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E o vencedor é na Rádio Observador e também no YouTube e nas redes sociais do Observador, com a Raquel Bacasis, o António Costa e o Luís Rosa. Vamos olhar para a inflação, também para a escolha de Carlos Cabreira para diretor da Polícia Judiciária, e ainda para uma sondagem que diz que metade dos inquiridos defende uma revisão da Constituição. Mas vamos começar pelo Relatório Anual de Segurança Interna relativo a 2025. Luís Rosa, com base nestes dados do chamado RASI, o primeiro-ministro diz que Portugal é um país seguro. Subscreves?
Diria que sim. Acho que continua a haver razões para nos considerarmos um país seguro. Efetivamente, não é com base no RASI, mas sim com base em dados estatísticos comparativos de estudos que são feitos a nível global, como o Índice de Paz e outros estudos semelhantes, nós de facto somos dos países mais seguros do mundo. Isso tem sido atestado por entidades internacionais. O RASI dá-nos uma imagem da criminalidade que é participada, seja por denúncia, seja por ter sido detetada pelas autoridades. Portanto, é um retrato geral do estado da criminalidade em Portugal, tem dados objetivos, mas não apanha toda a criminalidade praticada no país. Permite-nos perceber, de ano para ano, quais são os tipos de crimes que sobem ou descem, aqueles que têm razões para nós estarmos mais preocupados, outros que há razões para termos menos preocupações.
Ou seja, Luís, às vezes é necessário para percebermos melhor isto, pode haver uma maior participação de um determinado crime, o que não quer dizer que existam mais crimes daquela natureza, não é?
Precisamente, era isso que eu ia te referir. Já vou dar exemplos concretos, mas dando primeiro uma ideia da tendência geral. E a tendência geral é de estabilidade, o que é positivo. Ou seja, em termos gerais, não há grandes oscilações. A criminalidade geral aumentou 3,1%, o que é um valor relativamente baixo, mas a criminalidade violenta, por exemplo, que no ano passado tinha aumentado, este ano diminuiu 1,9%. Também não é um dado muito significativo. Agora, há boas e más notícias. Boas notícias: há uma redução ligeira da violência doméstica, continua a ser o crime que de longe é aquele que tem mais participações e mais inquéritos criminais. Os relatórios anuais do Ministério Público dizem-nos isso também desde há muitos anos, é a violência doméstica e a cibercriminalidade, mas é o terceiro ano consecutivo com descida no RASI, ou seja, é o terceiro ano consecutivo com menos participações em relação ao ano transato, o que é positivo. Houve também igualmente descidas muito significativas, por exemplo, de crimes violentos, como roubos a bancos, a postos de combustíveis, roubos nos transportes públicos, residências. Estes dados são relevantes porque indiciam também as virtudes de uma melhoria da situação económica, um aumento do poder de compra e um desemprego baixo, também é importante. Más notícias: os crimes de violação registaram o valor mais elevado da última década. Têm vindo a aumentar nos últimos anos e houve aqui um aumento significativo, 6,4%.
Foram mais 35 casos do que no ano anterior, para 500 e tal, não é?
Sim, o que é um aumento percentual significativo. Os crimes relativos à imigração ilegal, lá está, é um bom exemplo daquilo que eu estava a dizer. Temos falado muito, nomeadamente do ponto de vista político, da questão da imigração ilegal. O próprio governo também passou a ter uma maior atenção a esta matéria face, por exemplo, ao governo de António Costa. Há aqui uma prioridade política que é dada a esta matéria, isso fez com que disparassem as participações. Estamos a falar de uma subida, sendo que este crime tem diversas categorias. Há aqui várias questões diferentes, mas que podem ser todas vistas como crimes relativos à imigração ilegal, subiu 251%. Estamos a falar de 262 participações. É um aumento muito significativo. E a questão da droga, os crimes estupefacientes, o aumento de apreensões, isso também se verificou. Houve um aumento de crimes relacionados com venda de estupefacientes, como também o aumento das apreensões. O facto de Portugal ser um porto de entrada ou uma forma de entrada de redes de tráfico de droga na Europa, isso tem uma consequência, temos batido recordes de apreensões, por exemplo, nos últimos anos.
Luís, deixa-me ouvir também o António Costa e a Raquel Bacasis. Só fazer-te uma pergunta, porque tu percebes muito disto.
Eu percebo mais, não sou um especialista de segurança interna, longe disso.
Mais criminalidade económica e ao fim da semana, mas é uma dúvida muito rápida. Isto, no fundo, são os crimes participados. Não temos dados sobre quem são os suspeitos de cada um dos crimes.
Não. Isto é um velho assunto, no Justiça Cega já trouxe vários especialistas de segurança interna para debater sobre isso. Vamos pôr aqui o elefante na sala, em cima da mesa, que é: este aumento de criminalidade está relacionado com a imigração? É a pergunta que se faz há muitos anos. Os dados não são desagregados pela nacionalidade. Há entidades, há autoridades que os tratam dessa forma, mas genericamente, e no RASI, isso não é feito dessa forma. Há países que o fazem, por exemplo, a Suécia faz isso, mas nós não fazemos. E portanto, ao não fazermos, não conseguimos ter essa ideia relativa. Nós não sabemos se há uma relação entre uma coisa ou outra, e portanto, não temos dados objetivos para poder afirmar uma coisa ou o seu contrário.
Raquel.
Acho que era essa a tua ideia da pergunta que me quiseste fazer.
Era esse o objetivo, por isso é que te fiz essa pergunta, porque acho que é um tema importante, não é? Tu sabes ler o meu coração.
Eu não sou nada especialista nestas coisas, mas acho que é o tema que, como cidadã, me inquieta, porque eu até admito que esses dados possam não vir a público, que fiquem circunscritos a algumas autoridades, mas acho que há aqui dados preocupantes. Eu refiro-me ao dado do aumento das violações, acho que é uma coisa muito preocupante. A imigração ilegal também. E a violência doméstica continua a ser preocupante, apesar de estar a diminuir.
Mas apenas 2%.
Continua a ser um flagelo em Portugal. Só para terminar, eu acho que não se podem combater os problemas sem se saber as causas. E acho que o facto de não termos dados sobre isto é um obscurantismo ideológico que eu não consigo compreender e que acho que era razoável, fora do discurso político extremado, que esta questão fosse colocada em cima da mesa, porque não faz qualquer sentido que nós não possamos saber, assim como sabemos que na violência doméstica, e isso o estudo revela, que são mais homens a bater em mulheres do que mulheres a baterem em homens, por que não podemos saber o resto e não deveremos saber o resto para perceber como é que podemos atacar este problema, que não é um problema de somenos. Uma pessoa violada é uma pessoa que fica com a vida estragada. Portanto, acho que não é uma coisa de somenos.
Muito rapidamente, era só para dizer o seguinte: em relação à questão dos dados estatísticos, há especialistas que defendem que os dados estatísticos devem ser tratados de acordo com a nacionalidade dos suspeitos, ou seja, deve-se saber qual é a nacionalidade desses suspeitos, mas esses dados devem ser mantidos fora do espaço público.
Estou de acordo.
Ou seja, devem ser mantidos na reserva das autoridades. O ponto é que nós nem sequer temos isso. Nós nem sequer fazemos esse tratamento. E eu aqui concordo com a Raquel.
Portanto, abrimos caminho a todo o tipo de especulações.
Claro, acho que nós devemos derrotar esse politicamente correto e devemos tratar estes dados de acordo com a nacionalidade para pelo menos as autoridades terem essa informação.
António.
Eu, como sou mais economia, vou dar aqui um enquadramento e uma nota que me parece importante.
Economia é tudo, António.
A economia é tudo e está em tudo mesmo. E também está aqui.
Sobretudo no nosso bolsinho.
E também está aqui, porque apesar de tudo, estes dados não criam um problema de imagem de insegurança que em anos recentes foi discutida também nesse contexto, sobre o aumento da insegurança e como isso poderia ou não afetar um setor que é particularmente relevante, eu diria excessivamente relevante, e não por responsabilidade própria, que é o turismo, mas por talvez falta de comparência de outros setores. Mas de facto, o peso do turismo é tão relevante, tão expressivo, que qualquer indicador como estes de segurança, que ponham em causa a imagem do país, pode ser um problema. E nós já temos tantos. E portanto, estes dados, apesar de tudo gerais, quer do aumento, apesar de tudo limitado do crime, quer sobretudo da diminuição da violência mais grave, são indicadores que nos tranquilizam desse ponto de vista da avaliação externa do país e de imagem. Não desvalorizo estes efeitos das violações e da violência doméstica, porque isto também causa, desse ponto de vista mais económico, de percepção, uma ideia que não é muito positiva.
Nós estamos a falar praticamente de 30 mil denúncias nos casos de violência doméstica.
Sim.
É um número impressionante.
É um número assustador.
Há anos que é assim, há 10, 15 anos que é assim ou mais tempo. É impressionante.
E sabemos que há alguma resistência em denunciar.
Sim, ainda por cima.
Imenso também.
Ou seja, a realidade ainda está pior.
Significa que esta realidade ainda está subavaliada.
Porque aqui, como explicávamos, estamos a falar das participações.
Da criminalidade participada.
Mas que aumentou. Também há um aumento do número de participações, nomeadamente este tipo de crime, o que obviamente é positivo que haja mais participações.
Há uma maior consciência social.
Então, até tivemos um caso mediático, por exemplo.
Sim, mas acho que desse ponto de vista, apesar de tudo, os números globais deixam aqui espaço. Há aquela frase, que é uma frase feita, mas que é obviamente muito verdadeira, que é: um crime, qualquer que ele seja, sobretudo quanto à integridade física de alguém, é um crime a mais do que o que deveria acontecer. Mas tendo em conta esta análise que estou a tentar complementar do ponto de vista económico, não será por aqui, nesta fase, que o país terá problemas a esse nível.
Só para dar aqui duas notas rápidas. Eu concordo com tudo o que o António disse agora, mas vendo outro ponto de vista, outro assunto, outro prisma. A criminalidade económico-financeira também subiu. Isso tem muito a ver também com a maior prontidão da Polícia Judiciária, por exemplo. Tem muito mais inspetores, houve um reforço dos recursos humanos e a direção nacional liderada por Luís Neves já previa isso, que era com mais inspetores, passado um ano, dois ou três, irão ter mais casos, mais capacidade de investigar, ou seja, há mais capacidade de investigar, há mais processos.
E a malha também apertou, não é?
Sim, a malha também apertou. Agora, há aqui um dado que é muito importante também, uma questão também muito atual, que é a questão da prevenção do terrorismo e de fenómenos radicais. Nós no ano passado tivemos uma polémica com o RASI, porque esta parte, que eu agora vou descrever muito sucintamente, não fazia parte do relatório e agora faz parte, ou seja, é a prevenção do terrorismo e os fenómenos radicais, em que se analisa a preponderância da extrema-esquerda e a preponderância da extrema-direita, dos dois extremos Políticos na ligação à criminalidade, nomeadamente criminalidade violenta, atentados contra a integridade física e também fenómenos de terrorismo. Isto a propósito também do ataque do anarquista que foi recebido na manifestação pró-vida. Eu gostava realmente de elogiar o sistema de segurança interna, porque desta vez não houve polêmica e estas páginas estão aqui, estão na parte da prevenção, chama-se prevenção de terrorismo e fenômenos radicais, está tudo aqui devidamente descrito, em que não só a extrema-direita é descrita como deve ser, ou seja, tem tido uma presença relativa no espaço público com fenômenos violentos, isso deve ser denunciado e censurado, mas a extrema-esquerda também. Portanto, está aqui descrito que tem havido aqui um aumento da presença, nomeadamente de anarquistas, de radicais ambientais e de negacionistas, com uma inspiração ideológica de extrema-esquerda, e está aqui devidamente registado. Não é um fenômeno preocupante, está a ser acompanhado pelas autoridades, por isso é que está aqui registado, isso é positivo, mas é importante nós estarmos atentos e acima de tudo tenhamos o equilíbrio de reconhecer que temos problemas de radicalismo de extrema-direita, mas também temos problemas de radicalismo de extrema-esquerda.
Dás uma nota pro RASI?
Eu daria uma nota pro RASI, por esta última questão que eu agora acabei de dizer, eu daria um 14, porque eu acho que é importante que a opinião pública tenha dados sobre esta violência com origem política.
Eu estava a pensar num 12, mas junto-me aqui ao 14 do Luís pelo princípio. Há mais informação e o caminho que deve ser seguido é mesmo mais informação, mais detalhe sobre a natureza destes crimes.
Raquel?
Eu dou um 12, na esperança de que pro ano, assim como este ano recuperaram na questão do terrorismo e da violência dos extremos, se comece a fazer este caminho de perceber qual é a origem destes crimes, sobretudo os mais predominantes.
Sei Luís, vamos dar uma nota para a escolha do novo diretor nacional da Polícia Judiciária. Já agora, aí em duas linhas, quem é?
Neste momento eu não lembro o nome.
Carlos Cabreira, eu chuto.
Carlos Cabreira, olha, está a ver, a rádio em direto tem esta beleza.
Era o homem da criminalidade informática.
Exatamente. Mas eu acho que é uma escolha inteligente, Luís Montenegro, que eu queria começar. É uma escolha do primeiro-ministro. A recondução de Luís Neves já tinha sido decidida pelo primeiro-ministro. Obviamente que a ministra da Justiça também foi ouvida e também contribui para a decisão. Mas, em primeiro lugar, é uma continuidade, ou seja, representa uma solução de continuidade do trabalho que foi realizado nos três mandatos de Luís Neves. Continuidade também porque é um polícia que sucede outro polícia, é assim desde 2008 na Polícia Judiciária, quando Almeida Rodrigues substituiu o procurador Alípio Ribeiro. Esta continuidade também era defendida internamente na própria Judiciária e portanto isso faz com que muito provavelmente não vá haver grandes mudanças em termos de estrutura da Polícia Judiciária. E eu acho que é importante porque esta ideia de estabilidade, de continuidade de estabilidade, porque a Polícia Judiciária é uma organização, de fato, complexa e tem apresentado resultados nos últimos anos. É um perfil muito mais discreto que Luís Neves, embora esteja habituado a falar publicamente, já costuma dar entrevistas com regularidade. Carlos Cabreiro é uma pessoa mais discreta. Não me parece que vá ter tanta presença no espaço público como teve Luís Neves, se calhar vai dar espaço a outras pessoas da direção nacional em conferências de imprensa, eventualmente. Agora, este último ponto que eu queria assinalar. Como eu disse há pouco, a propósito do RASI, o cibercrime, a cibercriminalidade, é um dos fenômenos com mais inquéritos criminais desde há muitos anos no nosso PIB, equiparada à violência doméstica. São os dois grandes fenômenos de criminalidade que temos em Portugal, violência doméstica e cibercrime. Esta unidade liderada por Carlos Cabreiro foi criada em 2016. Ele foi o primeiro diretor. Foi diretor durante 10 anos de gestão da unidade de combate ao cibercrime. Ele apresentou muito bons resultados. Não é só pela questão do Rui Pinto, não é só pela questão deste adjunto da ex-ministra da Justiça que foi detido por suspeitas de pornografia infantil. Não é só por causa disso. É também por os dados, as situações que têm mais inquéritos, são situações como burla informática, posse e tráfico de conteúdos de pornografia infantil e acessos informáticos ilegítimos. E a Polícia Judiciária tem feito um grande trabalho nesta área e muito devido a esta unidade liderada por Carlos Cabreiro. Portanto, esta promoção é uma promoção de mérito, se quiseres. Eu acho que era isso que eu queria enfatizar.
Queres dar uma nota?
Quero dar uma nota de 15 à escolha de Luís Montenegro para a Polícia Judiciária. Acho que é uma boa escolha.
Raquel Pissis, temos uma sondagem do ISPCT sobre a necessidade de revisão constitucional ou não, são cerca de mil inquiridos, e metade defende que sim.
Sim. Mais de metade.
Mais de metade.
58%, quase 60% defendem que sim.
A Constituição que faz 50 anos esta semana.
Esta sondagem é não só sobre a revisão da Constituição, é sobre a Constituição e como é que ela é vista pelos portugueses, portanto, é mais abrangente do que só a questão da revisão constitucional. E eu trago este tema aqui porque eu ouvi a notícia logo de manhã e a primeira lampadinha que se me acendeu na cabeça foi: "Olha, isto são exatamente as reclamações do André Ventura e a sua proposta para uma revisão constitucional", que ele, de resto, anunciou ontem. Não sei se já conhecia os resultados desta sondagem ou se foi porque estão agora a aparecer.
Não há coincidências.
Não há coincidências.
Diminuição do número de deputados, por exemplo.
É verdade, mas eu acho que esta sondagem tem uma leitura numa segunda camada que me parece interessante e que eu acho que tem muito a ver com aquilo que se passa na política nacional. Nós percebemos que, por um lado, há um consenso geral em torno da Constituição, mas há uma grande maioria que a quer rever, e essa grande maioria está sobretudo à direita e não à esquerda. E depois há estas ideias formadas. Quais são as duas grandes matérias em que a maior parte das pessoas, 85% das pessoas, concordam que deve ser alterada a Constituição? Criminalização do enriquecimento ilícito e redução do número de deputados. Eu não sei, porque não conheço a sondagem a fundo, se foi perguntado a alteração do sistema eleitoral, que me parece que faria provavelmente muito mais sentido, ou se foram aquelas perguntas que estão na espuma dos dias e que as pessoas respondem instintivamente. De qualquer forma, o que me parece é que o que esta sondagem revela é aquilo que nós sentimos à flor da pele no espectro político português, que é: as pessoas acham que é muito importante mudar a Constituição, porque a Constituição trava alguns caminhos que a maioria do eleitorado neste momento considera necessários, e não percebemos se considera essas alterações necessárias porque elas fazem parte do discurso político ou porque as pessoas sentem isso propriamente nas suas vidas. E depois vemos a minoria de esquerda a defender muito a Constituição tal qual ela está, o que me parece que também reflete aquilo que nós vemos. Depois, a sondagem também faz aqui uma divisão entre aqueles que estão mais contrariados com os princípios constitucionais, dizendo que estão sobretudo nas classes mais desfavorecidas, enquanto que 63%, que vivem mais confortavelmente, se reveem bastante bem na Constituição, o que também nos leva a perceber como muitas vezes estas opções têm muito a ver com a condição de vida das pessoas. E mais uma vez aí se percebe que André Ventura está a ler bem aquilo que vê no país. Depois também se pergunta sobre alterações às leis laborais. E a grande maioria diz que não, que não é pra alterar a lei da greve, enfim, uma série de normas.
Mas as perguntas que aqui estão como as mais rejeitadas também, enfim, permitir os despedimentos sem justa causa. Isso não é propriamente uma flexibilização da lei laboral.
Certo, mas é a interpretação. Mas por isso é que eu digo, eu não conheço a sondagem a fundo, mas parece-me que as perguntas que aqui são feitas são aquelas que estão na espuma dos dias. É exatamente isso que eu digo.
Devia ir tão ao extremo que mais valia terem perguntado, sei lá, querem acabar com o código laboral e ficar sem direitos? 100% diziam não.
Uma pergunta interessante pra sondagem, não sei se o Pedro Adão e Silva se lembrou dela, que é o seguinte, que é quem fez esta sondagem, que é: os portugueses concordam que os funcionários públicos e os funcionários do setor privado tenham regras laborais diferentes?
Pois, essa pergunta não está feita. Exatamente. Sim, quer dizer, achamos nós que não está feita. Eu faço sempre aqui a ressalva que eu não conheço o documento todo, só conheço aquilo que foi publicado e aquilo que o próprio Pedro Adão e Silva foi dizendo da sondagem ao longo do dia. Finalmente, e aqui também mais uma vez há uma percepção que parece confirmar-se, em relação à confiança em relação às instituições, há 48% de pessoas que desconfiam do governo, 44% que desconfiam da Assembleia da República e, apesar de tudo, só 34% é que desconfiam do Presidente da República, talvez porque ele também só tomou posse aqui há alguns dias.
Posso só fazer uma nota? É o que eu gostava de saber.
Deixa-me só ouvir a nota da Raquel para o estudo.
Não, é assim, eu correndo o risco de poder estar a ser injusta, vou dar um 9 àquilo que se sabe desta sondagem, porque também os autores da sondagem têm responsabilidade na forma como ela é divulgada. E aquilo que saiu cá pra fora, de fato faz muito pouco sentido as perguntas que foram feitas.
Eu só gostava de saber uma coisa que é interessante.
E ajudam mais, deixa-me só acabar. E ajuda uma narrativa que aparentemente os autores do estudo quereriam combater.
Contrariar.
Só uma coisa muito rápida que eu também gostava de saber, a preponderância, por exemplo, dos inquiridos à esquerda e à direita. Porque é claro, politicamente, que é isso que André Ventura está a tentar explorar, neste momento existe um quadro parlamentar que pode permitir a revisão constitucional. Por quê? Porque há uma maioria de dois terços à direita. Эти inquiridos também são uma maioria de dois terços à direita ou não são? Como é que é? Ou é equitativo, não sei. É que a revisão constitucional depende muito mais da direita do que da esquerda, porque a esquerda não quer mudar a Constituição.
Mas este estudo dá razão a André Ventura e a uma direita que se queira juntar para alterar a Constituição.
E o António ainda quer falar sobre a inflação que está...
Pois, essa coisa desagradável, que são os preços.
Upa, upa.
É uma chatice. A primeira notícia que foi conhecida hoje, uma inflação de 2,7% em março, um salto muito significativo. É preciso ponderar isto com outro dado que normalmente não passa nas notícias. Há o indicador geral da inflação e é o que se chama inflação subjacente ou core, que não inclui nem combustíveis, nem alimentação, nem produtos transformados e alimentação.
Que foram os que mais subiram, não é?
Sim, e portanto, sem esses dois componentes, a inflação acelerou apenas uma décima Na geral, acelerou bastante para 2,7%, e sobretudo empurrada pelos combustíveis. Não é provavelmente surpreendente que a inflação geral tenha aumentado. A dúvida que me começa realmente a preocupar, confesso, é que me parece pouco provável que não haja uma transmissão à economia deste efeito dos preços dos combustíveis. E isto atira-nos para uma dimensão de saber não exatamente se os juros vão aumentar para travar isto, mas quando é que vão aumentar e quanto é que vão aumentar para combater este nível de preços. Tive a oportunidade hoje de ler com outro detalhe a análise mais técnica à decisão da semana passada de não subir os preços. A presidente do BCE criava, no fundo, implicitamente, três cenários. Um cenário de inflação comedida, portanto, com aumento ligeiro e muito temporário, um mais relevante e outro severo. E o severo é uma ideia ou perspetiva, antecipação de uma projeção de inflação acima de 4% nos próximos dois a três anos. E se isso se vier a confirmar, as próximas semanas nos dirão, as próximas semanas e dois, três meses nos dirão.
Esperamos nós.
Nos dirão se é severa, se é contida, se está ali a meio-termo.
Porque também este vaivém permanente de Trump não nos permite fazer grandes contas.
É verdade, mas como o BCE alertava, já há estragos suficientes à conta desta guerra que fazem com que mesmo o fim da guerra não permita normalizar imediatamente o que tem sido o contexto económico. Ora, a confirmar-se o pior dos cenários, com perspetiva de inflação acima de 4% para os próximos dois anos, é inevitável uma subida de juros mais significativa que aquela que se estava a supor, que eram subidas de juros de 0,25, duas subidas durante este ano de 2026. O que obviamente vai apertar muito o bolso de toda a gente e vai travar a economia. Se nós percebemos e ouvimos o Banco de Portugal antecipar um abrandamento económico de 1,8% para este ano, com uma perspetiva limitada de impacto dos preços, os cenários severos, já estamos a falar de outra realidade. Eu creio que estamos aqui numa situação, não quero dizer precipício, também não quero dramatizar em excesso, mas uma situação de maior incerteza e eu diria, juntamente com maior probabilidade, de que tenhamos um cenário entre o grave e o severo, o que traz-nos muitas dúvidas sobre o andamento da economia europeia e obviamente portuguesa, nos próximos 12 a 18 meses, durante o ano de 2026 e durante o ano de 2027.
Já não temos tempo para a tua resposta.
Mas faz a pergunta que eu respondo amanhã.
Eu estou a responder amanhã. O governo poderia ou já deveria estar a fazer mais do que está a fazer?
Não. Estes dados, aliás, confirmam exatamente isso.
É melhor esperar e tomar uma decisão a cada momento.
Volto a dizer com respostas direcionadas, porque é mais preciso.
Obrigado. E amanhã há mais "E o Vencedor é". Obrigado à Raquel Abecasis, ao António Costa e ao Luís Rosa. Amanhã temos "E o Vencedor é" depois das 08h30 da manhã, como é hábito, nas manhãs 360. Amanhã com Alexandra Machado, José Manuel Fernandes, Paulo Ferreira e Bruno Vieira Amaral.