a Pedro Passos Coelho ao longo de todo o congresso. Houve uns ensaios mais provocados pelos jornalistas do que propriamente pensados pelos principais dirigentes do PSD Pedro Santana Lopes foi o único que deu uma resposta a Pedro Passos Coelho dizendo que Luís Montenegro venceria eleições diretas em qualquer circunstância. Foi a festa possível dentro de um congresso que foi muito pouco claro em termos de mensagem de fundo.

Já falamos ontem um pouco sobre essa pouca clarividência na mensagem de fundo e até estavas a dizer ontem na análise do dia que a mensagem pode vir a mudar nos próximos dias, porque ainda está muito quente sobre o que aconteceu com o chumbo da reforma laboral. O que é que Luís Montenegro deve procurar neste discurso de encerramento? No primeiro discurso de abertura, ele até falou logo para fora, respondeu um pouco à postura do Chega. Aqui deve mostrar mais iniciativa política, lançar os próximos meses?

O ideal para...

Ou mais vai esperar pelo verão e depois logo se trata disso?

Pode haver essa tentação de achar que estamos no mundial de futebol, vamos ter o segundo jogo de Portugal na terça-feira, portanto qualquer coisa que seja dita aqui dura umas horas, depois acabando o mundial, verão, depois acaba o verão, vem o orçamento. Pode haver essa tentação. Eu, se tivesse que apostar, e tenho perdido muitas apostas ultimamente, por isso as pessoas têm que dar o devido desconto, diria que o ideal seria ele anunciar aqui a próxima grande reforma. Ou seja, vá o governo no sentido de dizer: "Nós somos reformistas, mesmo com o chumbo da reforma laboral, nós somos reformistas", ou vá pelo caminho alternativo de as oposições não nos deixam ser reformistas, seja qual for o caminho, ele anunciar aqui um novo combate.

Que não seja o mesmo, porque Maria do Rosário Palma Ramalho entendeu a entender que ia uma segunda tentativa.

Não, nós estamos naquele filme do Dia da Marmota, quer dizer, por amor a Deus, cada vez que acordamos está alguém a tentar aprovar um pacote laboral. Espero que não. Mas ele deveria ter uma nova medida simbólica para dizer: "Cá estou eu, não desisto. Cá estou eu e agora vamos ao combate, vamos fazer mais uma reforma. Eu quero reformar e agora temos isto". Não sei se vai fazer isso, mas vamos ver. Eu diria que era o que faria mais sentido, fazer um discurso redondo de espera pelo fim do verão e pelo fim do orçamento de Estado. Também já percebemos pelas conversas aqui na Rádio Observador com ministros e com altos dirigentes do PSD, eles não querem antecipar a conversa sobre o orçamento de Estado. Eles sentem que antecipar essa conversa é prejudicial para o governo, porque o coloca numa situação de paralisia, querem adiar o mais possível isso e tudo junto, eu diria que vem aí a próxima reforma.

Miguel, é isso que Luís Montenegro deve fazer nesta intervenção de encerramento?

Longe de mim dar conselhos a Luís Montenegro, mas parece-me evidente que depois da derrota que sofreram com a reforma laboral, têm que dar um sinal de que não estão parados. Já foi, aliás, mais ou menos anunciado que virá aí uma grande reforma da saúde. Não sei se é o campo ideal para se jogar neste momento. A saúde e dependendo da forma como se pega no tema, pode ser um berbicacho para Luís Montenegro. Aliás, tem sido. Basta ver o que fez na primeira campanha eleitoral, prometendo um plano em 60 dias para resolver os problemas do Serviço Nacional de Saúde e como isso o persegue ainda hoje. E portanto, o Serviço Nacional de Saúde ou o sistema de saúde, é sempre um campo delicado, mas parece-me que Luís Montenegro terá de dar um sinal. Ao mesmo tempo, sente-se também, tentando usar uma imagem, que o governo está de alguma forma a atravessar uma ressaca, porque apostou tanta energia, tanto foco e tanto trabalho na reforma laboral que agora para iniciar um novo ciclo de discussão, debate, negociação, parece estar a custar. E parece estar a custar porque olhando para os parceiros disponíveis, o Partido Socialista não está com muita vontade de levantar o adversário do chão e o Chega fará o seu caminho acusando o governo ter faltado aos reformistas, aos pensionistas, aos trabalhadores. Já se percebeu que é por aí que André Ventura vai e portanto não há saídas óbvias para Luís Montenegro. E aquilo que o Miguel dizia parece-me interessante, a ideia de que há uma certa ideia que paira no ar de que estão a gerir o tempo até se atirarem para o chão e gritarem penalty, porque é mais ou menos isso que vamos tendo nas conversas informais e eu e o Miguel Viterbo Dias estávamos a ter uma conversa lá fora com uma pessoa ligada ao partido, em que se dizia isso mesmo. Quer dizer, haverá uma altura em que Luís Montenegro terá, de facto, de insistir na questão da vitimização. Ainda não é o tempo, pelo menos não foi o tempo neste congresso, mas chegará a altura em que Luís Montenegro terá de insistir mesmo na questão da vitimização. O próximo orçamento de Estado pode servir para isso. Se o governo apresentar um orçamento provocador, no sentido de dar pouca chance a que Chega e Partido Socialista se revejam naquele orçamento, provocando os adversários e

Tentando provocar o erro nos adversários, pode ser aí o tal momento, o início da estratégia de vitimização mais acentuada.

Miguel, ontem já falamos um bocadinho disso, mas o primeiro dia ficou muito marcado pela presença dos ministros. Todos estiveram aqui, todos usaram da palavra. Maria do Rosário Palma Ramalho foi até das mais aplaudidas quando falou sobre a reforma laboral e foi a primeira reação de viva voz. Os ministros pareceram-te mais ou menos todos alinhados nesta questão de manter os dois partidos de forma equidistante e de continuar a negociar com os dois, ou foram existindo uns que iam puxando mais por um e outros por outro?

Acho que mais do que isso, o objetivo foi mostrar que estavam a fazer muita coisa. O guião que estava pensado para aqui era chegar com a reforma laboral aprovada e ter cada ministro a explicar que pequenas e médias reformas estava a fazer no seu ministério para passar a ideia de que estão a fazer muita coisa. O Luís está a trabalhar, que é uma loucura. E isso, obviamente, teve de se manter. Não dava para de repente teres 14 ministros-

14, salvo erro

...ou quantos foram, de repente a mudarem o discurso em cima da hora. Por isso, aqui, como dizia um dos ministros: "Viemos aqui prestar contas ao partido do nosso trabalho." E aquilo que nós vimos foi uma marca também muito comum no PSD. Os ministros mais aplaudidos foram ministras, e foram ministras em dificuldades e com uma imagem combativa. Palma Ramalho, Ana Paula Martins.

O que deita por terra a tua opinião de que deve vir aí uma remodelação.

Não, atenção. Sim, eu acho que o Luís Montenegro não vai fazer essa remodelação. Menos ainda fazer uma remodelação audaz, como por exemplo, fez o Rishi Sunak, o ex-primeiro-ministro conservador que à dada altura chamou o David Cameron, ex-primeiro-ministro, para ministro dos Negócios Estrangeiros. Não me parece que Luís Montenegro vá fazer isso. Acho que ele realmente vai manter o plano de eventualmente só fazer uma remodelação daqui a um ano, talvez chamar Sebastião Bugalho para o governo. Vai manter esta coisa de os primeiros dois anos serem de tentativa de fazer as coisas sem uma grande agressividade política e depois a partir daí, partir para o modo total de combate. Mas independentemente disso, acho que há uma questão de particularidades pessoais. Luís Montenegro tem uma grande dificuldade. Ele entende que fazer uma remodelação de um ministro ou de uma ministra contestada é reconhecer um erro, e ele não quer reconhecer um erro. É uma coisa que muitas vezes perde os primeiros-ministros. Esta teimosia de não reconhecer a realidade. E nisso ele é muito diferente de Cavaco Silva, porque Cavaco Silva tinha a frieza. Cavaco Silva remodelou Leonor Beleza.

E o Eurico de Melo, que era amigo.

Eurico de Melo, amigo dele, remodelou em 1990, quando ele fez a grande remodelação em que demitiu cinco ministros, um dos remodelados foi Miguel Cadilhe, que estava a ser atacado por toda a gente por causa da questão da casa nas Amoreiras, mas estava a ser atacado por toda a gente e ele não hesitou. Defendeu Miguel Cadilhe e depois, quando achou que era conveniente politicamente, remodelou. O próprio Cavaco reconhece que Miguel Cadilhe entendeu que houve ali uma quebra de solidariedade. Luís Montenegro, ouvimo-lo a falar sobre a ministra Palma Ramalho no próprio dia da derrota do pacote laboral, em que ele disse: "A ministra e eu é a mesma coisa." Não é a mesma coisa. Luís Montenegro, acho eu que devia entender que os ministros estão lá para, a dada altura, sim, serem demitidos, porque o mais importante é a saúde política do governo e o primeiro-ministro tem que se preocupar com a saúde política do governo, mesmo que isso implique, em certo sentido, sacrificar pessoas que foram leais e que ele entende que foram competentes e tudo isso. Mas o partido gosta muito de mulheres fortes, vem desde o tempo de Leonor Beleza, entusiasmou-se muito com a ministra Palma Ramalho e com a ministra Ana Paula Martins. Elas não se podem queixar de falta de solidariedade das bases. O problema das ministras é outro.

Miguel Santos Carrabatooso, esta questão da remodelação não vai entrar para já na agenda de Luís Montenegro, tendo em conta o estilo e o feitio.

Não, acho que pelo que conhecemos de Luís Montenegro, mexer em ministros ou remodelar ministros é a assunção de um erro e Luís Montenegro não é conhecido por gostar muito de o fazer. Não querendo repetir aquilo que o Miguel Pinheiro disse, acrescento um dado que acho que também deve pesar nesta leitura, que é: parece-me que a capacidade de captação do Luís Montenegro no partido está um bocadinho limitada. E digo isto porque, olhando para o que foi este congresso, o partido é o governo e o governo é o partido. Não há fora do elenco que Luís Montenegro escolheu, além de Sebastião Bugalho, naturalmente, Carlos Moedas e Pedro Duarte, mas esses estão noutros desafios, não há muito mais gente que nos faça parar e ouvir o que tem para dizer. E, portanto, também não sei se Luís Montenegro terá assim tanta matéria Tantos recursos humanos disponíveis para fazer uma remodelação alargada.

Teria que inventar mais um Luís Neves ou outro.

Pode sempre ir à academia.

Isso também já teve as suas falhas.

A questão é que faltam pesos políticos a este Governo e pesos pesados, em termos políticos, neste governo. E os que existem, de alguma forma, ou estão mais discretos, ou não falam tanto, ou não têm a exposição que gostariam de ter, ou não têm o espaço que gostariam de ter. E portanto, faltando esse peso político ao governo, não é por ir buscar alguém à academia, às empresas, pode ser muito bem intencionado, que vai dar uma nova vida ao governo. Acho que o que falta mesmo, ou o que tem faltado a este governo, é capacidade de combate político e acho que é o que também ajuda a explicar a promoção de Sebastião Bugalho a porta-voz do PSD. Veremos como é que isso se articula depois.

Em certo sentido, Miguel, ele não fez uma remodelação do governo, mas fez uma remodelação do partido.

Sim.

Dá-me ideia que ele percebeu que precisava fazer qualquer coisa. Repara, ninguém estranharia se tudo continuasse igual nos órgãos do partido. Ninguém estranharia que ele dissesse: "bem, isto é um momento de continuidade".

Aliás, Luís Montenegro, a sua primeira direção era bastante política. Paulo Rangel era o primeiro vice, Pinhal Pinto Luz. Houve ali uma primeira tentação de dar peso político à direção do PSD. Depois houve, no segundo congresso de Luís Montenegro, já como líder do PSD, fez-se ao contrário. Lucinda Damas foi escolhida para vice-presidente.

Entrou Leonor Beleza.

Entrou Leonor Beleza, mas que não tem obviamente a disponibilidade, nem a energia.

Uma espécie de chairman do partido.

Exato, não se espera que Leonor Beleza agora esteja a fazer combate político todos os dias. Houve ali uma inversão e agora volta-se ao plano inicial, que é dar peso político à direção. As pessoas é que fazem os cargos. Não me parece que Carlos Moedas e Pedro Duarte agora estejam muito preocupados em estar a defender o governo ou o partido. Sebastião Bugalho está limitado pelo fato de ser eurodeputado. Também não se percebe muito bem como é que será esta articulação entre estes dois papéis. O problema de comunicação existe, mas também não é isso que explica tudo.

Mas há um bom sinal, apesar de tudo. Realmente eu concordo que ele inundou o congresso com o governo. De facto, isto transformou-se numa espécie de reunião de governo, mas teve o cuidado de, no núcleo mais restrito do partido, dos vice-presidentes, não ter lá ministros. E isso fará com que ele oiça outras vozes. Não fique num circuito tão fechado quanto poderia ficar.

Até mesmo no espaço público, porque são pessoas com presença mediática.

Mas eu até acho que é importante um primeiro-ministro, de facto, não estar a ouvir sempre as mesmas pessoas e, acima de tudo, não ouvir apenas pessoas que dependem dele. E ali ele tem pelo menos duas pessoas, Carlos Moedas e Pedro Duarte, que ganharam uma legitimidade política própria e que, em tese, podem dizer-lhe o que pensam sem estarem despedidos. Exato. É isso. Se ele fez isso com esse objetivo, acho que é interessante. E depois, fica a dúvida sobre se isto é uma antecâmara para outra promoção de Sebastião Bugalho, o que o Luís Montenegro tem na cabeça para Sebastião Bugalho. E eu achei um pouquinho esquisito, voltando à questão do governo, por exemplo, ouvir aqui Luís Neves. Não sei se sou uma pessoa antiga. E claro, não tem problema nenhum.

Foi demasiado rápido.

Sim, ainda ontem era diretor da PJ, agora já está no congresso.

Escrito por António Costa, aliás, dizia-se que tinha simpatias.

Certo. E até acho que lhe retira alguma margem de atuação política. É evidente que a partir do momento em que ele vai para um governo, está a assumir um compromisso. Mas acho que até para o próprio Luís Neves e para Luís Montenegro, acho que seria mais útil que Luís Neves mantivesse aquela posição de independência de alguém que vem.

De autoridade.

E eu acho que isso fica um bocadinho reduzido a partir do momento em que ele está a discursar no congresso do partido. Mas lá está, Luís Montenegro achou que o mais importante era ter os ministros a explicarem todas as coisas incríveis que estão a fazer.

Miguel Pinheiro, nota intermédia deste congresso até ao momento. Depois sai a nota final para o meio semestre.

Para o congresso? Acho que vai ter de ser um 10.

É a ECU, não é a RFM.

Sim, acho que o próprio partido não sabe exatamente para onde vai e por isso também não se quis comprometer muito aqui.

Miguel Santos Carrabatozo.

Sim, acompanho o 10 do Miguel Pinheiro. Acho que é um congresso que acontece num momento de grande indefinição para o governo e para o PSD. Portanto, reconheço que seria difícil fazer muito melhor do que isto, porque há a ressaca da derrota da reforma laboral, há toda a expectativa sobre o que vai acontecer daqui para a frente, quando é que chega a crise e em que momento de forma estará o PSD nessa altura. Admito que seria difícil fazer muito melhor do que isto. Agora, também esperava, e vamos ver o que fará Luís Montenegro no discurso de encerramento, mas esperava outra energia no combate. E acho que faltou, de facto, uma mensagem clara em todos aqueles que fomos ouvindo ao longo deste primeiro e segundo dia do congresso.

Miguel Santos Carrabatozo, editor adjunto de política do Observador e Miguel Pinheiro, diretor executivo deste "O Vencedor É?", especial a partir do Velódromo de Sangalhos, onde decorre este 43º congresso do PSD.