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Não há dinheiro para resolver, vamos ter de ter dinheiro para amortecer a crise. Quando se compara a situação em que a economia portuguesa está neste momento, em inflação, em emprego e em investimento, com aquela que estava quando começou a guerra na Ucrânia, não tem comparação. A inflação era superior, o emprego era inferior, a taxa de desemprego era ligeiramente superior. Portanto, nós estamos com uma conjuntura que ainda não justifica medidas da dimensão que estão a ser propostas pelos dois partidos da oposição. E diria que neste momento o PS está a querer que o PSD, vamos ver se consegue, seja agora o partido do défice.

Celma, a Helena está a ser má para nós.

Não, a Helena está a ser muito realista. Eu queria já agora aproveitar para recomendar que todos os que não ouviram hoje o Contracorrente para irem ouvir, porque eu aprendi muito e nomeadamente com a Helena. Do ponto de vista político, porque não me vou meter com a Helena do ponto de vista económico.

Senão ainda apanhas.

Senão ainda apanho.

Apanha.

Eu queria só assinalar aqui uma suprema ironia. Luís Montenegro na oposição acha que o PS deve fazer aquilo que Luís Montenegro no governo não faz. O PS no governo acha que o PSD deve fazer no governo aquilo que o PS quando está no governo não faz. E nós andamos nisto há décadas. Andamos nisto há décadas. E não me venham com as várias teorias económicas, porque isto não é uma discussão entre economistas, entre os que acham que uma medida é melhor e aqueles que acham que uma medida não é melhor. Isto não é uma discussão entre economistas. Isto é uma forma de fazer política que eu acho que já não engana ninguém. Olha-se para as sondagens e percebe-se que já não engana ninguém, eu pareço hoje em dia um passista a falar, mas é nisto que eu acho que Passos, de facto, se distingue um bocadinho de tudo o resto. Ainda que o Passos tenha feito muita coisa com a qual eu não concordei e tenha até uma forma, muitas vezes, de encarar a política que me parece que anda ali um bocadinho a roçar o populismo. Mas para aquilo que me interessa aqui, eu prefiro que digam a verdade. Eu discordo da visão de alguém, mas eu olho para esse alguém e percebo que ele tem uma visão qualquer.

Sim. O problema é que nós fingimos que não. Exatamente.

Agora, esta coisa de andar a fazer política com um jogo de cintura, parece que andam a dançar sempre o samba, que é para um lado, para o outro. Não faz sentido. E esta discussão sobre o custo de vida, há coisas que são factuais, não são do domínio da opinião. Quer dizer, se juntarmos 100 economistas numa sala, há matérias em que todos eles concordam. Qual é a origem desta crise, qual é a origem desta inflação, o que é que um Estado, não é o facto de Portugal ser pequeno ou grande, Portugal até podia ser o dobro do tamanho do que é. Há uma limitação, que o Estado português há coisas que pode fazer e há coisas nas quais, pura e simplesmente, não pode mexer. E este tipo de discurso não existe, pelo contrário. Então andamos aqui a debater se é o IVA para aqui, se é o IVA para ali, se é um bónus aqui, literalmente a atirar milho aos pombos. E, na verdade, não se resolve nenhum problema a ninguém.

Sim, mas vamos continuar a ouvir aquela conversa de: em Espanha. É preciso perceber porque é que em Espanha há coisas que são assim assado e outras cá não são.

Só uma nota sobre isso. Em Espanha, os impostos já eram mais baixos antes. Já eram mais baixos antes.

Sempre foram mais baixos.

Sempre foram mais baixos. Eu sou jornalista desde 2002. Eu já perdia a conta à quantidade de vezes que se fizeram reportagens. Não era preciso haver uma crise sobre combustíveis. Sabes outra? A bilha de gás. A Espanha também é mais barata, mas sempre foi, porque eles sempre tiveram uma carga fiscal mais baixa sobre a energia.

Basicamente, não vamos longe com este tipo de táticas políticas.

Posso assegurar aos nossos ouvintes que na próxima segunda-feira vamos ter várias reportagens com várias pessoas a dizer nos postos de combustível: "Eu não percebo, eles já deviam ter baixado. Eles deviam baixar. Isto em Espanha é muito mais barato." É certinho como o sol.

Até é preciso ir lá para disparar as volts.

Uma festança de €175 mil. Tu já estiveste em festas mais caras, confessa.

Bom, não queria trazer isso aqui.

Sempre que vais ao porco no espeto.

Essa foi.

Ou chique nique.

Pique chique? Não.

Exato. Isto não vai acabar bem.

É a paixão do Luís, do Caio Moedas.

Do Caio Moedas.

Bom, mas estás a falar do caso dos alunos da Escola Secundária de Cascais?

Dos alunos não, da escola.

Não, a festa.

No meu tempo não havia festas destas.

Exatamente.

Era uma torta de Dan Cake. Já não existe, pois não, o Dan Cake?

Existe.

Ainda existe?

Existe a Dan Cake.

Existe.

Pronto, um grande abraço para a Dan Cake.

Sabes que durante 50 anos estes alunos tiveram aulas em pré-fabricados. 50 anos. Foram montados em 75 e eram provisórios.

Provisórios de caráter definitivo.

E ficaram meio século.

É como as pontes de Alcântara.

É isso. Agora, há uma escola nova, 32 milhões de euros de investimento, 44 salas, laboratórios, auditório, enfim. É uma boa notícia, de facto. Tão boa que a câmara achou que merecia não uma, mas duas festas, porque uma festa era pouco. Então fez a primeira há 55.

Se não for comemorar 50 anos, faz duas festas.

Um dia aberto para mais de mil pessoas. A segunda foi a 21, que foi a inauguração oficial para 600 pessoas, com o Presidente da República e o Primeiro-Ministro. Conta total: €175 mil.

Com IVA.

O que se compra com €175.000? Compra-se uma equipa de decoração de quatro pessoas, seis horas de um DJ, três músicos e um coreógrafo.

Coitados, seis horas a pôr música é muito tempo.

Seis horas.

Não lhe invejo a sorte. Desculpa.

Aqueles que trabalham em discotecas trabalham menos.

Seis horas seguidas? Não.

Trabalham cinco horas à vontade. Mas isso não interessa. Ele foi contratado para seis horas. Não sei, pagaram-lhe.

O sindicato dos DJs, por favor, entre em contacto com a "Babilónica Rural".

De acordo com a lei laboral, deve haver ali um momento de descanso.

Depois, três ecrãs, o maior com 56 metros quadrados. É o tamanho de um pequeno apartamento. Segurança, 10 dias de montagem e desmontagem. E uma passadeira. Não se pode pedir ao primeiro-ministro.

Eu percebi caçadeira.

Uma passadeira.

Uma passadeira?

Passadeira, sim.

Vocês estão muito distraídos.

Uma passadeira.

Passadeira.

Diz a Câmara que o PRR obriga a que os projetos acima de €10 milhões tenham um evento, estou a citar, "ou uma atividade de comunicação com relevante impacto mediático". E esta teve. Não foi a festa em si, mas foi o facto de a festa ter custado o que custou. O impacto mediático foi esse. Eu fiz contas, só porque me apeteceu, e somando as 1600 pessoas dos dois eventos, cada convidado custou €110.

Há casamentos mais caros.

Há, por pessoa.

Mas não havia comida?

Havia, havia croquetes.

Não sei, devia haver croquetes. Não sei, não vi nada sobre catering.

Num casamento, quando um convidado custa €110, normalmente há.

É para comer.

Só por isso é que eu perguntei.

Acho que havia.

Eu acho normal que de São Bento e de Belém tenha vindo silêncio. Ninguém quer comentar, obviamente. Compreende-se, comentar uma coisa destas. Acho que a Câmara de Cascais, talvez por ser Cascais, é um território mais endinheirado, tenha achado isto um bom preço. Eu acho um preço obsceno para aquilo que foi feito.

Mas deixa-me juntar só uns números. São dois eventos, dá €70 mil por evento. Eu fui fazendo as contas sem IVA. 10 dias dá €14 mil por dia.

10 dias de quê?

Não, isso foi a montagem.

A montagem era 10 dias. E além disso, se nós compararmos o que eles gastaram na festa com o investimento, é 0,6% do financiamento do PRR, que foi €24 milhões.

Pronto.

Portanto, 0,6%, depois percebem que é 0,6%, nós não vamos ter esse excedente orçamental.

Já estamos a exceder o tempo. Tens alguma nota para a Pândega?

Não tenho grande coisa a acrescentar a isso que já foi dito. Como sabem, também estou na área dos eventos, tenho alguma noção dos custos destas coisas. Não estejam descansados.

Não de DJ.

Eles precisam de vir pedir casamentos e batizados, que eu isso não faço.

Quanto custa um porco no espeto, Anselmo?

Lá está, não faço esse tipo de eventos.

Não dás de comer.

Se calhar fazia falta.

Assinalava só que, não querendo discutir exatamente o valor, acho que há uma ponderação.

Falta de bom senso.

Há uma ponderação que deve ser feita nestas circunstâncias, sobre até onde é que se vai nas decisões que se toma a esse nível. É só isso.

É uma falta de bom senso da Europa e da Câmara de Cascais.

O Alberto Gonçalves já está aqui à nossa espera. Amanhã há mais "E o Vencedor É?", nas manhãs 360.