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E o Vencedorete na Rádio Observador e em vídeo no YouTube, também nas redes sociais do Observador, hoje com a Helena Garrido, o André Azevedo Alves e o Miguel Santos Carrapatoso. Hoje vamos conversar sobre os novos cartazes da Iniciativa Liberal, mas primeiro, como o Benfica joga mais logo frente ao Hearts, na Escócia, vamos falar de futebol. Temos um primeiro-ministro que veste a camisola, neste caso, camisola para uma peladinha antes da Festa do Pontal, no Algarve. Luís Neves, que promete mão de ferro nesses dias para os infratores nas estradas, ficou fora dos convocados. André Azevedo Alves, há alguma leitura que possamos fazer da escolha do Mister Montenegro para alinhar nesta partida, uma vez que Luís Neves nem para o banco foi convocado?
Olá, boa tarde. Aparentemente, a treinadora era a ministra Graça Carvalho. Mas ninguém acredita que os convocados não tivessem saído da cabeça de Luís Montenegro e, eventualmente, do Hugo Soares. Acho que não devemos valorizar demasiado este tipo de evento, mas pareceu-me que Luís Montenegro e a sua equipa de comunicação estão a tentar passar uma imagem de descontração e a minimizar os problemas, um pouquinho aquela ideia, mais uma vez, do incha desincha e aqui procurar contribuir para o desinchar. É um jogo de futebol informal, etc. Eu diria que Luís Neves, mais do que não ter sido convocado, para manter na linguagem futebolística, já devia ter sido substituído. E acho que a não presença acaba por ter também uma leitura, mas eu acho que a leitura até mais significativa é o próprio tom do Luís Montenegro. A tal procura de minimizar ou passar ao lado da ideia de que há problemas sérios e nomeadamente de que o caso Luís Neves permanece por resolver, e procurar aproveitar a época e o maior relaxamento para ter também algum alívio do ponto de vista comunicacional. Sendo que, e com isto termino, Montenegro teve o cuidado de esclarecer que não era um momento de férias, mas antes um momento que permitia conciliar, e passo a citar, "algum descanso com atividades governativas e partidárias".
É team building.
É team building, tem todo o direito, acho que é até bastante saudável. O que era desnecessário era a tal promessa de que nem sequer ia ter férias e agora estamos nesta distinção semântica entre a partir de que momento é que o descanso passa a férias, se implica sair do território, não sair do território. Tudo isto teria sido evitado se Montenegro não tivesse optado pela tal estratégia comunicacional, que me parece bastante demagógica, de dizer que não ia ter férias. Nada contra o jogo de futebol, mas a estratégia comunicacional parece-me problemática e parece-me um pouco também tentar empurrar pra frente com a barriga e evitar reconhecer o elefante na sala e o problema que está por resolver, que é o problema do Luís Neves.
Helena Garrido, achas que à equipa governativa faltou alguma ambição e clarividência no último terço do terreno?
Com aquilo que eu percebo de futebol...
Eu ensino-te, Helena.
Há um terço, um terço, um terço.
Em qualquer jogo que tu estejas a ver, se tu disseres esta frase: "Faltou ambição e clarividência no último terço do terreno."
É capaz de ter faltado.
Aplica-se mesmo quando o Benfica ganha seis um. Aí por acaso se calhar não dá.
E posso dizer nos três terços do terreno.
Sim, e então que análise fazes desta jogatana?
Eu considero esta iniciativa lamentável por muitas e variadas razões. O primeiro-ministro, nas declarações que foi fazendo com os calções de jogador, disse que estamos perante um partido muito popular, o mais português de Portugal, e eu diria que agora é também o partido dos homens que jogam futebol, porque a pergunta é: onde é que estavam as mulheres? Havia a ministra do Ambiente a fazer de treinadora e eu não sei se para a próxima não querem fazer uma iniciativa.
Tinha pulseira elástica, não?
Acho que não a filmaram de frente e não fez declarações. Que eu tivesse visto, não fez declarações.
Deixa-me só dizer, Helena, não queria interromper, mas para também ajudar a tua reflexão, é que o PS, entretanto, já publicou um vídeo onde há várias deputadas, aparentemente, eu não vi o jogo.
A jogar?
Que participaram do jogo, pelo menos dão testemunho equipadas a rigor. Eu não sei se jogaram ou não.
Eram equipas mistas.
Aparentemente sim. Eu não vi as imagens do jogo.
As reportagens jornalísticas.
Mas estavam presentes, pelo menos estavam vestidas a rigor.
Esperemos que estavam presentes e não era a fazer tricô, nem renda, nem com o lanche para os jogadores. Esperemos. Eu confesso que acho esta iniciativa lamentável. Os líderes de um país devem elevar a população para cima, não a puxar para baixo. Só falta mesmo o fado, porque até era interessante ver a sequência das reportagens nas televisões. Tínhamos Fátima e a seguir o primeiro-ministro a jogar futebol com o Hugo Soares e uma série de homens de meia-idade a darem toques na bola. Eu não sei o que o PSD quer. Um partido que ainda por cima é uma referência.
Deixa-me fazer aqui de-
Advogado do diabo
...advogado do diabo. Então e se fosse o Obama? Não era um tipo engraçadíssimo que estava a jogar ténis ou futebol?
Ele jogava muito basquete, o Obama.
Basquete? Jogava e joga.
Mas eu não acho que o primeiro-ministro não deva jogar futebol. Não me parece é que possa enquadrar um jogo numa iniciativa político-partidária e num partido importante como é o PSD, e um partido de poder como é o PSD, e num partido que é uma referência na conquista dos direitos das mulheres, nomeadamente através da sua vice-presidente, a doutora Lia Nobre Lima, que é o único grande partido que já teve uma mulher como líder. Até podem achar que isto é um bocadinho woke, mas nós não podemos passar do woke para o polo oposto. E aquelas reportagens e imagens são lamentáveis. São pura e simplesmente lamentáveis. Os símbolos são muito importantes em tudo, e são importantes também na política. Os políticos enviam mensagens para as pessoas, e nesta época em que nós vivemos, com riscos de sobrerreação ao woke, aos excessos que se fizeram a este nível da igualdade, diversidade e equidade. Um governo não se preocupar com isso, é que isto não é só um exemplo. Há muito pouco tempo, o governo, através de um Conselho para a Ação Climática, como não conseguia garantir a paridade, em vez de seguir a recomendação do presidente da Assembleia da República, resolveu enviar para o Parlamento uma alteração legislativa em que a paridade passava a ser facultativa. Isto não se pode resolver assim. Eu sei que o Hugo Soares, para defender o primeiro-ministro, disse que eles eram muito populaches, eram muito do povo quando foi ver o jogo, sem isso tudo.
Quem não gostava de bola, no fundo, era queque.
Exatamente. Então, a questão aqui não é de ser queque ou não, é termos lideranças que elevam a sociedade ou não elevam a sociedade.
E Miguel Santos Rebelo Toso, um especialista com obra publicada sobre a tática do losango, não tais. Ainda.
Eu confesso que antes de entrar no estúdio não estava à espera de discordar tanto dos meus colegas de painel sobre um tema como a questão do futebol. Antes de mais, Helena, estava agora a rever o vídeo e só para alertar, não estive lá, não vi o jogo, não sei qual foi o nível de participação das deputadas sociais-democratas, mas o facto de elas surgirem nas imagens equipadas, só para ter algum cuidado nessa questão do apartheid de género que supostamente foi decretado neste jogo de futebol. Não me parece que tenha sido o caso, embora não estive lá.
Não é o jornalismo que não teve pai.
Não sei. Se for as imagens, não quero fazer esse processo de intenções. É o que é. Estou a ver um vídeo publicado nas redes sociais do PSD e estão lá, de facto, até dão testemunho duas senhoras, uma delas a deputada Bárbara Reis. Espero não me estar a enganar no apelido. Depois sobre a questão do futebol em si, também importa dar aqui algum contexto: é que historicamente no Pontal sempre existiram ou foram existindo jogos de futebol. Portanto, o PSD teve essa tradição no passado.
Há 30 anos, não é? Pelo menos um deles.
Foi o Rui Rio.
Aliás, Rui Rio até recuperou esse jogo de futebol.
Sim, foi o Rui Rio, exato.
Mas existia no passado, até estava agora a ler um artigo de opinião do José Mendes Bota, que é um histórico do PSD Algarve e que organizou muitas edições, e em que faz referência a isso mesmo. Esse texto foi publicado agora mesmo no Observador, este dia, hoje, em que dizia que havia os jogos populares, futebol entre urbanos e rurais, até havia corridas de motos, do tiro aos pratos. Enfim, há uma tradição.
De se meterem no passado.
Se calar, não tenho uma opinião tão apaixonada.
Uma entrada à vez um.
Não me parece. Acho que os partidos também devem ter este lado mais popular. Não me parece que devam estar fechados numa conceção menos tradicional. Enfim, podem fazer o que bem entenderem. Não acho que um jogo de futebol seja particularmente grave para a imagem de um partido, mesmo que o partido esteja no poder. Depois, um comentário em relação ao jogo em si. Aliás, eu vinha falar sobre isso mesmo.
Sobre o jogo?
Sobre a forma como o jogo foi comunicado.
Eu vou daqui a pouco apitar para a pausa de hidratação, mas deixa aqui o teu teaser.
Em rigor, nós jornalistas fomos sabendo que este jogo ia existir há cerca de uma semana. Até se dizia que ia ser amanhã, sexta-feira, antes do pontapé, de manhã. Depois percebemos junto do PSD que o jogo afinal seria hoje, quinta-feira. Não foi comunicado institucionalmente, não há nenhuma nota do PSD a comunicar a existência deste jogo de futebol. Os jornalistas sabiam. Há uma equipa da SIC que vai lá. Creio que a Agência Lusa não foi, por exemplo, tanto quanto eu tenha visto.
Não foi o PSD do Algarve que comunicou?
Também já estive à procura de notas do PSD do Algarve, não encontrei, mas o PSD institucional, aquele PSD de Montenegro, não anunciou isto. E aqui, mais uma vez, é onde eu estou em desacordo com os meus colegas de painel, porque me parece que houve vergonha de anunciar isto, pelo contrário.
Já vamos continuar.
Um jogo clandestino.
Já vamos continuar a conversar sobre esta partida de futebol que, para os mais distraídos, é mesmo "E o Vencedor É?" e não "E o Campeão É?", o programa da Rádio Observador em que discutimos futebol. Só para resumir aqui posições, porque o debate estava bom, como se impõe no mundo da bola. André, queres só resumir aqui num instante a tua posição em relação ao jogo de futebol no Algarve entre o PSD de Luís Montenegro e o PSD Algarve, que a equipa de Montenegro, que equipava de laranja, venceu por 4 x 1.
Naturalmente que a equipa de Montenegro venceria sempre. Como comecei por dizer, não me parece que seja algo que tenha muita relevância. Ao contrário da Helena, a minha crítica não é tanto focada na questão de género. Admito que a crítica possa ser feita também por essa perspectiva, mas como o Miguel referiu, e confesso que também não tinha reparado, tal como a Helena não tinha reparado nas notícias que vi, mas há a participação também de dirigentes, deputadas e ministras, há a tal questão da treinadora. Agora, o que me parece é que o objeto de crítica principal é mesmo o tom de Luís Montenegro e a forma como é referida a ausência de Luís Neves. Portanto, não foi convocado, mas certamente estará num jogo futuro. Portanto, é um bocadinho com a casa a arder, procurar passar uma ideia de normalidade, está tudo bem, como dizia o Hugo Soares, é um governo popular. No fundo, não há problema nenhum e o jogo decorre nesse contexto. O meu problema não é especificamente com o jogo, mas com a repetição, no contexto do jogo, de um padrão comunicacional do PSD e deste governo, que eu acho que ajuda muito a perceber por que o governo está como está, o país está como está, e por que a AD, nomeadamente nas várias sondagens que vão saindo, está francamente mal e nalgumas até já em terceiro lugar.
Helena, vamos resumir também a tua posição.
Eu confesso que as imagens que vi na televisão me chocaram. Agora, posso admitir que seja por causa das questões de género, que seja eventualmente muito sensível às questões de género e considerar que as lideranças devem dar o exemplo. E neste caso concreto, eu concordo com o André, obviamente, que percebe-se o que se está a fazer. Está, com o jogo de futebol, a tentar desvalorizar a crise e a situação política em que o PSD está. Percebe-se isso perfeitamente. Não me parece que seja bem-sucedido, mas eu se calhar presto atenção aos queques e às bolhas. E não me parece que este tipo de estratégia, de considerar que com táticas de divergir de assunto, com as táticas de diversão, melhor dizendo, que se consegue disfarçar o facto de o governo estar com graves problemas e ter nas mãos um problema como o do Luís Neves, que se começa a ser cada vez mais parecido com o problema do Luís Montenegro, que nos levou a eleições.
Miguel.
Sei que estamos a ficar sem tempo para a segunda.
Não, temos tempo.
Eu estava a explicar e eu acho que isso-
Estamos em agosto, temos tempo.
Easy.
Estamos a falar de um jogo de futebol entre a equipa de Montenegro e a equipa de Cristóvão Norte. Portanto, acho que temos tempo. Só que eu estava a acrescentar uma perspectiva que me parece relevante. E dizia eu que este jogo de futebol não foi comunicado institucionalmente, nem pelo gabinete do primeiro-ministro, nem pelo gabinete de Luís Montenegro enquanto líder do PSD. Também pelo que eu percebi, não foi comunicado pelo PSD Faro. Os jornalistas sabiam informalmente que o jogo ia acontecer. Obviamente, aquilo era num espaço aberto, não dava para impedir que entrassem. O Luís Montenegro depois falou aos jornalistas, mas isto para enquadrar o momento em si. O que me leva à minha crítica, e a minha crítica é precisamente no sentido oposto à crítica que a Helena e o André fizeram
O PSD está tão preocupado em passar uma imagem do primeiro-ministro que só tira uns dias de férias, de um partido que joga a bola quase às escondidas. Estou a usar uma expressão exagerada.
Na clandestinidade.
Para que não possa ser nunca acusado de estar em festa num período difícil, como tem sido infelizmente sempre o mês de agosto, no que respeita ao combate aos incêndios. Sabemos, e aqui não é nenhuma graça que estou a fazer, que o PSD está escaldado depois do que aconteceu no Pontal no ano passado, onde aquelas imagens a beber gin e a anunciar a Fórmula 1. Sabemos tudo isso, mas eu acho que é possível encontrar, e eu acho que as pessoas, quem assiste a este lado mais lúdico da política, os eleitores de uma forma geral, conseguirão perceber que há formas de equilibrar tudo isto, há o bom senso. É evidente que se o país estivesse, de facto, numa situação muito dramática em termos de incêndios, este jogo de futebol cairia muito mal. Não me parece que seja o caso. Também me parece que as pessoas conseguem compreender que um primeiro-ministro tenha de tirar férias. Portanto, a necessidade que houve do gabinete do primeiro-ministro dizer que só ia tirar uns dias esporádicos, pareceu-me uma manobra de relações públicas algo patusca.
Miguel, deixa-me só complementar uma coisa.
O erro esteve aí. O primeiro-ministro nunca devia ter dito isso.
Mas foram os jornalistas que perguntaram ou foram eles que tomaram a iniciativa de dizer? É que eu não consigo perceber.
Mais uma vez, não tenho a certeza absoluta disto, creio que foi a Agência Lusa que perguntou ao primeiro-ministro como é que iam ser as férias e terá sido dada aquela informação, como aliás acontece todos os anos. Acho que foi assim, não tenho a certeza, mas acho que foi assim. Mas só para completar o arco. Dois errados não fazem um certo. O gabinete de Luís Montenegro teve o cuidado de dizer que o primeiro-ministro poderia, se a agenda assim o permitisse, tirar uns dias e uns fins de semana. E foi isso que fez. Portanto, a ideia de que agora Luís Montenegro quebrou uma promessa que Luís Montenegro nunca tinha feito, também deve merecer a nós alguma reflexão. Não foi um bom trabalho jornalístico a exploração das alegadas férias de Luís Montenegro. Agora, há um problema de origem, como dizia o André, que é esta necessidade de um primeiro-ministro, por achar que fica bem na fotografia, dizer que não vai tirar mais do que alguns dias de férias, quando o primeiro-ministro tem não só o direito, como o dever de tirar férias e descansar. Com o jogo de futebol parece-me que se passou mais ou menos a mesma coisa, quase alguma vergonha de mostrar um partido que pratica um desporto popular, o desporto mais popular do país e dá pelo menos uma mensagem de incentivo à prática de exercícios físicos. Já não é mau ver aqueles homens, alguns deles já com uma barriguinha bem avançada, correr atrás de uma bola, não faz mal nenhum e acho que os eleitores também não merecem ser infantilizados a esse ponto. Há momentos em que o governo tem de estar focado na ação governativa e o partido do poder também, e há outros momentos de alguma descontração que também não são pecado.
O André ainda queria acrescentar alguma coisa?
Não, era só relativamente à questão das férias. Me parece que, de alguma forma, estas discussões a que o Miguel se está a referir, e eu estou de acordo no essencial em relação à questão das férias com o que o Miguel referiu, mas a gênese do problema vem das declarações de Luís Montenegro. Luís Montenegro criou uma questão, depois é feita uma exploração, concordo em algumas notícias, que é excessiva e que é incorreta, mas é feita uma exploração de uma questão que o próprio Luís Montenegro, a meu ver, mais uma vez de forma demagógica, veio colocar em cima da mesa. Até daria um bom exemplo dizendo: "Não é só direito do primeiro-ministro, é responsabilidade do primeiro-ministro tirar alguns dias de descanso para estar em melhores condições para governar." Portanto, eu acho que aqui o problema que está na base, no fundo, de todos estes episódios, é a tal atitude comunicacional que me parece errada e que me parece, isso talvez seja o que importa até mais ao PSD e ao governo, que me parece que não vai funcionar e que não está a funcionar. E acho que o PSD ainda não percebeu isso e se calhar só vai perceber da pior maneira daqui por algum tempo, porque provavelmente os dirigentes do PSD continuam convencidos que com esta estratégia, empurrando as coisas um pouquinho pra frente, que as coisas acabarão por se resolver. E eu acho que não vai acontecer assim e o PSD provavelmente vai ser uma das principais vítimas precisamente desta estratégia.
E há uma nota, André, para a exibição?
Para o jogo de futebol, mas mais para a estratégia comunicacional e com a ressalva, mais uma vez, não parece nada de particularmente grave, nove valores.
Helena?
É um quatro para esta estratégia de menorizar as pessoas e a regressar ao passado.
E o nosso trinco Miguel Santos, que era fatuoso.
Posição onde eu nunca joguei por motivos óbvios.
Nunca diria, Miguel.
Dou uma negativa ao PSD, uma negativa alta, enfim, um oito, mas pelos motivos absolutamente opostos aos da Helena e do André. Lá está, não se pode agradar a gregos e troianos. Imaginar e preparar a estratégia de comunicação de um partido e de um governo não deve ser nada fácil. Eu acho que aqui a ideia de esconder as férias, e esconder um jogo de futebol, e tratar tudo como se fosse um grande problema de relações públicas, acho que é desnecessário. Acho que o PSD não perde nada por se divertir também e mostrar um lado mais positivo da governação.
Os homens do PSD.
Helena, aqui, mais uma vez, vamos ter que ver os burutos da Câmara Municipal.
Temos que ver quem é que alinhou e quanto tempo.
O VAR, temos que chamar o VAR.
Quantos minutos jogou cada deputado.
Exatamente.
Quantos toques na bola.
André, vamos continuar no domínio artístico, neste caso, vamos falar de cartazes, de artes gráficas, exatamente sobre os novos cartazes da Iniciativa Liberal?
Exatamente, e mais uma vez também de estratégias comunicacionais. Relativamente aos novos cartazes, eu acho que os novos cartazes de alguma forma simbolizam a crise que a Iniciativa Liberal atravessa. Não porque sejam particularmente maus, eu acho que não há nada de desastroso nos cartazes, acho até que Mariana Leitão é fotogênica, está bem nas fotografias, só que são cartazes banais. Ou seja, são cartazes que para um partido que se afirmou pela diferença, e nomeadamente pela diferença do ponto de vista comunicacional, pela ruptura, por uma forma de desafio ao sistema, mas desafio ao sistema num registo bastante diferente do Chega. Portanto, não desafio ao sistema de ruptura completa do sistema, mas desafio ao sistema com uma boa dose de ironia, introduzindo ideias, pelo menos no contexto partidário português, novas. São cartazes mornos, são cartazes banais. Portanto, é aquela fórmula da líder com um slogan, uma palavra, uma expressão curta. E eu acho que isso simboliza um bocadinho o esgotamento, pelo menos neste momento, não quer dizer que não possa ser ultrapassado, o esgotamento, a falta de inspiração do próprio projeto Iniciativa Liberal. Porque se nós olharmos para aqueles cartazes, o que é que há ali de diferente dos cartazes standard, digamos assim, da política portuguesa? E eu estou a pensar nomeadamente no PS e PSD. E acho que isso provavelmente ajuda também a perceber por que é que no atual contexto político em que a AD, e voltamos ao PSD, a AD está particularmente fragilizada, por que a IL não consegue capitalizar. Seria natural neste momento, com a AD sistematicamente abaixo dos 30%, nalguns casos em terceiro lugar, o governo notoriamente fragilizado, com a viragem sociológica à direita que houve no país nos últimos anos, sabendo que André Ventura continua a ter, como se viu nas presidenciais, uma elevada taxa de rejeição em muito eleitorado de centro-direita, portanto, que pode estar insatisfeito com a AD, mas que nem todo ou uma grande parte desse eleitorado não está facilmente disponível para transferir o voto diretamente pra André Ventura. Portanto, a Iniciativa Liberal estaria numa posição ideal para aproveitar esse potencial. Aliás, nas presidenciais, em que o PSD apresentou uma candidatura desastrosa, João Cotrim de Figueiredo mostrou isso. Teve um resultado próximo dos 20% e não ficou muito longe até de passar à segunda volta. E portanto, a IL também, tal como os cartazes, não é que esteja numa posição desastrosa nas sondagens, mas está numa posição similar à que estava em contextos anteriores, não descola, a nova liderança não se consegue afirmar e, a meu ver, estes cartazes acabam por ser simbólicos dessa situação. E é um bocadinho desta, não digo um beco sem saída, mas desta desorientação e falta de inspiração e se calhar até esgotamento em que o projeto Iniciativa Liberal se encontra neste momento com a liderança de Mariana Leitão.
Helena.
Concordo inteiramente com a análise do André. De fato, onde é que estão os criativos e onde é que está a criatividade que marcou muito os cartazes da Iniciativa Liberal e a sua própria mensagem.
Os cartazes voltaram a ser importantes nessa altura, não é?
Exatamente. E isso mostra que os cartazes podem ser importantes se forem criativos. Se forem cartazes com fotografias do líder e uma frase, dificilmente se tornam importantes. A Iniciativa Liberal parece, de facto, estar aqui num impasse, um bocadinho perdida, e sem grande capacidade ou nenhuma capacidade de mobilização do eleitorado. A Iniciativa Liberal tinha aqui características de mobilização, sobretudo do eleitorado jovem. Era um partido que transmitia uma imagem moderna e jovem. Parece-me estar a perder esse élan, e isso significa que os jovens podem ficar com poucas alternativas, no sentido em que podem ficar ou com os partidos tradicionais ou com o Chega.
Ou com o Chega, claramente.
Alguns deles, exatamente. E pode gerar-se aqui algumas surpresas, embora o segmento eleitoral do Chega, dos estudos que existem, o Chega não gosta muito que se diga isto, fica muito zangado, mas é isso que mostram os estudos, o eleitorado do Chega tem sobretudo qualificações mais baixas. Isto pode romper-se se a Iniciativa Liberal não tiver a capacidade de mobilização dos jovens que revelou no tempo de Cotrim de Figueiredo e de Carlos Guimarães Pinto.
Miguel.
Olhe, estamos todos de acordo desta vez.
Exato.
É sério.
Desta vez não tem sido tão interessante. Mas há pouco dizíamos que não deve ser nada fácil pensar a estratégia de comunicação de um governo, mas olhando para o caso da IL, também não será um desafio nada simpático. É um caso único, é um partido que tem pelo menos quatro, entre a atual líder e os outros três antecessores, estão todos no ativo, estão todos a fazer política. João Cotrim de Figueiredo, Rui Rocha e a própria Mariana Leitão. Portanto, são quatro cabeças que foram o rosto do partido nos últimos seis anos ou cinco. E portanto, é muita gente a disputar protagonismo, dificuldades em ter uma mensagem Que consiga captar o eleitorado que está na AD e que continua a alimentar a AD. E depois, continuando a falar da questão da comunicação, além dos cartazes, é ver estilos muito diferentes. Quem acompanha a forma de comunicar de Carlos Guimarães Pinto pode perfeitamente comparar com a forma como o Rui Rocha comunica. Ainda hoje o antigo líder da Iniciativa Liberal publicou um vídeo a aconselhar as pessoas da esquerda a irem pra Cuba, pra Flotilha, pra irem ter com o Sanches. É uma forma de comunicar muito idêntica àquela que outras figuras de outros partidos fazem. Isso traz muitas dificuldades à Mariana Leitão, que é assessora do Rui Rocha, de se afirmar. São formas de comunicar muito diferentes e são tentativas de captar a atenção do mesmo eleitorado, mas com estilos muito diferentes e aparentemente formas de estar na política muito diferentes. E depois há João Cotrim Figueiredo, enquanto João Cotrim Figueiredo existir politicamente, e enquanto estiver a tentar liderar um movimento e enquanto continuar a tentar capitalizar os votos que teve nas eleições presidenciais, é muito difícil para qualquer líder da Iniciativa Liberal afirmar-se no espaço político. Acho que o partido e os militantes da Iniciativa Liberal ainda não perceberam o sarilho em que se estão a meter. As próximas eleições, se houver a ideia que há uma possibilidade real de o Partido Socialista ficar em primeiro nessas eleições, a meu ver e a esta distância, acredito que a Iniciativa Liberal vá ser a principal prejudicada, porque a tendência dos eleitores de direita será votar na AD para impedir que o Partido Socialista-
Miguel, ou no Chega.
Ou no Chega, sim.
Ou no Chega, que pode também ficar em primeiro.
Estou a assumir que quem não-
Quem rejeita o Chega.
Quem rejeita o Chega, exatamente.
Certo. De acordo.
A Iniciativa Liberal deveria estar muito preocupada com a situação em que está.
Concordo.
Deveria começar já a arrepiar caminho, mas vejo muita gente a pensar no próprio umbigo de Carlos Guimarães Pinto a Rui Rocha, passando por João Cotrim Figueiredo. Vejo Mariana Leitão com muitas dificuldades em afirmar-se. E estes cartazes também são um reflexo disso mesmo, de alguma pobreza de ideias neste momento.
Vamos à nota?
Vou repetir o oito, na esperança, na expectativa de que a Iniciativa Liberal consiga perceber o sarilho em que está a entrar.
André?
Eu vou ser mais generoso, vou dar um 10, mas com a ressalva de que com um 10 a Iniciativa Liberal não vai a lado nenhum.
Helena?
Um nove para ir à oral e refletir um bocadinho.
E amanhã, há mais e o vencedor é, nas manhãs 360, depois das 08h30. Amanhã, a Helena Matos e Alexandra Machado juntam-se ao José Melo Fernandes e ao Paulo Ferreira.